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Diário de uma Caçadora

Para entenderem a minha loucura precisam, primeiro, de conhecer a minha paixão. Quero mostrar que a minha paixão é muito mais do que o simples acto de matar... Que a minha paixão é uma forma de estar na vida!

Diário de uma Caçadora

Para entenderem a minha loucura precisam, primeiro, de conhecer a minha paixão. Quero mostrar que a minha paixão é muito mais do que o simples acto de matar... Que a minha paixão é uma forma de estar na vida!

Quanto vale a vida humana? Um último adeus à Mel Capitan

É tão difícil para mim escrever sobre isto... Mas tenho de o fazer, pela Mel e por todos os caçadores.

A Mel Capitan era uma caçadora espanhola de 27 anos. Uma figura mítica, devido à sua paixão pela caça, ao blog que tinha (já com mais de 30.000 seguidores) e à sua atitude pró ativa na defesa da caça e dos caçadores. Fez tudo o que podia, disse tudo o que podia; mesmo quando recebia ameaças TODOS OS DIAS de animalistas e fundamentalistas.

Falamos várias vezes sobre isso...Sobre a pressão que sofríamos por parte de um grupo de pessoas que ama os animais e odeia os seres humanos. Um grupo de pessoas que ameaça de morte uma pessoa, mas quer salvar a vida dos piolhos. A Mel era ameaçada de morte constantemente. Será isto uma ironia do destino? Será que algo ou alguém os ouviu e lhes fez a vontade? Isto é tão macabro, que me custa a escrever aquilo em que vou pensando e as teorias que vou imaginando...

 

Os animalistas, defensores extremos dos animais, ameaçavam a Mel todos os dias. Perseguiam-na na rua. Pintavam palavras de ódio nas paredes de sua casa. Destruiram o seu carro. Ameaçavam a sua família. Perseguiam-na até ao trabalho e, inclusive, recentemente, exigiram ao seu patrão, que a despedissem. E, ainda assim, até ontem, a Mel continuou a defender a caça e os caçadores, a manter ativo o seu blog e a mostrar-se ao mundo, sem medos nem vergonhas, porque "o que faço é legal", dizia ela constantemente. 

Diziam que estava já com uma depressão. Pudera, o ciberbullying é capaz disso e de muito mais. Mas ainda assim, para quem a seguia, a Mel transparecia ser uma sonhadora, uma lutadora, uma mulher resolvida, feliz e sem preocupações.

Como as redes sociais nos enganam... Como as redes sociais vieram "mascarar" as pessoas e os seus sentimentos... Como as redes sociais nos deixam criar personagens fictícias, quer para o bem, quer para o mal. As redes sociais são apenas uma maneira de nos sentirmos poderosos. Sentimos que temos todo o poder do mundo, para falar, para dar a nossa opinião e para insultar. Estamos numa democracia, somos livres, podemos fazê-lo. No entanto, esquecemo-nos que fora das redes sociais há pessoas reais, com vidas reais e com sentimentos. 

Fora das redes sociais somos meros humanos; dentro das redes sociais somos o supra sumo da sabedoria, da cultura e da opinião. 

 

Não sei se foram as redes sociais, se foram os ataques que recebia constantemente, ou se foram problemas pessoais que levaram a Mel a suicidar-se. Muitas teorias são formuladas. O que é certo é que a Mel tinha um tiro. Alguns dizem que ela ligou para os amigos mais chegados para se despedir e, posteriormente, suicidou-se com um tiro com a sua 270. Ninguém pode fazer nada. Outros dizem que alguém lhe deu um tiro. Mas só a Mel sabe o que aconteceu.

Uns dizem que foi devido aos ataques animalistas; outros dizem que foi devido a problemas pessoais. Mas só a Mel sabe o motivo.

 

Mas a grande conclusão que podemos tirar de tudo isto é que realmente a vida é curta demais e, de um dia para o outro, tudo pode mudar. E que a nossa mente, as nossas emoções e sentimentos, influenciam tudo!

E dói para caramba quando estas mudanças acontecem. Quando alguém se mata, seja por que motivo for. E tenho tanto medo de pensar que poderá ter sido por outras pessoas. Aquelas pessoas que, como disse anteriormente, defendem a vida de um piolho, mas celebram a morte de um ser humano. 

Como? Pergunto e continuarei a perguntar todos os dias: como é possível isto? Celebrarem a morte de um caçador ou de um toureiro e chorarem a morte de uma pulga ou de uma mosca. Abandonarem um idoso no hospital, sem dó nem piedade, e tratarem um cão como um bebé. Que sentido faz isto? Falamos de educação, de valores, de modas? Será isto uma doença mental? Ou serei eu que estou doente mentalmente e que sou um outside desta nova sociedade moderna? 

 

Estou triste. Demasiado triste. Seja ou não devido aos ataques animalistas, estou triste por ter perdido uma grande caçadora mas, acima de tudo, uma grande mulher. A Mel era especial, e todos o sabiam. A morte decidiu levá-la mais cedo. Bem mais cedo do que queríamos.

 

E eu tenho tanto medo de falar da morte. Como se ela não fosse bater à porta de todos nós. Tenho medo de pronunciar o seu nome. Tenho medo dela mas, sobretudo, tenho medo daquilo que ela me faz sentir. Tenho medo da dor, da tristeza e da saudade. Sabemos que a Morte também é isso. E respeitamo-la. Mais do que a tudo e a todos, respeitamos a Morte.

 

Mas, mesmo quando ela nos bate à porta, o tempo não pára e o mundo continua a ser um "simples" mundo. Ao menos, que este tempo e este mundo parassem, até que a nossa dor também parasse. Mas será que algum dia pára? Certamente que não. É uma dor que não passa, apenas apazigua. Lentamente, mas apazigua. E quem quiser que se adapte a esta nova vida. Quem quiser que aprenda a viver com a partida de alguém. É tão difícil, Morte. Tens noção do sofrimento que causas a milhares e milhares de pessoas? Todos os dias, a toda a hora? Talvez tenhas, mas fazes somente o teu papel. Temos de aprender a lidar com isso. Contigo. 

E depois, quando parece que tudo começa a ficar "estabilizado" apareces novamente, como quem diz "não se esqueçam de mim, irei sempre voltar, sem data marcada".

E aqui, sob o impacto de uma tal saudade, continuamos. Mas com medo de ti. Sempre. 

Porque deixamos de acreditar em tudo. Deixamos de ter fé. Deixamos de ter oportunidade para dizer coisas que ainda tinhamos para dizer. Deixamos de dar abraços a quem mais gostavamos. Deixamos de ter calma e a raiva instala-se em nós. Deixamos de ter forças para mudar o mundo. Deixamos de acreditar em nós próprios e na vida. Deixamos de acreditar que somos imortais. 

E tudo por causa de ti, Morte.

Seja ou não uma escolha nossa... 

 

Mel, descansa em paz! Estaremos todos aqui a lutar por ti! E sabemos que estarás aí em cima a olhar por nós! Obrigada CAÇADORA!

ML.

 

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