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Diário de uma Caçadora

Para entenderem a minha loucura precisam, primeiro, de conhecer a minha paixão. Quero mostrar que a minha paixão é muito mais do que o simples acto de matar... Que a minha paixão é uma forma de estar na vida!

Diário de uma Caçadora

Para entenderem a minha loucura precisam, primeiro, de conhecer a minha paixão. Quero mostrar que a minha paixão é muito mais do que o simples acto de matar... Que a minha paixão é uma forma de estar na vida!

Braco Alemão

A raça Braco Alemão é uma raça que gosto particularmente e, como tal, hoje falarei sobre a mesma. Sou criadora desta Raça e, além disso, o meu primeiro cão de parar (e até hoje) é um Braco Alemão. Portanto, a relação que nutro por estes cães e, principalmente, pelo trabalho que estes são capazes de fazer é eminente.

 

E, se em tempos falei das modas que existem, nos dias de hoje, nos cães de parar; o Braco Alemão é, sem dúvida, uma "marioneta dessas modas". Ou seja, no meu ponto de vista, no que vemos nas Provas de Cães de Parar hoje em dia, e também na caça, o Braco Alemão tem tido uma aceitação e crescimento enorme. Daí intitulá-lo como o cão da moda. Toda a gente tem ou quer ter um Braco Alemão e, claramente que entendo o porquê disso mesmo. E aí tocamos num dos pontos chave: as caraterísticas desta raça do grupo 7, FCI. Paralelamente,  todo o trabalho feito por profissionais de treino e ensino com estes cães, a par da genética, também têm contribuido para a expansão da raça. 

Portanto, para além do gosto pessoal de caça caçador ou de cada amante da raça, está o facto deste Cão ter aptidões naturais já muito apuradas, nomeadamente, o sentido de paragem, a paixão pela caça, a alegria e desinibição caraterísticos nesta raça e, também, a adaptabilidade a diferentes terrenos, climas e tipo de caça.

 

Mas, de onde vem o Braco Alemão? No fundo, quem é o Braco Alemão?

O Braco Alemão tem os seus ancestrais nos cães que eram usados para apontar pássaros, especialmente nos países do Mediterrâneo e pela caça de falcoaria. O pointing dog (como lhe chamavam), sendo este o atributo mais importante naquela altura (o apontar), foi para a Alemanha através de França, Espanha e Bélgica (Flanders). Neste sentido, a origem do Braco Alemão começa nos cães locais de pista e cães de corso medievais.

E, depois da introdução da espingarda de dois canos, em 1750, a necessidade de ter um cão que apontasse era ainda maior. E é a partir daí que as aves, por exemplo, são mortas em vôo.

Depois da conquista de Napoleão, o sistema de caça tornou-se diferente, e aí dá-se o "grande salto" do mero cão que servia para apontar, para um cão que era multi facetado e com vários "talentos". Eram cães bastante valiosos, e usados pela nobreza.

Claro que os Braco Alemão dessa época tinham poucas semelhanças com os de hoje em dia.

Ainda houve melhoramentos com os cães ibéricos, na guerra civil e Perdigueiro de Burgos.

Há cerca de 100 anos, mais propriamente, 50 anos atrás, o Pointer teve uma grande incidência no melhoramento desta raça, nomeadamente na elegância. Como dizem os americanos "um cão que foi criado pela sua função e não pela beleza, no entanto, saiu um cão muito bonito".

 

Morfologicamente, esta cão forte e robusto, com linhas craniofaciais divergentes, tem um porte médio (os machos de 62 a 66cm e as fêmeas de 58 a 63cm). As cores admitidas no estalão são: castanho; preto; malhado ou branco malhado destas tonalidades. Pode ter manchas de fogo.

 

E na caça? Como se comporta o Braco Alemão?

