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Diário de uma Caçadora

Para entenderem a minha loucura precisam, primeiro, de conhecer a minha paixão. Quero mostrar que a minha paixão é muito mais do que o simples acto de matar... Que a minha paixão é uma forma de estar na vida!

Diário de uma Caçadora

Para entenderem a minha loucura precisam, primeiro, de conhecer a minha paixão. Quero mostrar que a minha paixão é muito mais do que o simples acto de matar... Que a minha paixão é uma forma de estar na vida!

Quem são os Caçadores?

Quem são os Caçadores? Coloco, a mim própria, esta questão frequentemente. Afinal de contas, quem são os caçadores? Que mundo é que habitam? Que coisas é que fazem?

Esta questão pode ser interpretada de três formas, de três pontos de vista distintos: por um lado, temos o grupo de caçadores que se vê de forma bastante peculiar, sem muitas explicações, sabendo bem o que fazem neste mundo. No lado oposto, temos os fundamentalistas e os defensores extremos dos animais, que vêm os caçadores como os assassinos que deveriam levar um tiro (quantas e quantas vezes já ouvimos isto...). E, ainda noutra perspetiva, temos o chamado "meio termo", ou seja, cidadãos comuns, que não são caçadores, mas que entendem a importância da caça e de uma gestão cinegética adequada.

Vivemos assim, num mundo "governado" por diferentes perspetivas, por diferentes maneiras de ver a vida e, consequentemente, a caça e os caçadores. 

Nunca conseguiremos acabar com fundamentalismos e extremos, é certo; no entanto, podemos tentar expôr a nossa visão e, principalmente, expormos o que de mais íntrinseco está connosco: NÓS PRÓPRIOS! O nosso interior e o mais profundo do nosso íntimo, enquanto caçadores.

Porque, no fundo, somos apenas humanos. Somente isso: humanos. Que têm e vivem em função de sentimentos e emoções. Como toda a gente... Sem diferenças de cor de pele, sem diferenças de altura, sem diferenças de gordura, sem diferenças sexuais... Enfim... 

 

E portanto, quem são os caçadores?

São meramente isso: seres humanos. E, como todos, vivem em busca da felicidade... Têm sonhos, têm objetivos de vida, têm problemas, têm um papel na Sociedade (como toda a gente tem). 

Os Caçadores vêm de famílias. Têm um pai e uma mãe. Foram, outrora, crianças indefesas e sem maldade. Foram crianças que se formaram adultos, com a educação que receberam e na Sociedade em que estavam integrados. Tornaram-se adultos e, também eles, esses caçadores, constituiram família. São pais ou são mães... 

 

E porquê este discurso? O que tem isto a ver com a caça? Fundamentalmente, porque é preciso entenderem que os caçadores são pessoas normais, com famílias. E, portanto, quando querem atacá-los devem também pensar que têm pais em casa ou filhos, que estão a ver tudo e que, consequentemente, sofrerão com o que acontece...

Isto tudo devido aos ataques que são feitos a esta classe (se é que podemos chamar os caçadores de classe). Por conseguinte, é preciso haver respeito. É preciso perceber-se que, atrás de um homem ou de uma mulher "que só matam animais" há pessoas. E, como somos seres pensantes e racionais, temos de saber respeitar, para também nos conseguirmos dar ao respeito.

Seres humanos! Estes seres humanos que são os caçadores... Que são os fundamentalistas... Que são os cidadãos comuns... Todos somos iguais, todos nascemos e morremos, com o mesmo sentido: viver! E se todos temos essa liberdade de escolha, de viver em função da nossa felicidade, todos nos deveríamos saber respeitar uns aos outros. Ao vivermos, ao conquistarmos os nossos sonhos e ao alcançarmos a nossa felicidade, daremos muitas quedas, caíremos em muitas armadilhas e isso mexerá connosco. 

Os caçadores também choraram... Os caçadores também riem... Os caçadores também sofrem... Os caçadores também têm frio e calor... Os caçadores têm, como todos os seres humanos, sentimentos!

E, esta classe de seres humanos, deverá ser respeitada, pois estamos num mundo democrático, onde há liberdade de expressão...

Então caçadores, quem são vocês?

