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Diário de uma Caçadora

Para entenderem a minha loucura precisam, primeiro, de conhecer a minha paixão. Quero mostrar que a minha paixão é muito mais do que o simples acto de matar... Que a minha paixão é uma forma de estar na vida!

Diário de uma Caçadora

Para entenderem a minha loucura precisam, primeiro, de conhecer a minha paixão. Quero mostrar que a minha paixão é muito mais do que o simples acto de matar... Que a minha paixão é uma forma de estar na vida!

Provas de Santo Huberto na Graciosa

Andei mais ausente porque estive de férias, e era muito difícil conseguir escrever alguma coisa. Contudo, tenho imensas coisas para vos contar, mas hoje venho falar-vos sobre os maravilhosos dias que passei na Graciosa, onde eu e o meu pai fomos convidados a julgar o apuramento dos Açores para o campeonato nacional da CNCP. Pediram-me também para ir fazer uma palestra, para os caçadores e demais que quisessem assistir. De referir que nesta altura, realizam-se as Festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres, o que chama muita gente àquela ilha, aliado também ao facto de estarem muitos emigrantes a passar férias, com as famílias.

 

Lá partimos na Quinta-feira e, chegados à Terceira (às 10 da manhã), depressa nos apercebemos que o avião para a Graciosa estava atrasado e, mais coisa menos coisa, só chegamos à ilha branca às 18:00h. Mas tudo estava lá para nos receber de forma calorosa e ternurenta. Realmente o povo açoriano tem esta particularidade: o saber receber e a simpatia com que tratam as pessoas. Conhecem-te há 5 minutos e já te abrem a porta de casa. São maravilhosos!

 

Depois de instalados (e tão bem instalados) numa casa típica graciosense, fomos jantar às tasquinhas, no centro da cidade, onde se realizam as festas. As lapas e as famosas meloas e melancias não puderam faltar... Em média, devo ter comido duas a três meloas por dia, pois muita coisa é feita de meloa - gelado com meloa, licor de meloa, caipirinha de meloa e para sobremesa: meloa.

 

 

 

Na Sexta feira fomos conhecer (uma vez mais) a ilha branca, classificada pela UNESCO como Reserva Mundial da Biosfera. A designação de ilha branca foi inspirada nas caraterísticas geomorfológicas e nos elementos toponímicos da ilha, com especial destaque para os nomes dados a locais como Pedras Brancas, Serra Branca e Barro Branco.

As paisagens são magníficas e já o ano passado vos falei nisto e mostrei fotografias e, uma vez mais, este ano terei de fazer o mesmo, para ficarem com uma ideia (quem não conhece) do valor paisagístico (e não só) desta pequena ilha, que tem cerca de 4000 habitantes.

 

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Depois de todo este passeio, proporcionado pelo nosso amigo Duarte Nuno, fomos ver a tão tradicional corrida de touros à corda. São centenas de pessoas naquelas pequenas ruas, que correm à frente do touro. São largados 4 touros e, no intervalo de cada, é tempo de se comerem amendoins e pipocas, e de beber qualquer coisa. A casa onde estavamos a ficar era nessa rua e tivemos "vista priviligiada"; se bem que, naquela altura, todas as casas e espaços livres são um bocadinho de todos.

 

 

Depois de toda esta "algazarra", foi tempo de irmos jantar porque, de seguida, iria dar a minha conferência na Biblioteca Municipal. No dia em que me ligaram a pedir para fazer isto, tive de dar um título rápido para colocarem no programa. Nos 2 ou 3 minutos que tive para pensar no melhor tema, surgiu-me "Defender a Caça: Um compromisso!". Creio que, à minha maneira, é aquilo que tenho tentado fazer nestes últimos tempos e, por isso mesmo, decidi falar sobre isso: sobre os ataques que temos sido alvo; sobre o perfil psicológico dos fundamentalistas; sobre a melhor forma de nos defendermos e, também, sobre o que se passou no nosso mundo, neste último ano. A conferência correu muito bem, com uma boa aderência. 