Desde que adquiri o meu braco alemão, ou melhor, desde que me ofereceram esta raça para ser o meu companheiro de caça, que tenho uma noção diferente da raça. Claro que quando convivemos com determinado tipo de raça, vamo-nos apercebendo de certas caraterísticas e de certos pormenores que, seguramente, não vêm descritos em nenhum estalão.

O Braco Alemão é um cão apaixonante como, aliás, todas as raças do 7º Grupo. É um cão com uma paixão soberba pela caça. E quando chegamos ao terreno com o nosso cão, depressa nos devemos aperceber disso. É um cão que deve ser capaz de galopar durante muito tempo com o mesmo andamento (passada amplas, com boa propulsão dos posteriores e bom alcance dos anteriores), denotado de uma busca ampla e aberta, movimentando-se com uma atitude orgulhosa.

A posição da cabeça deve estar entre o prolongamento da linha do dorso ou acima da linha do dorso e, como diz o estalão, assim nada lhe pode escapar.

É um cão bonito, sem dúvida, quer morfologicamente, quer a bater terreno e a deparar-se com as peças de caça, sendo que a posição de paragem deve ser de pé, com a cabeça alta (na Alemanha é aceite a paragem deitado). A situação de tensão, percorre o corpo inteiro, os músculos contraem-se e isso permite também que ocorram paragens fantásticas e exuberantes. Atenção que o Braco Alemão pode deitar-se no levantar da caça.

É um cão que cobra em terra e na água, tendo alguma tendência para o "dente duro". Sem dúvida, uma das melhores qualidades do meu braco alemão - o cobro. Tem uma aptidão (atroz) para o cobro das peças abatidas. Mas isso é como tudo, e já sabemos que não podemos nunca comparar nenhum cão com outro. Lembro-me ainda numa das primeiras vezes que ele cobrou e me veio entregar a peça de caça. Ajoelhei-me perante ele, olhei-o nos olhos e as lágrimas começaram-me a escorrer de alegria. A tal sensibilidade feminina que teima em aparecer, nestes momentos... Mas ele estava também feliz... Abanava a cauda celeremente e lambia-me a cara, como a dizer "Vamos continuar, eu posso fazer isto mais vezes". Enfim... Histórias que nos vão delineando!

 

Como falei anteriormente, esta raça tem evoluído bastante, devido a todo o trabalho exímio que tem sido feito. Contudo, é de ressalvar que estes cães são muito teimosos e por vezes é preciso "mão firme" (correto ensinamento) para um braco alemão. É um cão dócil, fiel ao seu dono. Mas, na minha opinião (e já o disse várias vezes), não é o cão de parar mais meigo que temos e, por vezes, pode ser um cão muito independente, ao contrário, por exemplo, do perdigueiro português ou do epagnuel breton.

Um cão adaptado a todo o tipo de caça e, tendo em conta a situação da caça em Portugal, um cão que começa a ser muito usado nas matilhas de caça grossa. Muitos matilheiros dizem que este é um cão que num dia caça aos javalis e, no dia a seguir, se for preciso caça apenas às perdizes...

 

Fica um pouco do Braco Alemão, mais uma das minhas raças de eleição!

ML.

 

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Carta de uma Caçadora ao PAN

"Os animais não são pessoas nem coisas, são seres sensíveis". Esta foi a citação que deu destaque a uma das entrevistas de André Silva, líder do PAN (Partido Pessoas Animais e Natureza).

Não gosto de comentar este tipo de entrevistas, mas não consegui ficar indiferente, uma vez mais. Hoje farei um desabafo, outro mero desabafo... Poderá não chegar a lado nenhum, porque a Sociedade me impedirá disso mesmo, mas pelo menos tentei... Outra vez! Porque muitas vezes tentamos e falhamos, é certo; contudo, a nossa única falha é parar de tentar! Não pararei nunca!

 

"Caro Senhor André Silva... Não nos conhecemos, mas permita que me apresente: o meu nome é Mafalda Rodrigues Leitão, tenho 26 anos e, para mim, os animais e a Natureza são das coisas mais importantes da minha vida. Não digo a mais importante, porque felizmente tenho família. Família essa constítuida por seres humanos que, quer eu queira, quer não, me conseguem compreender e amar de forma bastante peculiar, ou seja, de forma que só os humanos conseguem. 

