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Diário de uma Caçadora

Para entenderem a minha loucura precisam, primeiro, de conhecer a minha paixão. Quero mostrar que a minha paixão é muito mais do que o simples acto de matar... Que a minha paixão é uma forma de estar na vida!

Diário de uma Caçadora

Para entenderem a minha loucura precisam, primeiro, de conhecer a minha paixão. Quero mostrar que a minha paixão é muito mais do que o simples acto de matar... Que a minha paixão é uma forma de estar na vida!

Abertura Geral

E finalmente o grande dia está aí!

 

Hoje já sei que vai custar a adormecer! Vou acordar imensas vezes e a ansiedade irá fazer parte do meu suposto descanso. Hoje é um dia mais agitado. É um dia de criar expetativas, de delinear objetivos, de pensar em estratégias, de ter a humildade para aprender e perceber como poderei fazer melhor e, acima de tudo, hoje é dia de sonhar com estes 5 meses que vamos viver. Intensamente e com uma profunda alegria que nos dita, constantemente, que estamos vivos e bem vivos...

 

E os cães... Esses sentem já esta nossa ânsia. Sabem exatamente o dia e a hora que vão começar a caçar, como se fossem também eles animais racionais! Talvez estejam ainda mais ansiosos que nós. No fundo eles nasceram mesmo para isto. A felicidade de um cão a bater terreno, a procurar a caça, a fazer a busca é bem patente.

São a peça fundamental para eu ser caçadora, sem dúvida alguma!

 

Hoje é também dia de preparar tudo meticulosamente. Limpar e arrumar! Armas, cartuchos, colete, chapéu, cães, água e apito. Feito!

 

Relativamente às tais expetativas... São sempre boas e positivas. Têm que ser! Principalmente com o panorama que temos hoje em dia. Se não houver esperança, vontade de fazer mais e melhor, de caçar, de bater terreno, de dobrar vales e montanhas atrás de uma perdiz brava, então talvez não valha a pena aqui estarmos. Porque os sonhos só poderão ser realizados, enquanto houver esperança e determinação para fazermos as coisas; caso contrário, será difícil continuarmos com a mesma alegria que anteriormente.

 

Passamos tempos difíceis; tempos em que as pessoas estão diferentes, em que os valores e conceitos que, outrora, estavam bem patentes, hoje são colocados em causa. A caça, o mundo rural e a natureza já não são entendidos como antes. A caça em si mudou muito de há 50 anos para cá. 

 

Mas como somos caçadores também de esperanças e sonhos, iremos certamente continuar nestas nossas andanças, onde a felicidade está mesmo ali, sem nos esforçarmos a encontrá-la!

 

Boa abertura a todos os caçadores!

Não se esqueçam das normas de segurança, o fundamental na caça! Cuidado e atenção!

E não se esqueçam também de serem caçadores. Sempre! E não matadores...

ML.

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Os Heróis da final do Campeonato da CNCP

Não devemos subir a montanha apenas para fincarmos a bandeira. Devemos sim subir a montanha para abraçar o desafio, para disfrutar do ar e contemplar a vista! Devemos subir a montanha para podermos ver o mundo, e não para que o mundo nos possa ver. Porque quando isso acontecer, vamo-nos sentir, certamente, uns heróis. Heróis por termos chegado até ao topo da montanha; heróis por termos lutado, enfrentado, não desistido e, no fim, seja qual for o resultado: vencido. Vencido por nós próprios! 

Começo esta descrição de fim de semana com este pensamento, porque antes de mais nada todos foram heróis, verdadeiros heróis e é a vocês (participantes, organização, postores, juízes, cozinheiros, e todos os que ali estiveram) que vos agradeço e vos dedico todas estas palavras. Obrigada Heróis!

 

Fim de semana de 24 e 25 de Setembro 2016; fim de semana da final do Campeonato de Santo Huberto da Confederação Nacional dos Caçadores Portugueses (CNCP), organizado este ano pela Federação de Caça e Pesca da Beira Litoral, que contou com a preciosa ajuda do Clube de Caçadores do Concelho de Alvaiázere e do Município de Alvaiázere.