Ainda neste dia, a rádio Antena 1 Açores fez-nos uma entrevista em direto, onde tentaram perceber um bocadinho este mundo da caça e das provas de Santo Huberto.

 

 

No Sábado, logo de manhã, começamos as Provas de Santo Huberto, para apurarmos os três concorrentes açorianos que irão disputar a final do Campeonato Nacional, no Cadaval.

As Provas decorreram em terrenos de pastagem verde, típicos dos Açores. O tempo ajudou, não estava muito calor e o vento estava constante.

Presentes 12 concorrentes, sendo que dois eram da ilha Terceira e um da ilha de São Miguel, foram divididos em duas séries de 6 concorrentes, uma julgada por mim e outra pelo meu pai. 

As provas decorreram de forma tranquila e todos os concorrentes tiveram oportunidade, e destaco aqui o excelente comportamento das perdizes. Foram momentos de aprendizagem e partilha de conhecimentos. Vi cães muito engraçados e todos com as suas potencialidades. Na maioria, os cães apresentados pelos concorrentes eram da raça braco alemão.

Tive ainda o prazer de ter como postor o António, que é uma pessoa fantástica. Além disso, a sua mulher e o seu filho Martim vão sempre fazer-nos uma visita e acompanhar-nos na prova.

Neste dia, depois da prova e do intervalo para comer meloas, demos os resultados - em 1º lugar na minha série ficou o Ricardo Rodrigues e em 1º lugar na série do meu pai ficou o Pedro Araújo.

 

À tarde, tivemos oportunidade de ir à corrida na praça mais bonita do nosso país: a praça de toiros da Graciosa. Os açorianos vivem de forma muito fervosa este acontecimento na ilha. Deixo-vos as imagens.

 

No Domingo, começamos a manhã com muito nevoeiro e mau tempo. Chegados à Serra Branca (local onde se realizavam as provas), não víamos nada e, por esse motivo, decidiu-se que íriamos para outros terrenos: Terra-do-Conde. Terrenos mais curtos e mais rasteiros mas, ainda assim, todos os concorrentes tiveram oportunidades.

Neste dia, os juízes trocaram de conjuntos e as provas decorreram dentro da normalidade. Tivemos ainda a participação da comunicação social: a RTP Açores foi filmar as provas para, posteriormente, fazerem uma peça sobre as Provas de Santo Huberto na Ilha da Graciosa.

 

Na minha série, o José Luis ficou em primeiro lugar e na série do meu pai foi o Ricardo Rodrigues. Neste dia, fez-se ainda uma barrage com os 4 melhores conjuntos dos dois dias; onde iríamos apurar os três "melhores". Coloco a palavra melhores entre aspas, porque como sabemos, é sempre relativo; há uma série de fatores determinantes nas Provas de Santo Huberto, sendo um deles a sorte.

 

Foram à barrage o José Luis, o Pedro Araújo, o Ricardo Rodrigues e o Luís Silveira.

Depois de julgarmos a barrage, fomos almoçar e passar a tarde na praia, que é maravilhosa. Mas o tempo é inconstante, quando cheguei à praia estava um sol radioso e cinco minutos depois começou a chover. Isto retrata na perfeição o arquipélago dos Açores.

 

À noite, tivemos um jantar de entrega de prémios na Associação dos Cinegeticófilos da Ilha Branca, onde nos foi servida uma maravilhosa caldeirada. A RTP Açores esteve presente, assim como o Presidente da Câmara Municipal, que muito tem ajudado e contribuido para que este evento seja um sucesso.

Depois dos agradecimentos feitos e do Sr. Presidente falar; foi hora de darmos os resultados:

Foto de Mário Salgado.

 

1) Pedro Araújo, BAM

2) Ricardo Rodrigues, com BAM

3) José Luis, com BAM

4) Luís Silveira, com EBF

 

Foto de Mário Salgado.

 

Eu e o meu pai fomos entrevistados para a RTP Açores, explicando o conceito e importância das Provas de Santo Huberto. Entrevistaram também o Presidente da Associação de Caçadores, o Sr. José Nascimento e o vencedor, o Pedro Araújo. 