Tenho vindo a seguir algum do seu trabalho e dos seus ideais. E, mais recentemente, estive a ler a sua entrevista para a SIC Notícias, onde salienta que os animais não são pessoas nem coisas, são seres sensíveis. 

Não podia estar mais de acordo consigo Senhor André. De facto, os animais são seres sensíveis, tal como as plantas, as árvores e os humanos! Há, portanto, uma sensibilidade (com diferentes nuances) em tudo o que nos rege, ou seja, em toda a Natureza. 

Mas, como estamos a falar somente dos animais, não gostaria de entrar por outras vertentes, e cingir-me-ei somente ao assunto comentado.

Estamos num País, num Continente e, consequentemente, num Mundo "mascarado" de extremismos e fundamentalismos. E, todos os dias, nos deparamos com situações desse tipo, nomeadamente, os tão temerários ataques do Estado Islâmico, que conseguem colocar milhares de pessoas com medo. Essas milhares de pessoas tornam-se, por momentos, em simples marionetas do poder. Em simples marionetas de extremismos e fundamentalismos, regidos por um "grande Deus - Alá". 

Depressa nos apercebemos que nos movimentamos todos por uma causa, por uma razão ou, simplesmente, por uma força em que acreditamos. Com tudo isto, chego ao ponto fulcral desta carta: a força que nos move. Compreendo que a si, Senhor André, a força que o move seja o amor pelos animais. Estarei errada?

 

A força que me move é, com toda a certeza, o amor pelos animais. E, mais uma vez, estamos de acordo. Mas... E há sempre um mas... Esqueci-me de lhe referir um pormenor. Talvez um grande pormenor que mudará todo o sentido desta carta, para si. É que eu, Mafalda Rodrigues Leitão, 26 anos, tendo como uma das coisas mais importantes da vida os animais e a Natureza; sou caçadora. É verdade... Ando no campo, em contacto com a Natureza e com todas as espécies, e com uma espingarda. 

 

Senhor André... Em tempos, também eu fui contra a caça e também eu os intitulava de assassinos! Mas, aquele extremismo e fundamentalismo que falava anteriormente, deixou de fazer parte da minha vida. Permiti, a mim própria, ver mais além e ver outra realidade: a realidade do campo, do meio rural e das pessoas que não têm mais nada, a não ser a caça. 

E, por isso, também lhe escrevo, porque se tem esse amor pelos animais, que acredito totalmente, também o tem de ter com as pessoas e não podemos colocar tudo no mesmo "saco", nem tratar tudo com o mesmo fundamentalismo. Bem sei que os animais precisam que os defendam, pois não têm forma de o fazer. Tem o meu apoio nisso! Bem sei que os animais são seres sensíveis e quem os mal trata deve ser punido! Tem o meu apoio também nisso! Agora... Acabar com todas as raças? Acabar com o nosso património português, como é o caso do Perdigueiro Português? Acabar com touradas? Acabar com a caça? Acabar com a gestão cinegética? No fundo, acabar com a Natureza?

 

Não pode ser feito assim! Temos de ser inteligentes, e assim o considero, mas fazer as coisas de forma a que não prejudiquemos nada, nem ninguém. Quando estou na Natureza, no acto de caçar, a espécie cinegética que mato, por exemplo, andou uma vida inteira em liberdade e feliz, sem sofrimento. Mas, como nos dita a Pirâmide Ecológica, há presas e predadores e disso não podemos fugir nunca! Porque os próprios animais irracionais também o fazem, como subsistência! E não vale a pena entrarmos por fundamentalismos, comendo só verduras porque, também elas têm sentimentos, não é? Um estudo recente nos EUA, por Cleve Backster, ditou mesmo isso, que as plantas sentiam, por exemplo, medo. E, se nos comandamos por estas teorias, onde podemos acabar? 