Fomos recebidos na Sexta feira à noite, com um caloroso jantar, onde revimos amigos de todas as partes do país e ilhas (este ano também a Madeira se juntou a nós, com três concorrentes convidados). O ambiente foi, desde logo, retratado por um companheirismo inigualável, sorrisos, abraços, amizade e boa disposição. Após o jantar, os juízes, a organização e um delegado de cada Federação juntaram-se, para o sorteio das séries, ordem de entrada e juízes. Tudo foi delineado e aceite por todos os presentes. Três séries, com 10 concorrentes cada, 3 juízes cada (sendo um deles Juíz Internacional), 1 postor para cada série, assim como um "assistente" que ia chamando os concorrentes e fazendo com que as provas decorressem de forma organizada e rápida, para que nenhum concorrente saísse prejudicado com as condições meteorológicas (embora saibamos que os últimos têm sempre mais dificuldade com o calor).

 

Na manhã de Sábado as provas começaram cedo, com um vento inconstante e fraco e um calor que se começou a fazer sentir por volta das 10:30 da manhã. Os terrenos eram típicos de caça, mas com alguma dificuldade, com olivais e plantação de tremoço (ainda que pouca). 

As séries foram julgadas pelos juízes Joaquim Rosa, Paulo Rocha e Mafalda Leitão (Campo A); José Pedro Leitão, Vítor Serrano e Sandra Esteves (Campo B); Manuel Brás, José Gonçalves e Samuel Lourenço (Campo C). 

 

Tudo correu de forma tranquila, com mais ou menos dificuldade. Todos os concorrentes demonstraram espírito desportivo, uma forma exímia no acto de caça, nomeadamente na segurança, e na forma como tratam os cães, sendo que todos levaram água para os mesmos, por exemplo (pormenores essenciais, no meu ponto de vista). Ainda assim, a organização fez um trabalho exemplar, disponibilizando uma banheira com água para os cães, que estava à entrada das séries, em todas as provas. Obrigada à organização por se lembrar deste gigante pormenor, e obrigada também pelo cuidado com os juízes, com a água e a comida que foi fornecida tão prontamente.

 

Depois do grande almoço que nos esperava, a Câmara Municipal de Alvaiázare disponibilizou um autocarro e uma visita guiada aos pontos mais interessantes da cidade, como foi o caso do Museu Municipal, em que tivemos a oportunidade de saber mais sobre a gente que habita esta linda vila. Pessoas essencialmente do mundo rural, que tinham como funções a agricultura, a carpintaria, sapataria, entre outros. Depressa nos apercebemos que as grandes cidades conseguem "abafar" toda esta magia que se vive no mundo rural e toda a importância que este tem. 

Mais uma vez reforço a relevância que a caça e as provas de cães têm para que possamos conhecer vilas e aldeias do interior que, se não fosse por estas razões, caiam facilmente (muito facilmente) no esquecimento de tantos. Promovemos a economia local, a boa disposição e o conhecimento mútuo, essencial para todos. 

Depois desta visita ao Museu, em que ainda contemplamos uma exposição de motos e uma exposição de trabalhos feitos à mão, oriundos de vários pontos do país; fomos visitar uma igreja localizada no meio da serra e ainda vimos de um ponto alto da serra paisagens incríveis e a Natureza em todo o seu esplendor. Obrigada mais uma vez a todos os que nos permitiram tais descobertas e aprendizagens. 

Um obrigada especial à Drª Célia Marques, Presidente de Alvaiázare e à Vice Presidente Drª Sílvia Marques, por acreditarem na caça, nos caçadores e no potencial que há neste setor. Obrigada por nos ajudarem e não nos julgarem. Obrigada por nos receberem tão bem nesta vossa linda casa, Alvaiázare. Um obrigada gigante do fundo do coração!

 

A noite foi contemplada de um jantar fantástico e de boa disposição e companheirismo, mais uma vez, como a família do Santo Huberto já nos tem habituado.

 

Domingo: o dia da ansiedade e do nervosismo. Depois do pequeno almoço, partimos para os campos, desta vez um pouco mais cedo. O tempo estava mais fresco, o terreno mais molhado (tinha chuviscado de noite) e o vento mais regular. Portanto, as condições estavam melhores e isso deixou-me logo mais contente, porque o que quero é que todos tenham oportunidade para se sentirem bem e felizes, pelo menos, durante aqueles 15 minutos de prova.

Notei que todos os concorrentes estavam nervosos, ansiosos e isso, infelizmente, foi visível nos resultados. Mas é normal. Quer queiramos, quer não, estamos numa competição; na final; e isso mexe connosco, com as nossas emoções, por mais calmos que sejamos. Portanto, os nervos e o stress teriam de fazer parte destes 15 minutos, sem dúvida alguma. 

