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Diário de uma Caçadora

Para entenderem a minha loucura precisam, primeiro, de conhecer a minha paixão. Quero mostrar que a minha paixão é muito mais do que o simples acto de matar... Que a minha paixão é uma forma de estar na vida!

Diário de uma Caçadora

Para entenderem a minha loucura precisam, primeiro, de conhecer a minha paixão. Quero mostrar que a minha paixão é muito mais do que o simples acto de matar... Que a minha paixão é uma forma de estar na vida!

Novas regras sobre a renovação da Licença de Uso e Porte de Arma

Realmente quando achamos que tudo está "calmo" e que as coisas podem estar a mudar (pela positiva) tem de haver qualquer coisa que não nos permite sonhar com um "mundo perfeito na caça".

Mais um despacho que acaba de sair e que já está a gerar muita confusão (como é óbvio). Burocracias e mais burocracias... Vamos lá ver se percebemos o que eles querem, desta vez. 

 

Depois de contactar os responsáveis e de tentar perceber o que se está a passar, eis as conclusões a que cheguei:

 

Ora, como sabem, de 5 em 5 anos é necessária a renovação da licença de uso e porte de arma. E, de 10 em 10 anos, é necessário fazer um curso de atualização técnica e cívica, de apenas 1 dia, na Polícia. Contudo, desde o dia 23 de Agosto de 2016 as coisas mudaram ou ficaram mais esclarecidas, digamos.

Saiu em Despacho Diário da República  18584/ 2008 DR II Série  Nº 113 11 7 que para todas as licenças que caducaram desde o dia 23 de Agosto de 2016 é necessário a apresentação dos seguintes documentos, para titulares de licença C e D (para não fazerem novo exame teórico-prático de porte de arma); contudo terão sempre de fazer o curso de atualização ténica e cívica:

- Licença C e D válida;

- Carta de Caçador válida;

- Apresentação das 3 últimas licenças de caça a contar do ano em que estamos; ou seja licença de caça de 2013; 2014 e 2015. Ou, então, há ainda a hipótese de apresentarem o comprovativo do pagamento de 5 licenças de caça entre 2006 e 20015.

 

E se o papel não estiver nítido ou se eu já tiver deitado para o lixo?

Aí "não há problema", pois basta ir ao ICNF e pedir comprovativo das licenças dos anos anteriores. Contudo, o tempo de demora pode ser superior ao previsto. Não se sabe quando é que o ICNF terá tempo para vos tratar disso. O que pode implicar não terem as coisas todas organizadas para esta época de caça.

 

Quem for atirador com o cartão válido não necessita de mais nenhum comprovativo - ex. titulares de tiro desportivo e de licença federativa válida.

Porquê isto? O objetivo primordial é comprovar a regular prática de tiro em ato venatório (ou em outras atividades permitidas por lei). 

 

Mas... E há sempre um mas...E se eu não tiver tirado a licença nos últimos 3 anos ou se não tiver comprovativo de 5 licenças nos últimos 10 anos? Ou se o ICNF se atrasar e não me enviar os comprovativos até à data que eu necessito?

Aí terá de fazer um exame teórico- prático que tem custos: 

29,50€ de pedido de candidatura;

139,10€ - Classe C;

113,50€ - Classe D;

Estes preços podem ser alterados a partir de Março. 

 

No entanto, tem ainda a possibilidade de pedir um documento que comprove que fez tiros em campos de tiro, por exemplo, com a Federação de Tiro; ou que fez tiro em campos de treino de caça, com as Federações responsáveis. O grande objetivo é comprovar que pratica regularmente o tiro e o manuseamento de armas. 

 

Infelizmente, sei que muitos caçadores não estarão para se chatear e muitos poderão mesmo arrumar as espingardas, os cães e, quiçá, a paixão de uma vida. Por causa de uma nova regra... Mais uma...

 

ML.

 

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Uns dias na Graciosa

Recebi o convite por parte da Associação de Caçadores de Graciosa para julgar as Provas de Santo Huberto de apuramento para o Campeonato da Confederação, a realizar em Setembro. A resposta imediata foi Sim! Nem poderia ter sido de outra forma.

Embarcamos de madrugada e estivemos na Terceira. Estivemos na Praia, almoçamos umas lapas e ainda passeamos um bocadinho. A cidade da Praia é linda e o tempo estava fantástico.

