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Diário de uma Caçadora

Para entenderem a minha loucura precisam, primeiro, de conhecer a minha paixão. Quero mostrar que a minha paixão é muito mais do que o simples acto de matar... Que a minha paixão é uma forma de estar na vida!

Diário de uma Caçadora

Para entenderem a minha loucura precisam, primeiro, de conhecer a minha paixão. Quero mostrar que a minha paixão é muito mais do que o simples acto de matar... Que a minha paixão é uma forma de estar na vida!

Prova de Stº Huberto de Beneficência à APACA

Dizem que por trás de um grande homem está sempre uma grande mulher... E eu digo, com toda a certeza, que por trás de uma grande prova estiveram grandes homens e grandes mulheres!

 

Todos nós conhecemos a realidade do nosso país; realidade essa caracterizada pelo abandono, pelo sofrimento, pela dor e por muitas necessidades... E muitas Associações emergem com o intuito de resolver (ou pelo menos atenuar) essas mesmas necessidades e dificuldades... Nós, que andamos na nossa vida rotineira e que não lidamos com este tipo de causas, deixamos passar... Ajudamos quando necessário, chocamo-nos quando ouvimos as histórias mas... Também não podemos fazer muito mais! Ou podemos... E, neste caso, fizemos!

 

Há uns tempos surgiu-me a ideia de ajudarmos uma Associação de animais abandonados. Porquê animais? Porque eu, tal como muitos caçadores, nos preocupamos efetivamente com o bem estar animal. E conhecemos a realidade do abandono de cães, por parte dos matadores (e não dos caçadores). E então porque não um grupo de caçadores ajudar animais abandonados?

As coisas começaram a ser organizadas. O meu pai e o Zé Pedro foram os meus pilares nisto tudo... Sem eles, certamente que hoje não estaria aqui a escrever-vos e a contar-vos o que se passou! Posteriormente, também o João Pereira, o Rui Bonito e o João Gil foram peças fundamentais da organização. E agradeço-lhes do fundo do meu coração. As coisas foram para a frente... A organização e a logística começaram a ser realizadas... Falei com várias associações de animais abandonados e todas recusaram a ajuda dos caçadores, por mais que precisassem... Até que houve uma que aceitou. Com receio dos comentários que iriam receber (já se estavam a precaver) aceitaram; pois acham essencial a abertura entre estas associações e os caçadores. Continuamos com o trabalho, entre reuniões, entre convites aos participantes, entre procura de ajuda de entidades, etc., etc.

Até que, um dia, alguém decidiu destruir este "sonho". O cartaz da prova foi divulgado, chegou a muita gente e as ameaças, comentários negativos e ofensas fizeram-se ouvir, desde logo, contra a associação... Toleraram-se os primeiros dias, mas começamo-nos a cansar posteriormente... Até que chegou um dia em que tive uma conversa com a presidente da Associação e, por mutua decisão, decidimos cancelar a prova. Nós nunca quisemos prejudicar ninguém, muito pelo contrário... E profundamente tristes, tanto nós como a associação, limitamo-nos a seguir viagens distintas, como até aí tinha sido feito, como até aí a Sociedade fundamentalista nos impõe...

 

E cancelou-se a prova... Foi um dia difícil, caraterizado por uma tristeza profunda... Tristeza por tudo aquilo que já estava feito e ia por"água abaixo"... Tristeza por ter de dizer a pessoas que vinham de vários pontos do país que isto já não iria acontecer (e que elas teriam de desmarcar os hotéis e tudo aquilo que já tinham previsto para a sua vida); mas, acima de tudo, tristeza por sabermos que não iríamos conseguir ajudar aqueles que mais necessitavam: os cães e os gatos da associação.

Digo constantemente, sem medo ou vergonha, que sou Caçadora! Infelizmente, assumi-lo, tem-me trazido algumas consequências (algumas bem graves), a nível pessoal. Mas são essas consequências que me dão mais força e vontade para lutar. E enchi-me de força, com a ajuda de todos, e depois de telefonemas constantes para que a Prova se realizasse, para dizer: Sim, vamos continuar! Porque realmente o que não nos mata tornan-nos mais fortes... E a União faz a Força - e foi o que aconteceu!

