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Diário de uma Caçadora

Para entenderem a minha loucura precisam, primeiro, de conhecer a minha paixão. Quero mostrar que a minha paixão é muito mais do que o simples acto de matar... Que a minha paixão é uma forma de estar na vida!

Diário de uma Caçadora

Para entenderem a minha loucura precisam, primeiro, de conhecer a minha paixão. Quero mostrar que a minha paixão é muito mais do que o simples acto de matar... Que a minha paixão é uma forma de estar na vida!

Olhar na mesma direção!

Elas não me dizem que vai correr tudo bem! Nao me dizem o que devo ou não fazer! 
Elas simplesmente estão lá... Todos os dias, a toda a hora! Quando as coisas estão bem e quando as coisas estão mal! 
Se eu sorrir elas pulam de alegria; se eu chorar elas entristecem-se comigo! E faça o que fizer ou sinta o que sentir, elas estarão no mesmo barco que eu, a fazer a mesma viagem que eu, e a olharmos sempre juntas, na mesma direção... ❤️

 

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Era Uma Vez... As Provas de Santo Huberto!

Há uns tempos, convidaram-me para fazer uma rúbrica mensal na Revista Caça e Cães de Caça. Aceitei, sem pensar duas vezes, e fiquei muito feliz com a possibilidade de ter um espaço onde poderia partilhar convosco histórias, opiniões ou simples desabafos deste nosso mundo.

E porque comecei a ser caçadora devido às Provas de Santo Huberto; nada melhor que começar esta rúbrica mensal com um artigo dedicado às Provas de Santo Huberto e à importância das mesmas, quer para os caçadores, quer para a caça, quer para os cães de parar.

 

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"Muitos que me conhecem, sabem que me tornei caçadora devido às Provas de Santo Huberto. Se antes não compreendia a essência da caça, dos cães e dos caçadores, depois de assistir a estas provas percebi claramente que esta tornar-se-ia no meu modo de vida.

E porquê? Porquê em Provas de Santo Huberto?

As Provas de Santo Huberto contam uma história, seja em cada lance, seja em cada concorrente, seja em cada juiz, seja em cada membro da organização. E é essa história que vos quero contar!

 

E para começarmos, nada melhor que o “era uma vez”.

 

Era uma vez uma modalidade de provas, intituladas de Provas de Santo Huberto, que no seu regulamento e como objetivos primordiais, diziam: promover o espírito desportivo do caçador, formá-lo na correta prática do ato cinegético, tendo em consideração os aspetos técnicos, legais e cívicos, a função e utilização do cão de parar, num quadro de respeito pela Natureza e pela ecologia.

Com esta definição, depressa nos apercebemos da importância que este tipo de provas têm na formação de caçadores, primando o respeito pelo próximo, pelos animais e pela natureza. Para ser um bom caçador e, simultaneamente, um bom concorrente deste tipo de provas, há que ter uma sensibilidade e um respeito incomparáveis mas há que ter uma boa formação e humildade suficiente para estar em constante aprendizagem.

 

E estas são as personagens principais da história: os concorrentes! Concorrentes esses que são, certamente, caçadores peculiares. Isto porque nas Provas de Santo Huberto são re-lembrados ou aprendidos certos pormenores que fazem muita diferença no ato da caça, tal como as normas de segurança (ex. o transporte da arma, o que devemos fazer quando atravessamos uma ribeira, por exemplo); o espírito desportivo - o saber perder e o saber ganhar; alguns conceitos de cinofilia ou cinegética que, por vezes, são esquecidos; e, acima de tudo, a forma como se trata a caça. Saber que o mais importante é o lance com o cão, ao invés do número de peças abatidas. Saber como tratar uma peça de caça depois desta ser abatida e ter orgulho disso mesmo. Não digo vaidade, mas sim orgulho. Orgulho do trabalho que o cão fez, e do trabalho que o próprio caçador também fez. Orgulho da equipa que formaram e orgulho por saber que, daqui a umas horas, este cão, este companheiro, estará a dormir na sua casa, à sua guarda.

Por isso mesmo, o Santo Huberto é tão maravilhoso e termina sempre com finais felizes.

