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Diário de uma Caçadora

Para entenderem a minha loucura precisam, primeiro, de conhecer a minha paixão. Quero mostrar que a minha paixão é muito mais do que o simples acto de matar... Que a minha paixão é uma forma de estar na vida!

Diário de uma Caçadora

Para entenderem a minha loucura precisam, primeiro, de conhecer a minha paixão. Quero mostrar que a minha paixão é muito mais do que o simples acto de matar... Que a minha paixão é uma forma de estar na vida!

XXI Feira da Caça e Turismo de Macedo de Cavaleiros

Uma das feiras de caça que mais pessoas alberga e que mais atividades contém, nomeadamente, Provas de Santo Huberto; Montarias; Caminhadas; Copa Ibérica de Cetraria e Provas de Beleza de cães. Tudo isto num único fim de semana, em Macedo de Cavaleiros, o mais jovem concelho do Nordeste Transmontano, nascido apenas em 1853.

 

Esta Feira é já uma tradição e, também para mim, é uma tradição e um gosto poder estar presente na mesma. A hospitalidade com que nos recebem é, sem dúvida, de lisonjear e agradecer!

Depois de uma longa viagem, com paragem obrigatória na Mealhada, chegamos a Macedo de Cavaleiros já o Sol se tinha posto no horizonte. O frio já se fazia sentir e a simpatia das pessoas do norte também. Fomos diretos para a inauguração da Feira, que contou com várias personalidades associadas ao sector da Caça, do Governo e do Turismo.

 

 

 

A primeira impressão que tive do certame foi o crescimento que este teve, ao nível de expositores. Estava presente o Safari Clube Internacional; Clube de Monteiros do Norte; Associação do Perdigueiro de Português; Associação de Falcoaria; GNR; ICNF; SEPNA; PSP; várias Câmaras Municipais do Norte; vários expositores de caça; expositores de produtos em cortiça; expositores de produtos alimentares e bebidas; produtos regionais; diversões; enfim, uma série de atividades e coisas para vermos.

 

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Depois deste passeio pelos vários expositores, fomos jantar! Tivemos a oportunidade de conhecer (ainda mais) o trabalho do Raul Fernandes, sobre a introdução do corço em meio natural. Este projecto tem a colaboração da FACIRC e do departamento de Veterinária da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. O objectivo é favorecer a nidificação e desenvolvimento da espécie, com a criação de exemplares para posterior povoamento de outras áreas.

 

Ficamos hospedados numa casa particular, com vários quartos e a proprietária era uma senhora com cerca de 70 e poucos anos, a D. Maria. Queria ressalvar a simpatia e o carinho com que fomos recebidos, por uma senhora humilde de Macedo de Cavaleiros, que se sustenta dos animais que cria e das frutas e legumes que cultiva. É de facto impressionante vermos como o meio rural ainda subsiste e precisa de nós. É de facto impressionante vermos como estas pessoas são humildes e generosas; ao invés de muitas pessoas da cidade, com estudos e supostamente educação e valores. Adiante... Obrigada D. Maria pela forma como nos tratou e pela alheira e chouriço que nos ofereceu :) Se quiserem saber mais, a casa chama-se Vivenda da Mina, a cerca de 2km de Macedo de Cavaleiros.

 

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Sábado: Primeiro dia de Prova de St. Huberto e Prova de Beleza

Quando chegamos, logo de manhãzinha, à Associação de Caçadores, fomos brindados com um pequeno almoço magnífico, a que já estamos habituados naquelas terras. Foi feito o sorteio de concorrentes, séries e juízes e, depois de nos aquecermos ao lume, partimos para os respetivos campos. O frio era suportável, "não tem nada a ver com o que passamos a semana passada, com temperaturas negativas; mas neve ainda não a vimos este ano", dizia-me o Senhor Manuel, o meu postor de perdizes. E desde já um enorme obrigada ao Senhor Manuel por toda a ajuda que nos deu.

Julguei com o José Gonçalves. Nunca tinha julgado com ele, mas desde já agradeço a partilha de conhecimento e as manhãs que passamos na companhia de todos os conjuntos (concorrentes e cães).

Os terrenos eram típicos de caça e ótimos para a prática da modalidade. Com paisagens maravilhosas, que embelezavam ainda mais os percursos realizados por cada conjunto, tudo correu de forma organizada, graças ao Professor Ribeiro, que tanto faz e tanto trabalha para que o St. Huberto se continue a realizar naquela zona. Obrigada Professor!

 

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Deixem-me agradecer a todos os concorrentes e aos seus cães. Prestações melhores que outras, como é normal, mas todas elas com coisas muito positivas; seja no caçador, no cão, no conjunto, no tiro, enfim... Obrigada por participarem e pelo desportivismo que todos apresentam sempre e pela amizade que reina neste nosso mundo!

 

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Houve 3 séries, cada com 7 participantes (21 participante no total, oriundos de vários pontos do país) julgadas por 6 juízes (Série A: José Gonçalves e Mafalda Leitão; Série B: José Pedro Leitão e Vítor Serrano; Série C: Paulo Filipe e Fernando Fonseca). Os resultados neste dia (na barrage) ficaram assim ordenados:

1. Fernando Henriques, BAM 
2. Rui Martins, BAM 
3. Rui Vaz, SIM
4. Luis Figueiredo, PM
5. Alexandre Magalhães, BAM
6. Manuel Agonia, BAF

 

Foto de Paulo Ponte de Lima.Foto de Paulo Ponte de Lima.Foto de Paulo Ponte de Lima.Foto de António Moreira.Foto de André Chaves.

 

Depois de uma feijoada apreciada por todos, foi tempo de irmos até à feira para fazermos uma Prova de Beleza. O objetivo desta prova é fomentar a importância da morfologia nos cães de parar. Morfologia e funcionalidade sempre de "mãos dadas"! Participaram alguns concorrentes e, acima de tudo, houve uma grande curiosidade de todas as pessoas que iam visitar a feira. Não havendo juízes de morfologia do CPC presentes, esta "brincadeira" teve a ajuda do juíz José Pedro Leitão (um juíz com anos e anos de experiência com cães de parar, seja na criação ou nas provas de parar) e eu também dei uma ajuda, mediante os conhecimentos que tenho já adquiridos.

 

Foto de Paulo Ponte de Lima.

