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Diário de uma Caçadora

Para entenderem a minha loucura precisam, primeiro, de conhecer a minha paixão. Quero mostrar que a minha paixão é muito mais do que o simples acto de matar... Que a minha paixão é uma forma de estar na vida!

Diário de uma Caçadora

Para entenderem a minha loucura precisam, primeiro, de conhecer a minha paixão. Quero mostrar que a minha paixão é muito mais do que o simples acto de matar... Que a minha paixão é uma forma de estar na vida!

Caçadores-coletores do século XXI mostram importância da atividade física

O antropólogo David Raichlen, da Universidade do Arizona, juntamente com os seus colaboradores, Brian Wood (Universidade de Yale) e Herman Pontzer (Hunter College) passaram vários anos a estudar o estilo de vida do hadza, um grupo étnico indígena, que vive junto ao lago Eyasi, no leste de África; e que são uma das poucas populações de caçadores e coletores ainda existentes. 

Estes indígenas têm um estilo de vida muito diferente daquilo a que estamos habituados. Creio que poucos conseguem imaginar o que é viver tal como os nossos antepassados viviam. É isto que se passa com os Hadza. Um estilo de vida sem processados, sem açúcares, farinhas ou hormonas/antibióticos; um estilo de vida muito ativo (há uma prática muito siginificativa de atividade física - bem maior do que o recomendado pelos padrões dos EUA); e um estilo de vida sem tecnologia.

 

"Este estudo teve como objetivo perceber porque é que a atividade física e o exercício melhoram a saúde dos indivíduos; e prentende também perceber como foram os padrões de atividade física durante a evolução da nossa fisiologia. A hipótese geral é que o nosso corpo evolui dentro de um contexto altamente ativo; e isso explica por que a atividade física parece melhorar a saúde física", Raichlen.

O Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA recomenda que as pessoas façam 150 minutos de atividade moderada por semana (cerca de 30 minutos por dia, 5 vezes por semana). No entanto, poucos americanos o fazem. Por outro lado, os Hadza fazem-no em apenas dois dias. E as pesquisas referem outro dado importante: esta população tem um risco extremamente baixo de doença cardíaca.

Raichlen afirma que "eles têm níveis muito baixos de hipertensão. Nos Estados Unidos, a maioria da população com mais de 60 anos tem hipertensão. No Hadza, é de 20 a 25% e, em termos de níveis de lipídios no sangue, praticamente não há provas de que existam níveis que os colocariam em risco para doenças cardiovasculares".

A atividade física não é inteiramente responsável por estes resultados, pois há a componente da alimentação, que é importantíssima.

 

Enquanto outros estudos sobre populações de caçadores e coletores basearam-se em dados observacionais, Raichlen e colaboradores usaram monitores de frequência cardíaca do tórax e rastreadores de GPS para registrar o quão longe e quão rápido as pessoas andam diariamente. Os participantes do estudo colocavam os monitores no início do dia e tiravam-nos à noite aos investigadores, que viveram no meio do Hadza durante o período do estudo.

"Este é o primeiro estudo que analisou a intensidade cardiovascular ao longo do dia, e isso ajudou-nos a perceber um pouco mais sobre os níveis de intensidade cardiovascular", Raichlen. 

 

Embora tenha havido tentativas do governo da Tanzânia e dos missionários estrangeiros para ajudar estes indígenas do Hadza, os esforços foram em vão, pois estes querem continuar com o seu estilo de vida tradicional. Para os antropólogos como Raichlen, trabalhar com a população proporciona uma oportunidade única para aprender sobre um estilo de vida mais semelhante - embora não idêntico - ao dos nossos antepassados.

 

Creio ser de extrema importância este tipo de estudos e, acima de tudo, para nós caçadores do século XXI, é interessante percebermos como viviam os nossos antepassados e todas as vantagens físicas (e também psicológicas) que existem por fazermos o que fazemos (embora numa dimensão diferente).
Caçar faz parte de um modo de vida! Caçar faz bem, quer à saúde, quer à alma!

ML.

 

(Artigo: David A. Raichlen, Herman Pontzer, Jacob A. Harris, Audax Z. P. Mabulla, Frank W. Marlowe, J. Josh Snodgrass, Geeta Eick, J. Colette Berbesque, Amelia Sancilio, Brian M. Wood. Physical activity patterns and biomarkers of cardiovascular disease risk in hunter-gatherers. American Journal of Human Biology, 2016).

 

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 (Foto: Bryan Wood)