Os caçadores mudam a sua atitude quando participam neste tipo de provas e isso é notório. Convivo com imensos caçadores, que praticam ou não esta atividade, e sei do que falo. Há uma sensibilidade peculiar, talvez provocada pelas normas do concurso ou pelo convívio com os outros. Não importa; o que importa e que queria deixar bem patente, é a forma como estes concorrentes de Santo Huberto atuam com respeito pela caça e pela natureza e, não menos importante, com os seus cães. A constante preocupação com estes é notória – levar água para beberem durante a prova (que dura cerca de 15 minutos); desistirem da prova porque o cão está cansado ou emocionarem-se quando falam destes animais. É maravilhoso! Mas mais maravilhoso ainda, creio que é vermos o trabalho destes cães no terreno. A tipicidade de cada raça, a sua individualidade; a forma como abordam o terreno; a busca, as emanações; a forma como param, com uma tensão brutal; a forma como estão ensinados; a forma como se ligam ao dono. Tudo isso é maravilhoso e tudo isso me permitiu a mim ser caçadora: o Santo Huberto, as pessoas do Santo Huberto e, acima de tudo, os cães de parar!

 

Em todas as histórias, há um final. E como referi anteriormente, esta história acaba com um final feliz. Não havia outra forma! Mas este final feliz só é possível porque as provas de Santo Huberto são aqueles pequenos (grandes) momentos em que se junta uma família, em que a amizade e o respeito estão sempre patentes. E em que a aprendizagem e o constante querer saber mais fazem parte do dia a dia.

Melhores pessoas, melhores caçadores, mais amizade, mais amor e mais felicidade! Creio que são as consequências de nos tornarmos “amantes” das Provas de Santo Huberto!"  

ML.

 

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Fundamentalistas celebram morte de caçadora

Não vou tecer comentários. Não consigo mais! 

Este é um momento em que devemos ter um profundo respeito pela Mel e pelos familiares e amigos. Não peço respeito pelos caçadores ou seja por quem for; mas sim respeito para aquela mãe que perdeu a sua filha; para aquele pai que nunca a levará ao altar; para aqueles avós que viram a neta a ir embora primeiro que eles; para o namorado que nunca mais lhe poderá sussurrar ao ouvido que a ama; e para todos os amigos que nunca mais lhe poderão dizer um olá e dar-lhe um abraço. 

Por todos eles teríamos de ter respeito. Mas não posso ficar indiferente a quem não o tem e a quem não respeita um ser humano; a vida e a morte. 

 

Deixo-vos algumas imagens dos milhares de comentários de fundamentalistas, quer espanhóis, quer portugueses, que invadem as redes sociais. Celebram a morte da Mel, enunciam comentários de alegria e felicidade e, inclusive, fazem vídeos mostrando a "boa notícia" sobre a morte de uma caçadora...

 

É triste! Demasiado triste. Mas mais triste ainda deve ser a vida infeliz destas mesmas pessoas...

ML.

 

(Tive o cuidado de colocar anonimo o nome das pessoas que proferiram tais comentários, assim como as fotos de perfil. Não me importa quem o disse; importa-me o que disseram).

 

Exemplos do que foi dito:

 

"Está calor porque estás a arder no inferno".

"Apodrece no inferno e obrigada por deixares de assassinar animais inocentes, só por ego e cobardia".

"Fizeste um favor à humanidade, adeus!".

"Ela está viva, não se preocupem. O que aconteceu é que deixou a caça e está agora no casting para o Walking Dead, esperem pela próxima temporada".

"Estava tão amargurada que teve de se matar (…) menos mal que se matou a ela mesma, e não pobres animais (…) foi o melhor que fez ultimamente".

 

EM ESPANHA...

 

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Quanto vale a vida humana? Um último adeus à Mel Capitan

É tão difícil para mim escrever sobre isto... Mas tenho de o fazer, pela Mel e por todos os caçadores.

A Mel Capitan era uma caçadora espanhola de 27 anos. Uma figura mítica, devido à sua paixão pela caça, ao blog que tinha (já com mais de 30.000 seguidores) e à sua atitude pró ativa na defesa da caça e dos caçadores. Fez tudo o que podia, disse tudo o que podia; mesmo quando recebia ameaças TODOS OS DIAS de animalistas e fundamentalistas.

Falamos várias vezes sobre isso...Sobre a pressão que sofríamos por parte de um grupo de pessoas que ama os animais e odeia os seres humanos. Um grupo de pessoas que ameaça de morte uma pessoa, mas quer salvar a vida dos piolhos. A Mel era ameaçada de morte constantemente. Será isto uma ironia do destino? Será que algo ou alguém os ouviu e lhes fez a vontade? Isto é tão macabro, que me custa a escrever aquilo em que vou pensando e as teorias que vou imaginando...