Somos apenas seres humanos, que gostariam de viver livremente... Somos seres humanos que se preocupam com os animais! Somos seres humanos que se preocupam com a Natureza e com uma gestão cinegética, para que os animais sobrevivam, para que não se extingam... Somos seres humanos que não ficam sentados no sofá, a ver o tempo passar... Somos seres humanos que ajudamos a Economia do nosso País a crescer... Somos seres humanos que respeitam os animais, que não os fazem sofrer porque, até ao momento da morte (em que não sofrem, na maior parte dos casos), eles foram livres e felizes...

Mas, acima de tudo, somos seres pensantes e racionais, ou seja, temos "ligeiras" diferenças dos animais... Não sujeitamos os animais a espaços reduzidos, onde não se podem mexer... Não sujeitamos os animais a roupas e chapéus, a comerem de talheres e/ou a ouvir música para adormecerem... Mas conseguimos respeitar quem o faça! Porque a nossa liberdade termina, onde começa a vossa... 

E não precisamos de vos atacar, de dizer (como bem ouvimos) que vocês, que estão contra nós, passariam por uma pessoa ferida na rua e viravam a cara. Que preferem os animais aos seres humanos... Isso podem ou não ser verdades ocultadas... A nós não nos interessa! Porque a nossa liberdade termina, onde começa a vossa...

 

A nós só nos interessa continuar a fazer o nosso trabalho... Só nos interessa continuar a reger-nos neste suposta liberdade... Nós, predadores, temos esse direito! E, para isso, não podem continuar a usufruir da vossa liberdade, sem antes respeitarem a nossa (ou a de qualquer outra pessoa)...

Porque somos, todos nós, apenas isso: Seres Humanos! 

E temos de deixar cair a máscara que nos enche de fundamentalismos... Seja para um lado, ou para outro!

 

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II Feira de Caça e do Mundo Rural do Cadaval

Uma aldeia pequena, no "meio de montes e vales"... Quiçá as expetativas para muitos fossem pequenas... Quiçá muitos pensassem que seria apenas mais uma feira... Mas não foi! Mais uma vez, a Associação de Caçadores do Cadaval e a Câmara Municipal do Cadaval presenteram-nos com uma Feira da Caça e do Mundo Rural muito bem organizadas, quer em termos de stands, quer em termos de provas/ demonstrações/ conferências.

 

Fui convidada, pela organização, para fazer a minha apresentação "A Caça como uma forma de estar na vida", no Sábado de manhã. A audiência foi fantástica, colocando questões e comentários muito pertinentes. Espero ter transmitindo a quem quis ouvir, um bocadinho daquilo que que tinha para dizer... Obrigada à organização e a todos os presentes!

 

No Domingo, realizou-se a segunda Prova de Santo Huberto da Oestecaça para apuramento do Campeonato Nacional da CNCP. Uma série com 10 concorrentes, julgada pelo José Pedro Leitão, João Paula Bessa e Samuel Lourenço.

Além desta série, formou-se uma série extra apuramento, que contou com 10 concorrentes. Esta série, julgada por mim e pelo meu querido Paulo Filipe, correu bastante bem, com todos os concorrentes a terem oportunidade. Aliás, o tempo estava excelente para a modalidade, com um vento que ajudou muito os cães na sua busca e consequentes paragens. As paisagens eram lindas, típicas da Serra de Montejunto (local onde foi realizada a prova).  

Na barrage (a barrage é a final das duas séries, ou seja, o primeiro e segundo concorrentes que ganharam cada série vão disputar o 1º, 2º, 3º e 4º lugar do Troféu da Feira da Caça). Os resultados ficaram assim organizados:

1) Nuno Godinho, com Sevilha, Braco Alemão Fêmea;

2) João Pereira, com Fusca, Braco Alemão Fêmea;

3) Luís Delgado, com Kimi, Braco Alemão Fêmea;

4) Sérgio Fernandes, com Lucas, Braco Alemão Macho.

 

Uma final só com braco alemão... Nas Provas de Santo Huberto, o cão mais utilizado ou que mais costumamos ver é, de facto, o Braco Alemão. Porquê? Escreverei sobre isso no próximo post, sobre a raça Braco Alemão e a sua utilização em Portugal.

