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Diário de uma Caçadora

Diário de uma Caçadora

Na Caça salvam-se animais!

Quando digo que a caça é muito mais do que matar um animal, é bem verdade. Quando digo que os caçadores são os melhores amigos dos animais e da natureza, é outra verdade. Quem não o quer admitir, é porque não quer perceber e conhecer a realidade. É porque quer continuar com teorias modernistas ou porque quer ser diferente. 

Hoje trago-vos mais um exemplo de tudo aquilo que defendo. Um exemplo de um grupo de pessoas, caçadores, que salvaram a vida a um animal. Se estivessem em casa, no centro comercial ou no café, não o poderiam ter feito. Fizeram-no porque foram à caça, ao campo. Fizeram-no porque são caçadores. Mas, sobretudo, fizeram-no porque têm uma caraterística única: amam os animais e têm um coração gigante.

 

De madrugada, partiram para mais um dia de caça. Depois de tudo arrumado e dos cães colocados nas caixas, foram até ao ponto de encontro. Apesar de ser cedo, o calor que se fazia sentir, ditava que a manhã não seria fácil. Nem para eles, nem para os cães. Estas temperaturas elevadas têm sido prejudiciais a tudo e a todos e esta manhã seria mais um exemplo disso mesmo.

Depois de tudo preparado, da excitação dos cães, que pulavam e rodopiavam com ânsias de ir caçar, começaram a caminhar. Um grupo pequeno, mas com uma grande amizade. Há anos que caçam juntos e há anos que têm histórias e mais histórias para contar. 

 

Caminharam, num terreno difícil, até que um dos caçadores viu a sua cadela, a Lucky, parada a qualquer coisa. Pensou que se tratasse de uma peça de caça mas, quando se começou a aproximar, percebeu que não poderia ser. Era algo difícil de identificar. Era algo grande, com uma pelagem branca. Começou a andar mais apressadamente, para ver do que se tratava. Quando chegou ao pé da cadela, que estava tensa e muito atenta, viu que era um bezerro. 

Por vezes, há terrenos onde se caça que têm gado e, consequentemente, bezerros (alguns até recém nascidos). Portanto, é algo que pode ser normal. O caçador, perante esta situação, tenta acalmar a cadela e "explicar-lhe" que aquilo não era uma peça de caça e que iriam continuar a sua jornada. E assim foi. Os animais têm este poder incrível de perceber aquilo que nós dizemos ou queremos, e a Lucky saiu da mostra e foi a correr para a sombra, esperar pelo dono. O calor já se começava a sentir, cada vez com mais intensidade. 

O caçador depressa saiu daquela zona, onde estava o bezerro. Percebeu que ele estava tranquilo e que a mãe deveria estar perto. (As mães por vezes não estão com os filhos mas, caso se apercebam que estes estão aflitos, vêm logo socorrer e podem tornar-se perigosas, para proteger os filhos). 

Assim foi. Chamou a Lucky, e continuaram a caçar. Mas, a cerca de 70 metros, este caçador avistou uma vaca, numa vala, que parecia estar morta. Tudo lhe passou pela cabeça: "será que era a mãe do bezerro e morreu?"; "será que é alguma vaca que estava morta há algum tempo e ninguém viu?". 

Decidiu aproximar-se e ver o que estava a acontecer. Apressadamente, chegou ao pé do animal que, afinal, estava vivo. Parecia que estava ali há algum tempo, talvez tivesse mesmo passado ali a noite. "Não sei o que senti. É difícil de explicar. Sentes-te tão pequenino, tão impotente. Mas sentes que tens de fazer alguma coisa. Que tu podes fazer a diferença e ajudar. E foi o que fiz".

Rapidamente chamou os amigos que estavam com ele. Gritou bem alto, já com um tom de voz diferente, talvez em desespero. Eles vieram a correr, sobressaltados com o que poderia estar a acontecer. "Será que alguém se magoou? Será que foram os cães?" Correram até lá e perceberam que havia um animal muito debilitado.

"Mãos à obra"! Eram quatro pessoas e, entre eles, tentaram ajudar a vaca a levantar-se. Mas em vão. Ela estava tão debilitada que não conseguia sequer colocar-se em pé. Então, decidiram dar-lhe a volta, colocando-a assim numa posição mais confortável. 