 

Os animalistas, defensores extremos dos animais, ameaçavam a Mel todos os dias. Perseguiam-na na rua. Pintavam palavras de ódio nas paredes de sua casa. Destruiram o seu carro. Ameaçavam a sua família. Perseguiam-na até ao trabalho e, inclusive, recentemente, exigiram ao seu patrão, que a despedissem. E, ainda assim, até ontem, a Mel continuou a defender a caça e os caçadores, a manter ativo o seu blog e a mostrar-se ao mundo, sem medos nem vergonhas, porque "o que faço é legal", dizia ela constantemente. 

Diziam que estava já com uma depressão. Pudera, o ciberbullying é capaz disso e de muito mais. Mas ainda assim, para quem a seguia, a Mel transparecia ser uma sonhadora, uma lutadora, uma mulher resolvida, feliz e sem preocupações.

Como as redes sociais nos enganam... Como as redes sociais vieram "mascarar" as pessoas e os seus sentimentos... Como as redes sociais nos deixam criar personagens fictícias, quer para o bem, quer para o mal. As redes sociais são apenas uma maneira de nos sentirmos poderosos. Sentimos que temos todo o poder do mundo, para falar, para dar a nossa opinião e para insultar. Estamos numa democracia, somos livres, podemos fazê-lo. No entanto, esquecemo-nos que fora das redes sociais há pessoas reais, com vidas reais e com sentimentos. 

Fora das redes sociais somos meros humanos; dentro das redes sociais somos o supra sumo da sabedoria, da cultura e da opinião. 

 

Não sei se foram as redes sociais, se foram os ataques que recebia constantemente, ou se foram problemas pessoais que levaram a Mel a suicidar-se. Muitas teorias são formuladas. O que é certo é que a Mel tinha um tiro. Alguns dizem que ela ligou para os amigos mais chegados para se despedir e, posteriormente, suicidou-se com um tiro com a sua 270. Ninguém pode fazer nada. Outros dizem que alguém lhe deu um tiro. Mas só a Mel sabe o que aconteceu.

Uns dizem que foi devido aos ataques animalistas; outros dizem que foi devido a problemas pessoais. Mas só a Mel sabe o motivo.

 

Mas a grande conclusão que podemos tirar de tudo isto é que realmente a vida é curta demais e, de um dia para o outro, tudo pode mudar. E que a nossa mente, as nossas emoções e sentimentos, influenciam tudo!

E dói para caramba quando estas mudanças acontecem. Quando alguém se mata, seja por que motivo for. E tenho tanto medo de pensar que poderá ter sido por outras pessoas. Aquelas pessoas que, como disse anteriormente, defendem a vida de um piolho, mas celebram a morte de um ser humano. 

Como? Pergunto e continuarei a perguntar todos os dias: como é possível isto? Celebrarem a morte de um caçador ou de um toureiro e chorarem a morte de uma pulga ou de uma mosca. Abandonarem um idoso no hospital, sem dó nem piedade, e tratarem um cão como um bebé. Que sentido faz isto? Falamos de educação, de valores, de modas? Será isto uma doença mental? Ou serei eu que estou doente mentalmente e que sou um outside desta nova sociedade moderna? 

 

Estou triste. Demasiado triste. Seja ou não devido aos ataques animalistas, estou triste por ter perdido uma grande caçadora mas, acima de tudo, uma grande mulher. A Mel era especial, e todos o sabiam. A morte decidiu levá-la mais cedo. Bem mais cedo do que queríamos.

 

E eu tenho tanto medo de falar da morte. Como se ela não fosse bater à porta de todos nós. Tenho medo de pronunciar o seu nome. Tenho medo dela mas, sobretudo, tenho medo daquilo que ela me faz sentir. Tenho medo da dor, da tristeza e da saudade. Sabemos que a Morte também é isso. E respeitamo-la. Mais do que a tudo e a todos, respeitamos a Morte.

 

Mas, mesmo quando ela nos bate à porta, o tempo não pára e o mundo continua a ser um "simples" mundo. Ao menos, que este tempo e este mundo parassem, até que a nossa dor também parasse. Mas será que algum dia pára? Certamente que não. É uma dor que não passa, apenas apazigua. Lentamente, mas apazigua. E quem quiser que se adapte a esta nova vida. Quem quiser que aprenda a viver com a partida de alguém. É tão difícil, Morte. Tens noção do sofrimento que causas a milhares e milhares de pessoas? Todos os dias, a toda a hora? Talvez tenhas, mas fazes somente o teu papel. Temos de aprender a lidar com isso. Contigo. 