 

Rapidamente procurei outra Associação... Entre outras coisas, preocupa-me a questão das crianças abandonadas, que têm dificuldades e acho fundamental conscienciaizarmo-nos para isso! O que será o futuro destas crianças? O que dará felicidade e sorrisos a estes meninos? Depois de rapidamente encontrar uma Associação - APACA (Associação Portuguesa de Apoio a Crianças Abandonadas) e entrar em contacto com eles, as coisas foram para a frente e foi necessário, novamente, avisar todos os intervenientes do que se estava a passar!

 

A semana que antecedeu a prova foi deveras stressante... Muito trabalho, pormenores de última hora, lembretes disto ou daquilo... Mais uma vez aqui tenho de agradecer a colaboração de todos, especialmente, ao meu pai e ao Zé, ao João Pereira e Rui Bonito, ao Rui Alves Monteiro e ao grande incentivo do Manuel Brás e do meu tio Jorge.

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E eis que surge o dia...

Vieram pessoas de Norte a Sul do país! Pessoas que gastaram combustível, dinheiro em hotéis e alimentação, o dinheiro da prova, perderam tempo com as suas famílias... Apenas para ajudarem! Para mostrarem o grande coração que têm!

De manhã bem cedo, começamos com as inscrições - 48 inscrições! Fizemos 6 séries (sendo que uma série foi com 8 concorrentes que estavam a participar pela primeira vez). As séries foram julgados por: José P. Leitão, Paulo Filipe, Manuel Brás, Samuel Lourenço, Vítor Serrano, Sandra Esteves e Joaquim P. Rosa.

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 Tive uma receção fantástica com o Manuel Brás a oferecer-me um ramo de gereberas rosas e brancas lindíssimo! (Mais um grande brigada) Depois de feitas as inscrições, de vendidas muitas rifas (obrigada Sandra, Rita e Rui Bonito), tiramos uma foto de grupo para mostrarmos a todas a nossa união:

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 Durante a manhã decorreram as provas, em campos típicos da região do Oeste; onde houve um cuidado de cortar a vegetação (nas zonas de maior dimensão), para que prejudicassemos o menos possível as prestações das provas. O tempo esteve fresco, com vento constante. Houve uma grande organização durante a prova (e o meu agradecimento), o que permitiu que esta fluisse rapidamente e acabasse antes da hora de maior calor. Conforme tinha sido acordado, não haveria barrage, sendo a classificação final definida pela pontuação alcançada pelos primeiros de cada série.

Infelizmente, não tive oportunidade de ver nenhuma prestação no campo, pois passei a manhã toda a tratar da logística do espaço e a organizar tudo, juntamente com a minha mãe, a Sandra, a Catarina, a Rita e a Maria, às quais agradeço do fundo do coração toda a ajuda! E tudo ficou preparado para receber os concorrentes, juízes, postores, a APACA e todos os demais que se juntaram a nós... Com um toque feminino, é verdade, o espaço ficou assim - com muitos balões, muitos desenhos de meninos e muitas imagens de cães e de prestações em provas de santo huberto:

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 O almoço foi fantástico, um porco assado oferecido pelo Carlos Guilherme. Eu ofereci também javali, mas não foi necessário e foi oferecido à Santa Casa da Mesericórdia. Porco, salsichas, batatas fritas, pão, e muita animação fizeram parte deste nosso almoço... Um almoço muito informal e divertido! Posteriormente, foi tempo de fruta e sobremesas. Tinhamos muitos bolos, oferecidos pelo Rui Martins, fantásticos, quer em decoração, quer em sabor. Tudo estava deliciado, inclusive a Presidente da APACA e passamos para os resultados e agradecimentos.

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Estava feliz! Demasiadamente feliz! Penso que estavamos todos (demasiadamente) felizes! Agradeci, a muito custo, entre lágrimas e muita emoção, a todos os que ajudaram, mas como acho demasiado importante e demasiado emocionante tudo aquilo que fizeram, um por um, irei fazer um agradecimento a todos (mais abaixo), destacando cada um de vocês, dada o mérito que tiveram.