 

Seguidamente, fomos contemplados com um almoço fantástico (de referir que o Cadaval tem, entre outras, a particularidade de nos oferecer refeições ao mais alto nível). E seguiu-se a Prova de Morfologia. Apresentei vários cães, nos grupos Podengo Português e Cães de Parar. Fiquei em terceiro lugar com a minha Podenga pequena, de pêlo cerdoso, Baga. 

 

Ficam as fotografias... Agradeço, mais uma vez, a todos os que fizeram parte deste fim de semana e a todos os que tornaram possível que esta Feira da Caça se tornasse já uma referência, a nível nacional, vindo pessoas de Norte a Sul!

Um grande fim de semana, graças a todos vocês :)

ML.

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Magia numa noite de Lua Cheia

Todos querem uma solução mágica para tudo... Mas muitos recusam-se a acreditar na magia! 

Depois de uma noite de lua cheia absolutamente mágica, acredito verdadeiramente que a magia existe... Só temos de esperar... De saber vivê-la... E de perceber que a magia está nas pequenas coisas, nos mais ínfimos pormenores... Temos apenas de saber encontrá-los e vivê-los!

 

E, deste modo, venho falar-vos da noite mágica que tive... Uma noite de espera aos javalis... Uma noite em que os caçadores se preparam para ver o fruto do seu trabalho... "O quê? Alimentar javalis para depois os matarem?" Talvez não seja bem assim... Já perceberão, mais à frente...

O relógio frisava as 19:00 horas, com uns números grandes e bem salientes. Íamos mais cedo, para ver como estavam os cevadouros. No caminho, observamos um bezerro deitado no chão, sozinho, mal se mexia... O meu coração palpitou... Paramos o carro, de forma abrupta. (De referir que as vacas e os bezerros andam sempre por ali). Saímos apressadamente, para ver o que se passava. Chegamos perto do bezerro e este, que se tentava levantar e fugir, com muita dificuldade, olhava para nós com um ar de suplício. A mãe, sempre alerta, veio logo a correr, junto a nós, com medo que algo se passasse. De repente, olhamos a nossa volta e tinhamos uma manada a rodear-nos. O instinto de proteção dos animais é, de facto, fantástico. Só temos a aprender com eles...

Vimos logo que o bezerro não estava bem. As fezes muito líquidas e apresentava já sinais de desidratação. Marcámo-lo com uma cruz e depressa fomos buscar antibióticos, soro e vitaminhas que lhe demos, mal chegamos. (Dois dias depois ele já está bem, a correr e a brincar no meio do campo e com a mãe sempre a olhar por ele).

Uma noite mágica que começa com um salvamento de uma vida...

 

Ao voltarmos, para entrar no cevadouro, apercebo-me de algo. Um porco? Só via a traseira, mas algo diferente do que um javali me habituara. Rapidamente o bicho se vira e vejo que é um porco manso. Estaria perdido? Teria fugido? Que história trazia aquele porco consigo? Caminhando calmamente à frente da carrinha, este porco macho, gordo, poderia estar já há algum tempo na "vida selvagem"... Continuou caminho... Nós continuamos o nosso... Porque não o matei? Porque o meu objetivo não é matar... Só por matar... Muito menos porcos mansos... Se bem que muitos o fariam... Feliz ou infelizmente... Depende apenas das perspetivas que temos na vida...

 

Prossegui caminho... E vejo uma lebre! Normalmente, quando tenho estas visões mágicas, a melhor caraterização que encontro, a noite de espera não me corre mal... Veríamos... Se há ou não superstições... Se elas fazem ou não sentido!

Chegamos. Vimos o cevadouro, todo comido... Levou-me a pensar que seria um grupo, dado o que tinham feito. Vimos o vento, posicionamos a carrinha, abri o vidro e esperei. (Com este frio, a carrinha ainda é a opção que escolho, sendo que o tiro é sempre mais difícil).

 

O Sol punha-se, no horizonte... Começava a escurecer... E os pensamentos emergem, em segundos! Pensamos nos problemas, pensamos nas pessoas, pensamos em nós... Sobretudo, pensamos na vida! Sobretudo, pensamos... Henry Ford dizia que pensar é o trabalho mais difícil que existe. E que poucos se dedicavam a ele... 

Sendo ou não um trabalho difícil, é um trabalho que adoro; sobretudo, nestas noites de lua cheia, em que todas as "gavetinhas" desarrumadas que temos no nosso cérebro, parecem se arrumar, em segundos, apenas com o brilho do luar, com o cantar das corujas ou dos rouxinóis...

