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Diário de uma Caçadora

Diário de uma Caçadora

Passatempo Black Friday Colete de Caça: RESULTADOS

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Chegou a hora de revelar o nome do vencedor do Passatempo Black Friday - Colete de Caça, levado a cabo pelo Blog Diário de uma Caçadora e pela Espingardaria O Veado!

 

Relembro que em causa estava um Colete Bearn da North Company.

 

Para participar, bastava tornar-se fã da página de facebook Diário de uma Caçadora e da página de facebook da Espingardaria O Veado, identificar três amigos nos comentários e preencher, uma única vez o Formulário.

 

O vencedor foi escolhido aleatoriamente, através do random, que determinou o seguinte resultado...

 

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O resultado foi a 9ª participação que, de acordo, com as inscrições que tivemos, foi a seguinte pessoa:

 

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Muitos parabéns ao vencedor, Paulino Martins, que em breve será contactado!

E muito obrigada a todos os leitores que participaram...

Em breve teremos mais passatempos e poderá ser a tua vez de ganhar :)

 

 

O que significa ser Caçador!

Eram 5:30 quando tocou o despertador. Acordei num ápice, até porque o sono nunca havia sido profundo, durante a noite. O nascer do sol estava ainda a meia hora de distância, quando entramos no carro, para mais uma longa viagem. A ânsia de querermos chegar ao destino, leva-nos a sentir que há determinadas alturas em que o tempo passa mais devagar do que é costume.

A adrenalina começa a tomar conta de mim. Os sons! Os sons são tão nossos, tão únicos. O som dos cães a sairem, o som das culatras a bater, o cantar dos passarinhos e as vozes que se escutam alegremente. No fim de contas, é preferir o silêncio da natureza ao ruído das cidades... E esse é o som mais bonito de toda esta jornada!

 

O sol tentava entrar nas nuvens, timidamente; enquanto eu percorria trajetos cheios de histórias para contar, e aproveitava a solidão típica de um caçador em meados de novembro. Enquanto andava, sentia os cheiros da natureza, o cheiro da chuva e as folhas com orvalho. Sentia o cheiro da vida. Da vida que eu escolhi.

Tinha o chão aos meus pés, mas o céu era o meu limite... E até lá sonharia bem alto, com uma ousadia particular, em que os "mas" não são admitidos. Tudo é claro, e tudo é simples, como uma ribeira que faz o tique taque da água que escorre constantemente.

Vi um melro, que saiu de forma assustada entre as silvas. Com o seu cantar peculiar, dava conta que algo poderia ali estar. Um javali ou uma raposa, um saca rabos ou até um cão. Certo é que o coração dispara e a adrenalina incide sobre nós (novamente).

Olho para a minha espingarda e não consigo ficar indiferente.Esta espingarda poderia contar-me tantas histórias. Era do meu avô. Ele ficaria tão feliz se soubesse que a uso. Não sei se a uso como ele a usava, mas é certo que a trato com todo o cuidado. Recordei-o. Mas cada vez que o recordo dói. Dói como o álcool que entranha numa ferida aberta. Mas não sentir nada, dói ainda mais.

Aprendo constantemente mas, quiçá, serei uma eterna criança. Não quero saber tudo, nem ser racional. No campo, enquanto vivo a verdadeira vida, não vale a pena pensar racionalmente. Nem pensar sequer... Vivo somente!

 

Tenho o meu cão parado. Olha de lado para mim, como se estivesse a chamar-me. Vou rapidamente ter com ele e sinto-o ficar mais tranquilo, apesar de toda a tensão que tem naquele momento. Será que ele fá-lo por mim ou por ele? Creio que seja um bocadinho dos dois. Fá-lo porque me adora; mas fá-lo essencialmente porque adora caçar. E com isto é um cão completo, e feliz à sua maneira. Bem feliz, estou certa!

É a cama de uma lebre. Não está lá, já deve ter fugido. Espertas! Ele percebe-o, e continua a caçar, com o rabo a ditar toda a sua felicidade.