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Houve prémios para todos os concorrentes, para todos os juízes, para todos os postores, para as pessoas que ajudaram a grelhar a carne e para todos os acompanhantes. Portanto, toda a gente teve direito a levar um miminho (e aqui agradeço novamente ao Rui Monteiro, que me ajudou a proporcionar tudo isto, à Câmara Municipal de Torres Vedras e à Browning).

Passamos ao sorteio das rifas, em que as crianças nos ajudaram a tirar os vencedores. Tinhamos 20 prémios:

1º Prémio - Moldura com Fotografia Perdigueiro Português, oferecida por Rui Bonito

2º Prémio - Pedra em xisto com Perdigueiro Português, oferecida por Paulo Gonçalves

3º Prémio - Sessão fotográfica, oferecida por Rui Alves Monteiro

4º Prémio - Garrafão de azeite + garrafas de vinho, oferecidos por João Alfaiate

5º ao 20º Prémio - Cabazes surpresa, com ofertas de José Pedro Comenda, Rui Alves Monteiro e João Alfaiate

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Fizemos um leilão, para angariar mais dinheiro, de umas botas de caça (oferecidas pela Loja Amster) e 2 sacas de ração (oferecidas pela Associação de Caçadores de S. Quintino e Sobral de Monte Agraço). Depois de muita diversão, o Luís Delgado deu um donativo muitíssimo generoso por ambos os produtos. Obrigada Luís!

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Passamos à divulgação dos resultados e prémios:

1º - Rui Bonito, BF (Oferta de troféu + saco com lembranças + oferta jornada às perdizes, por Tiago Ferreira + oferta de uma coleira por Horácio Manuel)
2º - André Costa, BA (Oferta de troféu + saco com lembranças + oferta jornada aos patos, por Vítor Palmilha + oferta de uma coleira por Horácio Manuel)
3º - Pedro Carvalho, BA (Oferta de troféu + saco com lembranças + oferta de uma espera, por João Pereira + oferta de uma coleira por Horácio Manuel)
4º - Fernando Henriques, BA (Oferta de troféu + saco com lembranças + oferta de uma coleira por Horácio Manuel)
5º - Paulo Vale, PP (Oferta de troféu + saco com lembranças + oferta de uma coleira por Horácio Manuel
6º - Marco Matias, EB
7º - Correia da Silva, PP
8º - Carlos Guilherme, EB

Todos os que ficaram em 2º lugar nas séries receberam (para além dos prémios oferecidos a todos os participantes) um saco grande de ração.

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Troféu Melhor Cão (oferecido por João Santos): André Costa Oliveira, BAF Jenny

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O Rui Bonito quis oferecer a pedra em xisto que tinha ganho nas rifas ao melhor perdigueiro português da prova e, quem ganhou, foi o Correia da Silva, com o PPF Hinja do Solar do Jamor.

 

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Feitas as contas a todos os donativos, conseguimos dar à Associação e a estes meninos que tanto precisam 1500 euros! Demos muitos doces, material, livros e dvds (oferecidos pela minha mãe). Mas, mais importante que isto, tenho a certeza que lhes conseguimos dar muitos SORRISOS!

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Agradecimentos:

- A todos os concorrentes, um por um: Alexandre Magalhães; André Costa Oliveira; Carlos Guilherme; Carlos Paiva; Carlos Silva; Correia da Silva; Daniel Pinto; David Faria; Fernando Henriques; Fernando Neves; Filipe Pereira; Flávio Fernandes; Horácio Manuel; João Assis; João Gil; João Gomes; João Pereira; João Simões; João Simões (Freitas); Jorge Lourenço; José Godinho; Luís Delgado; Marco Matias; Marcolino Pedro; Mário Matias; Nuno Ferreira; Paulo Fernandes; Paulo Vale; Pedro Figueiredo; Pedro Jorge; Rogério Pires; Rui Bonito; Rui Jorge; Rui Teixeira; Sérgio Sousa; Sílvio Pires; Valdemar Costa; Valter Ferreira.

