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Diário de uma Caçadora

Para entenderem a minha loucura precisam, primeiro, de conhecer a minha paixão. Quero mostrar que a minha paixão é muito mais do que o simples acto de matar... Que a minha paixão é uma forma de estar na vida!

Diário de uma Caçadora

Para entenderem a minha loucura precisam, primeiro, de conhecer a minha paixão. Quero mostrar que a minha paixão é muito mais do que o simples acto de matar... Que a minha paixão é uma forma de estar na vida!

Um fim de semana estonteante entre provas e montarias

Tive uma semana cansativa, entre consultas, textos, lides domésticas, cães; enfim, uma correria, típica da nossa sociedade "moderna"!

Quando o fim de semana se aproxima, muitos respiram de alívio porque conseguem dormir mais um bocadinho, descansar, estar enrolados em mantas no sofá ou passar mais tempo com a família.

Para mim, quando chega ao fim de semana, o oposto de tudo o que acabei de referir está bem patente. Por opção própria, é claro. Levantar cedíssimo, dormir pouco, apanhar frio e mais frio, ficar de rastos com a quantidade de quilómetros que faço e não conseguir aproveitar tempo nenhum com a família. Mas faço-o porque é assim que me sinto feliz! Faço-o porque gosto verdadeiramente da caça e dos cães.

 

Sábado: Prova de Santo Huberto em Pedrógão

 

Conheci o organizador desta prova de Santo Huberto, numa aproximação que fizemos aos veados. Depressa me apercebi da boa pessoa que é o Luís e, desde logo, aceitei o seu convite para julgar esta prova. E primeiro que tudo quero dar os parabéns ao Luís, por toda a organização e logística desta prova, que correu "às mil maravilhas".

Um pequeno almoço de rei esperava-nos em Pedrógão, por volta das 08:00 da manhã. Depois de sorteados os concorrentes, juízes e séries fomos para o campo. Julguei com o Joaquim Rosa e tivemos como postor de perdizes o Fredy. Estava muito frio de manhã, marcava -5 graus quando sai de casa; no entanto o calor foi apertando e todos os casacos que outrora nos protegeram, foram colocados na carrinha do Luís, tornando-se tão insignificantes como o frio que se sentiu horas antes.

 

Uma manhã que começou com imagens fantásticas para quem gosta de caça e da natureza; nomeadamente os tordos que fugiam de nós e de qualquer outra perturbação; e os coelhos em que tropeçavamos de vez em quando. O terreno típico de caça, ajudou a que as provas se desenrolassem de forma bonita; contudo, o vento irregular e outras questões (sorte, por exemplo) não deixaram que houvesse grandes prestações e, consequentemente, grandes resultados.

Julgamos 9 conjuntos (eram 18 no total), sempre na companhia de várias pessoas que iam assistindo às provas; uns que gostavam e conheciam o Santo Huberto; outros que era a primeira vez que viam este tipo de provas. Foi uma manhã fantástica, sempre com a caraterística do Santo Huberto: partilha de conhecimento, de amizades, de sorrisos e de felicidade.

 

Passaram à barrage os dois primeiros lugares de cada série, tendo ficado assim ordenado:

 

 

 

1) Fernando Henriques, BA

 

 

 
 
2) André Oliveira, BA
 
 
 
 
3) João Simões, BA
 
 
 
 
4) David Faria, BA
 
 
 
 
Prémio para o Melhor cão - Dom, BA, Fernando Henriques
 

IMG_5157.JPG

 

 
Parabéns a todos vocês e também a todos os participantes e aos seus cães!
O almoço correu da melhor forma, com uma organização fantástica. Obrigada a todos aqueles que fizeram o almoço e que nos serviram.
 
 
 
 
Na entrega dos prémios, todos tiveram direito a uma lembrança. Houve ainda prémios para os juízes e postores. De salientar o envolvimento e presença da Junta de Freguesia de Pedrogão, pela pessoa do Srº Presidente Paulo Simões; e da Câmara Municipal de Torres Novas, pelas pessoas do Srº Presidente da Câmara, Pedro Ferreira, e do Srº Vice Presidente da Câmara, Luís da Silva.
Mais uma vez obrigada por tudo Luís e deixa-me felicitar-te por toda a organização fantástica! Obrigada também a todos os presentes!
 
 
 
 
 
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Domingo: Montaria do Cadaval
 
Quando falo no Cadaval, há um carinho e uma gratidão sempre patentes nas palavras que proferirei. Primeiro, porque as pessoas são todas muito amáveis connosco; e depois porque são verdadeiros caçadores e amantes da natureza e dos animais e tudo o que têm feito em prol da caça e dos caçadores é notório.
 
Esta é uma das minhas montarias de eleição; como disse, não só pelas pessoas e por toda a organização, mas também pelo sítio em si e pelas paisagens maravilhosas que aquela zona nos oferece.
 
Às 8 horas começaram a chegar todos os monteiros e matilheiros que iriam disfrutar de mais um dia de caça, sendo contemplados com um pequeno almoço à medida, nomeadamente, com a típica canja e o Bolo Rei.
 