 

Sinto um frio na barriga e um nó no estômago. As pernas tremelicam várias vezes ao dia. Sinto que tenho de ser ágil para ter sucesso e que terei de adotar novas técnicas quando não o consigo. Descomplico tudo aquilo que parece ser complicado. Essa é outra parte mágica da coisa.

 

Depois de atirar a uma perdiz, o cão corre alegremente para a ir buscar. E lá vem ele, com um ar maravilhoso, a trazer-ma. Agarro nela, e agarro-me ao cão. Sinto-me feliz, não por mim, mas por nós. Fizemos um bom trabalho, companheiro. Ele salta para cima de mim, e lambe-me as mãos. Agarro na perdiz, limpo-a, e olho para ela. Uma perdiz já velha, que teve um fim que nem sentiu. Talvez nunca tivesse sido atacada por nenhum predador. Comecei a pensar no que iria fazer com ela: uma canja ou um estufado?

 

Passamos por três burros e pelas vacas com os bezerros. Estão todos tão curiosos. O meu cão não gosta, mas acalmo-o. Penso no quão sortuda sou. Na qualidade de vida que tenho. Nas paisagens que vejo, nos sons que ouço e nos cheiros que sinto. Tudo tão peculiar da nossa natureza.

 

E isto resume-se, somente, a uma bolha. A uma bolha de felicidade, em que apenas nos consegue envolver a nós, caçadores. Talvez por isso os outros, aqueles que não caçam, não consigam perceber o que se passa dentro dessa bolha. E é dificil, porque ela não rebenta...

Queremos continuar a manter o nosso cérebro no lugar onde ele se encontra: no coração!

E essa é a melhor parte de um verdadeiro Caçador!

ML.

 

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PASSATEMPO Black Friday - Colete de Caça!

Hoje é dia de Black Friday em tudo o que é sítio e, seguindo a tendência, decidi também que hoje seria Black Friday no Blog e decidi oferecer-vos um miminho.

Para isso, a Espingardaria O Veado juntou-se a esta iniciativa e oferece este Colete versátil para a caça, disponível em vários tamanhos.

Um colete de caça 65% algodão e 35 poliesterque. Tem um bolso traseiro para peças de caça ou cartuchos vazios; dois bolsos dianteiros; um bolso interior para documentos ou telemóvel, e também proteção de ombro. 

 

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A Espingardaria O Veado é o concretizar de um sonho. Manuel de Faria, farmacêutico de profissão, decidiu abrir esta loja em 2001, situada no Minho (Vila Verde, Braga), dada a sua paixão pela natureza e pela caça. Depressa a sua família se juntou neste sonho. Hoje em dia, a sua filha, Bárbara Faria, é a gerente da loja.

A Espingardaria O Veado comercializa uma vasta gama de produtos direccionados para a caça, pesca e lazer, representando as maiores e melhores marcas presentes no mercado. Tem como prioridades a qualidade e a fiabilidade e como objetivos a prestação dos melhores serviços aos clientes. E estou certa que têm conseguido isso mesmo, dada a simpatia e profissionalismo de todos.

 

PASSATEMPO

 

Para participar no Passatempo e ganhar este Colete de Caça no valor de 35€ + IVA basta que:

 

1) Façam like na página Diário de uma Caçadora

2) Façam like na página da Espingardaria O Veado

3) Façam um comentário na publicação do Facebook onde identifiquem 3 amigos.

4) Preencher o formulário.

 

Qual é o Caçador que não gosta de um colete?

Boa sorte a todos :)

 

* Passatempo a decorrer até à meia noite do dia 29 de Novembro de 2017, em Portugal Continental. Podem participar todas as pessoas, com idade superior a 16 anos. Os resultados serão publicados através do sistema random.org e o vencedor será logo contactado. O colete será enviada por correio.

A Caça NÃO é um desporto!

O que é a caça? O que significa caçar?

Penso várias vezes nestas questões, principalmente porque a forma que penso sobre elas é diferente da forma que todos os outros pensam. Os seres humanos são tão iguais mas, por outro lado, tão diferentes. E a Caça consegue-nos mostrar isso mesmo. Que apesar de termos o mesmo gosto, a mesma paixão; temos maneiras diferentes de pensar sobre isso e, sobretudo, de falar sobre isso.