- A todos os juízes: Joaquim Rosa; José P. Leitão; Manuel Brás; Paulo Filipe; Samuel Lourenço; Sandra Esteves; Vítor Serrano, pelo vosso trabalho e por terem ainda contribuido monetariamente;

- A todos os postores: Eduardo; Fredy; José P. Comenda; Zé Augusto;

- Ao guarda;

- À D. Helena, Presidente da APACA (Associação Portuguesa de apoio à criança abandonada);

- À Ângela, Presidente da APA (Associação proteção animais), por ter passado por tudo aquilo que passou;

- Às Adega Cooperativa do Cadaval e Adega Cooperativa de Dois Portos, pela oferta do vinho;

- À Ana Paula Ferreira, que não esteve presente na prova, mas contribuiu monetariamente;

- À Associação de Caçadores do Cadaval, por tudo aquilo que nos ajudou;

- À Associação de Caçadores de S. Quintino e Sobral de Monte Agraço, pela doação de sacas de ração para os prémios e ainda por estarem presentes tantos sócios;

- À Browning, pelas ofertas que doaram;

- À Câmara Municipal do Cadaval, pela ajuda e pelos troféus fantásticos;

- À Câmara Municipal de Torres Vedras, pela doação dos sacos e pastéis de feijão para todos;

- Ao Carlos Batista, que não esteve presente na prova, mas contribuiu monetariamente;

- Aos Carlos Guilherme, pela oferta do porco delicioso do seu Talho, que deixou todos satisfeitos;

- Ao Daniel Francisco, que não esteve presente na prova, mas contribuiu monetariamente;

- Ao Horácio Manuel, pelas lindas coleiras para os cães que ofereceu;

- Ao João Alfaiate, pela oferta dos vinhos, do garrafão de azeite e dos molhos (que distribuimos em muitos prémios);

- Ao João Santos, pela oferta do Troféu para o Melhor Cão;

- Ao José P. Comenda, pelos brindes que ofereceu para os cães (mantas, brinquedos, etc.);

- À Loja Amster, pela oferta das botas fantásticas;

- Ao Luís Barata, que não esteve presente na prova, mas contribuiu monetariamente;

- À minha mãe, pela oferta dos (muitos) livros e dvds para os meninos da Instituição;

- Ao Orlando, das Perdizes da Abelheira;

- À Padaria Ferreira e Silva Lda, pela pessoa do José Silva, pela oferta do pão para o almoço;

- Ao Patrício Bernardes, que não esteve presente na prova, mas contribuiu monetariamente;

- Ao Paulino Martins, que não esteve presente na prova, mas contribuiu monetariamente;

- Ao Paulo Gonçalves, pela oferta da pintura linda em xisto para as rifas;

- Ao Pedro Chocotintas, pela ajuda e pela oferta linda linda que me deu (e vai ser muito usado);

- Às Rações Zêzere, pela oferta das sacas de ração para os concorrentes;

- Ao Rui Alves, por todos os brindes (que nunca mais acabavam) que doou e, desta forma, deu para brindarmos todas as pessoas presentes;

- Ao Rui Bonito, pela oferta do quadro maravilhoso para as rifas;

- Ao Rui Jesus, que não esteve presente na prova, mas contribuiu monetariamente;

- Ao Rui Pinto e à Maria Bastos, que não estiveram presentes na prova, mas contribuiram monetariamente;

- Aos Senhores que estiveram a fazer o porco para todos almoçarmos;

- Ao Tiago Ferreira (Montarias com Tradição) pela oferta do prémio;

- Ao Tiago Forte, que não esteve presente na prova, mas contribuiu monetariamente;

- Ao Trigo da Aldeia, pela pessoa do Rui Martins, pela oferta dos imensos bolos ótimos que nos ofereceram;

- Ao Vítor Oliveira, por ter ido representar a CNCP e por ter ajudado monetariamente;

- Ao Vitor Palmilha, pela oferta do prémio;

- A todos os acompanhantes;

- A todas as crianças que estavam presentes;

- A todos aqueles que compraram rifas;

 

Um GRANDE OBRIGADA, A ESTA FAMÍLIA, DO FUNDO DO MEU CORAÇÃO ❤️  

ML.