 

De repente, nesta envolvência de pensamentos, vejo as vacas a virem em direção à carrinha. Um animal bastante curioso, penso... E assim ficam, quase encostadas à carrinha, a rodearem-na e a olharem fixamente para mim... Eu olhava para elas e sorria. Certamente que não percebiam o que eu fazia! Mas percebiam que eu não era, de forma alguma, uma ameaça... E então, esta imagem levou a uma magia de noite de lua cheia! 

Uma noite no meio do campo, com a lua a brilhar, com uma manada à minha volta... A "proteger-me"? Foi essa a sensação que tive... Que nada me deteria nesse momento... Eu e as minhas novas companheiras, numa noite em que percebi que o maior problema, aqui, agora, é apenas a incapacidade física! De resto, tudo se resolve... Um bezerro com uma incapacidade, poderia não sobreviver. Mas um bezerro, ou uma vaca, sãos e fortes, poderiam correr mundos e fronteiras, à procura da felicidade... Do alimento, no caso específico deles... Não deveríamos também nós, humanos, seguir este exemplo? Unirmo-nos (tal como esta manada se une) e mover-nos até ao alcance da nossa felicidade???

 

De repente, a vaca mais velha chama as outras... Todas a seguem, sem perguntas, sem "gritos", nem "discussões"... Sem aquilo a que nós chamamos educação, democracia ou tolerância...

 

Num ápice, perco-as de vista... A noite está fria! Olho para o céu, pouco estrelado... Vejo um avião a passar... Qual será o destino? Quais serão as histórias de vida que as pessoas que vão naquele avião têm para contar? E de repente olho para uma estrela... A única que está no céu... Olho e sorrio! As lágrimas vêm-me aos olhos... Pensei na minha avó... Há algum tempo que não pensava assim, desta forma, nela... Que saudades que eu tenho! Que todos nós temos dela...

Muitos dizem que acreditam na vida depois da morte... Que os mortos nos vão dando sinais... Não penso nisso sequer. Nunca pensei, nem tenho uma opinião formada! Mas nesta noite, ao olhar para a estrela, pensei para mim que poderia ser "a minha avó". E então sorri, mais uma vez... E falei-lhe... Disse-lhe que tinha saudades dela! Que me desse algum sinal, caso estivesse efetivamente ali! Para um cético, estes sinais nunca existem, não é?

A verdade é que enquanto "falava" com esta estrela, e ia dizendo estas coisas "malucas" (ou não)... Ouvi um barulho! Um barulho estrondoso, é de ressalvar!

 

A lua iluminava bastante mas, ainda assim, não conseguia ver muito bem! Mas eu sabia que estavam lá... Ligo a mira, que nos permite ver melhor, escolher melhor e não atirar a todo o tipo de caça. Depressa me apercebo do que se passava. Nunca tinha visto tantos porcos juntos...

Rapidamente tirei a mira da cara, respirei fundo e olhei para a estrelinha, que continuava lá no céu, a cintilar. Disse "obrigada avó". Acreditando ou não, senti que tudo isto tinha sido mágico! E, neste momento, interessava-me bem mais os sentimentos, do que a razão ou a lógica! 

 

Peguei novamente na arma, liguei a mira e fiquei a deslumbrar...Porcos pequeninos, outros com cerca de 20 a 30kg... Percebi que havia duas ou três maiores, que seriam as porcas... E um ou dois machos de 50 kg, que se foram esfregar na árvore e depressa se foram embora! Cerca de 20 a 30 porcos... Fui contando, mas perdia-me... Eles comiam, brincavam, ralhavam uns com os outros... 

 

A magia, pura e simplesmente, aconteceu nesta noite... Decidi que não ia atirar! Opções... Parvoíce? Estupidez? Não! Simplesmente opções... Fiquei bastante tocada com tudo aquilo que me aconteceu... Estava nervosa... O coração palpitava mais (aliás, bem mais) do que o costume! Sabia que tudo isto tinha mexido comigo... Podendo não ter nada a ver e ser, simplesmente, uma coincidência, mexeu! Não poderia ter sido de outra forma... Se fosse, talvez não tivesse tido esta magia que teve... E agradeci! Por mais uma noite mágica de lua cheia! Agradeci por ser caçadora e por ter estas oportunidades que tão poucos têm... Ou não querem ter!