Quis ir mais além e perceber, de uma forma básica, o que nos diz o nosso Dicionário de Língua Portuguesa sobre a palavra Caça. E eis que surge o seguinte: derivação regressiva de caçar; substantivo feminino; Arte de caçar; Ato de caçar; Conjunto dos animais que se caçam; Perseguição ao inimigo ("caça", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa).

Simples. Demasiado simples. Não me transmite nada mais. Não há um sentimento associado ou uma história entre palavras. Mas estamos a falar de um Dicionário, onde essas coisas não existem (creio eu).

Então como posso eu saber o que é a Caça? Falar sobre a Caça e pensar sobre ela?

Ou leio livros, artigos, textos e tudo aquilo que me poderá levar a pensar e fantasiar sobre este tema; ou então falo com outras pessoas, com outros caçadores.

E é aqui que quero chegar. Falar de caça com outros caçadores. Bem sei que todos nós partilhamos esta mesma paixão; mas que nos exprimimos de diferente forma. Não quer dizer que a minha seja a melhor mas, normalmente, gosto de fazer um exercício que nem todos fazem: colocar-me no lugar do outro. Ao colocar-me no lugar do outro que, neste caso, não é caçador, creio que há coisas que temos de ter em atenção; principalmente, quando se diz que a Caça é um desporto.

Várias vezes o ouço. Várias vezes o leio, sobretudo nas redes sociais. “A caça é o desporto que mais gosto”; “Todos temos um desporto que gostamos; o nosso é a caça”, etc., etc.

Nada mais errado! A Caça NÃO é um desporto. Senão vejamos:

Analisando a palavra desporto, depressa nos apercebemos do seu verdadeiro significado. Esta é uma palavra que deriva do francês “desport” e surge na Língua Portuguesa por volta do século XV, com o significado de divertimento. (Divertimo-nos a matar animais???)

No século XIX, esta palavra implementa-se em Portugal, com o seu verdadeiro significado: atividade física; entretenimento; diversão e competição.

Ora, agora pergunto: alguém caça para se entreter? Alguém compete enquanto caça? Alguém caça animais por diversão? Estou certa que não e, por isso mesmo, não podemos dizer que a Caça é um desporto.

A Caça é tão mais que isso. É uma arte, uma nobre arte.

 

Então porque ainda associam a Caça ao desporto?

Isto surgiu em Inglaterra, com o conceito Sportsman. Este conceito atribuía algumas regras (tal como no desporto) ao homem que ia à caça. E, portanto, se existiam regras em todos os desportos e se isso começou também a ser aplicado na caça, a caça seria um desporto. Nada mais errado!

Posteriormente, no século XIX, surge outro termo: o Professional Hunter, onde a caça estava associada a fins comerciais. Um dos grandes exemplos disso mesmo foi Buffalo Bill, que caçava búfalos e vendia a carne para os operadores das estradas de ferro.

Então, isto veio também suportar a ideia de que a caça seria um desporto; pois já havia profissionais que faziam disto vida; assim como no desporto, onde havia os grandes atletas, os profissionais, que faziam disso vida. Mas, mais uma vez, o conceito estava errado. Mas arrastou-se e veio até aos dias de hoje.

E, hoje em dia, esta é uma das consequências de tudo isto. E quando há caçadores que intitulam a caça de desporto, é difícil contrariar outras mentalidades.

“Matam por desporto”; “em vez de jogarem futebol, matam animais”; “quem pode gostar de matar animais por desporto” (…) Estes são os típicos comentários mais ouvidos. Mas é normal. É normal, devido às atitudes que muitos caçadores têm. É normal porque não nascem num mundo onde possam conhecer a essência da caça. Não conhecem as histórias que existem. Não sabem o que é sentir o coração a palpitar de uma forma inigualável. Não percebem que se mata por consequência e não por objetivo. Nunca lhes contaram a história do antes e do depois da caça a uma presa.