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Resgate de Pombos bebés no caixote do lixo

Resgatar estes bebês, que estavam ao pé do caixote do lixo para morrerem! Levá-los para casa, cuidar deles, alimenta-los de poucas em poucas horas, dar mimo e atenção, fazer com que não tenham frio, sede ou fome... Não os deixar morrer, como muita gente que passou pelo caixote do lixo os deixaria! Dar-lhes a oportunidade de sobreviverem e serem felizes! E isto feito por um caçador... Liliana Domingos obrigada por seres caçadora, por seres uma grande Mulher e por mostrares que os caçadores podem gostar dos animais; podem cuidar dos animais e podem resgatar animais que foram abandonados!

 

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Santo António numa noite de Lua Cheia

Na nossa Sociedade, o Santo António tem uma vasta importância; nomeadamente nos Católicos, devido àquilo que Ele representa. Dizem que se pode pedir de tudo ao Santo António, no entanto, bem sabemos que este é o nosso Santo Casamenteiro, sendo dotado ainda de uma cultura literária invulgar e de um admirável dom como pregador. 

Este Santo adorado por tantos, deu-me a honra de caçar um javali esta Segunda feira e, eu "dei-lhe a honra" de ajudarmos muitas pessoas que, por circunstâncias da vida, talvez já não acreditem que os "milagres" ou as boas ações são possíveis... Fica aqui o relato disso mesmo!

 

Estava um dia quente, com um vento intenso, mas que seria favorável para o sítio onde iria fazer a espera. Cheguei ainda de dia, estacionei a carrinha e fui pé ante pé ver o cevadouro. Depois de tudo tratado, dirigi-me novamente à carrinha... Retirei a arma do saco, vesti um casaco quente, pus um chapéu na cabeça e, ineditamente, levei comigo uns binóculos que tinha no porta luvas. Sentia o vento forte. Carreguei a arma e sentei-me no chão, de pernas cruzadas...

Como ainda não era muito tarde, pensei disfrutar um pouco da paisagem onde estava. Agarrei nos binóculos, meti-os à cara e olhei! Olhei e esperei ver alguma coisa... Uma raposa, uma lebre, ou simplesmente as árvores que iam abanando cada vez mais com o vento... E numa fração de segundos, quando retiro os binóculos da cara, vejo um grupo de javalis a alguma distância.

Começou!

O coração começa logo com as palpitações caraterísticas dele... Palpitações estas sentidas somente por um caçador, creio! Não faço o mínimo de barulho. Não me mexo, quase não respiro! E coloco novamente os binóculos à cara para os ver bem... Eram 5 porcos... O maior ia à frente, lidando o grupo... Fez-me lembrar uma alcateia, com o macho alfa a liderar os outros! Iam todos em fila indiana... Descansados e tranquilos... Vinham para o cevadouro, sabia com toda a certeza! A fome começa a apertar, nesta altura! E então os javalis procuram os sítios onde sabem que têm comida à descrição; sítios esses feitos e tratados por caçadores (e só por caçadores)! 

Tirei os binóculos da cara... Eles estavam a chegar! O barulho teria de ser o menor possível, pois ainda era de dia e todo o cuidado seria pouco. Meti-me numa posição mais confortável, no chão, e segurei na arma (a última coisa que me preocupo, pois tento disfrutar o mais possível sempre). 

Os javalis entraram e foram à comida. Olhei-os mais um pouco. Estavam com fome. Havia um particularmente grande, que me tinha chamado à atenção! Seria esse o "meu" javali, pensei! Comia sofregamente... Contudo, os outros quatro javalis começaram a cheirar, tal como os cães fazem e a seguir o rasto. O meu rasto. Começaram a andar, uns atrás dos outros, e vieram para junto de mim. Eu tinha-os a cerca de 5 metros a olharem para mim. 

Um caçador percebe o que estou a falar! A emoção que é (e a dificuldade) ter javalis tão próximos, a verem-nos e a sentirem-nos e nós sem poder fazer nada. O que pensei, na altura: ou concentro-me naquele que ainda está a comer ou não caçarei nenhum! Foi isso que fiz. Abstrai-me dos olhares intensos que caiam sobre mim, a uma distância tão curta (isto durou tudo pouco tempo, claro) e olhei para o que comia no cevadouro. Pus a arma à cara e apontei-o. As ervas estão muito altas, vejo-o com alguma dificuldade. Mas, numa fração de segundos, disparo o gatilho. 