ML.

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XXXII Monográfica Perdigueiro Português

Os meus fins de semana costumam ser recheados de animais, Natureza, amor, alegria... Este não foi exceção! Tinha acabado de escrever sobre a raça Perdigueiro Português e, simultaneamente, teria a Monográfica desta raça este fim de semana.

Uma Monográfica onde se pretende juntar o maior número de pessoas amantes da raça, incentivando à funcionalidade do perdigueiro português, aliando morfologia e trabalho. Por este motivo, foram realizadas provas de trabalho, provas de Santo Huberto, Derby, TAN e também a exposição de morfologia.

Uma monográfica só pode ser bem sucedida quando, primeiramente, há um amor pela raça. Isso foi bem patente, dado o número de cães inscritos - para terem uma noção: 75 cães em trabalho e 40 cães em morfologia. Depressa nos apercebemos que, se calhar, estamos no rumo certo... Espero eu! Esperamos todos nós... Espera, principalmente, o perdigueiro português!

 

Foi um fim de semana cansativo, onde apresentamos três cães no TAN (Teste de Aptidões Naturais) e todos ficaram aptos. O TAN é uma prova para cães de parar, até aos 24 meses, que pretende avaliar as qualidades naturais. Esta prova avalia três parâmetros: instinto de busca (espera-se que haja paixão e entusiasmo na busca), instinto de paragem (o cão tem de fazer uma paragem sobre uma peça de caça) e equilíbrio / caráter (o cão não pode ter medo dos tiros). Neste tipo de prova os cães ficam aptos (se reunirem todos os requisitos) ou não aptos (se houver alguma falha num destes parâmetros).

Simultaneamente a estas provas do TAN, decorriam duas séries de Classe Aberta.

 

O almoço, tão caraterístico desta Monofráfica, contou com um piquenique na Herdade dos Nabos (o Engº disponibilizou-nos a sua casa), onde todos dão e todos recebem. O convívio depressa se instalou e a troca de ideias e conhecimentos também. 

Todos estavam felizes, com melhores ou piores prestações dos cães mas, no fundo, o que importa é participar, mostrar o que é nosso e o que de melhor temos e fazemos.

 

A tarde foi contemplada com a exposição de morfologia. Vários cães passaram em ringue, em várias classes, desde bebés a veteranos. 

Nós apresentamos 7 cães do Canil de Torres e obtivemos as seguintes classificações:

Edmundo de Torres (Classe Juniores) - Excelente 1º

César de Torres (Classe Campeões) - 2º Lugar

Uíge de Torres (Classe de Veteranos) - 1º Lugar

Enxara de Torres (Classe de Juniores) - 1º Lugar; Melhor Fêmea da Monográfica do Perdigueiro Português

Europa de Torres (Classe de Juniores) - Excelente 3º Lugar

Braga de Torres (Classe de Campeões) - 2º Lugar

Vitória de Torres (Classe de Veteranos) - 1º Lugar; Melhor Veterano da Monográfica do Perdigueiro Português

César de Torres e Braga de Torres (Classe de Pares - 1º Lugar; Melhor Par da Monográfica do Perdigueiro Português

Melhor Proprietário: Canil de Torres - Troféu Armando Correia 

 

No Domingo, a APP (Associação do Perdigueiro Português) convidou-me para julgar a Prova de Santo Huberto. Agarrei este convite com toda a felicidade, dada a ligação que tenho com a raça e a importância que a mesma tem para mim. 

Um dia com muito frio e muita chuva (que teimava em não querer parar)... Mas, mesmo assim, um dia repleto de coisas boas! Foi uma manhã muito divertida e, simultaneamente, muito didática... Tenho de agradecer ao João Lisa pela companhia e por tudo o que me ensinou... Uma das coisas que mais gosto neste mundo é que, todos os dias, aprendo novas coisas e, principalmente, tenho a humildade de as querer aprender com aqueles que mais sabem... Nós caçadores ou, simplesmente, seres humanos, temos sempre a aprender... Sempre! Só basta estarmos disponíveis para tal...