 

Foto de Mário Salgado.

Foto de Mário Salgado.

Foto de Diário de uma Caçadora.

 

Deixo-vos aqui o link da reportagem que passou: 

http://www.rtp.pt/acores/graciosa-online/parceiros-de-sucesso-vdeo-_54900

 

Deixem-me também contar-vos que tivemos oportunidade de ir caçar com os cães do Duarte Nuno e foi simplesmente fantástico. Desde a envolvência da ilha, as paisagens, os terrenos, até à paixão dos cães, tudo foi indiscritivel.Obrigada ao Dr. Gualter Furtado e ao Celestino, pela companhia nesta manhã.

 

 

 

Obrigada a todos vocês por nos receberem tão bem. Um especial obrigada ao Sr. Nascimento, ao Duarte Nuno e ao Pedro Araújo por toda a companhia e disponibilidade.

Foi simplesmente fantástico e a vossa ilha é simplesmente maravilhosa.

Parabéns a todos e obrigada a todos!

ML.

 

Foto de Mário Salgado.

 

 

Portugal e Espanha unem-se na gestão dos parques naturais de Xurés e Gerês

Espanha e Portugal chegaram a um acordo para gerir conjuntamente os parques naturais de Xurés (Galiza) e Gerês (Portugal). 

Segundo a notícia publicada na "La Voz de Galizia", esta é uma medida pioneira na Europa, com a criação do primeiro parque internacional entre fronteiras.

Esta decisão política e técnica, levará a uma gestão de 93.000 hectares destas áreas protegidas, entre Ourense e o norte de Portugal.

Contudo, há alguma polémica envolta nesta notícia. Se por um lado, é um facto que esta medida é muito importante na prevenção de incêndios em ambos os lados da fronteira, e na proteção da fauna e flora; por outro, há uma proposta que não é do agrado de todos - a reintrodução da cabra montês em território português.

Tal como aconteceu com a introdução da espécie em território francês, o setor turístico e cinegético espanhol não aceitou de bom agrado esta decisão, alegando que desta forma esta espécie deixará de estar exclusivamente em território espanhol. Muitos caçadores estrangeiros iam a Espanha exclusivamente para caçar este animal e, desta forma, poderão existir algumas modificações no turismo cinegético espanhol.

 

(Notícia retirada do site Jara Y Sedal, 08 Agosto 2017)

 

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Cuidados a ter com os cães antes do início da época

A época de caça está a começar! Muitos caçadores só caçam e só se sentem bem a caçar com os seus companheiros: os cães.
Sejam cães de parar, os chamados "cães coelheiros" ou os cães de matilha... É necessário prepará-los para o que aí vem. Como? O que se deve fazer?
Aqui ficam algumas dicas.
 
Quando falamos nos cães dos caçadores, muitas pessoas têm uma ideia completamente errónea da realidade. Pensam que são cães que estão presos à corrente, que só saem quando é época de caça e que comem uma vez por semana. Nada mais errado. Como já vos mostrei há algum tempo neste post, os caçadores tratam de forma exímia os seus cães, considerando-os como um membro da família. 
 
Portanto, cuidar destes cães de caça requer um trabalho diário. Todos os dias, durante um ano inteiro, há que tratar, cuidar, mimar, treinar e preservar aquilo que temos de melhor: os nossos cães.
 
Durante a época de caça, a forma como tratamos dos cães é diferente - para além da altura do ano, em que está mais frio, os cães têm mais desgaste físico e, normalmente, há um reforço alimentar (por exemplo, carne com arroz), de forma a fornecer mais energia e mais proteína para os cães. São cães que estão altamente treinados e que têm uma condição física peculiar.
 
Quando termina a época de caça, e quando chegam os meses mais quentes, estes cães reduzem significativamente a sua atividade física, principalmente porque as condições metereológicas assim o ditam.
 
Nesta altura, os cuidados são igualmente importantes, contudo é provável que o cão tenha tendência para engordar e para ficar "em baixo de forma". E obviamente isso irá ser notório no início da época de caça.
 
Então o que deve ser feito?
 