 

Obrigada a todos e parabéns pelos cães fantásticos que têm. A classificação foi a seguinte:

1. João Pereira, com Imperador BAM

2. Fernando Henriques, com Dom BAM

3. Paulo Fernandes, com Piafe PPF

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Depois de toda a correria neste dia, ainda conseguimos ter tempo para jantar na feira e dar uma volta, ajudando o comércio tradicional. Havia uma parte da feira em que estavam algumas espécies de animais: aves de falcoaria; algumas espécies cinegéticas e um exemplar de lobo ibérico, que me encheu o coração de alegria, dado ser o meu animal preferido. Desde os meus 7 anos que falo constantemente do lobo ibérico. Lembro-me do meu quarto ser coberto por posteres de lobos; lembro-me de fazer imensos cadernos com as histórias dos lobos; a morfologia, a alimentação, o habitat, etc. Um dia mostro-vos fotografias. Ainda hoje se lembram de mim porque em tempos de escola eu andava sempre a falar do lobo. É uma verdadeira paixão e quando vi este lobo na Feira de Macedo, não consegui conter as lágrimas de emoção.

Não é um Husky ou um Cão de Lobo Checoslovaco. O comportamento deste animal naquele momento confirmou-me logo que era um Lobo Ibérico!

 

Foto de Mafalda Rodrigues Leitão.

 

Domingo: Segundo dia de Prova de St. Huberto

 

As previsões meteorológicas anteviam uma chuva intensa durante a manhã. Certamente, que isso não seria impeditivo da realização da prova, mas é incomodativo para os participantes e para aqueles que estavam presentes. Talvez o St. Huberto tenha falado com o S. Pedro e o que é certo é que a manhã foi passada sem chuva e com pouco frio.

Os terrenos eram os mesmos, assim como os juízes; apenas os conjuntos mudavam de sítio. Mais uma vez tivemos 7 conjuntos, com cães muito bons e desde já os meus parabéns!

 

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Mais uma vez agradecer também o trabalho do nosso postor, o trabalho do Professor e o trabalho de todos os presentes!

Passados à barrage, a classificação ficou assim ordenada:

1. Rui Pinto, SIF
2. David Faria. BAF 
3. Carlos Paiva, EBF
4. Rui Martins, BAM
5. Sérgio Fernandes, BAM
5. Rui Vaz, SIM (Por outros motivos, não compareceu na barrage e ficou automaticamente em último lugar)

 

Foto de Paulo Ponte de Lima.Foto de Paulo Ponte de Lima.

Foto de Paulo Ponte de Lima.Foto de Paulo Ponte de Lima.

Foto de Paulo Ponte de Lima.

 

 

Depois da soma aritmética dos dois dias de prova, para saber quem disputaria a barrage para o Troféu Final, a classificação ficou assim:

1. Rui Martins, BAM

2. Fernando Henriques, BAM

3. Rui Vaz, SIM (Por outros motivos, não compareceu na barrage e ficou automaticamente em último lugar)

 

Foto de Paulo Ponte de Lima.

 

Obrigada a todos os intervenientes!

Obrigada a Macedo de Cavaleiros e a todos os que nos receberam tão bem!

Somos uma verdadeira FAMÍLIA!

ML.

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Governo Regional da Madeira prepara repovoamento do coelho bravo no Porto Santo

Esta notícia foi colocada ontem no site Funchal Notícias. Coloquei-a aqui na íntegra para que todos possam ficar a conhecer o que será feito no Porto Santo, Madeira.

 

"Sendo o coelho bravo a principal espécie cinegética da nossa Região e fazendo parte da cadeia alimentar de outras espécies, a secretaria Regional do Ambiente e Recursos Naturais, através do Instituto das Florestas e Conservação da Natureza (IFCN, IP-RAM), procedeu, no início de dezembro, à captura de alguns destes animais na ilha da Madeira, com o objetivo de realização de repovoamentos, na ilha do Porto Santo, caso seja necessário.

Esta decisão do Governo Regional surge na sequência da mortandade que se verificou no final de 2016, nos coelhos bravos, provocada pela Doença Hemorrágica Viral (DHV-V2), que por consequência, fez com que a Secretaria Regional do Ambiente e Recursos Naturais, como medida de gestão cinegética, encerrasse antecipadamente o período venatório para o coelho bravo, na ilha do Porto Santo.

Esta nova estirpe do vírus da DHV foi caracterizada por um elevado grau de contágio e de mortalidade, que provocou efeitos nefastos sobre as populações de coelho bravo, reduzindo-as drasticamente.

Segundo uma nota da secretaria, “todos os coelhos bravos capturados, estão a ser sujeitos a um controlo exigente do seu estado hígido, tendo sido também, iniciado o protocolo de vacinação contra a nova variante de DHV”.

Entretanto, o Instituto de Florestas “está a acompanhar o estado evolutivo da colónia de coelhos e dos bandos de perdiz vermelha nas principais áreas cinegéticas da ilha, de modo a manter informação atualizada sobre a condição das espécies cinegéticas do Porto Santo.”

 

                                                                                                                                 (Notícia retirada do site Funchal Notícias)

 

Um passarinho que morreu atropelado

Ontem, depois de almoço, fui apressadamente ao café para beber algo que me aquecesse. Não gosto propriamente de café mas, entre o curto tempo que tinha e o objetivo de me aquecer rapidamente, foi o que pedi. Um café. Paguei e sentei-me numa mesa encostada à janela que dava para a rua. Um vidro enorme, em que olhando para o lado via tudo aquilo que estava a acontecer. Carros a passarem de um lado para o outro; outros a estacionarem; pessoas acelaradas, outras que manifestavam frio, enroladas entre gorros e cachecóis; pessoas de bicicleta (talvez estas não sentissem o frio) e, subitamente, algo me desperta a atenção.

 

Olho para o carro que estava estacionado, mesmo em frente ao sítio onde eu estava sentada a beber um café, e depressa me apercebo de um pormenor que talvez ninguém tenha notado, e ninguém notará.

Um passarinho morto na grelha do carro. Pode ter sido atropelado; pode ter pousado ali e morreu sofocado; pode ter...; pode ter... Comecei a pensar em todas as possibilidades plausíveis para a morte daquele passarinho, na grelha de um carro.

 

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Já tinha terminado de beber o café, dada a ânsia que tinha em me despachar; contudo, permaneci ainda alguns minutos dentro do cafe, com as minhas mãos a aquecerem-se na chávena do café, que estava cada vez mais fria.

