Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Diário de uma Caçadora

Para entenderem a minha loucura precisam, primeiro, de conhecer a minha paixão. Quero mostrar que a minha paixão é muito mais do que o simples acto de matar... Que a minha paixão é uma forma de estar na vida!

Diário de uma Caçadora

Para entenderem a minha loucura precisam, primeiro, de conhecer a minha paixão. Quero mostrar que a minha paixão é muito mais do que o simples acto de matar... Que a minha paixão é uma forma de estar na vida!

O balanço cinegético de 2016

E já estamos em 2017! Os 12 desejos já foram pedidos, juntamente com as 12 passas e o champanhe!

Para trás fica o 2016, num horizonte já longínquo... Como se, de um dia, para o outro, tudo mudasse assim num ápice... Ainda assim, pensamos no que ficou nesse passado (ainda tão presente)... Ainda assim, imaginamos o que poderíamos ter feito de diferente... Ainda assim, fazemos o balanço do ano que já passou e que ficará, para sempre, no passado!

 

E como tal, hoje farei o balanço de 2016... O meu balanço, como caçadora e o meu balanço como caçadora preocupada com a caça e com a cinegética. O que fica de 2016?

 

1) Os fundamentalistas que tentam a todo o custo acabar com a caça

É, sem dúvida, um dos pontos fulcrais de 2016. A quantidade de fundamentalistas que dizem preocupar-se com o bem estar animal e que se dizem defensores dos animais é cada vez maior. Uma tendência? Uma moda? Talvez assim o seja; contudo, é gravíssimo aquilo a que temos vindo a assistir. Fundamentalistas que desejam a morte de uma criança com cancro (porque é aficionada); fundamentalistas que celebram a morte de toureiros e caçadores; fundamentalistas que ameaçam caçadores de morte; fundamentalistas que fazem funerais a perus congelados, no meio dos supermercados, etc., etc.

Caímos no rídiculo e na pura estupidez humana, é certo; no entanto talvez ainda não tenham percebido que, ao agirem desta forma, os animais continuam com os mesmos problemas, "no mesmo sítio, à mesma hora"...

 

2) A presença feminina na caça

Cada vez mais é frequente vermos mulheres na caça. Esta atividade que remota aos nossos antepassados, deixou de ser uma atividade apenas de homens. A presença feminina num grupo de caça é, sem dúvida, diferente e enaltece qualquer caçada.

Os estudos também ditam o mesmo, o número de mulheres caçadoras aumenta de dia para dia, no mundo inteiro (principalmente Europa).

 

3) A situação do coelho bravo

Não podemos fazer um balanço de 2016 sem deixarmos de falar do coelho bravo. As novas variantes da doença continuam a atacar o coelho bravo. É cada vez mais frequente assistirmos a coelhos mortos no campo, e agora também nas novas gerações.

Os estudos continuam a ser feitos, e novas soluções a ser empregues; no entanto ainda não apareceu o verdadeiro milagre que salvará esta espécie cinegética.

Muitos falam agora da introdução do coelho americano em Portugal (tal como foi feito em Espanha), no entanto as coisas não são assim tão simples. Com a introdução de uma nova espécie, misturada com outra (coelho bravo português), a nossa espécie extinguir-se-ia por completo.

 

4) Taxa no chumbo

Foi debatido em Assembleia, para o novo orçamento de estado de 2017, uma nova taxa no chumbo de 2 cêntimos para cada munição. Isto iria pôr em causa muitos caçadores, armeiros, lojas de caça, etc. etc. Uma medida que, se fosse aprovada, iria prejudicar o sector da caça.

No entanto, a boa notícia chega-nos quando esta medida foi rejeitada em Assembleia, por vários partidos políticos. Aqui, a caça ganhou e somou mais pontos.

 

5) Espécies cinegéticas

Esta época que começou em Agosto, Setembro veio marcada pelo menor número de espécies cinegéticas. Todos se queixam do mesmo - menos coelhos, menos perdizes, menos tordos... Em relação ao que eu caço e ao que vejo:

Foi um ano com boas codornizes. Ainda fiz algumas caçadas às codornizes e sempre com boas perspetivas.

Em relação às lebres, em determinados sítios ainda vi algumas, no entanto, é uma época com poucas lebres, como já temos vindo a assistir.

Perdizes... Algumas bravas sim, mas muito difíceis de caçar, como sabemos (mas as mais desafiantes). Muitas perdizes colocadas, como também já vem sendo hábito.

Galinholas tem sido uma boa época, em determinadas zonas. Tenho visto muitas galinholas, mas também tenho tido a oportunidade de caçar com grandes cães à galinholas, o que é fundamental.