 

Depois de todas as séries terminarem, todos os juízes, juntamente com a organização, estiveram a ver quem passaria à barrage, com a soma dos dois dias e assim ficou: para 1ºs lugares - Paulo Veloso, Carlos Paiva e Rui Bonito (julgados por Joaquim Rosa, Manuel Brás, José Gonçalves, Samuel Lourenço e Paulo Rocha); e para 2ºs lugares - Ricardo Rodrigues, Carlos Guilherme e João Pereira (julgados por José Pedro Leitão, Vítor Serrano, Sandra Esteves e Mafalda Leitão).

 

Depois do almoço excelente que tivemos e do "serviço" fantástico que todos nos proporcionaram (obrigada aos cozinheiros e a todos aqueles que nos serviram ao almoço e jantar e que tanto trabalho tiveram) os resultados iriam ser entregues. Houve tempo para discursos e agradecimentos, principalmente por parte do Presidente da CNCP, da Presidente da Câmara de Alvaiázare, do Presidente da FCPBL e do Presidente do Clube de Caçadores de Alvaiázare. Houve festa e bolo, para celebrar o 23º aniversário da CNCP. Houve palavras de esperança, de luta e de muito trabalho pela frente. E houve o tão esperado momento dos resultados:

 

Classificação por equipas:
1ª Federação dos Clubes de Caça e Pesca do Distrito de Viseu 
2º Oestecaça
3º Federação de Caçadores de Entre Douro e Minho
 
 
Classificação Individual:
1º Carlos Paiva, EB (Beira Interior)
2º Paulo Veloso, P (Viseu)
3º Rui Bonito, BF (Viseu)
4º Carlos Guilherme, EB (Oestecaça)
5º João Pereira, BA (Oestecaça)
6º Ricardo Rodrigues, BA (Açores)

 

Troféu melhor cão da prova:
Fusca do Monte Pereira, Braco Alemão, de João Pereira
 
 
PARABÉNS a todos! OBRIGADA a todos! Sei que muitas vezes os resultados que alcançam não são os mais esperados; não são aqueles que por tanto lutaram e por tanto treinaram, horas e horas. Compreendo que se sintam, muitas vezes, tristes ou injustiçados. Acreditem que ser juíz também não é fácil e, muitas vezes, é duro, muito duro. E parte-me o coração saber o potencial que todos têm mas que, muitas vezes, por condições que às vezes nem podemos interferir, as coisas não correm melhor. 
Mas somos uma Família! Uma Família que estará unida, nos bons e nos maus momentos. Quero apenas agradecer a todos mais uma vez e dizer-vos um a um que são uns Heróis, vocês e os vossos cães! E que a sorte interfere também (e muito) com o Santo Huberto. Porque um dia é da caça e outro é do caçador. 
 
OBRIGADA!
ML.
(Obrigada aos meus queridos Rui Bonito e Rita Branco pelas fotografias magníficas).
 

 

Nasce um Partido político em Espanha que defenderá a caça

No dia 24 de Setembro de 2016, em Madrid, realizou-se uma Assembleia Geral do novo partido político espanhol ANATUR (Acción Natural Ibérica) - um partido que irá defender a caça, a pesca, a natureza, a fauna e a flora. No fundo, defenderem o mundo rural de uma sociedade cada vez mais urbanizada.

 

É sabido que em França há um partido similar, o CPNT (Caza, Pesca, Naturaleza y Tradiciones), que já mantém funções há 25 anos, na presidência de Eddie Puyjalon.

 

Isto é um passo muito importante, tomado em Espanha. Esperemos que alguém coloque os olhos nestas ações e, quiçá, comece a pensar que em Portugal seria fulcral criar um partido que defendesse os caçadores, os pescadores, os trabalhadores rurais, os agricultores, os sivicultores, etc.etc. No fundo, uma grande parte da população portuguesa!

 

Boa sorte ao partido ANATUR e a todos os "nuestros hermanos"!

ML.

 

Os benefícios de ser Caçador

Todos os dias, após o toque dissonante do despertador, levantamo-nos da cama e começamos com a rotina. A rotina chata e imutável, que nos preenche o dia com stress, correrias e obrigações. Nestes cinco dias da semana (para muitos) em que o trabalho e os afazeres em casa nos sugam completamente, o pouco tempo livre que nos resta é utilizado para descansar ou para fazer uma ou outra coisa que já tinhamos agendado. 