 

Olhei com olhos de ver para este pequeno passarinho e pensei na sua vida. Pensei na nossa vida e que tudo pode terminar de um dia para o outro; sem sequer sabermos o motivo. Pensei que todos nós matamos milhares de animais, todos os dias, involuntariamente. Agora foi este passarinho; daqui a segundos serão mosquitos e melgas; simultaneamente com baratas e aranhas, por exemplo. E é assim que tudo se processa.

 

A conclusão que tiro deste meu bocadinho no café, é que a vida é uma mera passagem; para todos nós, humanos e animais. E que todos os animais são animais; sejam ursos, leões, passarinhos ou mosquitos. A vida animal é importante, é certo; mas diferente da vida humana, apesar de alguns pensarem o contrário.

Mas quando falarem então na igualdade de direitos para animais e humanos, e que todos somos iguais, não pensem somente nos cães ou nos gatos. Pensem também nos milhares de passarinhos que são atropelados todos os dias, por exemplo! Ou nos milhares de mosquitos que morrem à noite... Ou nas milhares de pulgas e carraças que são exterminadas... Ou os animais "felpudos" são diferentes dos animais pequeninos?

Que haja um equilíbrio mental em todos nós, para conseguirmos diferenciar um ser humano de um passarinho!

ML.

 

 

 

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Um fim de semana estonteante entre provas e montarias

Tive uma semana cansativa, entre consultas, textos, lides domésticas, cães; enfim, uma correria, típica da nossa sociedade "moderna"!

Quando o fim de semana se aproxima, muitos respiram de alívio porque conseguem dormir mais um bocadinho, descansar, estar enrolados em mantas no sofá ou passar mais tempo com a família.

Para mim, quando chega ao fim de semana, o oposto de tudo o que acabei de referir está bem patente. Por opção própria, é claro. Levantar cedíssimo, dormir pouco, apanhar frio e mais frio, ficar de rastos com a quantidade de quilómetros que faço e não conseguir aproveitar tempo nenhum com a família. Mas faço-o porque é assim que me sinto feliz! Faço-o porque gosto verdadeiramente da caça e dos cães.

 

Sábado: Prova de Santo Huberto em Pedrógão

 

Conheci o organizador desta prova de Santo Huberto, numa aproximação que fizemos aos veados. Depressa me apercebi da boa pessoa que é o Luís e, desde logo, aceitei o seu convite para julgar esta prova. E primeiro que tudo quero dar os parabéns ao Luís, por toda a organização e logística desta prova, que correu "às mil maravilhas".

Um pequeno almoço de rei esperava-nos em Pedrógão, por volta das 08:00 da manhã. Depois de sorteados os concorrentes, juízes e séries fomos para o campo. Julguei com o Joaquim Rosa e tivemos como postor de perdizes o Fredy. Estava muito frio de manhã, marcava -5 graus quando sai de casa; no entanto o calor foi apertando e todos os casacos que outrora nos protegeram, foram colocados na carrinha do Luís, tornando-se tão insignificantes como o frio que se sentiu horas antes.

 

Uma manhã que começou com imagens fantásticas para quem gosta de caça e da natureza; nomeadamente os tordos que fugiam de nós e de qualquer outra perturbação; e os coelhos em que tropeçavamos de vez em quando. O terreno típico de caça, ajudou a que as provas se desenrolassem de forma bonita; contudo, o vento irregular e outras questões (sorte, por exemplo) não deixaram que houvesse grandes prestações e, consequentemente, grandes resultados.

Julgamos 9 conjuntos (eram 18 no total), sempre na companhia de várias pessoas que iam assistindo às provas; uns que gostavam e conheciam o Santo Huberto; outros que era a primeira vez que viam este tipo de provas. Foi uma manhã fantástica, sempre com a caraterística do Santo Huberto: partilha de conhecimento, de amizades, de sorrisos e de felicidade.

 

Passaram à barrage os dois primeiros lugares de cada série, tendo ficado assim ordenado:

 

 

 

1) Fernando Henriques, BA

 

 

 
 
2) André Oliveira, BA
 
 
 
 
3) João Simões, BA
 
 
 
 
4) David Faria, BA
 
 
 
 
Prémio para o Melhor cão - Dom, BA, Fernando Henriques
 

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Parabéns a todos vocês e também a todos os participantes e aos seus cães!
O almoço correu da melhor forma, com uma organização fantástica. Obrigada a todos aqueles que fizeram o almoço e que nos serviram.
 
 
 
 
Na entrega dos prémios, todos tiveram direito a uma lembrança. Houve ainda prémios para os juízes e postores. De salientar o envolvimento e presença da Junta de Freguesia de Pedrogão, pela pessoa do Srº Presidente Paulo Simões; e da Câmara Municipal de Torres Novas, pelas pessoas do Srº Presidente da Câmara, Pedro Ferreira, e do Srº Vice Presidente da Câmara, Luís da Silva.
Mais uma vez obrigada por tudo Luís e deixa-me felicitar-te por toda a organização fantástica! Obrigada também a todos os presentes!
 
 
 
 
 
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Domingo: Montaria do Cadaval
 
Quando falo no Cadaval, há um carinho e uma gratidão sempre patentes nas palavras que proferirei. Primeiro, porque as pessoas são todas muito amáveis connosco; e depois porque são verdadeiros caçadores e amantes da natureza e dos animais e tudo o que têm feito em prol da caça e dos caçadores é notório.
 
Esta é uma das minhas montarias de eleição; como disse, não só pelas pessoas e por toda a organização, mas também pelo sítio em si e pelas paisagens maravilhosas que aquela zona nos oferece.
 
Às 8 horas começaram a chegar todos os monteiros e matilheiros que iriam disfrutar de mais um dia de caça, sendo contemplados com um pequeno almoço à medida, nomeadamente, com a típica canja e o Bolo Rei.
 
Depois disto e de sorteadas as portas, foi tempo do Presidente João Pereira fazer um pequeno discurso a todos os caçadores presentes, reforçando a importância da segurança no acto da caça. É de lamentar aqueles que se comprometeram a ir e não apareceram, sem sequer darem um motivo. Esta é uma montaria que alberga sempre muitas pessoas, pela qualidade da mesma, e houve muita gente que não conseguiu irm pois as vagas estavam todas preenchidas.
 