Respiro fundo! Ouço passos aqui, passos ali... Tudo a correr! E num ápice, tudo fica novamente deserto e o silêncio sobressai! Levanto-me e vou ver o que se passou! Não tenho o javali no sítio, mas pensei que tinha dado. Não há sangue... Mas vou procurar! Quantas e quantas vezes eles não deixam uma única gota de sangue...

Procuro, ainda de dia. Era difícil, os pastos estavam altíssimos, mal conseguia ver alguma coisa. Passaram 20 minutos e nada... Começava a querer escurecer... Respiro fundo e olho à volta para me concentrar! Será que tinha falhado? Olho para baixo... Tinha umas calças claras, que estavam agora apoderadas de carraças. Mas, subitamente, estavam também com manchas de sangue. Portanto, ele tinha de estar perto! Como as ervas eram muito altas não conseguia ver o sangue, mas ficou nas calças e era uma nova esperança. Depois de pensar (novamente) no trajeto que ele poderia ter feito, lá fui eu e... Estava o javali! Com um tiro no coração. E eu penso, mais uma vez, o que estes animais aguentam... 

Foi tempo de o puxar até à carrinha, com a ajuda do Zé (claro) - pessoa essencial em tudo isto, e irmos esfolá-lo.

 

Antes disso, tiramos todas as carraças do javali, para darmos para um estudo que está a ser feito a nível nacional, sobre os agentes patogénicos transmitidos por carraças. É importante contribuirmos com tudo aquilo que podemos e, como me haviam pedido, foi a minha primeira preocupação - garantir que tinhamos todo o cuidado a tirá-las (para não morrerem) e entregar a quem de direito, ainda vivas. Curioso saber que as carraças eram de 3 espécies diferentes (umas fêmeas e outras macho) e, além disso, só umas típicas de javali (as outras eram típicas de vacas e as outras de cães).

 

Ainda assim, o mais importante nesta história é o final que ela teve! E foi um final feliz, de certeza... Não só para mim, como para muitas pessoas!

Decidimos entregar a carne toda de javali (depois de esfolada foram feitos despistes de doenças). Tínhamos tudo legalizado, e a Instituição Casa Lisboa, que apoia os sem abrigo aceitou a nossa oferta. Portanto, este javali irá alimentar centenas de pessoas. Pessoas que necessitam, sem dúvida, mas, acima de tudo, pessoas que não nos julgam! Pessoas que percebem que as nuances da vida são tão difíceis e que há tantas coisas mais importantes do que sermos uns contra os outros...

ML.

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Uma Atitude pode mudar uma História!

Pediram-me para escrever qualquer coisa sobre caça, para a Revista que iria sair na Feira da Caça, Pesca e Natureza OesteNatura, no Turcifal, nos dias 4, 5 e 6 Junho. Aqui fica o que escrevi:

 

"A Caça atravessa momentos preocupantes e, infelizmente, a tendência está cada vez mais direcionada para o fim da atividade cinegética. Se em tempos, precisando a data de 1979, Portugal era o País com a maior percentagem de caçadores em relação à sua população, hoje em dia, isso não é, de todo, verdade. Muito pelo contrário… Muito à custa de uma má gestão cinegética, de politiquices, de taxas e mais taxas e de um avanço drástico do urbanismo e do êxodo rural. Tudo isto leva a que 10.000 caçadores desistam, ano após ano daquilo que, quiçá, os torna mais felizes: caçar e estar em contacto com a Natureza e os animais.

Mas… Como nem tudo é (nem pode ser) preto ou branco, falemos então da “tonalidade cinzenta”. Ou seja, falemos da esperança que, como todos nós sabemos, “é a última a morrer”. O melhor do mundo é saber que existem infinitas possibilidades mas, para isso, temos de as conquistar… De as querer conquistar! Como?