Mas eis que surge o fim de semana. Aqueles dois dias que passam num ápice, mas que muitos conseguem aproveitar da melhor forma. Uns em centros comerciais, outros em casa a descansar, outros a passearem com as famílias pelas ruas das cidades, outros a verem filmes, etc. etc. 

Mas... Há um grupo de pessoas, os caçadores, que aproveitam os seus fins de semana de uma forma quase inexplicável. E quais são então os benefícios de ser Caçador?

Este é o primeiro deles todos. Aproveitar os fins de semana, aliás, aproveitar a vida, no seu expoente máximo; de uma forma única e inigualável. Sentir coisas e viver coisas que são impossíveis noutra forma de estar na vida. Ter amizades e sentir o verdadeiro companheirismo entre o ser humano. É estarmos quase à beira de um precipício e sentirmos que teremos sempre alguém para nos puxar.

 

 

É sentirmo-nos úteis. Sentirmos que temos quem dependa de nós. Temos muitos animais que dependem de nós e uma Natureza que precisa da nossa ajuda. É, como disse, sermos úteis, sairmos de casa e fazermos alguma coisa no terreno, e preocuparmo-nos constantemente com a fauna e a flora. Sentirmos, no fundo, que as coisas podem estar no bom caminho, graças a nós. E isso nunca nos deixará ter o sentimento de culpa que tantos nos querem impor.

 

Outro dos benefícios e quiçá um dos mais importantes: a saúde. Quer queiramos, quer não, andamos quilómetros e quilómetros, em terrenos que nem sempre são os melhores. Estamos em constante movimento e não somos sedentários. Nem física, nem mentalmente. Mentalmente (e fisicamente) respiramos ar puro. Repomos energias e todas as coisas más dissolvem-se, como por magia. Não há problemas, não há horas, não há stress nem rotinas. Todos os dias na vida de um caçador são dias novos, com aventuras que se descobrem e com conhecimentos que se vão adquirindo.

 

Rimos. Rimos muito. Choramos, que também faz bem à alma, quando assim tem de ser. 

Ser caçador interfere com o nosso coração, com as nossas emoções. A adrenalina constante, a felicidade ininterrupta, as palpitações já bem conhecidas por todos. Tudo isso nos permite viver e sentir que estamos vivos!

 

Desvantagens? Temo-las sempre, em tudo! Mas deixemo-las bem guardadas e para quem quiser falar disso. 

ML.

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A forma como os animais vivem... Em cativeiro e em liberdade!

Duas realidades distintas...

A indústria alimentar e a forma como vivem e são tratados os animais...

A caça e a forma como vivem e são tratados os animais...

Mas somente a caça é atacada da forma que é... E porquê?

A palavra caça já tem uma conotação demasiado negativa, sem sequer conhecerem o significado da mesma, que vai tão mais além do "caçar um animal".

Ninguém quer sequer perceber o que é a caça, quem são os caçadores e o que é feito no terreno, por gestores cinegéticos.

E depois o poder económico que a caça tem não é, certamente o mesmo que a indústria alimentar. E não vale sequer a pena tentarem atacar esta indústria que nunca, mas nunca irá terminar, como todos sabemos.

 

Mas como uma imagem ou várias imagens valem mais do que mil palavras, deixo-vos dois vídeos que ilustram na perfeição a realidade da indústria alimentar e a realidade da Natureza, das presas e predadores e também da gestão cinegética, onde caçadores fazem comedouros e bebedouros para as perdizes (neste vídeo não ilustra, mas no vídeo número 2 no youtube está bem patente).

 

Indústria alimentar:  http://www.vippy.tv/emotivos/KJGSI8U/a-verdadeira-industria-alimentar

 

Caça e liberdade:  https://www.youtube.com/watch?v=fvCCEFGeRu4

 

É melhor re-pensarmos no que realmente importa e no que realmente está mal, ou não? Há que ter noção do sofrimento, do stress, da ansiedade que os animais nas indústrias alimentares estão sujeitos. E aqui sim, podem afirmam que não há respeito animal, não há dignidade animal.

E depois a outra realidade. A realidade de um animal em liberdade, que vive toda a vida em paz, harmonia, muitas vezes alimentando-se com a ajuda de gestores cinegéticos; em que o stress maior é a fuga dos predadores (estamos na Natureza) e que é morto com um tiro (e quando é, há muitos que não o são), sem sofrimento, sem sequer dar por isso.