Durante o seu discurso, o João Pereira nomeou-me novamente Diretora de Montaria, o que para mim é um orgulho enorme. Primeiro, porque ser diretor de montaria acarreta uma grande responsabilidade mas, sobretudo, porque ser diretor de montaria do Cadaval é uma Honra, devido a todas as razões já acima mencionadas! Obrigada João e obrigada pelo trabalho incrível que tu e todos os caçadores do Cadaval têm feito.
 
 
 
 
 
Hora de partirmos para a mancha, com mais de 80 portas marcadas. O terreno indicava a presença de javalis, tudo pateado e tudo mexido pelos javalis. Aliás, a zona do Cadaval tem uma grande densidade de javalis, devido também ao mato que existe naquela zona. Isso é ainda mais visível na altura da uva e das pêras, no Verão, quando os javalis destroem muitas das culturas e causam enormes prejuízos aos agricultores daquela zona.
 
Sentei-me à espera. Mas esta espera não é uma espera qualquer; é uma espera que durante algumas horas me deixa o coração palpitante e qualquer pequeno movimento ou barulho, acelara-o para uma velocidade atroz, quase incontrolável. Sentada no chão, sentia as folhas a mexerem-se num trajeto retilíneo. O que era nunca se mostrou, sentia-se mais seguro percorrendo o seu caminho encoberto de folhas e paus. A Natureza realmente é incrível e a astúcia e perspicácia dos animais um mundo para descobrir.
 
Passado algum tempo, com o sol forte e brilhante a cobrir toda aquela zona, começo a ouvir os matilheiros que encorajavam os cães a descobrirem alguma coisa. A ligação entre um verdadeiro matilheiro e um cão é uma das coisas que mais gosto nas montarias ou nos ganchos. Saber ler o nosso cão e ouvi-lo. Perceber que aquela ladra indica uma raposa e que outra ladra indica um javali. É mágico!
 
Os cães começam a ladrar insistentemente. Há movimento! E bastam aquelas ladras e aqueles movimentos na área para nos alegrarem a manhã. Depois de alguma insistência dos cães e de toda a insistência dos meus olhos e dos meus ouvidos, tudo se dissipou e o silêncio voltou a pairar sobre aquele terreno caraterizado pela grande densidade de eucaliptos.
 
Já tinha estudado todo o terreno. Já tinha visto quais seriam os sítios mais propícios à fuga dos javalis, assim como o tipo de tiro que teria de ter: um tiro mais rápido e difícil, devido ao sítio apertado em que estes poderiam passar. Mas já sabemos que tudo isto é uma incógnita; a incógnita que carateriza (e ainda bem) a caça. Uma coisa é certa, fosse o que fosse que acontecesse eu só pedia uma coisa a Deus ou a quem estivesse a ouvir-me: que saísse um javali ao meu pai.
 
Como todos sabem, a ligação que eu e o meu pai temos é uma das coisas mais importantes na minha vida e ter a oportunidade de estar numa montaria com ele, naquela montaria, foi também uma das razões que tornaram aquele dia tão especial. E eu rezava, rezava a quem me quisesse ouvir "Por favor, que vá ter um javali com o meu pai". Ele iria falhar, mas isso é outra história (estou a brincar pai ahaha).
 
Começaram a ouvir-se muitas ladras, cada vez mais sôfregas e mais intensas. Os javalis estavam ali, aquilo não seriam ladras com raposa. Agora, era acalmar o coração e esperar para ver qual o rumo escolhido pelos javalis. Eu estava com o vento contra mim, o que é logo um mau (e muito mau) indício; mas em fuga nada é certo.
 
Começam-se a ouvir tiros; muitos tiros. Ouvia ladras e tiros e nada mais! Os matilheiros iam gritando, mas nada mais!
 
Um dia é da caça, outro dia do caçador!
Este dia, para mim, foi da caça, mas sem dúvida do caçador. Não preciso de disparar para um dia de caça ser tão especial como este foi. Tinha o meu pai comigo, o Zé, o Paulo, o João e todos os restantes. Obrigada!
 
Resultado: 7 javalis (1 navalheiro). Na zona onde eu estava (eram duas manchas distintas) ouviu mais de 20 tiros; erraram alguns javalis.
 
O almoço estava fantástico, como é já um hábito desta terra do Oeste.
Espero que todos tenham gostado e se tenham divertido; espero também ter cumprido o meu papel de Diretora de Montaria da melhor forma possível.
 
Nunca se esqueçam que a felicidade é um modo de viver, e não um objetivo de vida!
Este é e será para sempre o meu modo de viver. Feliz!
ML.
 
 
Foto de Associação Caçadotres Concelho Cadaval.

Um milhão de euros para recuperação do coelho bravo

Quem se interessa minimamente pelo bem estar animal e pela natureza e os animais, conhece a situação dramática do coelho bravo, que se tem mantido já há alguns anos.

 

Ontem foi noticiado no Jornal Público "1 milhão de euros para ter mais coelhos à mesa dos linces" e fica aqui parte dessa notícia que, a meu ver, é mais uma esperança! Todas as ações são louváveis, sejam melhores ou piores; pelo menos está a ser feita alguma coisa pelo nosso coelho bravo.

 

 

 

 

"Os concelhos de Castelo de Vide, do Sabugal e de Penamacor, com a supervisão da Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas do Alqueva (EDIA), vão instalar uma rede de parques de criação de coelhos-bravos com o objectivo de, posteriormente, os libertar nos locais onde vai ser introduzido o maior felino da Península Ibérica. É assegurada, desta forma, a alimentação do lince-ibérico nas serras da Malcata, de São Mamede e na área de Moura/Barrancos.

 

O projecto de recuperação da população de coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus), que custará um milhão de euros, é candidato ao Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (POSEUR).

Entre as medidas delineadas no projecto estão a construção e requalificação de cercados para a reprodução do coelho-bravo, a criação de morouços (tocas artificiais), a realização de sementeiras e acções de controlo das espécies predadoras do animal. Ao limitar os movimentos dos animais, torna-se mais fácil o controlo das doenças que têm dizimado o coelho-bravo.

"O lince-ibérico é o selo de garantia de qualidade do ecossistema de que faz parte, a prova de que este está em equilíbrio”, adiantou ao PÚBLICO Pedro Salema, presidente da EDIA. E explica porquê: “A ausência deste superpredador desequilibra os ecossistemas, que se tornam uma porta aberta para a proliferação de raposas, saca-rabos, ginetos, furões e gatos-bravos que delapidam as populações de coelho-bravo.”

O presidente da EDIA assinala que só haverá mais linces em liberdade fora do Vale do Guadiana “quando houver garantia de um número suficiente de coelhos.