Primeiro que tudo, precisamos de nos unir. Penso que essa seja a chave do sucesso.

Precisamos de nos unir enquanto classe de pessoas que trabalham para re-equilibrar a pirâmide ecológica, que a Natureza per si já não consegue.

Um classe de pessoas que dão milhares e milhares de euros à Economia Portuguesa…

Uma classe de pessoas que, se deixarem de existir,  arrastarão consigo uma série de consequências pessoais, emocionais (mas quem se preocupará com isso?), políticas, monetárias e ambientais…

Uma classe de pessoas que tratam os animais com todo o amor e carinho… Que vertem lágrimas quando veêm, por exemplo, os perdigotos a passearem com a mãe ou os listados a brincarem uns com os outros… Que não abandonam os seus cães… Que praticam o ato de matar como última instância na caça… Que cuidam da Natureza, como se da sua casa se tratasse… Que cuidam das peças de caça abatidas, com todo o respeito e dignidade.

Uma classe de pessoas intituladas por Caçadores! E não matadores… Há uma diferença (uma grande diferença) e isso precisa de ser, urgentemente, demonstrado às pessoas. Quem são os caçadores e quem são os matadores… As diferenças podem, também elas, ajudarem-nos a ganhar batalhas!

Portanto, há esperança! Porém, há muito trabalho a fazer e uma “guerra” a ganhar! Mas, para isso, foquemo-nos nas pequenas batalhas e a conquista da guerra será apenas fruto de tudo isso…

Vamos a isso Caçadores!"

 

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Doação para o Grupo Lobo

Sou Caçadora mas gosto de ajudar!
Sou Caçadora mas preocupo-me com a Natureza e com os animais!
Sou Caçadora e o meu animal preferido é o Lobo Ibérico!
Sou caçadora e faço donativos para ajudar esta espécie (e outras)!
Sou Caçadora... E não uma assassina!

Com a compra desta bolsa, 20% do lucro reverte a favor do Grupo Lobo! Eu vou fazendo a minha parte...

ML.

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A história de um menino nascido no campo...

A minha avó está constantemente a dizer "Não páras quieto um minuto Zé, parece que tens bicho carpinteiro"; "Senta-te um bocadinho a ver televisão com a avó". Mas eu não quero. Eu gosto de ir para a rua brincar... Gosto de correr até me doerem as pernas. Às vezes vou brincar com os meninos à bola mas, outras vezes, vamos brincar no campo e ver se encontramos lebres ou raposas. Quem encontrar primeiro ganha. 

Eu sou o Zé, tenho 12 anos e vivo no Alentejo. Tenho 4 cães e um deles anda sempre atrás de mim, menos quando vou para a escola. Aí ele não pode vir comigo. Eu não gosto muito de ir à escola, é uma "seca", mas eu percebo que tenho de aprender mais para quando for grande ter dinheiro e ser como o meu pai. O meu pai é o meu melhor amigo. Nos fins de semana eu vou sempre com ele e com os amigos para a caça. Ele ensina-me tantas coisas. Vamos ver os perdigotos, depois vamos tratar dos cevadouros, onde o meu pai todos os dias mete milho para os javalis comerem e, por fim, vamos ver se as raposas ou as águias não atacaram alguns animais lá no campo. É tão divertido. E os cães também vêm connosco, e acho que eles são muito felizes; pelo menos estão sempre a abanar o rabo e a minha professora na escola diz que quando os cães abanam o rabo é porque são felizes. 

Hoje cheguei a casa, depois de vir da escola a pé, e está tudo muito triste. A minha mãe está a olhar para mim, com as lágrimas nos olhos e diz:

"Zé, vamos ter uma casa nova".

"Uma casa nova? Porquê? É preciso mais espaço para os nossos cães?", pergunto eu.

"Não Zé. Vamos ter uma casa nova, num sítio novo. E tu vais ter também uma escola nova."

"Porquê?"

"Porque o pai tem de ir trabalhar para Lisboa e nós teremos de ir com ele, porque somos uma família e estaremos sempre todos juntos"

"Nessa terra também posso brincar com os cães e correr atrás das lebres?"

"Sim filho, hás-de poder".

