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Diário de uma Caçadora

Para entenderem a minha loucura precisam, primeiro, de conhecer a minha paixão. Quero mostrar que a minha paixão é muito mais do que o simples acto de matar... Que a minha paixão é uma forma de estar na vida!

Diário de uma Caçadora

Para entenderem a minha loucura precisam, primeiro, de conhecer a minha paixão. Quero mostrar que a minha paixão é muito mais do que o simples acto de matar... Que a minha paixão é uma forma de estar na vida!

Os Heróis da final do Campeonato da CNCP

Não devemos subir a montanha apenas para fincarmos a bandeira. Devemos sim subir a montanha para abraçar o desafio, para disfrutar do ar e contemplar a vista! Devemos subir a montanha para podermos ver o mundo, e não para que o mundo nos possa ver. Porque quando isso acontecer, vamo-nos sentir, certamente, uns heróis. Heróis por termos chegado até ao topo da montanha; heróis por termos lutado, enfrentado, não desistido e, no fim, seja qual for o resultado: vencido. Vencido por nós próprios! 

Começo esta descrição de fim de semana com este pensamento, porque antes de mais nada todos foram heróis, verdadeiros heróis e é a vocês (participantes, organização, postores, juízes, cozinheiros, e todos os que ali estiveram) que vos agradeço e vos dedico todas estas palavras. Obrigada Heróis!

 

Fim de semana de 24 e 25 de Setembro 2016; fim de semana da final do Campeonato de Santo Huberto da Confederação Nacional dos Caçadores Portugueses (CNCP), organizado este ano pela Federação de Caça e Pesca da Beira Litoral, que contou com a preciosa ajuda do Clube de Caçadores do Concelho de Alvaiázere e do Município de Alvaiázere.

Fomos recebidos na Sexta feira à noite, com um caloroso jantar, onde revimos amigos de todas as partes do país e ilhas (este ano também a Madeira se juntou a nós, com três concorrentes convidados). O ambiente foi, desde logo, retratado por um companheirismo inigualável, sorrisos, abraços, amizade e boa disposição. Após o jantar, os juízes, a organização e um delegado de cada Federação juntaram-se, para o sorteio das séries, ordem de entrada e juízes. Tudo foi delineado e aceite por todos os presentes. Três séries, com 10 concorrentes cada, 3 juízes cada (sendo um deles Juíz Internacional), 1 postor para cada série, assim como um "assistente" que ia chamando os concorrentes e fazendo com que as provas decorressem de forma organizada e rápida, para que nenhum concorrente saísse prejudicado com as condições meteorológicas (embora saibamos que os últimos têm sempre mais dificuldade com o calor).

 

Na manhã de Sábado as provas começaram cedo, com um vento inconstante e fraco e um calor que se começou a fazer sentir por volta das 10:30 da manhã. Os terrenos eram típicos de caça, mas com alguma dificuldade, com olivais e plantação de tremoço (ainda que pouca). 

As séries foram julgadas pelos juízes Joaquim Rosa, Paulo Rocha e Mafalda Leitão (Campo A); José Pedro Leitão, Vítor Serrano e Sandra Esteves (Campo B); Manuel Brás, José Gonçalves e Samuel Lourenço (Campo C). 

 

Tudo correu de forma tranquila, com mais ou menos dificuldade. Todos os concorrentes demonstraram espírito desportivo, uma forma exímia no acto de caça, nomeadamente na segurança, e na forma como tratam os cães, sendo que todos levaram água para os mesmos, por exemplo (pormenores essenciais, no meu ponto de vista). Ainda assim, a organização fez um trabalho exemplar, disponibilizando uma banheira com água para os cães, que estava à entrada das séries, em todas as provas. Obrigada à organização por se lembrar deste gigante pormenor, e obrigada também pelo cuidado com os juízes, com a água e a comida que foi fornecida tão prontamente.

 

Depois do grande almoço que nos esperava, a Câmara Municipal de Alvaiázare disponibilizou um autocarro e uma visita guiada aos pontos mais interessantes da cidade, como foi o caso do Museu Municipal, em que tivemos a oportunidade de saber mais sobre a gente que habita esta linda vila. Pessoas essencialmente do mundo rural, que tinham como funções a agricultura, a carpintaria, sapataria, entre outros. Depressa nos apercebemos que as grandes cidades conseguem "abafar" toda esta magia que se vive no mundo rural e toda a importância que este tem. 

Mais uma vez reforço a relevância que a caça e as provas de cães têm para que possamos conhecer vilas e aldeias do interior que, se não fosse por estas razões, caiam facilmente (muito facilmente) no esquecimento de tantos. Promovemos a economia local, a boa disposição e o conhecimento mútuo, essencial para todos. 

