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Diário de uma Caçadora

Para entenderem a minha loucura precisam, primeiro, de conhecer a minha paixão. Quero mostrar que a minha paixão é muito mais do que o simples acto de matar... Que a minha paixão é uma forma de estar na vida!

Diário de uma Caçadora

Para entenderem a minha loucura precisam, primeiro, de conhecer a minha paixão. Quero mostrar que a minha paixão é muito mais do que o simples acto de matar... Que a minha paixão é uma forma de estar na vida!

Todos Somos MEL!

Num dia em que acordamos com a triste notícia do falecimento do Pedro Primo; lembrei-me novamente desta terrível coisa que nunca nos deixa em paz: a morte. E é por me ter lembrado da morte e de muitas pessoas que já partiram, que decidi partilhar convosco o artigo que escrevi para a última edição da Revista Caça e Cães de Caça. Sobre a Mel, sobre a sua morte mas, acima de tudo, sobre a importância de todos aqueles que nos deixaram mas que, ao mesmo tempo, continuam sempre connosco! A serem os heróis para que nasceram...

Os meus sentidos pêsames à família e amigos do Pedro!

 

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"Pensei em que nome te haveria de dar. Muitos te conhecem como Melania mas, a maior parte, como Mel.

Mas hoje, Mel, chamar-te-ei Heroína! Porque para mim e para todos nós foste e serás sempre uma Heroína.

Os Heróis já não se cingem somente às histórias de príncipes e princesas; ou de bons e de vilões. Os Heróis já fazem parte do nosso dia a dia, das histórias da vida real e, muitas vezes, estão mais perto do que imaginamos.

E nem sei se os Heróis já nascem assim ou se vão ganhando esse estatuto durante a vida… Não sei, nem me interessa. O que sei Mel, é que tu foste uma verdadeira Heroína e creio que as pessoas não se aperceberam bem disso…

Decidiste, seja por que motivo for, entrar numa guerra. Uma guerra em que sabias que terias imensas batalhas para defrontar. Tinhas uma equipa de soldados bem fortes contigo; no entanto, há coisas que eles não podem ver e não podem saber. Não podem perceber que o seu Líder tem um ponto fraco; não podem saber que ele também sofre, também chora e também há alturas em que sente que nada daquilo vale a pena.

Mas, ainda assim, o Líder tem de se erguer, todos os dias, perante os seus soldados e os seus inimigos. E, todos os dias, o Líder tem de colocar a sua máscara, que reflete alegria, confiança e controlo.

E creio que tu usavas essa máscara muitas vezes. Vezes demais talvez… Para o mundo cá fora estava tudo bem; eras uma mulher muito forte; para o teu mundo interior talvez as coisas não fossem bem assim. Mas não é isso já um ato de uma verdadeira Heroína?

 

Divagações e opiniões à parte, hoje falo como psicóloga. Esta é uma área que estudei e, por mais que imaginemos o que poderia estar esta Heroína a sentir, nunca lá chegaremos. Nunca nos conseguiremos colocar na posição de uma pessoa que encarou a morte como um objetivo e uma forma de resolução de problemas. É difícil falarmos de suicídio; percebermos que poderia ter havido outra forma de solucionar isto; mas cada vez é mais frequente na nossa sociedade este tipo de comportamentos – a cada 40 segundos, no mundo, uma pessoa comete suicídio.

Não sabemos o porquê desta tua escolha. Sabemos que as causas são várias; nomeadamente quando há um transtorno psíquico (neste caso, depressão) e quando a pessoa se depara com situações geradoras de grande stress e/ou ansiedade, neste caso o bullying de que foste alvo.

Mas o que importa a causa? O que importa saber que há milhares de pessoas na tua situação? O que importa se poderias ter feito de forma diferente? A questão aqui é que tu, Heroína, escolheste este caminho. Escolheste lutar numa guerra que sabias ser difícil. E todos os dias cada vez mais difícil.

Escolheste fazer disso vida, porque na verdade só assim eras feliz. A lutar pelo que acreditavas e a defender a caça, “uma atividade legal”, como dizias.

Mas todos te apontavam o dedo. E, por incrível que pareça, nunca cedeste. Nunca chegaste àquele ponto em que nem nós próprios sabemos onde está o certo e o errado, o bom e o mau. Todos te poderiam dizer que o sol era amarelo; mas tu acreditavas que era laranja e seguias com isso até ao fim.

Não é isto um ato de uma verdadeira Heroína?

Oh Mel… Como te deverias estar a sentir, e como nunca ninguém reparou nisso! Como foste forte, empenhada e lutadora nesta nossa guerra. Sim Mel, a “guerra” é nossa! E assim será para sempre… Não te temos aqui connosco para continuarmos juntos, mas teremos-te aí em cima, onde o Sol é laranja e onde te encheremos de orgulho.

 

 

Estou certa de que todos temos uma missão nesta vida. Todos nascemos por alguma razão e para fazermos a diferença na vida de alguém.

E tu fizeste a diferença na vida de milhares de pessoas, para o bem e para o mal. E continuarás a fazê-lo.

E eternamente nos iluminarás Heroína! Não pela memória dos teus feitos, mas pela lição das tuas presenças.

Deste força a quem estava cansado; vieste acordar os mais adormecidos; e fizeste lembrar-nos a todos que se queremos alguma coisa, temos de lutar por ela. Criaste um novo movimento, quiçá uma nova corrente na História da Caça. Eu acredito nisso. Talvez seja a mudança pela qual muitos esperavam. Talvez tu própria tivesses pensado nisso, Mel. Será? Será que achaste que a tua morte poderia vingar os caçadores e a caça? Não sei, é uma hipótese… E já coloquei tantas hipóteses… Porque talvez precise de uma resposta, algo para amenizar esta dor que tenho! Ou talvez a resposta seja apenas uma: lutar! Lutar pelo que nós queremos e pelo que acreditamos.

E nós lutaremos Heroína, por ti, por nós mas, sobretudo, pelo que nos une: a Caça!

Obrigada Mel!

Descansa em paz, junto a esse Sol laranja, que brilhará eternamente para nós!

Isto não é um adeus, mas um até já! Para nós não morreste, apenas acordas-te deste sonho a que muitos chamam vida. E agora estás apenas num sonho diferente, num outro lugar, mas a fazer aquilo para que nasceste: ser uma verdadeira Heroína!"

ML.

 

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