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Diário de uma Caçadora

Para entenderem a minha loucura precisam, primeiro, de conhecer a minha paixão. Quero mostrar que a minha paixão é muito mais do que o simples acto de matar... Que a minha paixão é uma forma de estar na vida!

Diário de uma Caçadora

Para entenderem a minha loucura precisam, primeiro, de conhecer a minha paixão. Quero mostrar que a minha paixão é muito mais do que o simples acto de matar... Que a minha paixão é uma forma de estar na vida!

"A minha filha odeia-me por eu não ser vegan"

Vi hoje esta notícia no site espanhol Jara Y Sedal e resolvi partilhar connvosco, pois cada vez mais penso que estamos num mundo de verdadeiros loucos.

Esta carta que vão ler de seguida, foi publicada pelo diário britânico "The Guardian", e a autora é uma mãe desesperada e triste, que se dirige à filha, uma vegan, mas uma vegan muito fundamentalista. Leiam e vejam como está a ficar este nosso mundo...

 

"Uma carta à minha filha, que me odeia por eu não ser vegan"

 

Quando me disseste que querias ser vegan, fiquei muito preocupada. Sempre gostaste muito de comer e, desde logo, temi que não conseguisses os nutrientes necessários, fazendo uma dieta tão limitada. Mas tu eras maior de idade, e esta tinha sido a tua decisão. Além disso, como começaste a comer mais frutas e vegetais, e tentavas incluir os alimentos e os suplementos corretos, eu fiquei mais tranquila.

Dizias que a tua motivação era o bem estar animal e os estragos ambientais provenientes da agricultura. É justo.

Com um filho mais pequeno, e um emprego a tempo inteiro, achava que era uma loucura encontrar receitas e cozinhá-las para ti, mas ainda assim aceitei. E quando saiste de casa para ir para a Faculdade, deixei o teu carro cheio de sopa caseira vegan, para levares para o teu frigorífico.

 

Mas não é o suficiente para ti. Como já me explicaste muitas vezes, para ti, o ser vegan não é apenas o que se come, mas sim um estilo de vida. Viste todos os documentários vegan, leste imensa informação na internet e consegues dizer palavra por palavra o que aprendeste. Tornaste-te uma apaixonada por esta causa, ao ponto de a transformares num dogma.

Não toleras nenhuma opinião contrária à tua. Basicamente, não vais respeitar ninguém que não queira ser como tu, vegan. E eu sou uma dessas pessoas.

Entendo alguns dos teus argumentos, e até fiz algumas alterações na minha alimentação, depois de me teres contado acerca dos animais das indústrias alimentares. Mas, como mulher de meia idade, as minhas escolhas de vida começam a ser cada vez mais reduzidas. E não tenho intenções de cortar ainda com mais opções, para me tornar vegan. Mas aos teus olhos, eu sou apenas egoísta.

 

Quando nos vemos, levo-te a restaurantes vegans e aceito comer o que há na ementa. Muitas vezes, envio-te receitas vegans e compro-te chocolate vegan no supermercado. Sei que aprecias estes meus esforços, mas também sei que ficam sempre aquém das tuas expetativas.

 

Deixei de tentar explicar-te as minhas razões para não ser vegan, como tu, porque acabamos sempre a discutir e chateadas uma com a outra.

Tudo isto é uma contradição para mim, porque eduquei-te para seres uma mulher forte, poderosa e com compaixão. Esperava que fosses uma apaixonada por aquilo que fizesses. Ensinei-te que a tolerância é fulcral, mas há limites, e certos comportamentos não podem ser tolerados. Então talvez entenda a tua atitude, em parte.

 

Não consigo descrever o quão difícil é viver sabendo que a minha própria filha sente repugnância em relação a mim. É muito importante para mim sentir-me digna do teu respeito.

Espero que com o tempo e a maturidade, o teu dogma dê lugar a uma atitude mais aberta e tolerável. Mas o meu maior medo é que enquanto ganhas maturidade na tua forma de falar e ser vegan, a tua repulsa em relação a mim permaneça intacta e não mude.

E então terei de viver sempre com isso".

 

(Jara Y Sedal, 14/03/2017)

 

Se nem a própria mãe ela aceita, imagino como será a sua reação perante o resto do mundo que decidiu que ser vegan não é a sua escolha de vida. Todos somos diferentes e todos temos direitos às nossas escolhas; ou não é nessa democracia que vivemos? Pelo menos nesse ideal democrático, porque na realidade, talvez as coisas não sejam bem assim também... Mas isso são outros "quinhentos"...

ML.