Depois disto e de sorteadas as portas, foi tempo do Presidente João Pereira fazer um pequeno discurso a todos os caçadores presentes, reforçando a importância da segurança no acto da caça. É de lamentar aqueles que se comprometeram a ir e não apareceram, sem sequer darem um motivo. Esta é uma montaria que alberga sempre muitas pessoas, pela qualidade da mesma, e houve muita gente que não conseguiu irm pois as vagas estavam todas preenchidas.
 
Durante o seu discurso, o João Pereira nomeou-me novamente Diretora de Montaria, o que para mim é um orgulho enorme. Primeiro, porque ser diretor de montaria acarreta uma grande responsabilidade mas, sobretudo, porque ser diretor de montaria do Cadaval é uma Honra, devido a todas as razões já acima mencionadas! Obrigada João e obrigada pelo trabalho incrível que tu e todos os caçadores do Cadaval têm feito.
 
 
 
 
 
Hora de partirmos para a mancha, com mais de 80 portas marcadas. O terreno indicava a presença de javalis, tudo pateado e tudo mexido pelos javalis. Aliás, a zona do Cadaval tem uma grande densidade de javalis, devido também ao mato que existe naquela zona. Isso é ainda mais visível na altura da uva e das pêras, no Verão, quando os javalis destroem muitas das culturas e causam enormes prejuízos aos agricultores daquela zona.
 
Sentei-me à espera. Mas esta espera não é uma espera qualquer; é uma espera que durante algumas horas me deixa o coração palpitante e qualquer pequeno movimento ou barulho, acelara-o para uma velocidade atroz, quase incontrolável. Sentada no chão, sentia as folhas a mexerem-se num trajeto retilíneo. O que era nunca se mostrou, sentia-se mais seguro percorrendo o seu caminho encoberto de folhas e paus. A Natureza realmente é incrível e a astúcia e perspicácia dos animais um mundo para descobrir.
 
Passado algum tempo, com o sol forte e brilhante a cobrir toda aquela zona, começo a ouvir os matilheiros que encorajavam os cães a descobrirem alguma coisa. A ligação entre um verdadeiro matilheiro e um cão é uma das coisas que mais gosto nas montarias ou nos ganchos. Saber ler o nosso cão e ouvi-lo. Perceber que aquela ladra indica uma raposa e que outra ladra indica um javali. É mágico!
 
Os cães começam a ladrar insistentemente. Há movimento! E bastam aquelas ladras e aqueles movimentos na área para nos alegrarem a manhã. Depois de alguma insistência dos cães e de toda a insistência dos meus olhos e dos meus ouvidos, tudo se dissipou e o silêncio voltou a pairar sobre aquele terreno caraterizado pela grande densidade de eucaliptos.
 
Já tinha estudado todo o terreno. Já tinha visto quais seriam os sítios mais propícios à fuga dos javalis, assim como o tipo de tiro que teria de ter: um tiro mais rápido e difícil, devido ao sítio apertado em que estes poderiam passar. Mas já sabemos que tudo isto é uma incógnita; a incógnita que carateriza (e ainda bem) a caça. Uma coisa é certa, fosse o que fosse que acontecesse eu só pedia uma coisa a Deus ou a quem estivesse a ouvir-me: que saísse um javali ao meu pai.
 
Como todos sabem, a ligação que eu e o meu pai temos é uma das coisas mais importantes na minha vida e ter a oportunidade de estar numa montaria com ele, naquela montaria, foi também uma das razões que tornaram aquele dia tão especial. E eu rezava, rezava a quem me quisesse ouvir "Por favor, que vá ter um javali com o meu pai". Ele iria falhar, mas isso é outra história (estou a brincar pai ahaha).
 
Começaram a ouvir-se muitas ladras, cada vez mais sôfregas e mais intensas. Os javalis estavam ali, aquilo não seriam ladras com raposa. Agora, era acalmar o coração e esperar para ver qual o rumo escolhido pelos javalis. Eu estava com o vento contra mim, o que é logo um mau (e muito mau) indício; mas em fuga nada é certo.
 
Começam-se a ouvir tiros; muitos tiros. Ouvia ladras e tiros e nada mais! Os matilheiros iam gritando, mas nada mais!
 
Um dia é da caça, outro dia do caçador!
Este dia, para mim, foi da caça, mas sem dúvida do caçador. Não preciso de disparar para um dia de caça ser tão especial como este foi. Tinha o meu pai comigo, o Zé, o Paulo, o João e todos os restantes. Obrigada!
 
Resultado: 7 javalis (1 navalheiro). Na zona onde eu estava (eram duas manchas distintas) ouviu mais de 20 tiros; erraram alguns javalis.
 
O almoço estava fantástico, como é já um hábito desta terra do Oeste.
Espero que todos tenham gostado e se tenham divertido; espero também ter cumprido o meu papel de Diretora de Montaria da melhor forma possível.
 
Nunca se esqueçam que a felicidade é um modo de viver, e não um objetivo de vida!
Este é e será para sempre o meu modo de viver. Feliz!
ML.
 
 
Foto de Associação Caçadotres Concelho Cadaval.