O que teria acontecido? Como estaria aquele animal assim? Não parecia estar ferido, não havia sangue em lado nenhum. Viram o rabo da vaca, para ver se havia bicho, mas também não seria disso, pois estava limpo. Rapidamente perceberam que este animal poderia estar desidratado. Tem estado muito calor e, acima de tudo, está tudo seco. As barragens e os pontos de água existentes não têm uma gota de água. 

 

Como é hábito, estes caçadores transportam garrafas de água de 1,5l durante toda a jornada de caça, para irem dando aos seus cães e para beberem, caso seja necessário. Contudo, como estava tanto calor, dois deles até tinham duas garrafas de 1,5l. Ou seja, estes caçadores, andavam com 3 l de água, debaixo de um calor tremendo, a andarem kms em mato difícil. Isto é paixão, não é?

Conseguiram que a vaca bebesse toda a água que tinham, cerca de 10 litros. Ela estava realmente muito desidratada e num sofrimento terrível. "Não conseguimos explicar o sofrimento deste animal. Mas também não conseguimos explicar o sofrimento em que nós ficamos. Primeiro porque pensamos que poderia estar gravemente ferida e, depois, porque pensamos que não iríamos conseguir fazer nada para a ajudar."

Mas o que é certo é que conseguiram. O que é certo é que salvaram a vida a este animal. Estou certa de que se não fossem estes caçadores, estes maravilhosos seres humanos, a vaca teria morrido e quiçá o bezerro. Constataram depois que este bezerro era filho da vaca. 

Ainda estiveram algum tempo com ela. Contactaram o proprietário que rapidamente veio ver o que se passava e agradeceu terem salvo a vida a este animal. 

 

No fundo, este foi o dia da caça que tiveram. Não abateram nenhuma peça de caça; mas foram à caça. Isto é a Caça. Salvar um animal, sem nos preocuparmos com mais nada, nem com mais ninguém. 

 

Obrigada a vocês por terem feito o que fizeram e por serem os caçadores e seres humanos que são!

Obrigada João Alfaiate, João Costa, José Chaparro e Nuno.

ML.

 

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Hitler, o genocida que idolatrava animais

Deixo-vos o meu artigo deste mês na Revista Caça e Cães de Caça:

 

"Em pleno século XXI, numa sociedade dita evoluída e liberal, Adolf Hitler está presente em todos os livros escolares de História, como um dos maiores genocidas da História Mundial. O ditador alemão do Partido Nazista, matou mais de 19,3 milhões de civis e prisioneiros de guerra e, além disso, levou a que 29 milhões de soldados e civis morressem em ações militares da Segunda Guerra Mundial (Rummel, R., 1994).

Em pleno século XXI, numa sociedade dita evoluída e liberal, as pessoas odeiam Adolf Hitler e retratam-no como uma das piores figuras da História mundial.

Mas há um facto que é desconhecido por muitos. Há um facto que os professores não contam nas suas aulas, e os manuais não abordam nos seus parágrafos.

Adolf Hitler era um apaixonado pelos animais. Talvez mais do que isso. Um verdadeiro defensor dos direitos dos animais. E esta ambiguidade entre o “amor” (e permitam-me que coloque esta palavra entre aspas) pelos animais e o ódio pelos humanos, é realmente intrigante.

E em pleno século XXI, numa sociedade dita evoluída e liberal, o que pensariam as pessoas se soubessem que Adolf Hitler foi a primeira pessoa a divulgar em massa propagandas contra o teste de medicamentos e cosméticos em animais? Mas, enquanto isso, na Polónia, os farmacêuticos, médicos e químicos testavam estes produtos nos judeus prisioneiros nos campos de concentração.

O que diriam se soubessem que Adolf Hitler proibiu a vivisseção (dissecação de animais) no mundo, em 1933? Ou seja, mostrava a compaixão pelos animais; mas não o fazia com a humanidade.

O que diriam se soubessem que Adolf Hitler, em 1942, proclamou uma nova lei, ditando que nenhum judeu poderia ter um animal de estimação. Desta forma, todos os cães e gatos dos judeus, forma mortos, de acordo com as regras alemãs para os animais de estimação.

 

Outra das curiosidades é-nos familiar, tendo em contas as novas leis em vigor.