(...)

Os únicos requisitos essenciais são o refúgio e o alimento. Em cercados de quatro hectares podem ser instalados até 19 comedouros para os coelhos, que podem chegar a consumir entre um a dois quilos de ração por comedouro/dia.

Os primeiros cercados de coelhos foram construídos na Austrália em meados do século XX para estudar a ecologia da espécie com o objectivo de poder controlar as suas populações de forma mais eficaz. Hoje subsiste o problema da escassez e a necessidade de voltar a proliferar extensos territórios do da Beira Baixa, Alto Alentejo e Baixo Alentejo com a espécie que é o alimento base do lince-ibérico."

                                                                                                                (Notícia retirada do Jornal Público, 18.01.2017)

 

Fundamentalista deseja a morte de duas crianças

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Uma caçadora espanhola publicou no seu facebook uma fotografia dos seus dois filhos com um troféu de caça. Os fundamentalistas e animalistas depressa invadiram as redes sociais insultando esta caçadora e a sua família. Comentários como "Maldita a hora que o teu pai te fez nascer" ou "A vida de apenas um desses animais vale mais do que todas as vossas juntas".

Chegou ao ponto de um deles desejar a morte das duas crianças, uma de 8 anos e outra de 10 anos.

 

Esta não é a primeira vez que os fundamentalistas desejam a morte a crianças. Há uns tempos, uma destas pessoas desejou a morte a um menino de 6 anos com cancro, apenas porque o seu sonho era ser toureiro.

 

As autoridades já foram contactadas e o caso está já a ser tratado.

 

Como digo várias vezes, ninguém é obrigado a gostar das mesmas coisas que eu. Todos somos livres de gostarmos daquilo que queremos e fazermos aquilo que quisermos, dentro das normas e valores incutidos e dentro das legalidades da sociedade.

Se alguém publica fotografias com troféus de caça está no seu direito. A pessoa que vê e não gosta, está também no seu direito. Agora não há qualquer tipo de direito e de explicação para desejarmos a morte de um ser humano, muito menos de crianças indefesas.

"Vale mais a vida animal, que a vida humana...", dizem eles! 

E agora eu pergunto: quem tem razão neste caso? O caçador, que caça e alimenta-se da carne; ou o fundamentalista que compra carne no talho e deseja a morte de crianças?

ML.

 

Unam-se Caçadores!

A caça nunca elevará o seu nome e nunca será vista com bons olhos enquanto continuarmos com esta mentalidade e com estas atitudes...

 

Bem sei que muitos pensam que não se têm de preocupar. A caça é legal, pagam para caçar e, portanto, não têm que fazer mais nada. Os outros que façam, que é para isso que recebem dinheiro e que têm cargos como os que têm. É uma facto que não deixa de ser verídico. Contudo, esta é a mentalidade dos portugueses. Os outros que façam, porque eu não tenho a obrigação de o fazer.

 

Outros, são autênticos "parasitas da sociedade". Nem sei como é que um dia alguém lhes deu para as mãos uma carta de caçador (se o tiverem). Caçam a tudo, a toda a hora. Não se preocupam com os aspetos legais, não se preocupam com a caça e com os animais; no fundo, parece-me a mim que nem se preocupam com eles próprios.

 

Depois temos ainda a outra fração de caçadores que se preocupam verdadeiramente com a caça e com os caçadores. No entanto, é uma fração tão mas tão pequena, que muitos nem conhecem o seu trabalho. São pessoas que não ganham nada em defender a caça perante todos; e que o fazem sem querer nada em troca, somente que a caça continue a ter a importância que sempre teve no mundo inteiro. Mas as pessoas cansam-se e o que é certo é que um dia isto poderá tudo acabar.

Para quê remar contra a maré? Porque restará apenas o cansaço, a frustração, a incompreensão e a certeza de que todos os esforços feitos foram em vão...

 

O que vale é que quero acreditar, todos os dias, que a esperança é a última a morrer; mas há dias em que fica mais difícil! Há dias em que me confronto com certas atitudes, certas imagens ou comentários que me fazem pensar que realmente não estamos todos juntos lutando no mesmo sentido.

 

Se queremos continuar a fazer aquilo que mais gostamos e a transmitir esses valores aos nossos filhos e netos temos de agir já! Essa ação não passa necessariamente por uma manifestação em massa à porta da Assembleia. Essa ação passa, primordialmente, por fazermos uma manifestação dentro de nós próprios e pensarmos naquilo que andamos aqui a fazer. Porque no fundo, não temos nenhuma obrigação com a caça, é certo; mas ela tem uma série de obrigações para connosco, que nós também gostamos de contemplar, nomeadamente, as espécies cinegéticas, as condições do terreno, etc., etc. Se queremos de um lado, temos de atuar do outro e aí cabe a cada um de nós saber o que pode fazer.

 

E o que podemos então fazer?

 

1) Primeiro que tudo ter atenção à nossa maneira de falar sobre caça. A caça é um assunto delicado e também nós devemos ser delicados ao falar sobre o mesmo.

"Matei 300 pombos e 400 tordos e..." Calma! Não matamos; caçamos. Caçamos já alguns pombos, com lances indiscritiveis. A forma como eles chegaram a Portugal e a rota que tomaram... (É importante este tipo de linguagem).

 

2) Cuidado com as fotografias nas redes sociais. Todos nós gostamos de partilhar com os amigos as caçadas que fazemos, que pressupõem desde logo grandes lances com os cães, por exemplo. Mas temos de ter cuidado com o tipo de fotografia que colocamos e onde colocamos. Só vê quem quer, é claro; mas se tivermos algum cuidado com isso podemos não ferir suscetibilidades. Lembro-me por exemplo de uma amiga que eu tenho, que era totalmente contra a caça. Contudo, ao contar-lhe as minhas histórias e os lances vividos ela começou a perceber e a "gostar" das coisas que eu ia contando. Já dizia e tudo "vê lá se este fim de semana caças mais um javali, para não estragarem a vida dos agricultores". Contudo, um dia, quando cacei o meu veado e coloquei a fotografia no meu facebook, ela viu e ficou chocada. Apesar de ser uma fotografia bonita, para mim; para ela foi chocante. E foram precisos alguns dias para lhe tentar explicar as coisas; apesar da resposta ser sempre a mesma "podes fazê-lo, mas não precisas de publicar as fotografias". E no fundo não deixa de ter alguma razão.

