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Diário de uma Caçadora

Para entenderem a minha loucura precisam, primeiro, de conhecer a minha paixão. Quero mostrar que a minha paixão é muito mais do que o simples acto de matar... Que a minha paixão é uma forma de estar na vida!

Diário de uma Caçadora

Para entenderem a minha loucura precisam, primeiro, de conhecer a minha paixão. Quero mostrar que a minha paixão é muito mais do que o simples acto de matar... Que a minha paixão é uma forma de estar na vida!

Olhos em chama, coração em lágrimas

O sol começava a pôr-se no horizonte. Mas o calor continuava, forte, intenso e extenuante. Estava cansado de tanto calor. Passei o dia à sombra, de outra forma seria impossível ter sobrevivido a estas altas temperaturas. Agora saí da sombra, do meu cantinho mais fresco, para ir à procura de comer. Tenho fome e sede. É normal. Sobretudo, com este calor, é normal a sede ser maior. Fui à procura de água na ribeira aqui mais próxima. Está com menos água que na vez anterior. Talvez seja normal também. Refresquei-me, bebi água, lavei-me e fui à procura de comida. Não queria correr muito velozmente, pois estava cansado. Como já referi, este calor consegue deixar-me de rastos.

Comecei a procurar naqueles sítios mais prevísiveis de encontrar alimento. Mas algo me chamou à atenção. Não eram humanos, não eram sons mais ruidosos, mas sim um cheiro. Um cheiro intenso. A fumo. Estranhei! Nunca tinha sentido tal cheiro, e não me agradou muito; mas continuei a minha viagem. Até que este mesmo cheiro, cada vez mais intenso, começou a intrigar-me. A intrigar-me de tal forma que decidi ir ver o que estava a acontecer. Tinha medo, não posso negar, mas a curiosidade falava mais alto. E fui em direção ao cheiro; com a ajuda do vento intenso, que o ia trazendo até mim.

E foi aí que tudo mudou!

Olhei para a frente e toda a minha casa estava a arder. As chamas eram enormes, queimavam tudo, com uma velocidade maior que um fósforo a queimar. Era assustador. Árvores a arderem que, em segundos, passavam de verdes e castanhas a pretas, sem flor nem folha. 

Tinha os olhos em chama, e o coração em lágrimas.

Decidi correr com todas as forças que tinha e ir-me embora o mais rápido possível dali. O vento era muito, e o cheiro cada vez mais absorvente. 

Perdi-me. Com o medo, o desespero e a angústia, perdi-me. Não encontro a minha toca, apesar de conhecer a minha casa melhor que ninguém! O fogo começou a vir de todo o lado. Sinto-me enjaulado, sem sítio para onde fugir. Não sei mais o que fazer, ou como sair deste mundo vermelho e preto. Tudo está muito quente, a arder. As minhas patas estão a começar a falhar. Sinto-me sem forças. Completamente! Estou a ficar tonto, demasiado quente e sem saber o que fazer. Corro de um lado para o outro, mas em vão, eu sei!

Desesperado, enfio-me numa toca que encontro, mas o cheiro a queimado e o calor são demasiado fortes. Mas permaneço aqui. Esperarei por um milagre. Eu ainda acredito em milagres.

E, de repente, não me lembro de mais nada. Acordei, com água a bater-me na cara e no corpo. Estou muito assustado, muito quente, com muitas dores! 

Penso automaticamente em todos os animais que não conseguiram salvar-se e que morreram queimados. Javalis, outros coelhos, lebres, perdizes, raposas, saca rabos, etc., etc. A eles fica aqui o meu coração em lágrimas! Penso também nas casas que foram destruídas, nas pessoas que estão em pânico e que temem por tudo. A elas fica aqui o meu coração em lágrimas! 

Olho para cima e vejo um homem. Um bombeiro! Acho que ele me salvou a vida. Agradeço-lhe, com os olhos ainda em chama e o coração ainda em lágrimas! Foste e sempre serás o meu Herói!

Assinado: um coelho que viu a sua casa (Natureza) a ser destruída por um fogo!

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