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Diário de uma Caçadora

Para entenderem a minha loucura precisam, primeiro, de conhecer a minha paixão. Quero mostrar que a minha paixão é muito mais do que o simples acto de matar... Que a minha paixão é uma forma de estar na vida!

Diário de uma Caçadora

Para entenderem a minha loucura precisam, primeiro, de conhecer a minha paixão. Quero mostrar que a minha paixão é muito mais do que o simples acto de matar... Que a minha paixão é uma forma de estar na vida!

Era Uma Vez... As Provas de Santo Huberto!

Há uns tempos, convidaram-me para fazer uma rúbrica mensal na Revista Caça e Cães de Caça. Aceitei, sem pensar duas vezes, e fiquei muito feliz com a possibilidade de ter um espaço onde poderia partilhar convosco histórias, opiniões ou simples desabafos deste nosso mundo.

E porque comecei a ser caçadora devido às Provas de Santo Huberto; nada melhor que começar esta rúbrica mensal com um artigo dedicado às Provas de Santo Huberto e à importância das mesmas, quer para os caçadores, quer para a caça, quer para os cães de parar.

 

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"Muitos que me conhecem, sabem que me tornei caçadora devido às Provas de Santo Huberto. Se antes não compreendia a essência da caça, dos cães e dos caçadores, depois de assistir a estas provas percebi claramente que esta tornar-se-ia no meu modo de vida.

E porquê? Porquê em Provas de Santo Huberto?

As Provas de Santo Huberto contam uma história, seja em cada lance, seja em cada concorrente, seja em cada juiz, seja em cada membro da organização. E é essa história que vos quero contar!

 

E para começarmos, nada melhor que o “era uma vez”.

 

Era uma vez uma modalidade de provas, intituladas de Provas de Santo Huberto, que no seu regulamento e como objetivos primordiais, diziam: promover o espírito desportivo do caçador, formá-lo na correta prática do ato cinegético, tendo em consideração os aspetos técnicos, legais e cívicos, a função e utilização do cão de parar, num quadro de respeito pela Natureza e pela ecologia.

Com esta definição, depressa nos apercebemos da importância que este tipo de provas têm na formação de caçadores, primando o respeito pelo próximo, pelos animais e pela natureza. Para ser um bom caçador e, simultaneamente, um bom concorrente deste tipo de provas, há que ter uma sensibilidade e um respeito incomparáveis mas há que ter uma boa formação e humildade suficiente para estar em constante aprendizagem.

 

E estas são as personagens principais da história: os concorrentes! Concorrentes esses que são, certamente, caçadores peculiares. Isto porque nas Provas de Santo Huberto são re-lembrados ou aprendidos certos pormenores que fazem muita diferença no ato da caça, tal como as normas de segurança (ex. o transporte da arma, o que devemos fazer quando atravessamos uma ribeira, por exemplo); o espírito desportivo - o saber perder e o saber ganhar; alguns conceitos de cinofilia ou cinegética que, por vezes, são esquecidos; e, acima de tudo, a forma como se trata a caça. Saber que o mais importante é o lance com o cão, ao invés do número de peças abatidas. Saber como tratar uma peça de caça depois desta ser abatida e ter orgulho disso mesmo. Não digo vaidade, mas sim orgulho. Orgulho do trabalho que o cão fez, e do trabalho que o próprio caçador também fez. Orgulho da equipa que formaram e orgulho por saber que, daqui a umas horas, este cão, este companheiro, estará a dormir na sua casa, à sua guarda.

Por isso mesmo, o Santo Huberto é tão maravilhoso e termina sempre com finais felizes.

Os caçadores mudam a sua atitude quando participam neste tipo de provas e isso é notório. Convivo com imensos caçadores, que praticam ou não esta atividade, e sei do que falo. Há uma sensibilidade peculiar, talvez provocada pelas normas do concurso ou pelo convívio com os outros. Não importa; o que importa e que queria deixar bem patente, é a forma como estes concorrentes de Santo Huberto atuam com respeito pela caça e pela natureza e, não menos importante, com os seus cães. A constante preocupação com estes é notória – levar água para beberem durante a prova (que dura cerca de 15 minutos); desistirem da prova porque o cão está cansado ou emocionarem-se quando falam destes animais. É maravilhoso! Mas mais maravilhoso ainda, creio que é vermos o trabalho destes cães no terreno. A tipicidade de cada raça, a sua individualidade; a forma como abordam o terreno; a busca, as emanações; a forma como param, com uma tensão brutal; a forma como estão ensinados; a forma como se ligam ao dono. Tudo isso é maravilhoso e tudo isso me permitiu a mim ser caçadora: o Santo Huberto, as pessoas do Santo Huberto e, acima de tudo, os cães de parar!

 

Em todas as histórias, há um final. E como referi anteriormente, esta história acaba com um final feliz. Não havia outra forma! Mas este final feliz só é possível porque as provas de Santo Huberto são aqueles pequenos (grandes) momentos em que se junta uma família, em que a amizade e o respeito estão sempre patentes. E em que a aprendizagem e o constante querer saber mais fazem parte do dia a dia.

Melhores pessoas, melhores caçadores, mais amizade, mais amor e mais felicidade! Creio que são as consequências de nos tornarmos “amantes” das Provas de Santo Huberto!"  

ML.

 

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