 

E há que fazer estas comparações para começarmos todos a perceber o que se passa no nosso mundo. E que os criminosos e assassinos podem não ser os caçadores. Muito pelo contrário! Mas como disse, vejam os vídeos!

ML.

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Viver

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Desconfiemos do destino e acreditemos em nós próprios!. Gastemos mais horas a fazer, do que a planear! Gastemos mais horas a viver, do que a esperar! Gastemos mais horas a realizar sonhos, do que simplesmente sonhá-los. Porque embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu

Final do Campeonato Nacional de Stº Huberto CNCP

Como muitos sabem todos os anos é realizado o Campeonato Nacional de Santo Huberto da CNCP (Confederação Nacional dos Caçadores Portugueses). Durante algum tempo, em todos os pontos do país e ilhas, são apurados em provas de Santo Huberto os participantes que vão realizar o Campeonato. 

Assim sendo, e depois de apurados os participantes, a grande final realizar-se-á nos dias 24 e 25 de Setembro de Setembro, em Alvaiázare. 

Deixo-vos aqui o programa na íntegra!

Boa viagem e boa sorte para todos e, acima de tudo, que se divirtam e que disfrutem ao máximo do vosso trabalho e dos vossos cães :)

ML.

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Uma aventura em noite de lua cheia

Olhei para o relógio e este já ditava que eram horas para ir fazer aquilo que mais gosto. O sol começava a pôr-se no horizonte e a lua teimava em aparecer. Fui-me colocar junto a uma passagem, que estava muito batida e que fazia-nos crer que os javalis passavam por ali todos, ou quase todos os dias. Vento constante e muito calmo. Melgas e muitas melgas. Um luar brilhante e intenso. Uma noite que prometia ser fantástica, fosse qual fosse o seu desfecho em termos de caçada.

Os ponteiros do relógio começavam a movimentar-se depressa demais. Não sentia nada à minha volta. Até que decidir olhar em redor, e deparo-me com alguns vultos. Estavamos num terreno de restolho de cevada, onde não há arvoredos, não há mato, nem silvas. Exceto alguns metros (muitos metros) ao fundo, junto à ribeira. Portanto, falamos de um terreno que tem milho e apenas um único arrife, com uma pedra a meio, e pasto acima do joelho. O

Vi os vultos. Longe. A única opção seria tentar aproximar-se. Sabia ser muito difícil mas tinha algo a meu favor e que me dava uma grande vantagem: o vento. Começamos a andar. Pé ante pé. O coração ia palpitando cada vez mais, à medida que davamos cada passo. O calor começou a tornar-se incomodativo mas, ao mesmo tempo, as melgas e mosquitos deixaram de ser um problema, pois a nossa atenção já não estava virada para os mesmos. 

Duas pessoas a deslocarem-se no restolho. O dobro do barulho. O dobro dos cheiros. O dobro da dificuldade. Tudo se apresentava, desta forma, contra nós, exceto o vento. 

Ao fim de algum tempo (muitos minutos) os vultos tornavam-se mais nítidos, mas ainda vultos. Vultos que estavam tranquilos, a comerem e a fossarem. Dado o milho ainda não ter cereal, os javalis iam comendo uns bagos de cevada no restolho. Sem se aperceberem que, a uns largos metros deles, havia vultos que estavam muito inquietos e ansiosos para que algo acontecesse e que a aventura terminasse.

Chegamos a uma parte que era já impossível continuar a pé. A sombra era demasiada. E tivemos de tomar outra decisão. Gatinhar. Gatinhar por cima de restolho, com os bicos da cevada cortada a ferir os cotovelos e as mãos. Com o transporte da arma noutra... Enfim, não foi tarefa fácil. E o vento, a certa altura era tão calmo, que fomos controlando a leve brisa metendo saliva na testa e na palma da mão, caminhando para a zona pretendida e de forma "certeira".

Mas, mais importante que tudo, foi sabermos ler a atitude dos javalis e o comportamento dos mesmos. O que poderiam eles fazer? Quanto tempo poderiam estar ali? O que iriam fazer a seguir? Etc., etc... Tudo isso foi pensado e partilhado por nós, com pequenos gestos, olhares e, sobretudo, com a empatia e a forma de estar na caça que juntos criamos. 

Já tinha passado quase 45 minutos desde que decidimos arriscar. Estavamos perto daquele tal arrife com a pedra que vos falava e teríamos de nos deslocar até lá, para ficarmos mais protegidos porque, até então, estavamos completamente "destapados". Este arrife era como uma ilha no meio de um oceano.