Chegamos à Graciosa e fomos recebidos de forma muito ternurenta, com muita simpatia e amizade.

Estavam a decorrer as festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres e portanto o ambiente, naquela pequena ilha, era de festa, de harmonia e muita felicidade. Durante a tarde tivemos oportunidade de ver uma tourada à corda, tradição muito patente naquela ilha (a tradição da tourada está muito incutida nos Açores, principalmente na ilha Terceira, onde todos os dias há touradas, de Maio a Outubro). Nunca tinha visto nada assim, o touro no meio da rua, a ser liderado por 4 homens com uma corda. É diferente!

No dia seguinte tivemos o primeiro dia de Prova. Julguei sozinha, mas tive a companhia do postor António, que me ajudou com as perdizes. Vieram concorrentes de várias ilhas, com um espírito de desportivismo fantástico. 2 séries, cada uma com 11 concorrentes. A outra série foi julgada pelo meu pai. Estive num terreno em que as dificuldades foram muitas, principalmente devido ao vento muito inconstante e um calor muito acentuado, o que tornou difícil que os cães apanhassem as emanações. No dia seguinte tivemos o mesmo problema, apesar do vento estar mais acentuado, mas os ventos faziam remoindo, muito cruzados e era difícil. 

Mas como gosto de referir as coisas boas e não as menos boas, quero dar os parabéns a todos os concorrentes magníficos e a toda a simpatia e desportivismo que tiveram. Todos fantásticos caçadores e todos eles com cães muito interessantes, cada um à sua maneira. Vi cães que gostei bastante e tive a oportunidade de dizer a quem de direito. 

Depois de uma barrage, no segundo dia, a pontuação ficou assim ordenada:

1 - Pedro Araújo com BAM (Campeão Regional)
2 - José Luís Cunha com BAM
3 - José Santos com EBM
4 - Rui Lobão com BAF

 

Ainda tivemos oportunidade de ver a tourada, com a Ana Batista e os irmãos Pamplona. Uma praça linda, que vos deixo a fotografia aqui para constatarem. Uma tourada cheia de emoção, com alguns momentos mais difíceis e que levou a que a ansiedade e o nervosismo fizessem parte da tarde. Além disso, os pombos torcazes que passavam por cima de nós constantemente também nos iam deliciando as vistas.

Pediram-me para fazer a minha conferência "A Caça como uma forma de estar na vida", que apresentei com todo o gosto, no Auditório Municipal da Graciosa. O meu pai apresentou as reformulações que foram feitas ao regulamento das Provas de Santo Huberto. Foi um bocadinho didático, em que interagimos uns com os outros e tivemos a oportunidade de todos aprendermos um pouco mais!

Conhecer a ilha da Graciosa foi maravilhoso. Uma ilha muito pequena, que se conhece em muito poucas horas, mas depressa nos apercebemos das paisagens fantásticas, da harmonia, das vistas, serras, mar, das rochas, das vacas, touros, enfim, da Natureza pura, sem centros de comerciais e sem trânsito. É imperdível! Estavam muitos emigrantes, que vieram da América, a visitarem a sua ilha e as suas origens.

Conseguimos também conhecer a ilha da Terceira, no dia em que regressamos a Lisboa passamo-lo na Terceira, nomeadamente em Angra do Heroísmo. Com uma rotunda que adorei, deixo-vos aqui a fotografia também.

Parabéns a todos! Obrigada do fundo do coração a todos os que nos receberam e trataram com tanto carinho! Desde o dia em que nos foram buscar, até ao dia em que nos foram pôr. Dormir na Polícia, os jantares na feira, o jantar de entrega de prémios, os almoços, as meloas e melancias que levaram durante a prova... Por tudo isto e muito mais obrigada! Adoramos tudo e sentimos que a Graciosa foi a nossa segunda casa naqueles dias! 

ML.

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Passatempo Mochila Amster (Resultados)

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Chegou a hora de revelar o nome do vencedor do Passatempo Mochila Amster, levado a cabo pelo Blog Diário de uma Caçadora e pela Loja Amster!

 

Relembro que em causa está uma Mochila verde da Amster.

 

Para participar, bastava tornar-se fã da página de facebook Diário de uma Caçadora e da página de facebook da Loja Amster e preencher, uma única vez o Formulário

 

O vencedor foi escolhido aleatoriamente, através do random, que determinou o seguinte resultado...