Depois desta visita ao Museu, em que ainda contemplamos uma exposição de motos e uma exposição de trabalhos feitos à mão, oriundos de vários pontos do país; fomos visitar uma igreja localizada no meio da serra e ainda vimos de um ponto alto da serra paisagens incríveis e a Natureza em todo o seu esplendor. Obrigada mais uma vez a todos os que nos permitiram tais descobertas e aprendizagens. 

Um obrigada especial à Drª Célia Marques, Presidente de Alvaiázare e à Vice Presidente Drª Sílvia Marques, por acreditarem na caça, nos caçadores e no potencial que há neste setor. Obrigada por nos ajudarem e não nos julgarem. Obrigada por nos receberem tão bem nesta vossa linda casa, Alvaiázare. Um obrigada gigante do fundo do coração!

 

A noite foi contemplada de um jantar fantástico e de boa disposição e companheirismo, mais uma vez, como a família do Santo Huberto já nos tem habituado.

 

Domingo: o dia da ansiedade e do nervosismo. Depois do pequeno almoço, partimos para os campos, desta vez um pouco mais cedo. O tempo estava mais fresco, o terreno mais molhado (tinha chuviscado de noite) e o vento mais regular. Portanto, as condições estavam melhores e isso deixou-me logo mais contente, porque o que quero é que todos tenham oportunidade para se sentirem bem e felizes, pelo menos, durante aqueles 15 minutos de prova.

Notei que todos os concorrentes estavam nervosos, ansiosos e isso, infelizmente, foi visível nos resultados. Mas é normal. Quer queiramos, quer não, estamos numa competição; na final; e isso mexe connosco, com as nossas emoções, por mais calmos que sejamos. Portanto, os nervos e o stress teriam de fazer parte destes 15 minutos, sem dúvida alguma. 

 

Depois de todas as séries terminarem, todos os juízes, juntamente com a organização, estiveram a ver quem passaria à barrage, com a soma dos dois dias e assim ficou: para 1ºs lugares - Paulo Veloso, Carlos Paiva e Rui Bonito (julgados por Joaquim Rosa, Manuel Brás, José Gonçalves, Samuel Lourenço e Paulo Rocha); e para 2ºs lugares - Ricardo Rodrigues, Carlos Guilherme e João Pereira (julgados por José Pedro Leitão, Vítor Serrano, Sandra Esteves e Mafalda Leitão).

 

Depois do almoço excelente que tivemos e do "serviço" fantástico que todos nos proporcionaram (obrigada aos cozinheiros e a todos aqueles que nos serviram ao almoço e jantar e que tanto trabalho tiveram) os resultados iriam ser entregues. Houve tempo para discursos e agradecimentos, principalmente por parte do Presidente da CNCP, da Presidente da Câmara de Alvaiázare, do Presidente da FCPBL e do Presidente do Clube de Caçadores de Alvaiázare. Houve festa e bolo, para celebrar o 23º aniversário da CNCP. Houve palavras de esperança, de luta e de muito trabalho pela frente. E houve o tão esperado momento dos resultados:

 

Classificação por equipas:
1ª Federação dos Clubes de Caça e Pesca do Distrito de Viseu 
2º Oestecaça
3º Federação de Caçadores de Entre Douro e Minho
 
 
Classificação Individual:
1º Carlos Paiva, EB (Beira Interior)
2º Paulo Veloso, P (Viseu)
3º Rui Bonito, BF (Viseu)
4º Carlos Guilherme, EB (Oestecaça)
5º João Pereira, BA (Oestecaça)
6º Ricardo Rodrigues, BA (Açores)

 

Troféu melhor cão da prova:
Fusca do Monte Pereira, Braco Alemão, de João Pereira
 
 
PARABÉNS a todos! OBRIGADA a todos! Sei que muitas vezes os resultados que alcançam não são os mais esperados; não são aqueles que por tanto lutaram e por tanto treinaram, horas e horas. Compreendo que se sintam, muitas vezes, tristes ou injustiçados. Acreditem que ser juíz também não é fácil e, muitas vezes, é duro, muito duro. E parte-me o coração saber o potencial que todos têm mas que, muitas vezes, por condições que às vezes nem podemos interferir, as coisas não correm melhor. 
Mas somos uma Família! Uma Família que estará unida, nos bons e nos maus momentos. Quero apenas agradecer a todos mais uma vez e dizer-vos um a um que são uns Heróis, vocês e os vossos cães! E que a sorte interfere também (e muito) com o Santo Huberto. Porque um dia é da caça e outro é do caçador. 
 
OBRIGADA!
ML.
(Obrigada aos meus queridos Rui Bonito e Rita Branco pelas fotografias magníficas).