E sabem… Não os podemos condenar! Talvez apenas possamos condenar a ignorância, o não quererem saber mais e colocarem logo juízos de valor. Mas, no fundo, fora isso; como poderemos condená-los? Se, entre nós caçadores, não conseguimos expressar-nos da melhor forma. Não conseguimos ter as melhores atitudes. Não conseguimos exprimir aquilo que realmente é a caça. Se intitulamos esta arte de desporto.

Mas… Será que algum de nós sabe verdadeiramente o que é a Caça? Será que a Caça pode ser explicada somente por palavras? Talvez sim, talvez não…

Mas estou certa de que eu nunca conseguirei exprimir nestes meus escritos aquilo que sinto física e psicologicamente. Podem existir palavras, mas talvez eu ainda não as conheça… Talvez nunca venha a conhecê-las.

E, enquanto isso, deixo-vos aqui um excerto que me arrepiou. E talvez este caçador tenha conseguido conhecer as palavras mágicas que exprimem a magia que eu e todos nós vivemos.

 

“Não mates, caça! Porque não é o mesmo matar e caçar. Perseguição, aproximação e a morte da peça, sempre exigiu esforço físico caçador e acuidade mental. E, enquanto o exercício da caça contribua para o desenvolvimento dos seus músculos e do aguçar dos seus sentidos, seja para você uma atividade nobre, regida pela eterna ética biológica. Uma única peça que te exija uma tarde inteira de perseguição, uma espera dolorosa desafiando o vento norte ou um cálculo laborioso de estratégia de caça, representará a maior realização e dedicação que cem infelizes animais abatidos confortavelmente e sem fadiga. Porque não é a quantidade de capturas que forma e enobrece o caçador, mas a qualidade das mesmas”, Félix Rodriguez de La Fuente (naturalista) (1928-1980)

ML.

 

(Artigo publicado na Revista Caça e Cães de Caça, Edição de Dezembro)

 

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Caçadores colaboram no estudo da doença hemorrágica viral

Como é do conhecimento comum, a espécie coelho bravo, está a ser dizimada devido à doença hemorrágica viral. Este é um problema gravíssimo que afeta não só a espécie em si, como os restantes animais, como é o caso do lince - se não têm base de subsistência, será difícil a sobrevivência.

 

Há algum tempo várias entidades criaram o projeto MAIS COELHO, que tem como objetivo a recuperação do coelho bravo. Para isso, começou por haver uma recolha sistemática de amostras de sangue, tecidos (fígado, baço e duodeno) e parasitas em coelhos abatidos em zonas de caça. 

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A ANPC selecionou um conjunto de 14 zonas de caça cujos concessionários e gestores se disponibilizaram para colaborar no projeto, permitindo não apenas a recolha de amostras em coelhos caçados durante a época venatória, como a recolha de cadáveres de coelhos encontrados ao longo do ano, para além de um trabalho de monitorização detalhada das populações de coelho e de predadores, por forma a detetar flutuações populacionais e a determinar a suas causas, ao que acresce um trabalho de caracterização detalhada dos modelos de gestão utilizados, com destaque para as medidas destinadas à recuperação das populações de coelho bravo.

E este fim de semana, a ANPC, juntamente com os caçadores de uma
 Zona de Caça Associativa, em Vila Nova de Milfontes e de uma Zona de Caça Turística, a pouco quilómetros da fronteira com Espanha, na região de Mértola; juntaram-se para a recolha de mais amostras e para conseguirem, efetivamente, ajudar o coelho bravo.

 

Porquê estas duas zonas de caça? Primeiramente, porque são zonas onde ainda existem muitos coelhos e, depois, porque são zonas de caça que albergam (ou albergaram) linces e cujos gestores fizeram (e fazem) grande trabalho para a preservação desta espécie bem como de outras espécies com elevado estatuto de conservação.