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Muitos parabéns à vencedora que em breve será contactada! E muito obrigada a todos os leitores que participaram... Em breve teremos mais passatempos e poderá ser a tua vez de ganhar :)

Olhos em chama, coração em lágrimas

O sol começava a pôr-se no horizonte. Mas o calor continuava, forte, intenso e extenuante. Estava cansado de tanto calor. Passei o dia à sombra, de outra forma seria impossível ter sobrevivido a estas altas temperaturas. Agora saí da sombra, do meu cantinho mais fresco, para ir à procura de comer. Tenho fome e sede. É normal. Sobretudo, com este calor, é normal a sede ser maior. Fui à procura de água na ribeira aqui mais próxima. Está com menos água que na vez anterior. Talvez seja normal também. Refresquei-me, bebi água, lavei-me e fui à procura de comida. Não queria correr muito velozmente, pois estava cansado. Como já referi, este calor consegue deixar-me de rastos.

Comecei a procurar naqueles sítios mais prevísiveis de encontrar alimento. Mas algo me chamou à atenção. Não eram humanos, não eram sons mais ruidosos, mas sim um cheiro. Um cheiro intenso. A fumo. Estranhei! Nunca tinha sentido tal cheiro, e não me agradou muito; mas continuei a minha viagem. Até que este mesmo cheiro, cada vez mais intenso, começou a intrigar-me. A intrigar-me de tal forma que decidi ir ver o que estava a acontecer. Tinha medo, não posso negar, mas a curiosidade falava mais alto. E fui em direção ao cheiro; com a ajuda do vento intenso, que o ia trazendo até mim.

E foi aí que tudo mudou!

Olhei para a frente e toda a minha casa estava a arder. As chamas eram enormes, queimavam tudo, com uma velocidade maior que um fósforo a queimar. Era assustador. Árvores a arderem que, em segundos, passavam de verdes e castanhas a pretas, sem flor nem folha. 

Tinha os olhos em chama, e o coração em lágrimas.

Decidi correr com todas as forças que tinha e ir-me embora o mais rápido possível dali. O vento era muito, e o cheiro cada vez mais absorvente. 

Perdi-me. Com o medo, o desespero e a angústia, perdi-me. Não encontro a minha toca, apesar de conhecer a minha casa melhor que ninguém! O fogo começou a vir de todo o lado. Sinto-me enjaulado, sem sítio para onde fugir. Não sei mais o que fazer, ou como sair deste mundo vermelho e preto. Tudo está muito quente, a arder. As minhas patas estão a começar a falhar. Sinto-me sem forças. Completamente! Estou a ficar tonto, demasiado quente e sem saber o que fazer. Corro de um lado para o outro, mas em vão, eu sei!

Desesperado, enfio-me numa toca que encontro, mas o cheiro a queimado e o calor são demasiado fortes. Mas permaneço aqui. Esperarei por um milagre. Eu ainda acredito em milagres.

E, de repente, não me lembro de mais nada. Acordei, com água a bater-me na cara e no corpo. Estou muito assustado, muito quente, com muitas dores! 

Penso automaticamente em todos os animais que não conseguiram salvar-se e que morreram queimados. Javalis, outros coelhos, lebres, perdizes, raposas, saca rabos, etc., etc. A eles fica aqui o meu coração em lágrimas! Penso também nas casas que foram destruídas, nas pessoas que estão em pânico e que temem por tudo. A elas fica aqui o meu coração em lágrimas! 

Olho para cima e vejo um homem. Um bombeiro! Acho que ele me salvou a vida. Agradeço-lhe, com os olhos ainda em chama e o coração ainda em lágrimas! Foste e sempre serás o meu Herói!

Assinado: um coelho que viu a sua casa (Natureza) a ser destruída por um fogo!

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Porquê Morte?

Falamos constantemente sobre a vida, de uma forma tão egoísta e tão mesquinha. Não damos valor ao que temos, ao que fazemos e a quem somos! Não damos valor aos outros, aos sentimentos e às pequenas coisas boas da vida. Damos sim valor somente quando a Morte nos vem bater à porta.

Por vezes, ela bate de mansinho, sem que nada nem ninguém esteja à espera. E dói para caramba! Outras vezes, ela bate com uma força tremenda e assustadora. E também dói para caramba. A Morte dói! A morte é terrível e, hoje, vou tratá-la por tu. Penso que ela não se importará.