Quero também agradecer ao Zé e ao Martinho por nos terem ajudado na colocação das perdizes. Já o fiz ontem publicamente, enquanto divulgava os resultados, mas fá-lo-ei também por aqui. Algumas pessoas não compreendem a importância que os postores de perdizes têm e é de ressalvar sempre que possível. Obrigada! Obrigada por andarem de baixo de chuva torrencial, para trás e para a frente, simplesmente para ajudarem!

Obrigada também a todos os participantes, pois sem eles e sem o seu amor por esta grande raça, nada disto teria sido possível. São a peça fundamental deste "jogo". São eles que, todos os dias, cuidam dos seus cães, alimentam-nos, treinam-nos (muitas vezes têm de fazer kms e kms até o campo de treino mais próximo), gastam horas do seu dia, horas que poderiam estar com a família, horas que poderiam estar a descansar... Enfim! O amor pelos cães e pela caça fala mais alto... Por isso digo sempre "a caça é uma forma de estar na vida".

Parabéns a todos os concorrentes, desde o primeiro ao último lugar! Fico contente que todos tenham tido oportunidade, na prova. E espero que todos se tenham divertido e aproveitado aquele bocadinho connosco.

Agradecer ao meu tio, Jorge Rodrigues, por tudo. Por ser o melhor criador de perdigueiros portugueses, por fazer um trabalho de desenvolvimento e divulgação da raça e por nunca ter desistido, embora o caminho nem sempre seja o mais fácil. Obrigada por me permitires acompanhar-te, com os cães maravilhosos que tens!

Por fim, e não menos importante, agradecer à APP o trabalho que tem feito (também tive oportunidade de o fazer publicamente), nomeadamente, na divulgação da raça. Vieram pessoas da Holanda, Suécia e República Checa para verem este nosso património nacional. Agradecer o convite que me foi feito. E em especial ao Marques Pereira, por todo o seu trabalho e por tudo o que me ensina!

Agradecer a todos por tudo... Um a um tiveram e têm um papel fulcral... Pela monográfica, pelo convívio, pelas provas, pelo fim de semana, pelo trabalho todo, pelo perdigueiro português!

"Só não sabe, quem não tem... Ou quem não tenta sequer ter..."

ML.

Uma apaixonada do Perdigueiro!

 

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Perdigueiro Português

O Perdigueiro Português, o nosso Património Nacional, é um cão muito conhecido mas, se calhar, ainda tão pouco falado... Pouco falado ou, quiçá, pouco usado... Para as qualidades que tem... Para aquilo que é...

Uma das raças mais antigas do mundo, aparecendo documentada há milhares e milhares de anos (em Portugal, pelo menos, desde o século XII), apresenta caraterísticas morfo-funcionais idênticas às atuais, pelo menos há 1000 anos.

Esta raça de cães de parar continentais, tem raízes remotas nos milenares cães de busca ibéricos. Ao longo dos séculos foi criado nos canis reais, da nobreza e do clero e utilizado na busca de caça ferida em montarias, na caça de altanaria e na caça com rede a lanço. Com a utilização das armas de fogo na caça, passou a ser usado como cão de parar e de cobro.

Rapidamente nos apercebemos de quem é o Perdigueiro Português e da importância que teve (e tem) na nossa História, sendo já parte integrante da cultura e tradição portuguesa.

Infelizmente, há quem não lhe dê o devido valor... Infelizmente, somos de modas. E a moda dos dias de hoje está mais virada a outras raças. Se bem que há vários criadores a investir na raça, há vários profissionais de cães a apresentá-los em provas de cães de parar e, sobretudo, vários caçadores que escolhem o perdigueiro como o seu cão de caça.

Todavia, poderíamos apostar mais nesta raça. E, para isso, é preciso conhecê-la, divulgá-la, mostrá-la...

 

Afinal de contas, quem é o Perdigueiro Português?

Desde que comecei a dar os primeiros passos, o perdigueiro foi-me acompanhando... Lembro-me de ter cerca de 3 anos e ir para a maternidade do nosso Canil, com o meu avô, ver o perdigueiro a ter os seus bebés. Lembro-me de passar horas a brincar com os cachorros, que me roíam os sapatos, as camisolas e as calças... Uma infância recheada de momentos assim é, de facto, gratificante! Mas isto tudo para vos dizer que, desde que me conheço, que também conheço o perdigueiro. 