A ZCT de Mértola, com 4 exemplares de lince ibérico na atualidade, incluindo crias nascidas este ano, ao passo que a ZCA das Casas Novas ficou famosa por ter acolhido o Hongo, lince espanhol proveniente de Doñana, que veio até Portugal, estabelecendo-se nesta ZCA durante longo período.

Voltando ao Hongo, a presença deste macho de lince-ibérico foi detetada pelas câmaras que a ZCA usa para monitorizar a fauna e comunicada ao ICNF pelos próprios gestores desta zona de caça, em 2013, numa altura em que a espécie era considerada extinta em Portugal. A Direcção da ZCA das Casas Novas foi inclusivamente galardoada com um prémio, pela colaboração que deu na preservação do lince, tendo-se empenhado ativamente para que o Hongo tivesse as melhores condições possíveis e colaborando permanentemente com a equipa de monitorização do ICNF, no terreno. Foi assim, com grande pesar que, passados cerca de 2 anos e meio da primeira deteção do Hongo, tiveram conhecimento da morte deste exemplar por atropelamento (em outubro de 2015, em Vila Nova da Barquinha), no decurso de uma das explorações que este macho periodicamente fazia a outras paragens (talvez em busca de companhia!), sendo que nos anteriores passeios, regressava sempre a Milfontes, onde sabia dispor de comida e tranquilidade.

 

Então, e voltando à história do fim de semana, um grupo de caçadores juntou-se para ajudar neste projeto de investigação. Um dia difícil, com temperaturas muito elevadas e, sobretudo, com um terreno caraterizada pela seca extrema que se vive. Na ZCA de Vila Nova de Milfontes, havia indícios frescos e abundantes da presença de coelhos, contudo, as inúmeras covas (em chão de areia) localizadas em zonas de tojal e zimbral denso, dificultaram em muito a tarefa dos caçadores e dos cães, já que ao menor ruído recolhia tudo para os abrigos -  a progressão (destes e dos cães) no terreno, torna-se particularmente ruidosa e audível a grandes distâncias.

 

E, portanto, apesar de todas estas dificuldades, os cães fizeram um trabalho exímio e permitiram que se recolhesse 20 amostras no terreno. Não podia deixar de fazer um parêntese aos cães, mais concretamente, à raça Podengo Português. Bem sabem o carinho que tenho por esta raça. E a matilha do Nuno Ferro demonstrou ter muito nível, não só pela forma como detetaram a caça mas, sobretudo, pelas condições adversas que tiveram de enfrentar e, ainda assim, nunca desistiram. E quem conhece o podengo, sabe que está é uma das caraterísticas base da raça: nunca desistem, mesmo quando achamos que já não conseguem mais!

 

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As amostras foram surgindo e, enquanto o grupo progredia no terreno, a ANPC recolheu sangue, fígado, baço, duodeno e parasitas dos coelhos caçados, prontamente entregues pelos caçadores para que fosse possível colher o sangue por punção cardíaca, antes que se iniciasse a coagulação.

 

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Creio que, uma vez mais, não existem palavras suficientes para expressar a boa vontade deste grupo de caçadores e a boa vontade deste grupo da ANPC, que se disponibiliza a fazer um trabalho exímio na recuperação desta nossa espécie. Perdem-se dias, horas, momentos em família, momentos de descanso, para conseguir salvar o coelho bravo. Obrigada à ANPC! Obrigada ao Nuno Ferro e à sua matilha! Obrigada a todos os outros caçadores e restantes envolvidos. É por existirem pessoas assim que conseguimos pensar que o mundo pode ser um lugar um bocadinho melhor, todos os dias.

 

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 ML.

 

(Fotografias e parte do texto retirado da página de Facebook ANPC)

Caçadores alimentam animais depois dos incêndios

"Têm que proibir a caça nas zonas que arderam"

"Os caçadores não descansam enquanto não matarem os animais que restam dos fogos"

"Eles só querem estragar o pouco que ainda resta"

(...)