 

Portanto, Senhor André, venho pedir-lhe apenas que pense em tudo isto que lhe escrevo... Que, efetivamente, os caçadores preocupam-se com os animais e com a Natureza, mais do que qualquer pessoa. Segundo vários estudos, os caçadores ajudam mais na gestão cinegética das espécies, no controlo de doenças, no entrave à extinção de algumas espécies, do que qualquer outra pessoa! 

Nós não somos assassinos! Somos pessoas, com sentimentos e emoções, como qualquer outra pessoa; mas que gostam de animais e da Natureza. Que ajudam outras tantas pessoas, que ajudam o País, especialmente o interior. Não nos tirem a nossa felicidade! Não continuem a tirar horas e horas de sono a pessoas que só têm a caça e a Natureza, como forma de vida. Não nos maltratem! Como nós também não maltratamos os "vossos" animais!

 

Por último, e como despedida, dou-lhe os meus parabéns pela força que o move! Tomara a muitos serem assim... Mas considere essa força, sem fundamentalismos, por favor! Use essa força para perceber que não podemos comparar, por exemplo (e usando algum extremismo aqui) uma violação a uma criança e uma "violação a um animal"; não podemos comparar uma tentativa de assassinato a uma pessoa e uma tentativa de assassinato a um animal; não podemos comparar uma depressão humana com uma depressão animal; no fundo, não podemos comparar a dor humana e a vida humana com a dor animal e a vida animal. 

Porque se eles falassem... Não acha que iriam preferir ser livres e felizes do que viver, por exemplo, em 20 metros quadrados? Não acha que iriam preferir morrer com um tiro, sem sofrimento nenhum, do que morrer com uma doença que os deixasse em sofrimento permanente? Pensemos nisto...

 

Assinado: Uma caçadora que dorme com duas cadelas na cama, todos os dias!"

ML.

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EXPOCAÇA 2016

Nos dias 6, 7 e 8 de Maio, Santarém abriu portas para receber a "melhor feira de caça do País", a Expocaça. Uma feira que viu passar muitos caçadores, muitas pessoas ligadas à Caça e Natureza mas, também, pessoas "comuns", que nada tinham a ver com este setor.

Quando escrevi "a melhor feira de caça do País" entre aspas, fi-lo porque sei que há quem não concorde com esta afirmação. E tenho de referir este ponto. E aqui, sem dó nem piedade. 

Nós, povo português, temos a inegável particularidade de nos expressarmos por tudo e por nada... Creio que não é negativo, contudo, temos de saber o que dizer e quando dizer. Ora, claro está, que estamos numa Sociedade Livre e Democrática, em que "fazemos e dizemos o que queremos". E, para uns, certamente, que esta é a verdade e a sua forma de estarem na vida; mas, para outros, não é... E eu tenho de me incluir neste grupo! Não posso (porque não quero e porque talvez faça parte da educação que tive) dizer o que quero/ quando quero. Serei politicamente correta? Será um defeito meu? Talvez sim, talvez não...

Diria antes que se chama "lado positivo". Na vida, tento sempre ver o lado positivo de tudo e toda a gente. Sou assim e sempre serei (espero eu). Todas as coisas têm um lado bom ou um lado que nos pode levar a uma maior maturidade. Se, numa escala de 1 a 100, existir apenas 1 aspeto positivo e 99 negativos; dobrar-me-ei sobre esse mesmo aspeto positivo. E porquê? Porque os 99 pontos negativos serão constatados e comentados por toda a gente.

E, portanto, quero com tudo isto dizer que os comentários negativos prevalecem sempre. Infelizmente! E, como em todas as vertentes, a Caça não é exceção! E a Expocaça muito menos o seria...