O Perdigueiro Português apresenta uma caraterística peculiar: é um "meiguiceiro em demasia", como dizia o Prof. Fernando Marques. Essa meiguice em demasia, foi-me também formando como ser humano... Essa meiguice em demasia, talvez me tenha levado a olhar para o perdigueiro português não como apenas mais uma raça de cães de parar, mas como a raça de cães de parar.

É um cão de porte médio (M: 56 cm +/- 4; F: 52 cm +/- 4); com um pêlo curto, forte e pouco macio; apresentando-se nas seguintes cores: amarelo claro, comum ou escuro, unicolor ou malhado. 

Este cão rústico, adapta-se a todo o tipo de caça, terreno, clima e caçador. É um cão de fácil ensino, que caça para o caçador, revelando um enorme prazer nisso. É frequente (e das coisas mais bonitas), no ato de caça, vermos o nosso perdigueiro a olhar para nós, como se estivesse a dizer "Estás aí... Vamos continuar... Estou quase a encontrar a peça de caça...".

É de facto magnífica esta raça. E em termos de caraterísticas, na caça? 

O Perdigueiro português é um cão que tem um galope simples, que alterna com trote largo e ligeiro. Portanto, é o cão ideal para termos sempre "debaixo de olho", enquanto caçamos; ou para um caçador que gosta de caçar de forma mais calma ou que não consegue andar muito. É frequente vermos caçadores mais velhos com perdigueiro português, devido a essa razão. No entanto, o contrário também ocorre, como é óbvio. Particularmente, é um cão que gosto para caçar, que tem uma busca mais curta, e que tem uma ligação fantástica com o seu dono, como já referi anteriormente.

O porte de cabeça deve ser alta ou na linha do dorso. É um cão imponente no terreno, com a cauda horizontal ou um pouco acima. Guia espontaneamente e pode seguir por vezes o rasto. 

É um cão que cobra muito bem, com dente doce, quer na terra ou em água. 

Portanto, o Perdigueiro Português é mais... muito mais... do que um simples cão de parar! Trabalhar no contínuo desenvolvimento desta raça é fulcral. Trabalhar pelo que é nosso! E o primeiro passo é conhecermos. Podemos ter todas as dúvidas, é claro, mas que tenhamos a disponibilidade para conhecer este património nacional que tanto está a dar que falar no estrangeiro, por exemplo. Como cão de companhia e como cão adorado por crianças... Como cão caçador, que serve o caçador e, no fundo, faz aquilo que mais gosta e para que nasceu...

O Perdigueiro Português é um cão que tem uma grande paixão naquilo que faz e, simultaneamente, nos apaixona, também a nós, por completo...

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A Caça como uma forma de estar na vida

Há algum tempo atrás foi-me feito o convite para fazer uma Conferência sobre a Caça e sobre os Cães de Parar. Aceitei-o, sem pestanejar e com um enorme orgulho. Ontem foi o dia... Mais uma vez agradeço a quem me convidou, agradeço à Organização e espero que tenham todos gostado. 

Deixo-vos aqui um breve resumo daquilo que foi a minha apresentação.

 

Decidi estruturar a minha apresentação nos seguintes temas:

 

1) Comecei por contar um pouco da minha história, através de uma série de imagens - desde pequena, passando pelos tempos em que fui contra a caça e acabando nos tempos em que comecei a ser caçadora - caça menor e caça maior; e juiz de provas de trabalho e Santo Huberto;

2) Será a Caça somente o ato de matar? Um dia de caça... Um dia de vida... Aqui contei o que é um dia de caça para mim e porque o ato de matar é a última instância na caça.

3) O Fim da Caça... Como e porquê? Manifestei a minha opinião sobre o fim da caça poder estar a chegar, nomeadamente:

♦ devido aos Governantes (taxas e mais taxas que levam 10.000 caçadores a desistir por ano);

♦ devido aos defensores extremos dos animais: PAN - 1 deputado, 7 ajudantes e 20 metros quadrados com cerca de 100.000 mil seguidores no Facebook... Os números de seguidores da Fencaça e da Confederação são mínimos...; Falei também, neste ponto, dos vegetarianos/vegans e da força que estão a ter - curioso que em 2007 eram 30.000 e, em 2014, já 200.000. Uma das conclusões a que chego é que colocam as pessoas em "gaiolas", em nome do respeito pelos animais...;

