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Diário de uma Caçadora

Para entenderem a minha loucura precisam, primeiro, de conhecer a minha paixão. Quero mostrar que a minha paixão é muito mais do que o simples acto de matar... Que a minha paixão é uma forma de estar na vida!

Diário de uma Caçadora

Para entenderem a minha loucura precisam, primeiro, de conhecer a minha paixão. Quero mostrar que a minha paixão é muito mais do que o simples acto de matar... Que a minha paixão é uma forma de estar na vida!

A Caça salva espécies - o exemplo do Tajiquistão!

No início dos anos 80, no Paquistão, um grupo de líderes tribais mostrou muita preocupação devido ao desaparecimento de grandes espécies selvagens, como por exemplo o suleiman markhor. Tal como no Tajiquistão, a caça descontrolada para a obtenção de carne era a principal ameaça à espécie.

Então a comunidade decidiu criar um plano de conservação, baseado numa simples premissa: para não acabarem com a caça, iriam criar empregos de guardas de caça, que iriam evitar a caça furtiva. O financiamento viria da caça limitada de troféus, pagos por estrangeiros. Além da criação de novos empregos, a maior parte da carne seria entregue às aldeias locais. E o dinheiro que restasse seria investido na própria comunidade.

O Projeto de Conservação Torghar foi um sucesso: houve um declínio drástico da caça ilegal e um aumento substantivo das espécies de suleiman markhor - houve um aumento de menos de 100 animais para uma estimativa de 3.500.


Muitas das comunidades tajiquitas quiseram replicar este projeto, com outras espécies. Com o apoio inicial da Agência Alemã de Desenvolvimento (GIZ), houve uma aprendizagem na monitorização e proteção de suleiman markhor, juntamente com outros grandes herbívoros da região, como o ibex siberiano e o carneiro da montanha.

 

E outro dos projetos bem sucedidos, que veio na sequência do sucesso destes anteriores, foi com o leopardo das neves. O grupo internacional de conservação da Pantera Big-Cat, desenvolveu o seu próprio trabalho de conservação no Tajiquistão.

 

Mas porque é que, em vez de caçar, não criam um parque nacional para proteger a fauna do Tajiquistão?

O principal motivo é que a proteção legal sobre uma paisagem só funciona quando há recursos suficientes para monitorizar e proteger os animais selvagens. E essa é uma medida muito difícil, senão impossível, para uma comunidade tão pobre como o Tajiquistão. E, além disso, proibir a caça nestes países pode levar a que as comunidades intensifiquem a caça furtiva e que as espécies diminuam, ao invés do contrário.

 

No fundo, a chave do sucesso é somente uma: que as comunidades conectem os benefícios da vida com a conservação das espécies. Não basta usar somente as receitas da caça para construir um hospital ou uma escola, ou para criar uma bolsa de estudos. As pessoas têm de perceber o vínculo direto entre a conservação da vida selvagem e esses benefícios.

O ano passado, permitiu-se que se caçassem três suleiman markhor e, desta forma, conseguiu-se proteger os quase 550, além dos 10 leopardos da neve (que deixaram de estar em vias de extinção, graças ao projeto de caça); ao mesmo tempo que tornavam a vida quotidiana mais fácil para a comunidade.

"Se há 30 anos, houvesse a oportunidade para caçar leopardos e tigres persas, ainda teríamos leopardos e tigres", diz Davlatkhon Mulloyorov, um velho homem de 70 anos, que vive numa aldeia do Tajiquistão.

 

Mas este não é um lugar para a maioria dos turistas. Apesar das paisagens deslumbrantes e das pessoas amigáveis ​​e acolhedoras, o terreno é difícil, o clima é extremo e o ar é pesado. As infra-estrutura tradicionais são inexistentes. Não há um hotel sofisticado à vista, para não falar da qualidade da água e da falta da luz. Encontrar um restaurante significa que teremos de conduzir algumas horas e, no inverno, arriscar a ficarmos presos numa avalanche. E, portanto, apenas os caçadores com possibilidades monetárias são a esperança para a sobrevivência dos animais selvagens em perigo, tendo em conta a dura realidade da vida nestas zonas.

 

 

E não se trata apenas de economia para as comunidades rurais do Tajiquistão. A caça ao troféu também é vista como um meio de incentivar o retorno a uma relação mais antiga e mais sustentável entre as pessoas e a vida selvagem.

"Durante largos tempos, a caça apoiava uma aldeia inteira", disse Munavvar Alidodov, um biólogo de campo. "Há regras muito rígidas: não disparar em fêmeas prenhes, não atirar durante as rotinas dos animais e apontar apenas a machos mais velhos". 

O ano passado, o dinheiro que restou destes projetos ajudou a comprar livros e uniformes escolares e a pagar os salários dos professores. Até água limpa e fresca começou a chegar à aldeia, com a construção de um novo tubo de água. E isso só se fez devido ao dinheiro que foi gerado com a caça. 


 "As pessoas que ameçam e humilham os caçadores através das redes sociais, não percebem o quanto eles fazem para a conservação das espécies",diz Campbell, um famoso médico, que estuda todas estas temáticas do Tajiquistão. E acrescenta, "Quem fez mais pela conservação? Não há comparação".

 

É verdade; não há mesmo comparação... Um dia pode ser que percebam!

ML.

 

 

 

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