 

Não venho defender nada, nem ninguém... Até porque não o tenho de fazer! Mas custa-me saber que centenas de pessoas trabalharam naquela que é intitulada a maior feira de caça do país! Centenas de pessoas perderam horas de vida, de tempo em família, de tempo de descanso, para prepararem tudo ao mais alto nível. Centenas de pessoas trabalharam para nós! E qual é o agradecimento que têm? Comentários negativos!

 

Muita coisa poderia estar mal, é um facto. Muita coisa poderia ser melhorada, é outro facto. Mas... E o que esteve bem? E o que foi bem organizado? E o que prevaleceu de positivo? Não nos vamos esquecer disso! Não nos podemos sequer esquecer que, pelo menos, houve alguém que trabalhou; ao invés de nós, que o único trabalho que tivemos, foi a escrever ou a falar de forma depreciativa.

 

Já viram como é bom termos uma Feira desta dimensão (tendo menos um pavilhão ou não, a questão não é essa) em Portugal? Já virão o quão positivo é termos todas as marcas de armas a fazerem-se representar na feira? Já viram a oportunidade que é, haver uma feira, que tem cães de parar, podengos, cães de matilhas, para mostrar às pessoas? Já virão como é bom termos um local onde encontramos amigos que, quiçá, não víamos há muito tempo? E com eles falar horas e horas sobre aquilo que mais gostamos, a caça?

No fundo, já viram como é bom ainda termos a Expocaça? Ainda haver quem se preocupe com a organização de uma feira de Caça? 

Bem sei que em todos, ou quase todos os Municípios se têm realizado feiras de caça, o que é de louvar! É importantíssimo que assim seja e que assim continue. Mas não podemos atacar a Expocaça, de forma excessiva! Porque todas estas feiras já têm o ataque dos "não caça". Se nós Caçadores também o fizermos, onde poderemos chegar? Ao fim da Expocaça? Talvez... Mas também quem se importa? "A feira é tão má, com tão poucas condições e com um preço tão elevado"...

 

O que é certo é que a Expocaça 2016 representou, no meu ponto de vista, um fim de semana divertido, com os jogos de tiro que existiam ou com as demonstrações com os cães, falcoaria, tiro com arco e besta; um fim de semana cheio de sorrisos e gargalhadas; um fim de semana com muitas aprendizagens feitas, com os vários colóquios organizados, nomeadamente, com o Ministro; um fim de semana de companheirismo, de amizades partilhadas; um fim de semana de aquisição de novos produtos para a caça (para quem o quis fazer); um fim de semana proveitoso, para quem ganha a vida a fazer aquilo; um fim de semana cansativo, para quem tem o seu expositor; um fim de semana cultural... No fundo, um fim de semana magnífico, com as suas particularidades, mas que fazem parte de todos os nossos fins de semana...

 

Quero agradecer a todas as pessoas que trabalharam horas para que isto fosse possível... Agradecer a todas as pessoas que continuam nesta luta de elevar o nome da Caça e dos Caçadores! Obrigada a todos os expositores, a todos os trabalhadores, a todas as pessoas que levaram os seus cães. Obrigada a todos aqueles que foram à Expocaça e que não deixam o nome Caça morrer! Obrigada ainda pelo convite que me foi feito, para conferenciar nesta Feira fantástica! Espero que todos tenham gostado...

 

"É certo que iremos encontrar situações tempestuosas novamente, mas temos de ver sempre o lado bom da chuva que cai, e não o lado do raio que destrói..." (Charles Chaplin)

ML.

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Quem são os Matadores?

Se outrora escrevi sobre os caçadores, não poderia, de maneira alguma, deixar passar "em vão" esta questão que cada vez está mais na linha do dia: os matadores. E quem são estes matadores?

Ao escrever sobre os caçadores recebi vários comentários "Não devias colocar tudo no mesmo saco"; "nem todos são assim"; "há caçadores e caçadores".

Pois é... Essa é a mensagem que tenho tentado passar, todos os dias: há caçadores e matadores. Daí ter falado dos caçadores, da sua essência própria, e ter reservado, antecipadamente, um post para falar dos matadores. Porque não os quero, nunca, juntar "no mesmo saco". Talvez não mereçam... Aliás... De certeza que não merecem...