E não disse mais nada. Eu estou triste porque tenho de deixar as coisas que eu mais gosto mas, se nessa terra também tem isto, então também vou ser feliz lá. 

 

Mudamo-nos muito rapidamente. No dia em que chegamos a Lisboa, estava muito calor. Mas no Alentejo ainda estava mais. Chegamos a nossa nova casa e eu fui logo ver o meu quarto. Era grande, só que a nossa casa tem mais casas. A minha mãe diz que se chama um prédio, com apartamentos. Pelo menos, é muito grande.

Hoje é o meu primeiro dia na escola nova. Esta cidade é estranha. Tem tantos carros e tanta confusão. De manhã, chegamos atrasados à escola e o pai estava chateado e toda a gente apitava. Ainda não vi foi o campo, mas não deve ser longe. Cheguei à escola e os meninos são diferentes. A mãe já me tinha avisado, porque são meninos de Lisboa e nós somos do Alentejo e os mundos são diferentes. 

 

O tempo foi passando... E eu fui-me adaptando a esta nova realidade... Ainda não vi foi o campo... E estou cada vez mais triste. Mas aos fins de semana, às vezes, vamos ao Alentejo, para eu e o pai irmos à caça com os cães e irmos visitar a avó.

Na escola... Na escola eu não estou muito bem. Os meninos estão sempre a gozar comigo. Eles não sabem brincar. Só falamos quando vamos jogar à bola (isso sabemos todos). Mas de resto... Eles andam sempre com telemóveis e a jogar jogos. Não fazem mais nada durante os intervalos e depois também falam dos programas da televisão. Às vezes penso que deveria ter visto televisão com a minha avó, como ela pedia, para agora saber do que eles falam...

Houve um dia que decidi perguntar ao Miguel, o menino que eu mais gosto da escola nova:

"Miguel, porque é que não largas o teu telemóvel?"

"Tás parvo Zé? Então estava a fazer o quê? A brincar às escondidas, não? Tenho de passar níveis nuns jogos que saquei e, além disso, tenho comentários para fazer no facebook".

"Tu não gostas de ir ver as lebres ou os javalis, no campo? O meu pai no outro dia viu uma mãe com 8 listados atrás dela..."

"Estás a falar do quê? Eu sei lá o que é um javali. A carne que nós comemos é porque a minha mãe compra no supermercado".

"A que é que tu brincas aos fins de semana?"

"No Sábado tenho jogo de manhã, depois vou a casa almoçar e à tarde costumo ir ao cinema com o meu pai, enquanto a minha mãe vai às lojas no Colombo. Depois Domingo ficamos em casa, eu posso jogar na playstation o tempo que eu quiser ao Domingo (depois de fazer os trabalhos) e ir ao facebook o dia todo. E depois à noite vemos a Casa dos Segredos".

"E quando é que tu brincas no campo? Ou com os animais?"

"No campo? Não se faz lá nada... E nem sequer tenho rede na internet. Eu nem sei onde é o campo aqui em Lisboa. Eu tenho um peixe no aquário, chamado Nemo. E tivemos um cão, mas o meu pai e a minha mãe estavam sempre a discutir sobre quem é que levava o cão à rua e olha... Tivemos de o dar".

"Entendo, Miguel... A tua vida é muito diferente da minha... Eu nunca mexi no facebook. Tenho sempre de ir ajudar o meu pai a tratar da Natureza e dos nossos animais. Ou então, aos fins de semana, vamos à caça...

"À caça? Vocês matam animais? Isso é ser assassino e não ter respeito pela vida animal"!

 

Será esta a realidade a que estamos a chegar? Parece-me bem que sim... Será que ter respeito pela vida animal é não saber, sequer, o que é uma lebre ou um saca rabos?  Será que ter respeito pela vida animal é pensar que a carne e o peixe vêm das prateleiras do supermercado?

Tudo começa com a educação e a transmissão de valores que temos, é certo. E agora eu pergunto: qual será a melhor educação para darmos aos nossos filhos? Qual será o melhor exemplo a reter? Uma criança retrógada "assassina" ou uma criança moderna "intelectual"?

ML.