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Diário de uma Caçadora

Para entenderem a minha loucura precisam, primeiro, de conhecer a minha paixão. Quero mostrar que a minha paixão é muito mais do que o simples acto de matar... Que a minha paixão é uma forma de estar na vida!

Diário de uma Caçadora

Para entenderem a minha loucura precisam, primeiro, de conhecer a minha paixão. Quero mostrar que a minha paixão é muito mais do que o simples acto de matar... Que a minha paixão é uma forma de estar na vida!

Entrevista Jornal de Notícias - Abertura da Caça

Como já tinha contado a alguns, uns dias antes da tão esperada abertura da caça o Jornal de Notícias contactou-me, para eu responder a umas questões. Aceitei prontamente. Pediram-me que fosse o mais simples e concisa nas minhas respostas, pois não haveria muito espaço para as mesmas. Parte da entrevista saiu na edição do JN de Domingo, dia 21 de Agosto, em papel.

Fica aqui a entrevista na íntegra! Falam pouco, muito pouco, na verdade. Mas o importante é que ainda falem, nem que seja uma única vez por ano. Mas, como vivo muitas vezes iludida de esperança e coisas boas, continuarei sempre a pensar e a dizer que pode ser que isto comece a mudar um bocadinho... Nós cá estaremos para tentar ajudar a que assim o seja!

 

1) Há quanto tempo é caçadora?

Tenho carta de caçadora há mais ou menos 5 anos, mas desde sempre que a caça, os cães e os animais fazem parte da minha vida.

 

2) Como ganhou esse gosto?

Quando percebemos a verdadeira essência da caça e de que vai muito além do "simples" acto de matar, depressa ganhamos esse gosto. Depois, sempre convivi com caçadores, com a caça (venho de uma família de caçadores – pai, avôs e tio) e com os animais.

 

3) Tem amigas caçadoras na sua zona de residência?

Na zona de residência tenho poucas, mas o importante é que de Norte a Sul do País começa a ver-se cada vez mais o gosto das mulheres pela caça.

 

4) Caça sozinha ou em grupo?

Nunca caçamos sozinhos.  Há uma série de coisas que nos acompanham enquanto caçamos. Normalmente, caço sempre com os meus cães e com os meus companheiros de caça, onde a amizade e o companheirismo são das coisas mais bonitas que já vi.

 

5) Que espécies prefere caçar?

Gosto de caçar a tudo, no entanto, há que ter em conta a realidade da caça e o que se deve ou não fazer. Gosto, sobretudo, de caçar com os meus cães e ver a paixão e a felicidade que estes têm enquanto caçam, nomeadamente à perdiz vermelha, à codorniz e aos javalis. Não coloco aqui o coelho bravo, devido ao momento terrível que esta espécie atravessa, com a doença.

 

6) No próximo domingo abre a caça à rola-brava. Muito se tem falado de que cada vez há menos e já nem compensa sair para caçar rolas. Acha que a caça a esta espécie devia ser suspensa por uns anos de modo a poder ser reposto o efetivo, ser extinta de vez, ou continua tudo como está? Porquê?

A caça mudou. Os tempos de caça dos nossos pais ou dos nossos avós não são, de todo, os mesmos de hoje. E nós temos de nos saber adaptar a essa realidade.

O principal motivo da redução da população de rolas no país é, sem dúvida, a modificação da agricultura, nomeadamente, a falta do cereal trigo e girassol nos nossos campos. Essa também é uma realidade que afeta todas as outras espécies cinegéticas, com a agravante das culturas intensivas, do uso de químicos e do aumento do gado.