O Zé foi o primeiro a ir, enquanto eu controlava o comportamento dos javalis. Caso estes desconfiassem de alguma coisa, teriamos sinais para fazer um ao outro. Javali desconfiado = não ter a certeza, ficar em alerta. Tudo correu bem. Eu fui a seguir. A rastejar, silenciosamente e muito calmamente. À medida que o ia fazendo, o meu coração teimava em querer explodir, eu acho. Não estava a conseguir controlar este pico de adrenalina e, caso alguma coisa corresse mal, saberia que tinha sido o meu coração a "tramar-me". Ia rastejando, ia sentindo os pingos de água a correrem-me pela cara, tal era o calor e humidade que se faziam sentir. Ia sentindo também muitos bichos a percorrerem-me as mãos e os braços, mas nem pensava nisso, naquele momento. 

A determinada altura, o Zé fez-me sinal. Os javalis estavam a desconfiar. Olhei para eles e vi um grande, que se destacava. Particularmente grande. Pensei que agora era o tudo ou nada e que teria de conseguir chegar até ao Zé. Caso o javali desconfiasse, poderia mesmo "vir ter connosco" para ver o que se estava a passar e certificar-se que não corria perigo. Assim foi...

Cheguei ao pé do Zé que me disse isso mesmo: os javalis já nos toparam e pode ser que venham aqui ver. Em segundos toda esta aventura "terminou". Uma aventura que demorou horas mas que, no final, se dissipa em meros segundos.

Aparece o tal javali, aquele demasiado grande, perto de nós (cerca de 50 metros). Eu estava cansada! Sabia que iria fazer um tiro sem apoio, sem aquela calma particular que caracteriza uma espera e que não iria ser fácil. Tinha poucos segundos para pensar e para resolver. E foi exatamente o que aconteceu. O javali aparece, assopra e olha para nós. Eu gosto sempre de aproveitar estes momentos e ficar a deslumbrá-los, mas sabia que tal não era possível. Sabia que era tudo uma questão de segundos. E foi. Depois do sopro, o javali virou-se, para entrar nos arrifes. Coloquei-me de joelhos (já com eles feridos do gatinhar e rastejar), olhei, respirei fundo (como sempre) e atirei. Não foi um tiro seguro, com total confiança, mas foi um tiro certeiro, de pescoço, que deixou o javali seco, sem sentir o que tinha ali acontecido.

Olhei para o Zé e ele olhou para mim. Sorrimos e pensamos que tinhamos mais um lance que ficaria para a história, denotado de uma aventura incrível e extenuante. 

Rapidamente fomos ver o javali que tinha atirado, qual foi o nosso espanto do tamanho do mesmo. Mais de 140kg. 

Frequentemente, transportamos os javalis os dois sozinhos, com mais ou menos custo, mas este foi deveras impossível e tivemos de chamar ajuda. 

E mais uma vez agradeço essa ajuda e agradeço ao Zé por tudo aquilo que partilhamos juntos na caça; onde estes lances incríveis ganham ainda mais emoção e felicidade!

ML.

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Abertura aos Coelhos, Lebres e Codornizes

Bem sei que a abertura aos coelhos, lebres e codornizes já aconteceu há alguns dias; contudo, só agora tive hipótese de escrever sobre a mesma.

Tempo de abertura é o mesmo que tempo de excitação, nervosismo, ansiedade. Todos estes sentimentos depressa nos invadem e várias perspetivas são feitas. Será que este ano é melhor? Será que existem mais espécies? Será que vou ter momentos únicos com os meus cães, neste tipo de caça? Será que... Será que... Muitas destas suposições terão a sua resposta no dia da abertura. 

Mas, mesmo que tudo seja negativo; mesmo que as coisas tendem a decair, como já nos temos vindo a habituar; algo não muda. E nunca mudará. A nossa paixão pela caça! É um dia entusiasmante. O dia em que retiramos os cães das suas casas e os soltamos livremente na Natureza, para fazerem aquilo que mais gostam. A nossa paixão e a paixão deles depressa se interligam, como que por magia. O calor do Verão sente-se rapidamente e obriga-nos a fugir, também rapidamente, dali. Os cães estão estafados e nós também. Ver uma peça de caça é essencial para nos encher a alma. Ou não? Para os cães também assim o é, isso é certo.

