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Diário de uma Caçadora

Para entenderem a minha loucura precisam, primeiro, de conhecer a minha paixão. Quero mostrar que a minha paixão é muito mais do que o simples acto de matar... Que a minha paixão é uma forma de estar na vida!

Diário de uma Caçadora

Para entenderem a minha loucura precisam, primeiro, de conhecer a minha paixão. Quero mostrar que a minha paixão é muito mais do que o simples acto de matar... Que a minha paixão é uma forma de estar na vida!

Caçar com arma de fogo ou caçar com máquina fotográfica?

"Se tens tanto amor pelos animais porque caças com uma arma de fogo, ao invés de caçares com uma máquina fotográfica?" 

Fizeram-me ontem esta questão... Achei-a magnífica e com um toque poético, digamos assim. Prometi que iria responder da melhor forma que conseguisse e aqui vai:

Não caço só com arma de fogo... Caço com muito mais... Diria até que a arma de fogo é a minha última instância na caça, pois é o último objeto de que me lembro e de que me sirvo. Antes disso caço com tanta coisa...

Caço com umas botas de borracha boas e fortes, para quando os meus cães estiverem parados com uma peça de caça eu correr com todas as forças até eles...

Caço com as memórias dos meus avôs... Usando roupas velhas de um, assim como a sua calibre 12, e com os botins do outro...

Caço com um apito... Para nunca perder os meus cães, quando estes estão mais entusiasmados com alguma peça de caça...

Caço com uma garrafa de água... Para quando os meus cães não tiverem onde beber água (porque, por exemplo, os terrenos não têm barragens ou estão muito secos) poderem hidratar-se...

Caço com uma aspirina e um pacote de açúcar... Nunca se sabe quando os cães podem ter algum ataque (e já me aconteceu algumas vezes)...

Caço com os meus documentos... Porque sou legal!

Caço com uma máquina fotográfica... Para registar tudo o que de mais belo tem a nossa natureza...

Caço com o meu coração, a minha cabeça, a minha alma e o meu espírito... Porque só assim consigo sentir coisas que muita gente não consegue...

Por fim... Caço com a minha arma de fogo... E para quê? E porquê? Nem sempre o meu objetivo primordial é matar caça... Não preciso de levar a arma para me sentir feliz... Mas... Eu mato animais para comer! "Sim, a desculpa de sempre". Não, não é. Não compro carne há anos. Porque me faz tanta confusão comprar carne de animais que estão "enjaulados" sem se conseguirem mexer... Que são sujeitos a hormonas e antibióticos para crescerem rapidamente... Que não têm a liberdade de viver como gostariam... Acredito que se todos nós lhes perguntassemos se eles preferiam viver num matadouro ou viverem na natureza e serem mortos por caçadores a resposta seria bem explícita e simples. 

Porque, no fundo, todos temos de morrer. Senão vejamos três pontos que acho fundamentais para percebermos a essência do que é a caça:

 

1) A espécie humana desenvolveu-se e foi-se adaptando ao meio ambiente devido à caça e à pesca... Sem a proteína animal talvez não tivessemos conseguido sobreviver e, portanto, a caça começa desde logo a ter uma importância total na sobrevivência e na continuidade da espécie humana (e de outras espécies, claro). Acabava a caça e, quiçá, tinha acabado a espécie humana...

 

2) O Homem dos dias de hoje, um ser inteligente e adaptado ao mundo real, deve reequilibrar, através de uma gestão cinegética o que a natureza de per si já não consegue reequilibrar e aqui corre-se o risco de extinção de algumas espécies, porque já não há predadores naturais. Reequilibrar, por exemplo, o lobo, os cervídeos, as rapinas, as aves de pena e de espécies de pêlo reorganizando a pirâmide ecológica. E isto damos na escola, no 5º ou no 6º ano e não há muito mais a dizer. E alguém acha que se não forem os caçadores a preocuparem-se com isto serão os indivíduos das grandes cidades, que celebram os fins de semana em estádios de futebol ou em centros comerciais e que não sabem sequer quando é a época de reprodução do coelho? Ou como é que poderemos proteger as perdizes com a quantidade de águias que as comem? Enfim... Acaba a caça e as espécies em vias de extinção vão ser muitas!

 

3) O controlo de espécies é necessário. Temos o exemplo dos javalis. Claro que os citadinos não convivém tão de perto com este problema; contudo, as pessoas que vivem nos campos e da agricultura bem sabem do que falo. As culturas ficam todas estragadas e, desta forma, as pessoas veêm o seu meio de subsistência a ir "por água abaixo". Se não controlarmos os javalis, nós caçadores (claro, porque mais ninguém o faz); o que poderia acontecer? Acaba a caça e acaba os meios de subsistência de muitas famílias... 

 

4) Sem a atividade cinegética, ou sem a caça, as zonas desfavorecidas do interior cada vez ficarão mais desertas. A caça cria restauração, hotelaria, emprego, fixação de populações... Quem quer ir para uma aldeia que só tem terreno e mais terreno? Não há nada para fazer... Mesmo que seja "dar uma volta na natureza", existem os jardins e parques da cidade... O interior acabaria por morrer, não? E ninguém imagina o quão belo é... Porque os caçadores não vão para o interior (ou para onde quer que seja) só para matar. O deslumbrar as paisagens e o que nós temos de bonito, também é de uma grande importância. Acaba a caça e acaba muito da nossa economia e do nosso país...

 

5) A caça ajuda a preservar o meio ambiente, mantendo alguma produção agrícola e cultivo de campos que, de outra forma, estão destinados ao abandono e ao mato (com o desequilíbrio das espécies e da pirâmide alimentar). Acaba a caça e acabam alguns tipos de produção agrícola...

 

6) O desaparecimento da caça trará, inevitavelmente, a extinção dos cães de caça e, em particular, de raças que são património nacional há séculos e séculos (como é o caso do perdigueiro português). Se não há caça; para quê ter um cão de caça? Para companhia? Então aí os defensores dos animais também devem pensar nos sentimentos dos cães, que foram feitos para caçar e que iriam, sem sombra de dúvidas, viver num desgosto e numa tristeza incríveis... Acaba a caça e acabam as raças de cães de raça, incluindo raças portuguesas...

 

Em vez de condenarmos, vamos tentar unir-nos todos para que haja um equilíbrio na nossa fauna e flora!

ML.

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