Tenho visto muitas raposas, como não via há muito tempo.

Em relação ao javali, sabemos que ainda existem muitos javalis em Portugal. Há zonas (impenetráveis pelo homem) que estão com uma densidade enorme de javalis. Contudo, há outras zonas que começam a assistir a uma redução do número desta espécie. Isso tem sido visto em montarias e, principalmente, entre aqueles que fazem esperas e que se queixam disso mesmo.

Coelhos não cacei este ano.

 

6) A mentalidade dos caçadores que começa a mudar

Tenho conhecido muitos caçadores. De várias faixas etárias, de várias classes sócio económicas e de várias zonas do país. Como tenho dito constantemente, a mentalidade do caçador começa a mudar. Tinha de começar, nem que fosse por imposição de uma sociedade virada para o bem estar animal.

Neste sentido, o caçador de hoje em dia tem uma preocupação constante com os animais e com a natureza. Com os seus cães, que são os melhores companheiros. E também com toda a atividade cinegética, cuidar e preservar, para no futuro poder "colher os frutos".

 

7) ... Mas a mentalidade dos caçadores que ainda não mudou

Mas depois há os outros... E eles existem sempre! E há os caçadores, aliás, os matadores, que nunca mudarão e que metem em causa perante toda a sociedade, constantemente, a imagem da caça e dos caçadores. Isso é perigosíssimo e algo deve ser feito também. "Por causa de um pagam os outros", e este é o lema que nos tem acompanhado...

Mas uma coisa é certa. Como é que alguém que não seja caçador e que não tenha ligações com a caça nos pode entender se, muitas vezes, nem nós próprios nos entendemos uns aos outros? As constantes guerras e guerrinhas entre organizações de caça e entre caçadores nunca nos levarão a lado nenhum; muito pelo contrário... E isso tem sido bem visível!

E a caça só poderá avançar quando o orgulho, a luta pelo poder, a inveja e a ganância de algumas entidades e pessoas forem "atiradas ao rio"....

 

8) As organizações que nos têm apoiado

Temos de sublinhar a importância das organizações que nos têm apoiado, a nós caçadores. Defendem-nos, explicam à Sociedade o que é a caça e quem são os caçadores e são estas organizações (e também algumas pessoas individuais, é claro) fundamentais para que possamos continuar a intitular-nos como caçadores e a fazer aquilo que mais gostamos.

 

9) Caçadores que faleceram

Como não podia deixar de ser, temos de relembrar os nossos companheiros que faleceram durante este ano. Uns que faleceram em ato cinegético; outros que faleceram a tentar salvar os seus cães; outros que faleceram por doença ou outro motivo. A todos eles, os nossos pêsamos.

 

10) Pessoas que ajudamos

Foram feitas várias coisas, no âmbito da caça e com os caçadores, que permitiram ajudar outras pessoas. Dou-vos como exemplo provas de santo huberto em que os fundos revertiam para crianças abandonadas, para crianças com cancro ou para a Cruz Vermelha. Foram doados javalis a várias instituições e famílias, como é o caso, por exemplo, da Casa, uma instituição que alimenta e ajuda os sem abrigo.

 

11) O número de caçadores diminui...

Não tenho dados concretos, contudo, creio que o número de caçadores (em geral) diminui este ano. Mais grave ainda é o número de novos caçadores, mais jovens, também não aumentar. É fulcral que consigamos passar a mensagem aos jovens daquilo que a caça representa e a importância que tem.

 

12) Uso e porte de arma

Com os atentados que ocorreram e com o constante medo que tem assombrado a Europa, tem-se debatido acerca das leis de uso e porte de arma. No Congresso da FACE em Novembro, Bruxelas, houve uma conferência sobre a legislação de armas e querem proibir as armas semi automáticas. No fundo, porque relacionam as armas semi automáticas com o terrorismo.

Além disso, em Portugal, têm também mudado algumas coisas, nomeadamente, as novas regras sobre a renovação do uso e porte de arma e, por exemplo, a questão de todos os caçadores terem de renovar os livretes até ao final de 2016 (pelo menos das carabinas). E todos sabemos do tempo de espera na Polícia para tratarmos disso... E das consequências que estas "pequenas coisas" podem ter na caça...

 

13) A amizade

Por último, o maior balanço que faço deste ano de 2016, em termos cinegéticos, é a amizade, o carinho e o amor que são transmitidos entre todos. Caçar com os cães, com os nossos amigos, em contacto com a natureza é algo sem explicação. "Para entenderem a nossa loucura precisam, primeiro, de conhecer a nossa paixão".

 

ML.

 

15870817_10154042027235685_426504874_n.jpg