Na Alemanha Nazista, as pessoas que maltratassem os seus animais de estimação, poderiam ser condenadas a dois anos de prisão. Além disso, também proibiram o corte de orelhas e/ou rabos dos cães sem anestesia.

Este mesmo líder partidário, continuou a estabelecer mais leis, que defendessem o direito dos animais. (Enquanto isso, os judeus continuavam a ser exilados nos campos de concentração). Os animais usados em filmes não podiam ser maltratados. Exigiu que fosse permitida a eutanásia para os animais em estado terminal.

Havia uma disciplina na escola que abordava somente a maneira como se deveriam tratar os animais.

Uma das primeiras conferências internacionais sobre proteção animal foi feita na Alemanha, nesta época.

Além de tudo isto, Hitler proclamou, em 1934, uma lei de caça nacional, onde regulava o número de animais que poderiam ser abatidos por ano; e onde estabelecia os períodos em que se poderia caçar – Lei de Caça Reich. Hitler afirmava que odiava a caça as corridas de cavalos e referia-se às mesmas como "os últimos remanescentes de um mundo feudal morto".

 

Boria Sax, um estudioso independente e consultor de várias organizações de direitos humanos, escreveu o primeiro livro para explorar completamente o culto nazista dos animais. De entre várias histórias, conta uma sobre Heinrich Himmler, um dos principais líderes do Partido Nazi, e um dos homens mais temidos na Alemanha. Numa consulta com o seu médico, que era caçador, Himmler perguntou “Como é que pode ter prazer, Herr Kerstein, em atirar a pobres animais? Isso é realmente um assassinato”. Curioso, não? Ainda segundo este autor, e outros mais, Hitler era vegetariano. Esta ideia ainda é controversa. ((Não convém ter um vegetariano destes como exemplo quando se quer defender um ideal).Boria Sax conta que, uma vez, Hitler teve um encontro com uma mulher, e que foram jantar fora. Ela pediu salsichas, e Hitler disse-lhe: "Nunca pensei que quisesses devorar cadáveres, a carne de animais mortos. Cadáveres!" Hitler afirmava que o consumo de carne era um fator importante do declínio da civilização e que o vegetarianismo poderia rejuvenescer a sociedade.  

 

Outro exemplo que nos elucida para esta teoria foi quando Hitler escreveu o Mein Kampf, em 1938, e nos conta que quando a comida era escassa, compartilhava as refeições com os ratos.

 

Em pleno século XXI, numa sociedade dita evoluída e liberal, porque é que estas curiosidades são escondidas? Porque é que não nos contam como o fundamentalismo é perigoso? E não nos dão exemplos destes?

Talvez porque há uma coisa que iríamos aprender rapidamente, sobre esta preocupação declarada dos nazistas pelo bem-estar dos animais. Que as interações homem-animal são repletas de paradoxos e inconsistências.

A existência de uma cultura em que os líderes se preocupavam com o sofrimento das lagostas nos restaurantes de Berlim, enquanto gaseavam pessoas em campos de concentração com veneno de rato; representa uma inversão moral de proporções incompreensíveis.

Tal como Gilbert Keith Chesterton afirma, “Aonde quer que haja adoração a animais, lá terá também sacrifício humano”.

E desculpem-me, mas isso não pode ser tolerável, nem aceitável. Não em pleno século XXI, numa sociedade dita evoluída e liberal.

ML"

 

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Receita de Faisão com maçã e canela

A caça e todos os lances que dela fazem parte têm uma história para contar. E nessa história não se fala em matar; fala-se sim no trabalho que o nosso cão fez, na forma alegre com que nos trouxe a peça de caça ou no jantar delicioso (sem hormonas e antibióticos) que ela nos proporcionou.

Este fim de semana foi exemplo disso mesmo. Depois do Martín fazer um trabalho extraordinário com um faisão, de pará-lo e cobrá-lo, dificilmente, numa ribeira; foi tempo de preparar esta peça de caça (depenar e arranjar, para posteriormente cozinhar).

 

 

Depois, foi tempo de dar asas à imaginação. Que receitas poderia fazer com este faisão? E que tal faisão no forno com molho de maçã e canela? Foi o que fiz e ficou delicioso. Deixo-vos a receita!