Já chega de inveja, de ganância e de vaidades... Estamos todos juntos no mesmo barco, não importa quem rema com mais força ou menos força. Por isso, não importa quem caça mais peças ou menos; o que importa é a forma como vivemos tudo isso.

 

3) Ser legal, legal e ainda legal. Temos de fazer tudo dentro das legalidades; respeitando todas as normas; para estarmos de consciência tranquila e para não termos ninguém a apontar-nos o dedo. É fulcral!

 

4) Atitude pró activa! Acho que com pequenas atitudes talvez possamos fazer a diferença. Essas pequenas atitudes passam pela forma como estamos na caça - por exemplo, apanhar um cartucho vazio que vimos no terreno. Por exemplo, explicarmos aos nossos amigos e conhecidos a importância da caça, dos caçadores; o trabalho que é feito com a gestão cinegética, etc.

 

No fundo, há pequenas coisas que podem ser feitas mas o mais importante é a nossa atitude como caçadores, perante a caça e perante a sociedade. Temos a razão do nosso lado, como é óbvio, mas há maneiras e maneiras de fazer as coisas. Todos os humanos matam milhares de animais para se alimentarem; até os vegetarianos! E milhares de animais matam outros milhares de animais para se alimentarem! E chama-se a isto cadeia alimentar!

 

Acabem com a caça ilegal. Já chega de serem matadores! Matadores esses que abandonam os seus cães, que tratam mal os animais e não os respeitam, que tratam mal a mulher quando chegam a casa, que não têm limites, que só matam por puro prazer. A caça não é nada disto!

Para a caça avançar, todos temos de ser caçadores! Para avançar, temos de continuar um trabalho de cuidado e bem estar com a natureza e com os animais.

 

Unidos venceremos! Desunidos cairemos!

ML.

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Os predadores e as presas

O que é um animal e o que é um ser humano? Apesar de muitas pessoas tentarem tratar os animais como humanos, eles são só animais. Uma galinhola pode, por exemplo, alimentar-se de pequenas minhocas e lesmas que vivem no fundo da terra. Ela pode fazê-lo, porque tem um enorme bico que lhe permite tal feito. Um leão pode, por exemplo, perseguir e matar uma zebra para se alimentar. Um cão possui, por exemplo, um sentido apuradíssimo do olfacto e consegue sentir tantos cheiros, que são imagináveis para nós.

Mas esta galinhola, este leão e este cão são incapazes de compreender ideias mais complexas, com as quais os humanos lidam diariamente. Não compreendem, por exemplo, os perigos que existem na estrada e que "se não tiverem cuidado podem ser atropelados".

Ao contrário de nós, humanos, as taxas reprodutivas das espécies cinegéticas são elevadas e, normalmente, associadas a uma taxa elevada de mortalidade.

Tudo isto não quer dizer que não devemos respeitar os animais, muito pelo contrário; contudo, deve apenas mostrar que eles não são humanos.

 

Uma grande dificuldade das pessoas que defendem que os animais são humanos como nós, é determinar quais os organismos que "conhecem a dor". Ou seja, um cão sofre se lhe dermos uma palmada. Uma perdiz sofre se lhe dermos um tiro. Então e as melgas não sofrem se lhe dermos uma chinelada? Os mosquitos não sofrem se os atropelarmos na estrada? As aranhas não sofrem se as sufocarmos com alguma coisa?

 

 Uma coisa é certa, nós somos diferentes dos animais! Contudo, há algo que nos é comum: ambos somos presas ou predadores.

São vários os estudos científicos que nos alertam para o instinto de predadores que temos, já inato. Por exemplo, quando vemos crianças a correr atrás dos passarinhos para tentarem apanhá-los, claramente nos apercebemos que o instinto de predador está lá. Isto não é nenhum tipo de aprendizagem e, claramente também, que não é com nenhum tipo de maldade, de magoar ou ferir. Aqui falamos de brincadeira, mas com instintos pré históricos que nos acompanham até aos dias de hoje. O facto de sermos predadores não quer dizer que sejamos matadores e aqui está a grande diferença.

 

O ecológico britânico Charles Elton falou acerca desta teoria, em 1939 e deu como exemplo as competições desportivas, salientando o raguebi. O objetivo deste jogo é uma equipa conseguir levar a bola até à linha final, mas para isso precisa de passar pela equipa adversária, que fará grandes esforços físicos para impedi-la. E traduz este desporto para a "vida selvagem", em que a pessoa que transporta a bola é vista como a presa e a equipa defensiva como uma "manada de predadores".

É um jogo em que as lesões são frequentes. Ora, se somos tão civilizados, poderia haver um acordo no início do jogo, em que uma equipa deixava a outra levar a bola até à linha final e vice versa. Ninguém se magoava e empatavam o jogo, certo?

E isto é verdade para todos os outros tipos de desporto: o futebol, o basquete, o hóquei, etc. E porque é que milhares de pessoas se envolvem emocionalmente neste tipo de jogos? Segundo Elton, esta participação da população neste tipo de jogos é resultado do interesse inerente nas relações entre presa e predador.

 

Então, a caça ou ser caçador é mais uma corrente desta herança genética que temos entre presa e predador. Obviamente que nem todos podem gostar de caça ou pesca; mas nem todos gostam de futebol ou raguebi.

E na caça há regras de jogo. Há dias que se podem caçar e outros não. Há espécies que se podem caçar e outras não. Mas qual é o direito que nós humanos temos para matar e comer um animal? E eu pergunto: qual é o direito que uma raposa tem de matar e comer um coelho?

A raposa não é um ser humano, não pensa como nós. Exatamente! É aí que queria chegar. Os humanos e os animais são diferentes e será sempre assim.

 

E o direito que nós humanos temos para matar e comer um animal na caça, é o mesmo que um produtor da indústria alimentar tem para matar um frango e comê-lo. Talvez seja o mesmo que as pessoas que vão ao talho comprar carne têm. E talvez seja o mesmo que as pessoas que comem legumes e verduras têm, ao matarem milhares de lesmas, minhocas, ratos (que estão nas terras e desaparecerão quando a terra for plantada).

 

O prazer que recebemos da caça é algo que muitos não entendem. Da mesma forma que eu não entendo outros prazeres que muitos experimentam e gostam, como por exemplo, automobilismo, compras, bicicleta ou cozinha. Mas não quero que abandonem aquilo que mais gostam de fazer. Eu respeito e se são felizes assim, esse é o grande objetivo e a grande missão que temos em vida.