Portanto, há que re-pensar muito bem toda a situação. Não vou falar em termos de leis e de regras, mas falo acerca das leis e das regras que cada caçador impõe a si próprio. Como caçador o que acha que deve fazer? Qual a melhor atitude que deve tomar? Refletirmos um pouco é essencial. Percebermos o que devemos ou não fazer e que se mudarmos as nossas atitudes, muitas vezes enquanto caçadores, as coisas poderão ser um pouco diferentes. E eu acho que isso já está a começar a ser feito. Como disse no início, os tempos de caça dos nossos pais ou dos nossos avós não são, de todo, os mesmos de hoje; mas os caçadores também foram evoluindo e adaptando-se a novas realidades e a "novas sociedades". 

 

7) As principais queixas dos dirigentes das associação, federações, etc têm a ver com a falta de caça, os custos cada vez mais elevados da atividade, e a falta de investimento do Governo. O que pensa sobre isto? 

Falta de caça: O caso do coelho bravo, com a doença e as novas estripes, fez com que os caçadores tivessem de re-pensar em tudo e fez com que a caça mudasse. Obviamente, que as investigações e os estudos para a recuperação do coelho bravo estão a ser feitos, mas tem sido difícil chegar-se a algum lado.

Falta de investimento do governo e taxas: As mentalidades mudaram, em todos os sentidos. No mundo da caça, cada vez mais somos vistos como assassinos. Porque também a concepção do valor do Homem e do Animal se modificaram. Claro que isso é importante, tratar bem os animais; mas não podemos chegar a extremismos e fundamentalismos. Todos nós somos caçadores. Ou pegamos numa espingarda e caçamos para nos alimentarmos, ou vamos ao talho ou ao supermercado e caçamos (de forma indireta) para nos alimentarmos.

E quando digo isto, também as mentalidades dos caçadores evoluiram e o caçador de hoje já não é o caçador de há 50 anos atrás. Nomeadamente, no que trata ao bem estar animal. Os caçadores de hoje em dia tratam muito bem os seus cães, por exemplo. Há pequenas (grandes) ações que têm sido feitas, por caçadores e que são de louvar, como é o caso de provas de beneficência a instituições (ainda há 2 meses foram doados 1500 euros por caçadores a uma instituição de crianças abandonadas); também já oferecemos um javali à Casa dos Sem Abrigo; oferecemos agora um javali aos Bombeiros Voluntários. Portanto, a caça é muito mais que o acto de matar, é solidariedade, cuidado, atenção e acima de tudo gestão cinegética. Durante todo o ano é feito um trabalho exemplar por caçadores e gestores cinegéticos, a fim de promover o aumento da população, a extinção de doenças, o bem estar animal, etc., etc.

E depois é fulcral percebermos que a caça mexe muito com a Economia. Há pessoas que vivem somente da caça e dos caçadores (por exemplo, guardas florestais, restaurantes e pensões que só sobrevivem pela caça, taxidermistas, espingardarias, lojas de caça, etc. etc.). Portanto, se a caça diminui, os caçadores diminuem e a Economia também, sem dúvida. E não é preciso sermos muito inteligentes para percebermos isso e para percebermos que não é bom, para ninguém, que isso aconteça. 

Mas continuam, todos os dias, a sacrificar os caçadores, é verdade! E é muito triste. Mas pode ser que as coisas comecem a mudar... Pela positiva!

 

8) Segundo apurei, junto de elementos do grupo "Em defesa do caçador", aqui no Facebook, algumas das queixas são: A caça devia abrir no dia 15 de agosto, para aproveitar mais dois dias de caça e caça aos tordos aberta em todos os locais na mesma data. O que acha? 

Isso depende da gestão de cada reserva de caça.

Relativamente à época abrir no dia 15 ou no dia 21 Agosto, falamos apenas de uns dias e tendo em conta a realidade da caça, parece-me que não seja esse o maior motivo de preocupação para os caçadores.

 

9) Pelo conhecimento que tem, qual é o modelo de arma preferidas dos caçadores? 

Depende muito do tipo de caça, dos terrenos, da forma como gostam de atirar, do gosto pessoal, etc. Diria as espingardas calibre 12, canos sobrepostos ou as automáticas.

 

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