 

Ingredientes:

  • 1 faisão
  • 3 cebolas
  • 50g de manteiga
  • 1 copo de vinho branco
  • 2 maçãs
  • 4 paus de canela
  • Sal qb
  • Pimenta qb
  • 1 colher de chá de Maizena
  • Azeite

 

 

Preparação:

Depois de arranjar o faisão, lavá-lo bem e deixar secar, esfregue o interior com sal e junte dois paus de canela. 

No tabuleiro de ir ao forno, coloque azeite e as cebolas cortadas em rodelas, os restantes dois paus de canela, sal, pimenta e o vinho branco. Coloque o faisão e leve ao forno, a cerca de 220 graus, deixando cozinhar cerca de 45 minutos (esteja com atenção, pois varia de forno para forno). Não deixe queimar, vá regando com o molho, caso isso aconteça. 

 

 

Quando estiver pronto, coloque o faisão num prato; e o molho que sobrou no tabuleiro num tacho, juntando a Maizena diluída num pouco de água fria. Leve ao lume até engrossar retificando, se necessário, os temperos. 

Descasque as maçãs em rodelas, retirando os caroços, e saltei-as em manteiga. 

Sirva o faisão com este molho e as rodelas de maçã. Pode acompanhar com arroz selvagem com amêndoas (como eu fiz) ou, se preferir, com batatas.

 

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O sabor que estes pratos têm é incomparável. Os "caçadores de supermercado ou do talho" nem imaginam como a carne pode ser tão diferente, principalmente, devido à história que ela conta!

Bom apetite!

ML.

 

De quem é a culpa dos incêndios?

Desculpem-me, mas não consigo parar de pensar em tudo isto dos incêndios. Não consigo parar de pensar no que poderá ter originado isto mas, sobretudo, nas pessoas e nos animais que morreram. No pânico e na aflição que se viveram. Como é que um ser humano pode estar preparado para viver momentos destes? Sim, como é que se preparam estas pessoas? Onde é que vão arranjar coragem e força para tudo isto? Realmente, o ser humano é incrível e talvez seja por isso que me dediquei a estudá-los durante anos. 

Sou curiosa. Muito curiosa. E tive de conhecer os culpados destas tragédias. Esse é um dos pontos fulcrais - conhecer quem é o culpado. Bem sei que o mal já está feito e isso não leva a nada. Mas para aquelas pessoas que perderam alguém, que perderam alguma coisa, é essencial saberem de quem foi a culpa. Porque todos sabemos que a culpa não é dos incêndios, mas sim de alguém que os ateou. Ou de alguma "força superior", como as temperaturas. Há um culpado e é nesse culpado que estas pessoas precisam de descarregar a sua raiva e a sua tristeza.

Porque agora, tudo é ainda recente, e as emoções estão muito difusas. Mas quando começarem a voltar ao dia a dia e às rotinas, os sentimentos mais negativos virão ao de cima, e terão de fazer um processo de luto.

 

Então, de quem é a culpa dos incêndios?

Diz-se que é do Governo e dos governantes que temos, porque não tomaram medidas de prevenção e porque poderiam ter evitado muitos dos incêndios que deflagraram. Estou de acordo! Há falta de uma politica florestal correcta, de ordenamento, limpeza e vigilância das matas. Isso não acontece porque foi extinto o Corpo de Guardas Florestais que existia nos Serviços Florestais e os seus efectivos foram integrados na GNR. Então e quem cuida das matas agora? Ninguém! Ou são os donos das terras que se preocupam ou são os caçadores que, por livre vontade, se dedicam à limpeza das matas, como já contei há algum tempo atrás. De resto, ainda se acredita nas histórias da Diseny e que a natureza se equilibra sozinha; e que, quando houver um fogo, "ela saber-se-á defender". Que irrisória utopia! 

Este governo colocou de lado os verdadeiros sábios florestais; aqueles que todos os dias andavam no terreno, que conheciam as florestas como a palma das suas mãos. Que sabiam o que fazer, quando fazer e como fazer. O mundo rural é deixado de lado, constantemente, para dar lugar a uma política citadina, onde importa se os cães podem ou não ir comer aos restaurantes.

