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Diário de uma Caçadora

Para entenderem a minha loucura precisam, primeiro, de conhecer a minha paixão. Quero mostrar que a minha paixão é muito mais do que o simples acto de matar... Que a minha paixão é uma forma de estar na vida!

Diário de uma Caçadora

Para entenderem a minha loucura precisam, primeiro, de conhecer a minha paixão. Quero mostrar que a minha paixão é muito mais do que o simples acto de matar... Que a minha paixão é uma forma de estar na vida!

Os predadores e as presas

O que é um animal e o que é um ser humano? Apesar de muitas pessoas tentarem tratar os animais como humanos, eles são só animais. Uma galinhola pode, por exemplo, alimentar-se de pequenas minhocas e lesmas que vivem no fundo da terra. Ela pode fazê-lo, porque tem um enorme bico que lhe permite tal feito. Um leão pode, por exemplo, perseguir e matar uma zebra para se alimentar. Um cão possui, por exemplo, um sentido apuradíssimo do olfacto e consegue sentir tantos cheiros, que são imagináveis para nós.

Mas esta galinhola, este leão e este cão são incapazes de compreender ideias mais complexas, com as quais os humanos lidam diariamente. Não compreendem, por exemplo, os perigos que existem na estrada e que "se não tiverem cuidado podem ser atropelados".

Ao contrário de nós, humanos, as taxas reprodutivas das espécies cinegéticas são elevadas e, normalmente, associadas a uma taxa elevada de mortalidade.

Tudo isto não quer dizer que não devemos respeitar os animais, muito pelo contrário; contudo, deve apenas mostrar que eles não são humanos.

 

Uma grande dificuldade das pessoas que defendem que os animais são humanos como nós, é determinar quais os organismos que "conhecem a dor". Ou seja, um cão sofre se lhe dermos uma palmada. Uma perdiz sofre se lhe dermos um tiro. Então e as melgas não sofrem se lhe dermos uma chinelada? Os mosquitos não sofrem se os atropelarmos na estrada? As aranhas não sofrem se as sufocarmos com alguma coisa?

 

 Uma coisa é certa, nós somos diferentes dos animais! Contudo, há algo que nos é comum: ambos somos presas ou predadores.

São vários os estudos científicos que nos alertam para o instinto de predadores que temos, já inato. Por exemplo, quando vemos crianças a correr atrás dos passarinhos para tentarem apanhá-los, claramente nos apercebemos que o instinto de predador está lá. Isto não é nenhum tipo de aprendizagem e, claramente também, que não é com nenhum tipo de maldade, de magoar ou ferir. Aqui falamos de brincadeira, mas com instintos pré históricos que nos acompanham até aos dias de hoje. O facto de sermos predadores não quer dizer que sejamos matadores e aqui está a grande diferença.

 

O ecológico britânico Charles Elton falou acerca desta teoria, em 1939 e deu como exemplo as competições desportivas, salientando o raguebi. O objetivo deste jogo é uma equipa conseguir levar a bola até à linha final, mas para isso precisa de passar pela equipa adversária, que fará grandes esforços físicos para impedi-la. E traduz este desporto para a "vida selvagem", em que a pessoa que transporta a bola é vista como a presa e a equipa defensiva como uma "manada de predadores".

É um jogo em que as lesões são frequentes. Ora, se somos tão civilizados, poderia haver um acordo no início do jogo, em que uma equipa deixava a outra levar a bola até à linha final e vice versa. Ninguém se magoava e empatavam o jogo, certo?

E isto é verdade para todos os outros tipos de desporto: o futebol, o basquete, o hóquei, etc. E porque é que milhares de pessoas se envolvem emocionalmente neste tipo de jogos? Segundo Elton, esta participação da população neste tipo de jogos é resultado do interesse inerente nas relações entre presa e predador.

 

Então, a caça ou ser caçador é mais uma corrente desta herança genética que temos entre presa e predador. Obviamente que nem todos podem gostar de caça ou pesca; mas nem todos gostam de futebol ou raguebi.

E na caça há regras de jogo. Há dias que se podem caçar e outros não. Há espécies que se podem caçar e outras não. Mas qual é o direito que nós humanos temos para matar e comer um animal? E eu pergunto: qual é o direito que uma raposa tem de matar e comer um coelho?

A raposa não é um ser humano, não pensa como nós. Exatamente! É aí que queria chegar. Os humanos e os animais são diferentes e será sempre assim.

 

E o direito que nós humanos temos para matar e comer um animal na caça, é o mesmo que um produtor da indústria alimentar tem para matar um frango e comê-lo. Talvez seja o mesmo que as pessoas que vão ao talho comprar carne têm. E talvez seja o mesmo que as pessoas que comem legumes e verduras têm, ao matarem milhares de lesmas, minhocas, ratos (que estão nas terras e desaparecerão quando a terra for plantada).

 

O prazer que recebemos da caça é algo que muitos não entendem. Da mesma forma que eu não entendo outros prazeres que muitos experimentam e gostam, como por exemplo, automobilismo, compras, bicicleta ou cozinha. Mas não quero que abandonem aquilo que mais gostam de fazer. Eu respeito e se são felizes assim, esse é o grande objetivo e a grande missão que temos em vida.

Respeitem-nos. Principalmente porque não há argumentos ecológicos, morais ou humanos suficientes para me privar a mim e a centenas de outros cidadãos a oportunidade de caçar - participar ativamente e diretamente na comunidade da vida de que todos somos membros.

 

O bem-estar e a sobrevivência dos animais na Terra não depende de protegê-los da caça regulamentada; depende sim do nosso sucesso em defendê-los contra a destruição de seus sistemas de suporte de vida. Devastação das florestas tropicais na América Central e do Sul, zonas húmidas na América do Norte, savanas na África e lagos na Escandinávia são os maiores exemplos que temos.

Anti-caçadores, não-caçadores e caçadores fariam bem em unir-se para combater a exploração destrutiva de recursos que afeta não só a nós próprios, mas também aos nossos animais.

Porque todos somos predadores e presas; mas nós somos humanos e eles animais!

ML.