E depois, quando parece que tudo começa a ficar "estabilizado" apareces novamente, como quem diz "não se esqueçam de mim, irei sempre voltar, sem data marcada".

E aqui, sob o impacto de uma tal saudade, continuamos. Mas com medo de ti. Sempre. 

Porque deixamos de acreditar em tudo. Deixamos de ter fé. Deixamos de ter oportunidade para dizer coisas que ainda tinhamos para dizer. Deixamos de dar abraços a quem mais gostavamos. Deixamos de ter calma e a raiva instala-se em nós. Deixamos de ter forças para mudar o mundo. Deixamos de acreditar em nós próprios e na vida. Deixamos de acreditar que somos imortais. 

E tudo por causa de ti, Morte.

Seja ou não uma escolha nossa... 

 

Mel, descansa em paz! Estaremos todos aqui a lutar por ti! E sabemos que estarás aí em cima a olhar por nós! Obrigada CAÇADORA!

ML.

 

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Cozinheiro britânico serve a carne que caça no seu restaurante com Estrela Michelin

Esta é uma notícia publicada hoje na Revista espanhola Jara Y Sedal, mas que achei deveras interessante e deixo-vos aqui como curiosidade.

 

 

Mike Robinson é um cozinheiro inglês muito prestigiado, com várias participações no programa da BBC e com dois restaurantes muito conhecidos, um deles com uma estrela Michelin.

 

O que difere este cozinheiro dos outros? Utiliza nos seus restaurantes, para servir aos seus clientes, a carne que ele próprio caça. Robinson não esconde de ninguém a paixão que nutre pela caça e, quando questionado sobre o segredo do sucesso dos seus restaurantes, não hesita em responder "o segredo está nos ingredientes que uso, que trago da minha quinta, como a carne".

E realmente se há ingrediente que não falta no menu é mesmo vários tipos de carne de caça. Carne essa caçada por Robinson; nomeadamente veado, corço e gamo.

 

Robinson afirma que tanto na caça como na cozinha, o que importa é preservar, não desistir e amar aquilo que se faz.

E realmente creio mesmo que este seja o segredo: não desistir, lutar por aquilo que queremos, irmos atrás dos nossos sonhos para, no fim, fazermos aquilo que mais gostamos e amarmos o que fazemos e o que somos!

 

Gostei desta história e desta dedicação!

ML.

 

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PSP tem novo site dedicado a armas e munições

A notícia veio ontem em destaque no site online da TVI e refere o seguinte:

 

"Os cidadãos que precisem de tratar de questões ligadas a armas e munições, como licenças ou livretes, podem a partir de agora utilizar uma plataforma eletrónica da Polícia de Segurança Pública - o SERONLINE -, hoje apresentada publicamente.

A iniciativa tem como objetivo a “simplificação do acesso dos cidadãos à polícia administrativa”, salientou na cerimónia de apresentação o diretor nacional da PSP, Luís Farinha, apelando para que o sistema seja utilizado de forma intensiva.

"Os cidadãos e os profissionais da área das armas, munições e produtos explosivos poderão passar a tratar dos assuntos, nomeadamente solicitar as licenças, autorizações, livretes e outros documentos legais, inclusivamente efetuar os pagamentos das taxas através de ´homebanking´ ou pelo multibanco, com toda a segurança, celeridade e comodidade”

O novo portal é a versão atualizada e mais funcional da plataforma que já existia sobre licenciamento de armas, munições explosivos, a SIGAE – Sistema Integrado de Gestão de Armas e Explosivos.

Desde a sua criação a plataforma SIGAE tratou mais de um milhão de processos, tendo sido geridas em depósito mais de 400.000 armas, segundo dados oficiais da PSP.

 

Só até junho deste ano registaram-se mais de 100.000 processos SIGAE, devendo-se chegar aos 220.000 até final do ano."

 

(Notícia retirada do site: www.tvi24.iol.pt, 10 de Julho 2017)

 

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O que fazem os caçadores quando é proibido caçar?