 

Outro dos grandes culpados, é o tempo e as condições metereológicas. Mas, aqui, sabemos que não podemos atuar. Não temos, nem nunca teremos, o poder de parar o vento ou fazer com que chova, quando queremos. Então temos de nos adaptar a essa situação e às constantes mudanças climáticas. Mas, e permitam-me dizê-lo, se houvesse a tal prevenção de que se fala, o tempo talvez não tivesse tido o efeito que teve. No Alentejo, as temperaturas são mais altas; a seca é extrema e, se formos analisar os incêndios que aí existiram, depressa nos apercebemos que, secalhar, o tempo não é a premissa que dispulta tudo isto.

 

O ordenamento do território. Falou-se muito dos eucaliptos e de que os fogos se propagram porque teria sido num eucaliptal. Se fosse com outra espécie, as coisas não teriam acontecido desta forma. Paulo Fernandes, demonstrou que um povoamento florestal pouco gerido e com elevada densidade de matos reage ao fogo de forma semelhante, independentemente da espécie dominante. "Se houver montado em que o sub bosque não é gerido, não havendo uso agrícola ou de pastoreio, pode haver fogos de 20 mil hectares em sobreiro, como no ano passado, na serra do Caldeirã", salienta Henrique Pereira dos Santos.

Portanto, não será a forma como se gerem as florestas, mais importante do que a espécie dominante? Ou é mais fácil desculparem-se com o eucalipto?

 

Não podia deixar de pensar (e falar) nos incendiários, por mais que nos custe pensar que há pessoas assim. Mas a verdade é que estes incendiários ateiam o fogo, com o intuito de obter ganhos económicos, para expressar ideias sociopolíticas, encobrir cometimento de outros crimes, por vingança, como “comportamento decorrente de incapacidade do sujeito avaliar as consequências dos seus atos (demência, deficiência mental ou intoxicação por substancias), ou ainda com o intuito de se conetarem com o corpo de bombeiros, querendo tornarem-se num” (APA, 2006). 

O Federal Bureau of Investigation (FBI) sugere que os incendiários possuem seis motivações principais para a prática do delito: Vingança; Excitação; Vandalismo; Lucro; Ocultação de outro crime e Extremismo (Kocsis, 2010).

Em Portugal existe um estudo intitulado “Tipologias dos incendiários portugueses e as suas implicações para a investigação e estratégias de prevenção”, que projeta como objetivos a caracterização criminal, psicológica e social dos incendiários em questão. As variáveis estudadas estão relacionadas com o comportamento criminal, aspectos sociais demográficos e questões psicológicas e jurídico-penais (Soeiro & Guerra, 2014) e são as seguintes: os incendiários portugueses são, sobretudo, do sexo masculino, solteiros, entre os 20 e 35 anos de idade. São analfabetos ou com o 1º ciclo. Como ignição dos fogos utilizam velas, fósforos e isqueiros, sobretudo, em florestas.

Assustador, não é?

 

 

Existem também os pirómanos. A piromania pode ser definida como uma “perturbação rara do controlo dos impulsos, caraterizada por um padrão contínuo de comportamentos incendiários de forma propositada por prazer, gratificação e libertação da tensão” (F. Almeida & Paulino, 2012). Existe um fascínio, interesse, curiosidade e atração pelo fogo. Posteriormente, sentem prazer, gratificação ou alívio no decorrer e no testemunho do incêndio, bem como no seu rescaldo (APA, 2006). Os incêndios incitados pelos pirómanos, frequentemente à noite, são por preceito provocados à pressa e de forma desorganizada, utilizando fósforos, jornais para iniciar o delito. Por norma, provocam numerosos incêndios até serem capturados (Holmes & Holmes, 2009)

Frequentemente, estes sujeitos confessam o crime ou admitem a culpa, apesar de não sentirem remorsos, arrependimento ou responsabilidade pelo seu comportamento. Normalmente, encontrando-se calmos e são colaborantes durante a detenção”, (Almeida & Paulino, 2012,).

 

Por interesse, ou por doença mental, estas pessoas cometem crimes terríveis e, muitas vezes, são perdoadas com penas suspensas. E com isto poderíamos falar sobre a justiça no nosso país. Mas já chega de desgraças!