 

Mas... Deixando-me de paixões, de magias e de "conversa fiada", foquemo-nos naquilo que importa a muitos: estas espécies cinegéticas...

 

1) Coelho

O que posso eu falar sobre o coelho bravo? Da doença... Das novas variantes que vão aparecendo... Dos estudos que são feitos e que a poucas ou nenhumas conclusões chegam... Enfim! Todos nós já sabemos disso, todos nós vamos convivendo com esta triste realidade do coelho bravo e estou certa de que, se nada for feito ou "descoberto o milagre", daqui a uns anos os nossos filhos ou netos não verão um coelho bravo. 

Mas também sei que para ser "descoberto o tal milagre" é preciso interesse de quem tem poder para isso. É preciso interesse e também ajudas monetárias. Como em muita coisa, infelizmente...

 

2) Lebre

A lebre também é uma espécie cinegética que tende a decair cada vez mais, também muito devido à doença tularemia. É maravilhoso ver um cão a correr atrás de uma lebre, ambos com uma pujância como em mais nenhum vemos. A presa e o predador. A correrem com objetivos diferentes, mas de forma única e peculiar.

Estou animada com as lebres este ano. Tenho visto algumas, principalmente em grupo, à noite. Comem, lavam-se, dão uma corrida, depois lavam-se... É tão bonito! Pode ser que este seja um "bom" ano de lebres...

 

3) Codorniz

Em relação à codorniz também estou otimista (como em relação a tudo, porque gosto sempre de ver o labo positivo e esperançoso). Recentemente, quando estive nos Açores em provas de Santo Huberto, foi magnífico ouvir todas aquelas codornizes a cantarem, enquanto decorria a prova. Nunca se mostravam, mas ouviam-se exorbitantemente. 

Esta é uma das espécies cinegéticas de eleição dos amantes dos cães de parar, principalmente devido aos lances incríveis e às mostras exuberantes que pode proporcionar.

Muitas das culturas ainda nem sequer foram cortadas, pelo que é difícil nesta altura a caça às codornizes. Para muitos caçadores este é um tipo de caça que começa, efetivamente, a partir de Outubro e Novembro. Partilho da mesma opinião. Quando o fresco começa a ser mais caraterístico, as culturas propícias a este tipo de caça e os nossos cães mais preparados também. É uma caça bonita, sem dúvida. Aliás, como todas as outras.

 

Boas caçadas meus queridos! E não se esqueçam: não é hoje, é amanhã! Mas pensamento positivo sempre! Porque a caça é muito mais do que o acto de matar, e todos sabemos disso!

ML.

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Quem defende a Natureza e os animais?

Todos nós temos uma perspetiva do mundo real diferente, consoante a nossa educação, os nossos valores, a nossa personalidade e as nossas experiências de vida. No fundo, a pessoa que somos hoje leva-nos a formar uma ideia do mundo muito própria e particular.

Mas, ampliando um pouco mais esta visão do mundo e dividindo-a em "dois mundos", talvez possa afirmar que existe o mundo rural e o mundo citadino (atenção, que com isto não quero dizer que estes dois mundos não se cruzem, porque de facto isso acontece). Mas, sendo um pouco extremista, vamos supor que existem apenas estes dois mundos! E, talvez continuando ainda neste extremismo, um mundo estraga, mata, faz dano; e o outro mundo o contrário. Ou seja, o mundo rural, serve para destruir; e o mundo citadino serve para "não fazer nada de mal", digamos. Isto, em relação ao mundo animal e à Natureza.

 

Ora, muito se ouve e muito se comenta acerca dos maus tratos a animais, da caça, da forma assassina como os caçadores procedem ao matar espécies cinegéticas, dos incêndios que deflagraram ultimamente, dos agricultores que usam químicos nas culturas, dos agricultores que têm gado e tratam-no de forma cruel etc., etc.

 

Comecemos então por partes! E a primeira parte e mais importante de todas é tão simples como: o mundo rural trabalha para a Natureza e os animais. E o mundo citadino? O que faz?

 

A Natureza é a casa do mundo rural. E, como tal, têm que a guardar e cuidar. A isso se chama gestão. Como a Natureza é composta por diversos elementos, nomeadamente, animais; eles também têm de ser cuidados. A isso se chama gestão cinegética e isso é feito por caçadores.