1) ALIMENTAÇÃO - É muito importante ter cuidado com a alimentação, adotando uma dieta hipocalórica - por exemplo, reduzir a quantidade de comida ou escolher uma ração menos rica em termos nutricionais.
Atenção: nunca sair com o cão depois deste comer, pois pode provocar uma torção de estômago (o estômago torce-se sobre si mesmo formando um nó) e, se o animal não for socorrido, pode morrer entre 6 a 12 horas.
 
2) DESPARASITAÇÃO - É fulcral que desparasite os seus cães, pois é um dos principais cuidados básicos de saúde a ter com eles. A desparasitação consiste na eliminação de parasitas presentes no organismo do animal; seja interna (endoparasitas - parasitas intestinais, pulmonares e urinários); ou externa (ectoparasitas - pulgas, carraças, moscas, ácaros). Ao desparasitar o seu cão está automaticamente a melhorar a sua qualidade de vida e a aumentar a resistência a problemas de saúde que, eventualmente, podem aparecer.
 
3) TREINO - Claro que o treino é uma das ferramentas básicas para que possamos usurfruir das competências do nosso cão, durante o ano inteiro. Nesta altura, em que o cão esteve um período de tempo parado ou com menos "ritmo de trabalho", é muito importante que se comece a sair com os cães, pouco a pouco.
Levá-los ao campo, logo de manhã (atenção ao calor), deixá-los correr livremente, tentar que vejam algumas peças de caça (se possível caça brava), é deveras importante. 
Ao treiná-los nesta altura, é essencial que se tenha especial atenção ao treino de obediência. Re-lembrar ou voltar a ensinar tudo aquilo que havia sido aprendido, pois esse é o primeiro passo parater um cão obediente e que cace para si - por exemplo, sentar-se, obedecer à palavra "Não"; vir ao nome; cobrar à ordem; andar a trela, entre outros.
 
4) CACHORROS - Se vai iniciar a época de caça com um cachorro, é fulcral ter dois aspetos em conta: habituar o cão a andar de carro (atenção às más disposições, ao barulho e ao controlo dos esfíncteres) e habituar o cachorro aos tiros. Comece por dar pequenos passeios de carro com o cachorro. Como recompensa, leve-o ao campo, deixe-o correr, deixe-o descobrir a sua paixão - ele acabará por associar o andar de carro com o acto de caçar.
Relativamente aos tiros, comece por fazer alguns barulhos mais bruscos e depois experimente dar um tiro com o pistolete, para ver a reação do cachorro. Se for destemido, poderá continuar no processo de adaptação aos tiros. Se revelar alguma timidez, deverá ter especial atenção.
É muito importante que o cachorro tenha um processo de sociabilização adequado - leve-o a passear à rua, a ver pessoas, a brincar com outros cães e/ou crianças; a ouvir vários barulhos... Tudo isso é fundamental para o caráter do seu cão.
 
5) CUIDADO COM O TEMPO - No início, não sacrifique muito o seu cão. Ele não está habituado a aguentar muitas horas de exercício físico e, ainda com a agravante do tempo quente. Vá saindo, pouco a pouco, com os cães, principalmente no período entre as 07:00 e as 09:00h. Leve sempre consigo água e açúcar.Sim, açúcar. Várias são as vezes em que os cães podem sentir-se mal, com quebras, e o açúcar poderá ajudar. Sabemos que os nossos cães gostam de dar tudo por tudo, e com a ânsia e a paixão com que saem no início, sem estar habituados, poderá levar a estados de exaustão. E mais vale prevenir que remediar...
 
6) CICLOS DAS CARRAÇAS E PRAGANAS - Este ano houve muitas carraças e praganas, nomeadamente, no ciclo da primavera (março, abril e maio). Como o tempo ainda está quente e como as alterações climáticas sãobem visíveis, este ciclo pode ainda continuar. E, portanto, tenham em atenção, depois dos cães correrem e caçarem, a estes parasitas. Antes de prender os cães no carro, analisem-nos, para ver se está tudo bem.

 

Bom início de época! 

ML.

 

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