 

Através de dados do Sistema Europeu de Informação de Incêndios Florestais do Centro de Investigação Comum da Comissão Europeia, é possível constatar que Portugal, bem como Espanha, França, Itália e Grécia, são dos países mais fustigados a nível Europeu pelos incêndios florestais, contudo Portugal, nos últimos anos é o país que retém o maior número de ocorrências. Porquê? 

No ano de 2013, houve um prejuízo ambiental e material na ordem dos 219 milhões de euros, sendo este valor superior em 14, 6 milhões de euros ao valor médio da década anterior. E este ano, qual será o prejuízo, tendo em conta que ardeu bem mais que em 2013? E nem falo no prejuízo para as milhares de pessoas que viveram este drama... Porque esse não pode ser pago, nunca! E esse os governantes nunca poderão comprar!

 

Talvez estes culpados percebam, de uma vez por todas, que o povo português só quer ser feliz ou, pelo menos, viver minimamente bem, num país desenvolvido e que é o melhor destino europeu para o turismo. Bem sabemos que devemos ter as nossas cidades limpas para os milhares de turistas que nos visitam e que fazem crescer a nossa economia.

E as nossas florestas? E o mundo rural? Não merecem isso?

 

(Isto é para vocês, que perderam a esperança e a vontade de viver. Para saberem que, um dia, tudo vai ficar bem e tudo irá voltar ao normal. E que os culpados serão apanhados e que a justiça será feita. Porque eu sei que, neste momento, a revolta é grande e os culpados terão de ser "apanhados"

Justiça! Neste momento, é somente isso). 

ML.

 

Bibliografia: Ferreira, Sandra. 2015. Incendiários - entre os media e a realidade. Instituto Superior da Maia

                     Dos Santos, Henrique Pereira. 2013. Fogos e eucaliptos. Jornal Público.

 

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Não vos perdoamos mais!

Perdoem-me... Mas cansei-me de perdoar tanta ignorância, tanta maldade e tanta incompetência!
Perdoem-me... Mas nós já não conseguimos perdoar-vos mais!
Nem aqui, nem no céu ou no inferno...
Tantos que morrem, tantos que ficam feridos, tantos que choram e entram em desespero. E vocês o que fazem?
Limitam-se a encontrar palavras estúpidas (e caras) para que o parvo do português vos consiga perdoar.
Mas já chega! Que se lixem todos...

 

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Consequências da seca!

Uma ponte romana que ligava São Cristóvão a Santa Susana. Uma ponte romana que estava submersa há cerca de duas décadas. Uma ponte romana que é possível visitarmos hoje em dia, devido à seca extrema que esta a "assombrar" o Alentejo. 
É bonita, não haja dúvida, mas a situação de hoje em dia é extremamente grave e várias são as consequências. Basta visitarmos esta ponte romana, que vemos logo os milhares de peixes que já morreram... 
A natureza comanda a vida, cada vez mais tenho certezas disso!

 

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O destino que eu não escolhi para ti!

Fui buscá-lo em cachorro. Tinha cerca de 2 meses. Quando lá cheguei, olhamos um para o outro, e talvez aquilo tenha sido o que chamam amor à primeira vista. Gostei logo dele. Apaixonei-me logo por ele. E ele por mim.

Viemos juntos para casa. Na viagem, ele estava mal disposto. "Coitadinho, é a primeira vez que anda de carro", pensava eu. E enquanto ele fazia uma cara esquisita, eu ia pensando no nome que lhe iria dar. Há tantos nomes hoje em dia. Tudo é permitido para se chamar a um cão; desde nomes de pessoas, a nomes de objetos, de outros animais. É um mundo, e eu analisei este mundo por alguns momentos. Não precisei de mais. Porque mal o vi sabia que ele seria o meu King, e assim foi. Ele chamar-se-ia King. 

Olhei para ele, "King", disse eu, com um sorriso timido (confesso que tinha receio que ele não gostasse do nome). 

Ele, com aquele ar enjoado, olhou para mim e abanou o rabo.

Sim, serás o King!

 

Chegamos a casa e tudo estava preparado para receber o King. Havia uma cama à sua espera, havia uma tigela com água e outra com ração para cachorros e um brinquedo para que ele se pudesse divertir.

Ele gostou, eu senti-o. Começou a brincar, a roer as coisas e a comer como um desalmado. Assim começaram os nossos dias. Ao início, ainda choramingava, mas depois era mesmo o King lá de casa.