Temos medo de falar dela, como se ela não fosse bater à porta de todos nós. Temos medo de pronunciar o seu nome. Temos medo dela mas, sobretudo, temos medo daquilo que ela nos faz sentir. Temos medo da dor, da tristeza e da saudade. Sabemos que a Morte também é isso. E respeitamo-la. Mais do que a tudo e a todos, respeitamos a Morte.

 

Mas, mesmo quando ela nos bate à porta, o tempo não pára e o mundo continua a ser um "simples" mundo. Ao menos, que este tempo e este mundo parassem, até que a nossa dor também parasse. Mas será que algum dia pára? Certamente que não. É uma dor que não passa, apenas apazigua. Lentamente, mas apazigua. E quem quiser que se adapte a esta nova vida. Quem quiser que aprenda a viver com a partida de alguém. É tão difícil, Morte. Tens noção do sofrimento que causas a milhares e milhares de pessoas? Todos os dias, a toda a hora? Talvez tenhas, mas fazes somente o teu papel. Temos de aprender a lidar com isso. Contigo. 

E depois, quando parece que tudo começa a ficar "estabilizado" apareces novamente, como quem diz "não se esqueçam de mim, irei sempre voltar, sem data marcada".

E aqui, sob o impacto de uma tal saudade, continuamos. Mas com medo de ti. Sempre. 

Porque deixamos de acreditar em tudo. Deixamos de ter fé. Deixamos de ter oportunidade para dizer coisas que ainda tinhamos para dizer. Deixamos de dar abraços a quem mais gostavamos. Deixamos de ter calma e a raiva instala-se em nós. Deixamos de ter forças para mudar o mundo. Deixamos de acreditar em nós próprios e na vida. Deixamos de acreditar que somos imortais. 

E tudo por causa de ti, Morte.

 

Um abraço à família do Marcial Hermida, um grande Senhor do mundo dos cães de parar e das provas de trabalho!

ML.

 

A Natureza é perfeita!

A Natureza é perfeita! Com toda a certeza!
 
Este fim de semana, depois de várias insistências, decidi fazer mergulho e acompanhar um GRANDE caçador submarino. Confesso que o mar me intimida e sempre tive receio de "competir" com ele, devido a várias coisas que já me aconteceram. Pormenores, é certo, mas que vão fazendo parte da nossa história!
A medo, fui-me equipando! A medo calcei as barbatanas e, também a medo, mergulhei! Não sabia o que iria encontrar! Não sabia o que iria ver ou sentir. Mas de facto a experiência foi deveras incrível!
"No mar, não podes ter medo e tens de estar o mais tranquila possível! Nunca lutes contra o mar e nunca transmitas o teu nervosismo!" Estas foram as palavras que me ficaram e que eu segui, com toda a responsabilidade!
Antes de entrar, tive de me certificar que já tinha aprendido muita coisa. Com o melhor professor, também seria difícil não ter aprendido assim. Há muitos perigos, é preciso ter consciência disso; e foi a primeira coisa que quis ter em conta.
 
O fundo do mar é absolutamente magnífico! Estava repleto de anêmonas e ouriços do mar. Fantástico! Segui o meu caçador submarino e ia vendo o trabalho dele e tentando aprender mais alguma coisa.
Até que ele me chamou, com gestos e apontou para o fundo. Eu olhei e não via nada. Ele disse "um polvo". Olhei com olhos de ver e, com muita dificuldade, consegui vê-lo. As técnicas que eles usam para se encobrirem são fantásticas. E mal o conseguimos ver. São realmente os mestres do disfarce! Olhei e sorri! Nunca tinha visto um polvo no seu habitat natural!
O Zé deu-me a arma e disse "mergulhas, apontas e disparas". Olhei para ele receosa. Muito receosa. Seria eu capaz de mergulhar e caçar o polvo? Respirei fundo e lembrei-me das palavras dele "descontrai, relaxa, inspira e expira. Repete e essencialmente desfruta". Assim seria! Retirei a máscara para limpar bem, coloquei o respiradouro na boca e mergulhei. Olhei para o polvo, apontei a arma e disparei. Isto tudo em segundos. Puxamos e eis que tenho o meu primeiro polvo caçado.
Obrigada pela confiança e obrigada por estes momentos maravilhosos que me proporcionas e tudo o que me ensinas!
 
Realmente a Natureza é tão perfeita! Ainda bem que a conseguimos desfrutar desta forma tão peculiar!
ML.

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