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Diário de uma Caçadora

Para entenderem a minha loucura precisam, primeiro, de conhecer a minha paixão. Quero mostrar que a minha paixão é muito mais do que o simples acto de matar... Que a minha paixão é uma forma de estar na vida!

Diário de uma Caçadora

Para entenderem a minha loucura precisam, primeiro, de conhecer a minha paixão. Quero mostrar que a minha paixão é muito mais do que o simples acto de matar... Que a minha paixão é uma forma de estar na vida!

A história da possível amizade entre um lobo e uma ovelha

Numa cidade ainda pouco habitada, num sítio frio e chuvoso, havia uma pequena floresta, que tinha muitas árvores, muitas plantas e muitos animais. Todos viviam em liberdade, nessa tal floresta fria e húmida. E havia um lobo... Aliás, havia várias alcateias; contudo, havia um lobo que se destacava. Era um lobo alfa, que fazia tudo aquilo que queria. A alcateia tentava segui-lo em todas as suas aventuras; mas por vezes tornava-se difícil.

 

Esse lobo era grande, forte e perigoso. Pelo menos, era o que diziam os habitantes da cidade ainda pouco habitada, que tinham rebanhos de ovelhas. Durante a noite, o lobo atacava sempre uma ou duas ovelhas, para comer. Por mais abrigadas ou escondidas que estivessem, este lobo audaz conseguia sempre aquilo que queria. E ele tinha alimento na floresta fria e húmida, tal como javalis, veados, gamos. Mas o lobo preferia sempre as ovelhas... 

 

Um certo dia, o lobo andava a passear nessa tal floresta fria e húmida. Era Inverno e chovia torrencialmente. A alcateia refugiara-se numa toca de pedras e silvas; mas o lobo teimoso quis ir passear. E qual não é o seu espanto quando encontra uma ovelha no meio da floresta. Uma das ovelhas daqueles rebanhos que ele gostava de atacar. O pensamento imediato deste lobo foi "tenho que a matar"; mas, pelo sim pelo não, e como era muito curioso, decidiu averiguar a situação:

- O que estás aqui a fazer?

- Por favor não me faças mal, Lobo. Eu estou perdida e preciso de ajuda para voltar para casa.

- E achas que sou eu que te vou ajudar, pequena Ovelha?

- Eu sei que não, mas por favor não me comas.

O lobo pensou. Andava à volta da ovelha, que era um ser insignificante, naquele momento. Pensou e voltou a pensar. Até que decidiu fazer uma proposta à ovelha:

- Eu levo-te a casa, mas para isso tens de passar uma semana connosco. Às vezes é mais difícil atacarmo-vos, porque estão bem escondidas e quando assim é ficamos com fome. Portanto, se esta semana eu tiver fome como-te. Caso contrário, levar-te-ei a casa.

A ovelha não tinha outra solução senão aceitar este "pedido" do lobo. E assim foi! A alcateia ficou desconfortável com esta ideia, pois a tentação era muita; mas como o lobo alfa detinha todo o poder, aceitaram também esta decisão.

Os dias foram passando e o lobo e a ovelha tornaram-se amigos; senão, grandes amigos. Faziam tudo juntos, riam juntos, brincavam, passeavam e imaginem... o lobo até ensinou a ovelha a caçar; mas ela tinha tanto medo que nunca conseguiu ser bem sucedida. Mas não havia problema, pois ele caçava para ela. Nessa semana o lobo só atacou um rebanho uma única vez. Os outros dias ia comendo coelhos, veados e gamos. E partilhava sempre com a sua nova amiga ovelha.

 

Mas houve um dia em que tudo mudou! Os humanos entraram em guerra e aquela pequena cidade ainda pouco habitada, e até a floresta húmida e fria, foram completamente devastadas. Toda a população morreu e todos os animais e plantas também. Mas o lobo e a ovelha conseguiram-se salvar. Como? Ninguém sabe; mas a verdade é que este lobo era mesmo diferente dos outros e talvez tivesse um poder mágico, caso esta história fosse uma história de encantar, em que todos vivessem felizes para sempre. Mas isso não aconteceu; todos morreram, menos o lobo e a ovelha.

 

Eles, que se tinham tornado nos melhores amigos, viram as suas vidas ficarem abaladas com este acontecimento e decidiram averiguar tudo o que estava a acontecer; no entanto, apenas viam destroços e nada mais.

Andaram assim uns dias; tristes, cansados e desiludidos com o mundo que, em segundos, pode realmente mudar.

A fome apertava. Não tinham nada para comer. Não tinham nada para caçar. Até que um dia o lobo, que já mal se levantava, foi ter com a ovelha.

Olhou-a olhos nos olhos e disse:

- Desculpa, és a minha melhor amiga e talvez a melhor coisa que me aconteceu nos últimos tempos, por isso te salvei quando se deu esta tragédia. Mas agora tenho fome e preciso de comer e tu és a única coisa que tenho para comer. Podes ser a minha melhor amiga, mas acima de tudo isso eu sou um animal; um predador e não tenho esse tipo de sentimentos e emoções como têm os seres humanos. Porque serei sempre um animal e quero ser tratado como tal; assim como um humano será sempre um humano e uma planta, será sempre uma planta.

E o lobo comeu a ovelha!

ML.