♦ devido aos matadores: como já tenho vindo a falar, constantemente, os matadores são, no meu ponto de vista, o grande mal para estarmos como estamos hoje. Insisti muito neste ponto, dando também o exemplo do cuidado com as peças de caça abatidas e demonstrando várias fotografias decadentes do que se tem vindo a passar (ex: listados);

4) O Futuro das espécies cinegéticas e da Caça:

♦ falei dos exemplos do coelho bravo (como está a situação neste momento); da perdiz brava (o que aconteceu e o que poderemos fazer) e do javali (apesar de praga, não podemos caçar aos javalis como se fossem coelhos - senão, qualquer diam, arriscamo-nos a que, também eles, possam desaparecer);

♦ O Futuro da Caça passa por transmitir uma série de ideias importantes, nomeadamente:

          ♦ a caça é a atividade humana mais antiga (falei da história da caça, desde o Australopiteco até aos dias de hoje);

          ♦ a importância da gestão cinegética e do controlo das espécies (é essencial haver uma re-equilibração da pirâmide ecológica que, não tendo a ajuda do Homem, não será feita);

          ♦ carne de caça vs. carne industrializada (em Portugal, em cada 4 minutos e 2 segundos, são mortos tantos animais pela indústria alimentar, quanto touros em touradas num ano inteiro - não será melhor começarem a preocupar-se com as indústrias alimentares?);

          ♦ mostrar a quem se interesse que existem presas e predadores e que existem animais que comem outros animais, ou seja, o Homem não é nem nunca será o único predador; 

          ♦ Economia do País - só em 2014 o Estado recebeu 10.000 euros nas taxas de zona de caça e licenças de caça. Engraçado, é que temos um potencial 1000 milhões de euros e em 2002 (que são os últimos dados recolhidos, infelizmente, demos 200 milhões de euros ao Estado. Com o quê? Vejam no artigo que escrevi, está discriminado tudo o que gastamos e ajudamos a ganhar, com a Caça;

          ♦ O Futuro dos cães de caça - será que a funcionalidade dos cães de caça é andar 30 minutos por dia de trela?;

          ♦ Por ano perdemos cerca de 10.000 caçadores. Em 2001 foram tiradas 12.886 cartas de caçador e, em 2013, apenas 4150. Na época de 2008/2009 foram tiradas 152.513 licenças de caça; na época de 2012/2013 apenas 132.799. São os últimos dados que consegui recolher. Contactei muita gente e ninguém tinha essa informação para me dar ou, caso tivessem, teria de mandar uma carta e não saberiam quando poderiam responder (se é que poderiam....);

          ♦ Temos que equilibrar a relação Homem – Natureza; equilibrar a relação da cidade com o campo, tentando re-pensar em soluções para acabar com o êxodo rural; temos de tornar aldeias e campos “templos de bem estar”; passar a Mensagem a Crianças e Jovens e, sobretudo, limpar a nossa imagem (principalmente nos OCS).

 

A Conclusão de tudo isto é: Temos que nos UNIR!!!!!!!!!

 

A segunda parte da minha apresentação foi sobre os cães de caça e as provas de trabalho e Santo Huberto, intitulando-se "A Caça como uma forma de saber Amar":

1) Cães de Parar, do 7º grupo - continentais e britânicos: falei especificamente no epagnuel breton, no braco alemão, no perdigueiro português, no setter inglês e no pointer. Ainda falei nas caraterísticas essenciais que tornam um cão de parar num BOM cão de parar;

"Um cão de parar é diversificado, amigo, leal, trabalhador e com uma paixão enorme pela caça. Por vezes, é teimoso, quer fazer as coisas à sua maneira mas, no final, ficam apenas os momentos de caça; as paragens sobre as espécies; a felicidade com que as trazem até nós; aquela beleza de andamentos que os caracterizam e, mais importante que tudo, a lealdade e a amizade que eles têm pelo seu caçador";

2) O Podengo Português, do 5º grupo. 3 tamanhos, 2 tipos de pêlo - função de cada um;

3) Provas de Trabalho: Provas de Santo Huberto; Provas de Caça Prática; Provas de Primavera; TAN (Teste de Aptidões Naturais); Derby e Juniores;

 

"Não quero grandes coisas na minha vida… Só pequenas coisas…

Que tornem GRANDE a minha vida…"

 

ML.

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