Todos os dias íamos passear ao campo, quando eu me despachava do trabalho. Era a maior alegria dele. Corria sem conseguir parar. Gostava de correr atrás das borboletas e dos pássaros. E, tempos mais tarde, gostava de parar as borboletas e os pássaros.

O King era um cão de caça e, quando o fui buscar, além de ser o nosso cão de companhia, iria ser o meu cão de caça, o meu fiel amigo que me acompanharia para todo o lado.

E assim foi. O King ia comigo para todo o lado. Se eu fosse ao supermercado, ele saltava logo para a carrinha e vinha comigo. Se eu fosse por gasóleo, e não o deixasse vir comigo, começava a mordiscar-me os pés e não me deixava ir embora sem ele. Éramos unha e carne, literalmente. 

E todos os fins de semana, quando podíamos, íamos à caça. Talvez esta fosse mesmo a coisa que ele mais gostasse de fazer. Tenho a certeza disso. E por isso levantava-me às 3 ou 4 da manhã, a chover torrencialmente lá fora, e a marcar -5 graus. E ia-te acordar. Abrias os olhos, percebias o que se estava a passar, e começavas a rodopiar e a dar pulos de alegria. Estavamos tão felizes. Éramos tão felizes.

 

Até ao dia em que te fui acordar, em que fizemos a mesma festa por irmos caçar e em que chegamos ao campo com a mesma energia. Abri a porta do carro e pulaste. Vieste logo para cima de mim, mesmo que eu te dissesse que isso não se fazia. Neste ponto nunca me respeitaste. Talvez fosse a quereres demonstrar o amor que tens por mim. E por isso nunca me chateei contigo.

Começamos a nossa jornada de caça. Ainda me lembro que paraste uma perdiz e que depois a cobraste, com o rabo a abanar cheio de alegria. Eu baixava-me sempre para receber o que me trazias. E tu, depois de me dares a peça de caça, davas-me também uma lambidela. Era sempre assim. Alguns olhavam para nós de forma estranha, mas nós não nos importavamos. Éramos felizes assim, ao nosso jeito.

E eis que, num terreno mais difícil, cheio de mato e estevas, comecei a estranhar não te ver. Mas pensei que poderias estar a bater terreno mais à frente. Tinhas esse dom e fazias a magia acontecer, na caça. 

Mas comecei a ficar preocupado. Uma preocupação que nunca ocorreu antes.

Chamei-te.

"King".

Bastava isto para vires. Mas não vieste. Chamei-te novamente. Três, quatro, dez, vinte vezes. E nada. Comecei a ficar demasiado aflito. O meu coração começou a palpitar com muita força e com muita dor. Não sei explicar o que sentimos quando achamos que algo de mal poderá acontecer a qualquer momento.

Apitei e apitei. Não estavas habituado ao apito, mas poderia ter algum resultado. Nestes momentos, tudo conta.

"King, King". Nada.

Comecei a correr, que nem um louco, a partir mato e estevas à minha frente. Talvez parecesse um javali a fugir de alguma coisa. Não via nada nem ninguém à minha frente. Não percebi o que se estava a passar. Não poderias ter fugido, não poderias ter-te perdido. Só tinhas 7 anos. Estavas no auge. 

Talvez houvesse alguma armadilha no terreno. Teria de descobrir. Um poço ou alguma ravina, sei lá... Corri. Corri até as forças me faltarem. Até a noite cair e até os meus companheiros me dizerem que não valia mais a pena. Eles foram-se embora, eu fiquei lá. Para mim valia a pena, perder minutos, horas, dias, fosse o que fosse, só para te encontrar.

Naquele dia, fiquei lá até a minha mulher me ligar em pânico. Expliquei-lhe o que estava a acontecer. E ela, a chorar compulsivamente, apenas me disse "Vem para casa por favor, amanhã vamos os dois aí".

Fui até ao carro e não sei dosear a dor que senti. Acho que nunca tinha sentido uma dor assim, tão forte e tão limitativa. Ela não me deixava entrar no carro e ir assim embora. Mas, por outro lado, a razão obrigava-me a ir. Era noite escura, não se via nada e eu já andava ali há 10 horas, sem comer, nem beber nada. 