Respeitem-nos. Principalmente porque não há argumentos ecológicos, morais ou humanos suficientes para me privar a mim e a centenas de outros cidadãos a oportunidade de caçar - participar ativamente e diretamente na comunidade da vida de que todos somos membros.

 

O bem-estar e a sobrevivência dos animais na Terra não depende de protegê-los da caça regulamentada; depende sim do nosso sucesso em defendê-los contra a destruição de seus sistemas de suporte de vida. Devastação das florestas tropicais na América Central e do Sul, zonas húmidas na América do Norte, savanas na África e lagos na Escandinávia são os maiores exemplos que temos.

Anti-caçadores, não-caçadores e caçadores fariam bem em unir-se para combater a exploração destrutiva de recursos que afeta não só a nós próprios, mas também aos nossos animais.

Porque todos somos predadores e presas; mas nós somos humanos e eles animais!

ML.

 

 

Dia Internacional do Obrigado

Hoje, dia 11 de Janeiro, celebra-se o Dia Internacional do Obrigado. Este dia, apesar de desconhecido para muitas pessoas, foi criado através das redes sociais na Internet e foi-se enraizando aos poucos. O grande objetivo é que se diga obrigado a quem quisermos! Uma palavra de apenas 8 letras, mas com tanto significado!

 

Assim sendo, quero dizer Obrigado a várias pessoas e a várias coisas. Normalmente, esta é das palavras que mais faz parte da minha rotina diária. Gosto de dizer obrigado. Por vezes, talvez diga obrigado demasiadas vezes, mas sinto-me bem em fazê-lo e sei que quem ouve sente-se bem.

As coisas têm a importância que nós lhes damos. E espero que este meu obrigado tenha uma grande importância para todos vocês, tal como tem para mim.

 

OBRIGADO à minha família. São as coisas mais importantes da minha vida. Tenho mesmo a melhor família do mundo! Mãe, pai, irmã (chata), tio, avó, primos, tias, madrinha. E aos meus avós e tia que já partiram, mas que estarão sempre comigo.

 

OBRIGADO ao. Por tudo o que representa na minha vida e por tudo aquilo que passamos e somos juntos.

 

OBRIGADO aos meus amigos. Sem eles nada seria igual. Pelos momentos que partilhamos; seja na caça, em festas; em jantares; em passeios; em longas conversas; no trabalho; etc., etc....

 

OBRIGADO aos meus cães. Sem vocês, não seria tão feliz como sou. Sem vocês muita coisa não faria sentido. Obrigado por esperarem todos os dias que eu chegue a casa e por me receberem com a alegria que recebem. Obrigado por sermos os melhores amigos!

 

OBRIGADO ao sítio onde trabalho, às pessoas com quem convivo e à profissão que tenho.

 

OBRIGADO à caça! Tenho aprendido tanta coisa enquanto caço. Tenho-me descoberto a mim própria e, principalmente, que não há limites para sonharmos! Sou verdadeiramente feliz e realizada a caçar!

 

OBRIGADO aos caçadores, por ainda não terem desistido daquilo que vos faz mais felizes. Por tratarem bem os animais e por partilharem desta filosofia de vida!

 

OBRIGADO a toda a gente com quem eu convivo e não posso precisar uma por uma...

 

OBRIGADO a todos vocês que seguem este Blog e que lêem o que eu escrevo!

 

ML.

 

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O tique taque do relógio numa jornada de caça

6:30 da manhã...

Começa então o tocar cintilante daquele que tantas vezes é o meu pior inimigo mas que, concomitantemente, torna-se o meu melhor amigo... Mas isto apenas em dias específicos, em dias em que me levanto para colocar o estojo da caça na carrinha, juntamente com os cães, que anseiam desesperadamente por estes momentos.

 

8 da manhã...

O encontro entre amigos é feito num pequeno café de uma aldeia ainda por descobrir. Um pequeno café, que desde as 6:30 da madrugada está aberto, para servir da melhor forma possível todos os caçadores e demais que querem começar a manhã com uma sandes de pão fresco ou um café acabado de retirar da máquina. Este café desta pequena aldeia sobrevive até então graças aos caçadores que o frequentam e graças à caça que consegue ainda mobilizar "pequenas multidões". Este encontro matinal significa muito mais do que um simples cumprimento e um simples bom dia. Significa que mais uma manhã especial está para vir e que novos momentos de companheirismo e amizade vão também surgir.

 

9 da manhã...

Chegamos à natureza, ao nosso templo de bem estar. Passamos pelo gado bravo, que olha para nós com ar desconfiado, mas que depressa continua a sua vida rotineira. Viram-nos o rabo, baixam a cabeça e continuam a comer. Mais à frente, paramos a carrinha. Abro a porta num ápice e preparo tudo. Visto o primeiro colete de caça que o meu pai usou. Já não lhe serve há alguns anos, mas a mim ainda me continua enorme. Enorme também é a ligação que tenho com o meu pai na caça, apenas usando o seu "simples" colete. Calço os botins velhos do meu avô. O meu avô já faleceu há algum tempo. Infelizmente, nunca tive o privilégio de caçar com ele. Quando comecei nestas andanças, já ele permanecia na cama, com dores e cansaço. Contudo, lembro-me do dia em que cacei a minha primeira perdiz. Com o meu tio e os seus perdigueiros. Mal chegamos a casa, fui a correr ao quarto do meu avô e contei-lhe o que tinha acontecido. Vi as suas lágrimas. As lágrimas que continham alegria mas, ao mesmo tempo, tristeza por saber que nunca mais poderia fazer aquilo que ele mais gostava. Saí do quarto dele apressadamente, não queria que este momento fosse triste. Ainda assim, sei que seja onde estiver, estará orgulhoso e feliz. Principalmente, porque continuo a usar aqueles botins dele, já com rasgos e tudo. E aquele pin dourado, com um caçador e um cão de parar. Tenho saudades tuas avô!

Soltamos os cães... Estão eufóricos! Saltam para cima de nós. Chamam-nos para começarmos o quanto antes a caçar e, por mais que queiram ir, esperam por nós. Sujam-me logo toda com as patas que andaram na lama. "Nunca deixes os cães subirem para cima de ti", dizia-me o meu avô. Ele sabe que nunca consegui seguir essa "regra". Aí não segui os seus passos...

 

10 da manhã...