Gerir para depois matar? Não! Gerir para cuidar, para tratar, para a espécie se desenvolver e evoluir. O português realmente trama-nos quando quer; por isso decidi explicar o que é gerir e a importância da caça para a gestão cinegética.

 

E, por vezes, é necessário sustentarmos estas nossas palavras com dados reais e concretos. Senão eu era apenas uma tola a falar, a dar a minha opinião. Com dados científicos, talvez a tola se torne mais credível.

 

Num estudo de 2015, na Universidade Cornell (EUA) concluiu-se que os caçadores contribuiram 4 vezes mais, na conservação das espécies e da Natureza (defesa e melhoramento da vida selvagem e doações para organizações de conservação) do que qualquer outro órgão.

Na América do Norte dados de 1907 apontam para a existência de 41.000 alces e, em 2015, tinham mais de 1 milhão - devido à gestão cinegética e aos caçadores. Ainda na América do Norte, em 1900 havia 500.000 veados e, depois de começarem a gestão cinegética, tinham 32 milhões de veados.

Na África do Sul, por exemplo, houve um aumento de 100 rinocerontes para 11.000 mil. Não esquecendo também que além disto, os caçadores que fazem este tipo de caça doam bastante dinheiro àquelas populações que, desta forma, vivenciam um aumento da qualidade de vida.

 

Depressa nos apercebemos da importância da caça, do cuida e da gestão! Mas, se ainda assim estão contra isso ou não percebem a importância de tudo isto, deixo novamente dados de estudos científicos em países onde a prática da caça é totalmente proibida:

No Quénia e na Índia, as grandes espécies selvagens estão em declínio (não há gestão da vida selvagem) e começam a desparecer alguns animais. É normal! Não há controlo nenhum, não há nenhum tipo de gestão ou de cuidado e, tendo em conta o processo natural de seleção e alimentação, algumas espécies não conseguem aguentar. Além disso, teremos sempre pessoas más e sem escrupulos. E essas mesmas pessoas caçam furtivamente, pois não há ninguém que controle isso (não há a tal gestão cinegética também)!

 

Não podemos ser hipócritas ao ponto de não percebermos estes dados. E muito menos podemos ser hipócritas ao ponto de dizer que não fazemos mal aos animais e os caçadores são uns assassinos! Mentira!

Os caçadores matam animais, mas alimentam-se deles. Outros alimentam-se de animais mortos em indústrias alimentares, que sofrem constantemente e que não têm a mínima qualidade de vida. Estão num estado de stress e ansiedade brutais. Mas disto poucos falam! E também não sou eu que o vou fazer de momento. Peço apenas para refletirem um pouco sobre a forma como os animais são criados em indústrias alimentares e a forma como os animais são criados na Natureza.

"Mas eu não como animais". Claro! Mas sabe a quantidade de animais que são mortos nas culturas que o alimentam? Essas culturas têm, por exemplo, pragas de ratos. Se esses ratos não forem controlados, não restará nada de cultura.

Essas culturas têm, por exemplo, javalis. Se esses javalis não forem controlados, tudo será destruido.

Para muitas dessas culturas serem produzidas, é necessário arar a terra de pastagem e plantá-la com sementes. Aração e colheita matam pequenos mamíferos, cobras, lagartos e outros animais (em grande número)… Sabia?

 

Portanto, deixemo-nos de hipocrisias. A Natureza tem uma pirâmide ecológica, onde existem presas e predadores. Acha que um leão se preocupa por matar uma zebra? Não! Ele precisa de satisfazer as suas necessidades biológicas, neste caso a fome. Acha que uma andorinha pensa que a lesma que comeu tem sentimentos? Não! Ela precisa de se alimentar.

Assim como o ser humano. E não há nenhuma forma de nos alimentarmos (equilibradamente) que não estejamos a matar animais! 

 

Portanto, o mundo rural tem de continuar a existir e a fazer todo um trabalho como até então. Porque se esse mundo rural não atuar, nomeadamente a caça e a gestão cinegética, aparecerão muitos problemas. E bem graves. Como é o caso da doença que está a destruir o coelho bravo. Todos têm trabalhado no sentido de descobrir a "cura". Mas esses todos estão no mundo rural. 

E o tratador rural ou todas as pessoas ligadas ao mesmo tratam dos animais e olham por eles de maneira diferente do resto do mundo. Nutrem de um sentido único para conservar,tratar e proteger os animais. 

O mundo citadino o que faz? Desculpem, mas esta pergunta teima em não me sair da cabeça! 

ML.

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