Liguei o carro e fui-me embora. As lágrimas começaram a escorrer-me, com uma força incalculável. Nunca tinha chorado assim. Mas porque também nunca tinha sofrido assim.

"Onde é que tu estás, King?", pensava eu. 

 

Voltei lá todos os dias seguintes. Estava a 300 km de casa. Mas, ainda assim, voltei lá. Segunda, Terça, Quarta, Quinta e Sexta. Chegava por volta das 09h e saía por volta das 7 da noite, quando começava a escurecer. E nada. Nunca nada. Nunca tive uma única pista ou um único vestígio de ti. 

E não era só eu. Todos faziam esforços para te tentar encontrar, desde a GNR, até aos habitantes da aldeia mais próxima.

Mas nada. Nunca nada.

Todos os dias era mais difícil, porque todos os dias começava a pensar que nunca mais te iria ver. 

E nunca mais te vi. Até hoje. 

Passado dois anos consigo escrever esta história; mas passado dois anos o aperto no coração é igual. Não sei se fui eu o culpado. Não sei se há algum culpado. O que sei é que nem eu, nem tu merecíamos ficar um sem o outro. E isso aconteceu.

Mas, também sabemos os dois que, estejamos onde estejamos, seremos sempre os melhores companheiros; e sempre que eu for pôr gasóleo, tu estarás a mordiscar-me os pés.

ML.

 

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Rural Beja 2017

De 5 a 8 de Outubro, decorreu a Rural Beja, uma Feira do mundo rural, que reuniu o setor da caça, da pesca, da agricultura e dos cavalos e festa brava. Este evento pretendeu promover o desenvolvimento sustentável e integrado da região constituindo-se como um evento estratégico de afirmação das potencialidades e recursos naturais do território, em que se aliou a tradição e a inovação, a produção com a transformação, a criatividade com a competitividade, num espaço igualmente rico em manifestações culturais e etnográficas.

Esta feira foi um enorme sucesso; principalmente devido às várias atividades que existiram. Desde palestras, Provas de St Huberto, Provas de tiro aos pratos, I Open de Pesca Desportiva, vinhos, gastronomia, mostra e concurso de aves, turismo, provas de pastoreio, demonstração de cães de parar e vários espetáculos (cante alentejano; concertos; sevilhanas e dj´s).

 

Foto de 1º Salão De Caça E Pesca.

 

 

Foto de Luís Filipe Assunção Figueira.

Foto de Luís Filipe Assunção Figueira.

 

Quero deixar aqui o meu agradecimento ao Luis Filipe Assunção, pelo convite que me endereçou para palestrar sobre os jovens na caça. Além disso, quero também felicitá-lo por todo o trabalho desenvolvido, na parte da caça. Estava tudo maravilhoso.

Relativamente à conferência, o cartaz era o seguinte:

 

Uma conferência em que foram abordados alguns assuntos pertinentes que nos permitiram pensar sobre o futuro da caça. Cada vez há menos jovens, cada vez há menos caçadores em Portugal mas as portencialidades são muitas, tal como noutros países, em que o número de caçadores jovens aumenta cada vez mais. Há que apostar na formação dos jovens e na comunicação que é feita. Há que perceber, de uma vez por todas, que a caça é sinónimo de conservação.

Foi também abordada a questão da agricultura, onde o João Banza falou sobre os estragos que os javalis têm feito nas suas culturas, por exemplo. Obviamente que quando falamos em agricultura e caça há muitos pontos a serem debatidos, principalmente, perceber a influência que esta tem sobre as espécies cinegéticas. 

Foi ainda debatido um tema muito importante, as doenças da caça maior, em que se falou da brucelose, leptospirose e tuberculose (doenças de origem bacteriana); da triquinelose e equinococose (parasitas) e da Doença Aujezsky (vírus). Obviamente que há que ter muito cuidado, e todos os conselhos foram de extrema importância.

Houve pouco tempo para o debate mas, ainda assim, ouviram-se algumas questões e percebeu-se a importância de formar gestores cinegéticos, de atrair mais caçadores a Portugal, nomeadamente com o turismo cinegético e, claro, de tomar medidas para que possamos ser vistos como os maiores amigos da natureza.

 

Mais uma vez um obrigada a todos os presentes e que se comece então a fazer alguma coisa...

ML.

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