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Diário de uma Caçadora

Diário de uma Caçadora

(Ainda) Posso pedir um bife com batatas fritas?

Combinamos ir jantar fora. Às 20:30 estávamos todos no restaurante, sentamo-nos e o funcionário trouxe-nos a ementa. Havia a secção de pratos de carne e a secção de pratos de peixe. 

Olhei à minha volta. Todas as mesas estavam ocupadas e, quase todas as pessoas estavam já a deliciar-se com aquilo que tinham escolhido. A maior parte comia bife na pedra. Aqueles nacos de carne de vaca, que muitos o comem quase em sangue. 

Este era o cenário que por ali se ia vivendo. Os meus amigos começaram a falar sobre aquilo que iriam pedir - uns queriam aqueles nacos, outros preferiam frango, para manter a silhueta, e ninguém decidiu optar por peixe. Fizemos o pedido ao funcionário que, alegremente, se dirigiu à cozinha.

 

E é então que começo com os meus pensamentos, que freneticamente me levam a uma questão: "Porque é que é permitido, socialmente, comer carne; sem julgamentos ou ameaças; e não é permitido, socialmente também, por algumas pessoas, caçar-se?"

 

Cada um come aquilo que quer... Será isto verdade? Vamos supor que sim... Pelo menos, sempre que vamos a um restaurante, a casa de amigos ou a festas, há pratos de carne e/ou peixe. E quem quer come, quem não quer não come...

E quem come, não é maltratado por isso, ou é?

Quem come carne, nos dias de hoje, ainda tem a hipótese de a comer livremente, sem ameaças ou discriminações tolas, ou não?

 

Sim, claro que sim. Carne ao almoço, caracóis ao lanche e sapateiras ao jantar... E tudo isto implica a morte de milhares de animais. Mas é assim a vida; é assim a lei da natureza, é assim que evoluímos. 

Mas para comermos essa carne ou esse peixe, onde vamos adquiri-lo? Aos talhos, às peixarias ou aos supermercados, certo? Mas essa carne e esse peixe, que são colocados naquelas embalagens giras e que nos aliciam à compra das mesmas, eram animais, outrora, certo?

Animais que tiveram de morrer, estou certa?

 

Então se um mais um é igual a dois; neste caso, também não deverá fugir muito desta lógica. A pessoa que compra a carne ou o peixe, no fundo, "matou" um animal, para o comer... Obviamente que não foi ela que o matou, no sentido real da palavra, mas se ela não o comprasse, o animal não seria morto. Ou estou errada? Certamente se isso acontecesse, nem deveria existir este animal, mas isto são outros “ses”...

 

A pessoa que compra carne e/ou peixe no supermercado, sabe que esses animais foram mortos por alguém, calculo.

Então porque é que essa mesma pessoa me condena a mim, caçadora, por caçar o meu animal e comê-lo? Porque é que eu sou julgada e ela, que faz exatamente o que eu faço (só não dispara o gatilho), não o é? Porque é que eu sou ameaçada, porque caço carne para comer; e esta pessoa é aplaudida, porque fez uns bifes de peru deliciosos? E ainda os fotografa... Fotografa animais mortos, que crueldade! Mas neste caso, não o é...

 

Que sociedade é esta, afinal de contas? Porque é que se armam em "bons samaritanos" e defensores dos animais se, na hora da verdade, os matam e se deliciam a comê-los?

 

Nada contra... Aliás, eu gosto de carne e não quero deixar de a comer. Ainda tenho esse direito. Como todos os milhões de pessoas que o fazem…

Mas a questão primordial é que eu prefiro caçar; do que ir ao talho buscar a carne de um animal que viveu em condições horríveis e sofreu ainda mais quando teve de morrer. É a minha escolha. Porque ainda o posso fazer. E porque ainda tenho o direito a comer carne sem ser julgada e ameaçada.

 

E nisto o funcionário traz-me o meu bife com batatas fritas. Comi-o, assim como todos os outros que ali estavam. Deliciamo-nos, conversamos, brincamos e vivemos a vida, sem julgamentos, sem ódio e sem maldade.

ML.

 

bife_batata_frita.png

(Imagem retirada do site: http://www.jandira.com)

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