Era uma vez uma cigarra que vivia saltitando e cantando pelas cidades, sem se preocupar com o futuro. Esta cigarra tinha uma peculiaridade: era a cigarra mais importante da floresta e tinha um grupo de animais que a seguiam em tudo. Ela cantava todos os dias, chegando a ser incómodo para os outros animais. Mas ela não se importava, porque fazia aquilo que gostava e que achava ser certo. Se tinha nascido para cantar, então iria cantar; sem pensar nos outros à sua volta e nas consequências dos seus atos. 

Um dia, encontrou uma formiga. Era um dia de Verão, com um sol quente que aquecia qualquer sombra que houvesse. A formiga estava a carregar uma folha pesada e com um ar muito cansado. A cigarra olhou para a formiga, num tom de gozo, e disse-lhe:

- Formiga o que estás a fazer, com este calor?

- Estou a limpar a floresta!

- E para que estás a ter todo esse trabalho, se esta é a tua casa e a de tantos outros?

- Porque se eu não fizer, ninguém o fará. E eu prefiro cuidar e preservar, para não perder a minha casa, nem a minha vida. Queres ajudar-me cigarra?

- Não! Está muito calor e eu gosto mesmo é de cantar. Mas acho muito importante aquilo que fazes. É importante cuidares da tua casa e dos teus companheiros.

- Da nossa casa e dos nossos companheiros.

 

A formiga continuou a trabalhar. Limpava a floresta, arranjava comida para os tempos mais frios que se avizinhavam e cuidava daquilo que era de todos, sem que ninguém a ajudasse ou agradecesse. Fazia-o porque queria.

E a cigarra continuou a cantar. O pequeno grupo de animais que gostava de a ouvir, todos os dias iam ter com ela. Cantavam, dançavam e falavam do terrível inverno que aí viria. A cigarra sabia muitas coisas sobre o inverno e ensinava-os, com dicas e conselhos.

Havia folhas para todos se alimentarem. A água era mais escassa; mas elas sabiam de um sítio (um género de um esconderijo) onde a formiga armazenava água e por vezes iam lá buscar, sem que ninguém as visse.

 

Um dia, a formiga intrigada, decidiu ir falar com a cigarra e perguntou-lhe:

- Porque não me podes ajudar cigarra? Eu sei que estás preocupada com a chegada do inverno, tanto como eu, mas tu não fazes nada para modificar isso. Se te preocupas, se é importante para ti; porque não ages? Porque não fazes nada?

A cigarra explicou-lhe que a vida era para ser aproveitada e que o mais importante era fazer a diferença na floresta. Ao cantar, ao dançar e ao falar sobre o inverno com os seus amigos, a cigarra estava convicta que esse era o caminho certo e que teria toda a floresta "aos seus pés".

A formiga não percebia o porquê daquela atitude. Esta não tinha sido a forma como havia sido educada e como tinha crescido. 

 

Um dia, o inverno chegou. A formiga, que já tinha limpo a sua casa e já tinha arranjado comida e bebida, estava descansada e sabia que tudo ia correr "às mil maravilhas". 

A cigarra, que muito falava e cantava; mas que nada fez até então, passou o inverno cheia de frio e com muita fome.

 

Esta é a história da cigarra e da formiga, contada desde que somos pequeninos.

Esta é a história de dois animais; mas poderia ser a história de dois humanos diferentes.

Esta é uma história real. Deixo-vos alguns exemplos do trabalho que as formigas humanas, intituladas de caçadores, vão fazendo na sua casa, a floresta, sem que nada nem ninguém lhes peça (ou pague). Este trabalho, criticado por tantas cigarras, tem feito a diferença na vida de milhares de animais.

Um trabalho feito nos seis meses em que é proibido caçar! Um trabalho feito por caçadores voluntários! Um trabalho cujo objetivo é cuidar, preservar e gerir toda a floresta. Um trabalho que não irá deixar que o inverno acabe com os outros animais! E este é um trabalho real; e não um trabalho de palavras e cantorias! 

ML.

 

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Vão-se buscar sacas de milho para alimentar todos os animais, e fazem-se comedouros e bebedouros...

Fazem searas, limpam e recuperam nascentes e tornam acessíveis à fauna os pontos de água.

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Foto de Filipe Batista Reis.

 

Limpam-se os matos. Apanha-se e retira-se o lixo. 

 

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Arranja-se o que é preciso arranjar...

 

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Foto de Filipe Batista Reis.

Foto de Filipe Batista Reis.

