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Diário de uma Caçadora

Diário de uma Caçadora

Na Caça salvam-se animais!

Quando digo que a caça é muito mais do que matar um animal, é bem verdade. Quando digo que os caçadores são os melhores amigos dos animais e da natureza, é outra verdade. Quem não o quer admitir, é porque não quer perceber e conhecer a realidade. É porque quer continuar com teorias modernistas ou porque quer ser diferente. 

Hoje trago-vos mais um exemplo de tudo aquilo que defendo. Um exemplo de um grupo de pessoas, caçadores, que salvaram a vida a um animal. Se estivessem em casa, no centro comercial ou no café, não o poderiam ter feito. Fizeram-no porque foram à caça, ao campo. Fizeram-no porque são caçadores. Mas, sobretudo, fizeram-no porque têm uma caraterística única: amam os animais e têm um coração gigante.

 

De madrugada, partiram para mais um dia de caça. Depois de tudo arrumado e dos cães colocados nas caixas, foram até ao ponto de encontro. Apesar de ser cedo, o calor que se fazia sentir, ditava que a manhã não seria fácil. Nem para eles, nem para os cães. Estas temperaturas elevadas têm sido prejudiciais a tudo e a todos e esta manhã seria mais um exemplo disso mesmo.

Depois de tudo preparado, da excitação dos cães, que pulavam e rodopiavam com ânsias de ir caçar, começaram a caminhar. Um grupo pequeno, mas com uma grande amizade. Há anos que caçam juntos e há anos que têm histórias e mais histórias para contar. 

 

Caminharam, num terreno difícil, até que um dos caçadores viu a sua cadela, a Lucky, parada a qualquer coisa. Pensou que se tratasse de uma peça de caça mas, quando se começou a aproximar, percebeu que não poderia ser. Era algo difícil de identificar. Era algo grande, com uma pelagem branca. Começou a andar mais apressadamente, para ver do que se tratava. Quando chegou ao pé da cadela, que estava tensa e muito atenta, viu que era um bezerro. 

Por vezes, há terrenos onde se caça que têm gado e, consequentemente, bezerros (alguns até recém nascidos). Portanto, é algo que pode ser normal. O caçador, perante esta situação, tenta acalmar a cadela e "explicar-lhe" que aquilo não era uma peça de caça e que iriam continuar a sua jornada. E assim foi. Os animais têm este poder incrível de perceber aquilo que nós dizemos ou queremos, e a Lucky saiu da mostra e foi a correr para a sombra, esperar pelo dono. O calor já se começava a sentir, cada vez com mais intensidade. 

O caçador depressa saiu daquela zona, onde estava o bezerro. Percebeu que ele estava tranquilo e que a mãe deveria estar perto. (As mães por vezes não estão com os filhos mas, caso se apercebam que estes estão aflitos, vêm logo socorrer e podem tornar-se perigosas, para proteger os filhos). 

Assim foi. Chamou a Lucky, e continuaram a caçar. Mas, a cerca de 70 metros, este caçador avistou uma vaca, numa vala, que parecia estar morta. Tudo lhe passou pela cabeça: "será que era a mãe do bezerro e morreu?"; "será que é alguma vaca que estava morta há algum tempo e ninguém viu?". 

Decidiu aproximar-se e ver o que estava a acontecer. Apressadamente, chegou ao pé do animal que, afinal, estava vivo. Parecia que estava ali há algum tempo, talvez tivesse mesmo passado ali a noite. "Não sei o que senti. É difícil de explicar. Sentes-te tão pequenino, tão impotente. Mas sentes que tens de fazer alguma coisa. Que tu podes fazer a diferença e ajudar. E foi o que fiz".

Rapidamente chamou os amigos que estavam com ele. Gritou bem alto, já com um tom de voz diferente, talvez em desespero. Eles vieram a correr, sobressaltados com o que poderia estar a acontecer. "Será que alguém se magoou? Será que foram os cães?" Correram até lá e perceberam que havia um animal muito debilitado.

"Mãos à obra"! Eram quatro pessoas e, entre eles, tentaram ajudar a vaca a levantar-se. Mas em vão. Ela estava tão debilitada que não conseguia sequer colocar-se em pé. Então, decidiram dar-lhe a volta, colocando-a assim numa posição mais confortável. 

O que teria acontecido? Como estaria aquele animal assim? Não parecia estar ferido, não havia sangue em lado nenhum. Viram o rabo da vaca, para ver se havia bicho, mas também não seria disso, pois estava limpo. Rapidamente perceberam que este animal poderia estar desidratado. Tem estado muito calor e, acima de tudo, está tudo seco. As barragens e os pontos de água existentes não têm uma gota de água. 

 

Como é hábito, estes caçadores transportam garrafas de água de 1,5l durante toda a jornada de caça, para irem dando aos seus cães e para beberem, caso seja necessário. Contudo, como estava tanto calor, dois deles até tinham duas garrafas de 1,5l. Ou seja, estes caçadores, andavam com 3 l de água, debaixo de um calor tremendo, a andarem kms em mato difícil. Isto é paixão, não é?

Conseguiram que a vaca bebesse toda a água que tinham, cerca de 10 litros. Ela estava realmente muito desidratada e num sofrimento terrível. "Não conseguimos explicar o sofrimento deste animal. Mas também não conseguimos explicar o sofrimento em que nós ficamos. Primeiro porque pensamos que poderia estar gravemente ferida e, depois, porque pensamos que não iríamos conseguir fazer nada para a ajudar."

Mas o que é certo é que conseguiram. O que é certo é que salvaram a vida a este animal. Estou certa de que se não fossem estes caçadores, estes maravilhosos seres humanos, a vaca teria morrido e quiçá o bezerro. Constataram depois que este bezerro era filho da vaca. 

Ainda estiveram algum tempo com ela. Contactaram o proprietário que rapidamente veio ver o que se passava e agradeceu terem salvo a vida a este animal. 

 

No fundo, este foi o dia da caça que tiveram. Não abateram nenhuma peça de caça; mas foram à caça. Isto é a Caça. Salvar um animal, sem nos preocuparmos com mais nada, nem com mais ninguém. 

 

Obrigada a vocês por terem feito o que fizeram e por serem os caçadores e seres humanos que são!

Obrigada João Alfaiate, João Costa, José Chaparro e Nuno.

ML.

 

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