Já há algum tempo que começamos a caçar... Somos três pessoas, com 4 cães! Pouca gente, poucos cães. Para mim, o ideal na caça. O terreno era duro, com cabeços altos. A temperatura estava fantástica, parecia um dia de Verão, mas o terreno molhado e húmido não nos deixava esquecer que estavamos no Inverno.

Caçar com cão de parar é simplesmente maravilhoso! Cada caçador tem as suas preferências, o seu tipo de caça, de terreno, de espécie cinegética. Mas repito: caçar com cão de parar é simplesmente maravilhoso!

Neste dia não levei o meu cão. Não tive oportunidade de o ir buscar para o levar à caça. E isso entristece-me, ao ponto das lágrimas escorrerem-me enquanto caçava e pensava nele. E já dizia o meu outro avô "caçador sem cão é um caçador panão". Senti-me um pouco panona ali, é verdade. Mas ainda assim tenho tido o prazer constante de caçar com três cadelas do melhor que já vi e, como é hábito elas caçarem comigo e com o Martin, também já me conhecem e acredito que cacem também para mim.

Principalmente, uma cadela, uma Setter, a Benny. Uma cadela que eu vi crescer e que também me fui afeiçoando. Cacei a primeira perdiz que ela parou. Cacei a primeira codorniz que ela parou. Assisti ao primeiro cobro, à primeira guia e, portanto, é quase o meu segundo cão de parar.

 

E é extraordinário assistirmos a tudo isto, aos "primeiros passos" dos nossos cachorros e, agora com 1 ano e meio de idade vermos que estão tão crescidos. E neste dia de caça vi que a minha pequena Benny estava uma grande "senhora". Esta pequena cachorra parou-me 4 ou 5 galinholas. Esta pequena cachorra cobrou todas as galinholas abatidas, com uma alegria contagiante e que nos leva a pensar "como é que há pessoas que nunca irão experenciar este tipo de situações e este tipo de amor"...

 

Meio dia...

Caçamos com os nossos cães. Depois de paragens soberbas, de grandes lances e cobros, vamos a andar no meio do mato e a Benny para. Fixa, com a cauda enriçada para cima, como se transformasse num podengo. Expressão tensa. Aproximei-me. Pensei que se tratasse de uma galinhola e então escolhi o melhor sítio para atirar, mediante a minha perceção do sítio onde ela poderia sair e do sítio onde se encontravam os meus companheiros. Espero. Olho para a cachorra. Como consegue aguentar tanto tempo sem picar a caça? É realmente inacreditável! Não a mando guiar, até porque ela sabe fazê-lo sozinha. Mas naquele momento não guia, aponta de forma fixa para a peça, que está bem perto dela. De repente, num ápice, a peça de caça sai apressada. E esta lebre, que nos ia fitando à frente, deixa-se assim "entalar" por uma cadela com pouca experiência. Foge apressadamente; com a Benny a persegui-la, como se apanhá-la fosse o seu último objetivo, naquele mato fechado e sem visão nenhuma, que estava encoberto de estevas e silvas.

 

Duas horas...

Depois de uma sandes rápida e da troca de algumas palavras e histórias dos lances durante a manhã, continuamos a caçar. Agora num mato menos fechado. Já me doíam as pernas. Andamos muito e num terreno difícil. Ainda assim, a paixão de estarmos a fazer aquilo que mais gostamos não nos deixa sequer pensar em cansaço ou em dificuldades. Tudo parece fácil, naqueles momentos em que estamos vidrados nos cães e nas espécies cinegéticas.

De repente, ouço o beep da cadela mais velha. Depressa me aproximo e vejo que a Benny já está parada também. Numa primeira estância, parou por simpatia, mas após apanhar a emanação, para porque sabe que algo está ali. A cadela mais velha é muito sensível de nariz e faz algumas falsas paragens, o que aconteceu neste caso. Largou a emanação, dizendo-nos que não estava nada ali. Contudo, a Benny continuou parada. Achei estranho. De repente, faz uma guia sozinha, e coloca-se a apontar a um determinado sítio. Galinholas não seria. Lebres não me parecia também. Talvez não fosse mesmo nada, tal como a cadela mais velha nos tinha dito... Mas como um dos lemas que aprendi neste mundo foi a dar sempre razão aos cães, esperei. Aproximei-me da Benny, para ver se, de facto, estaria ali ou não alguma coisa. E, apressadamente, saem duas codornizes, a bater a asa com a máxima força e rapidez. Claro que não atirei! Mas mais uma vez a cadela demonstrou uma maturidade e uma habilidade incrível!

 

Três horas...

Continuamos a caçar, já com algumas peças de caça que dariam para um belo jantar! Soltamos a cadela mais velha. Uma cadela já com 10 anos de idade, e que já se desorienta muito no terreno, pois já não consegue ouvir. Mas como o terreno ali era mais plano, decidimo-la levar. Mal começamos a caçar ela levanta uma lebre, para nos demonstrar que "velhos são os trapos". De repente, vemos um touro bravo à nossa frente, que deveria ter saltado uma vedação. Fiquei com medo. Principalmente, porque os touros sozinhos podem atacar, ao sentirem-se ameaçados. O touro olhava insistentemente para os cães e para nós. Continuamos a andar, confiando na sorte e na nossa destreza física, caso acontecesse alguma coisa. Mas porque também vimos que a situação estaria controlada, para os nossos cães. Ali, a maior preocupação seriam os cães que simplesmente ignoraram o touro. Entramos num bocadinho de mato e a cadela de 10 anos, "surda e velha" deita-se, ao estilo típico do setter inglês, afirmando que algo ali estava. De facto, sai uma galinhola, com um voo muito tranquilo, em nada caraterístico de uma galinhola. Depois de cobrada, a cadela velha anda 50 metros e para. "É impossível estar aí mais alguma coisa." E estava mais uma galinhola. "Esta cadela inventa caça!", e é uma grande verdade!

 

Quatro e meia...

Depois de acabarmos de caçar, só temos a agradecer aos nossos cães todos os momentos que nos proporcionaram. De facto, a alegria é tanta que não há palavras para descrever estes momentos e lances.

 

E será isto descrito como uma euforia por matar ou será alegria por participar num sistema natural, na vida pura da natureza e da ecologia, entre a presa e o predador? Serei eu menos honesta e menos humana do que aqueles que comem hamburgueres aos fins de semana, nas cadeias de Fast-food?

ML.

 

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