 

E quem são estes matadores, afinal?

 

Estes matadores são seres humanos, tal como os caçadores, tal como os fundamentalistas, tal como toda a nossa Sociedade. Têm famílias, têm sentimentos e emoções, é certo... Nunca o pus em causa! Nem vou pôr... No entanto, têm uma certa peculiaridade... Genética? Que veio da educação que tiveram? Que está intrínseca na Sociedade em que cresceram?

Creio que a origem "da coisa" não seja o mais importante, caso contrário outro tipo de análise teria de ser feito. E, momentaneamente, não é esse o meu objetivo. O grande escopo é entendermos, de facto, o que é esta "coisa", ou seja, quem são estes matadores, o que fazem e porque fazem.

 

Penso que os matadores são os responsáveis (em grande parte) da caça estar como está. Senão reparem: quem é que matou espécies cinegéticas até conseguir acabar com quase tudo? Quem é que não respeita, na íntegra, a Natureza e a caça? Quem é que denigre a imagem dos caçadores, na Sociedade atual? Quem é que mata tudo o que está "à mão de semear"? Quem trata mal os seus cães e, por vezes, os abandona? Quem vive a caça com vaidades e presunções? Quem... Quem... Pois é! Não serão os matadores?

Não os vou julgar, nem apontar o dedo; gostava somente que pensassem com uma sensibilidade mais apurada, em tudo aquilo que nos está a acontecer e, muitas vezes, são pequenos pormenores que podem fazer a diferença...

Sensibilidade, humildade, verdade e, acima de tudo, respeito. É meramente esta linha que todos deveríamos seguir... Ou pelo menos tentar fazer por isso!

 

A Caça não pode viver de matadores. As mentalidades têm de mudar (e acho que estamos no bom caminho) mas, para isso, há um trabalho a ser desenvolvido e esse trabalho passa, primeiramente, por algo intrínseco, algo que deve ser feito connosco próprios. Se somos seres humanos que devem ser respeitados, também somos seres humanos que têm de saber respeitar. E o que é que isso custa? Pouco, a meu ver... Muito pouco! Só precisa de ser apreendido e, quiçá, aprendido!

E esse respeito começa com uma visão humilde da Caça e das espécies cinegéticas. Com uma visão em que o "é tudo meu" tem de acabar... Com uma visão de que "eles que se preocupem" tem de acabar... Com uma visão de que "sou melhor do que os outros" não pode imperar... Com uma visão de que "eu caço porque posso, quero e mando" tem, incontestavelmente, de parar...

Portanto, se em tempos falei que, nós caçadores, tínhamos de deixar cair a máscara, sem medo; hoje direi aos matadores que têm, também eles, de deixar cair a sua máscara. Uma máscara que, quando cair (e para isso é preciso quererem), tornará os seres humanos da Caça num grupo coeso! E num grupo que, um dia, poderá ser o grupo mais poderoso do Mundo... Porque a base está no amor pelos animais... E isso certamente estará intrínseco a muitos seres humanos... Espero eu!

 

Porque, acima de tudo, e é esta a mensagem que deve chegar a todos vocês, seres humanos: os matadores destroem a caça. E todos estaremos, ou deveríamos estar, aqui para os ajudar a perceber (se quiserem) que esse não é o caminho!

Mas, acima de tudo, importa depreender que os Caçadores são os maiores defensores dos animais! Os matadores só vieram denegrir essa imagem, nada mais... Porque como dizia Carlos Drummond de Andrade, "É fácil julgar pessoas que estão a ser expostas pelas circunstâncias. O difícil é encontrar e refletir sobre os erros, ou tentar fazer diferente. E é assim que perdemos pessoas especiais". E a Caça não pode (nem DEVE) perder mais nenhuma pessoa especial...

Não acabem connosco Matadores!

ML.

 

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