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Plantam-se árvores e ajuda-se o meio ambiente...

 

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Fazem-se eventos, que promovam a natureza, o ar livre, a liberdade e a saúde dos animais; e a solidariedade.

 

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 E retrata-se tudo o que de melhor tem a Natureza... E todos os frutos que tem o nosso trabalho...

 

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Obrigada a todos aqueles que me disponibilizaram as fotografias!

 

Caçadores-coletores do século XXI mostram importância da atividade física

O antropólogo David Raichlen, da Universidade do Arizona, juntamente com os seus colaboradores, Brian Wood (Universidade de Yale) e Herman Pontzer (Hunter College) passaram vários anos a estudar o estilo de vida do hadza, um grupo étnico indígena, que vive junto ao lago Eyasi, no leste de África; e que são uma das poucas populações de caçadores e coletores ainda existentes. 

Estes indígenas têm um estilo de vida muito diferente daquilo a que estamos habituados. Creio que poucos conseguem imaginar o que é viver tal como os nossos antepassados viviam. É isto que se passa com os Hadza. Um estilo de vida sem processados, sem açúcares, farinhas ou hormonas/antibióticos; um estilo de vida muito ativo (há uma prática muito siginificativa de atividade física - bem maior do que o recomendado pelos padrões dos EUA); e um estilo de vida sem tecnologia.

 

"Este estudo teve como objetivo perceber porque é que a atividade física e o exercício melhoram a saúde dos indivíduos; e prentende também perceber como foram os padrões de atividade física durante a evolução da nossa fisiologia. A hipótese geral é que o nosso corpo evolui dentro de um contexto altamente ativo; e isso explica por que a atividade física parece melhorar a saúde física", Raichlen.

O Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA recomenda que as pessoas façam 150 minutos de atividade moderada por semana (cerca de 30 minutos por dia, 5 vezes por semana). No entanto, poucos americanos o fazem. Por outro lado, os Hadza fazem-no em apenas dois dias. E as pesquisas referem outro dado importante: esta população tem um risco extremamente baixo de doença cardíaca.

Raichlen afirma que "eles têm níveis muito baixos de hipertensão. Nos Estados Unidos, a maioria da população com mais de 60 anos tem hipertensão. No Hadza, é de 20 a 25% e, em termos de níveis de lipídios no sangue, praticamente não há provas de que existam níveis que os colocariam em risco para doenças cardiovasculares".

A atividade física não é inteiramente responsável por estes resultados, pois há a componente da alimentação, que é importantíssima.

 

Enquanto outros estudos sobre populações de caçadores e coletores basearam-se em dados observacionais, Raichlen e colaboradores usaram monitores de frequência cardíaca do tórax e rastreadores de GPS para registrar o quão longe e quão rápido as pessoas andam diariamente. Os participantes do estudo colocavam os monitores no início do dia e tiravam-nos à noite aos investigadores, que viveram no meio do Hadza durante o período do estudo.

"Este é o primeiro estudo que analisou a intensidade cardiovascular ao longo do dia, e isso ajudou-nos a perceber um pouco mais sobre os níveis de intensidade cardiovascular", Raichlen. 

 

Embora tenha havido tentativas do governo da Tanzânia e dos missionários estrangeiros para ajudar estes indígenas do Hadza, os esforços foram em vão, pois estes querem continuar com o seu estilo de vida tradicional. Para os antropólogos como Raichlen, trabalhar com a população proporciona uma oportunidade única para aprender sobre um estilo de vida mais semelhante - embora não idêntico - ao dos nossos antepassados.

 

Creio ser de extrema importância este tipo de estudos e, acima de tudo, para nós caçadores do século XXI, é interessante percebermos como viviam os nossos antepassados e todas as vantagens físicas (e também psicológicas) que existem por fazermos o que fazemos (embora numa dimensão diferente).
Caçar faz parte de um modo de vida! Caçar faz bem, quer à saúde, quer à alma!

ML.

 

(Artigo: David A. Raichlen, Herman Pontzer, Jacob A. Harris, Audax Z. P. Mabulla, Frank W. Marlowe, J. Josh Snodgrass, Geeta Eick, J. Colette Berbesque, Amelia Sancilio, Brian M. Wood. Physical activity patterns and biomarkers of cardiovascular disease risk in hunter-gatherers. American Journal of Human Biology, 2016).

 

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 (Foto: Bryan Wood)