 

Estes são os comentários mais fáceis de se fazer; e os mais pronunciados nos últimos tempos. Mas sabem... Chega a um ponto que nos cansamos... Cansamo-nos de ser humilhados constantemente. Cansamo-nos de viver num mundo onde qurem acabar com a liberdade. Mas, sobretudo, cansamo-nos de viver num mundo onde existem pessoas más, demasiado más; em que o intuito de vida é julgar. Julgar os outros, sem olhar para si próprias. Condenar atitudes que não conhecem nem percebem, em prol de uma moda que os faz sentir bem.

E, portanto, sinto que não vale mais a pena perder tempo com pessoas assim. "Falam muito, mas não fazem nada..." 

E como o importante nesta vida são as pessoas boas, os sentimentos bons e os corações gigantes, trago-vos uma história real de alguém que "fala pouco, mas faz muito". 

Esta é a história de um grupo de pessoas, atacadas constantemente, porque são (imaginem) caçadores. Esta é a história que fez a diferença na vida de muitos animais. 

 

Os incêndios destruiram muita coisa. Para além de vidas humanas, de casas, de carros e de aldeias inteiras; os fogos destruiram a vida de milhares de animais e, consequentemente, a sua casa, a natureza. Árvores ardidas, plantações destruídas, esconderijos que desapareceram e vidas que ficaram queimadas para sempre.

O que temos nós, como cidadãos preocupados com a natureza, de fazer nestas situações? Esperar que as entidades atuem? Esperar que aconteça um milagre? Ou fazermos alguma coisa?

 

Foi isso que uma caçadora decidiu fazer: alguma coisa. Desde pequena que o que mais gostava era de ir para o campo, em Ferreira do Zêzere, brincar e acompanhar o seu pai. Quando cresceu, esse passou a ser o seu ritual e a natureza era, sem dúvida, a sua segunda casa. Mesmo trabalhando em Lisboa, todos os fins de semana voltava à sua terra de origem, onde conseguia chegar à natureza, com os seus cães e descomprimir, respirar ar puro e ser verdadeiramente livre. Conhecia todos os cantos daquela paisagem absolutamente incrível. Mas, de um dia para o outro, tudo desapareceu. Toda a sua infância, toda a sua juventude, tudo foi destruído, num ápice. Foi isso que sentiu, quando ligou a televisão e viu Ferreira do Zêzere a arder. As lágrimas escorriam-lhe. A dor era forte, muito forte. Por todos aqueles que lá estavam, mas por tudo aquilo que nunca mais veria. 

Chorou. Chorou muito. Pensou em quem poderia ter sido o culpado. Mas não era isso que importava naquele momento. Ligou para todos, confirmando que estavam bem, mas despedaçados. Assim como ela.

Depois de fazer o seu luto, das suas coisas, da sua segunda casa, decidiu pôr mãos à obra. Tinha de fazer alguma coisa; tinha de devolver à natureza um bocadinho de amor e de alegria, que ela lhe dava constantemente. 

E então decidiu ir ao local para ver como estavam as coisas:

 

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Sobraram umas árvores queimadas. O sol queria penetrar-se entre elas, mas até isso parece ser impossível. "O momento em que vês que tudo aquilo que conhecias se desvaneceu, é inexplicável. Não consegues pensar em nada. Só consegues sentir. Raiva, dor, zanga. Com o mundo, com todos à tua volta. E sentes que, por vezes, a vida é uma grande injustiça e que não há milagres. E eu senti que tinha de ser o milagre para o que restava aqui".

 

E foi isso que fez. Transformou-se no milagre para milhares de espécies que conseguiram sobreviver. Arranjou um grupo de pessoas que a ajudaram - com alimentos, com deslocações e com ajuda física. 

 

Começaram a ir a Ferreira do Zêzere todos os fins de semana e levavam muitos quilos de milho e trigo, para alimentar os animais. Além disso, criaram bebedouros para que não faltasse o indespensável à vida: a água.

 

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De Lisboa a Ferreira do Zêzere são cerca de 170kms para lá, 170kms para cá. Pagam-se portagens. Paga-se gasóleo. Paga-se manutenção do carro. Só não se pagam as horas livres que se perdem a ajudar algo ou alguém. Creio que realmente não há dinheiro que pague isso. Mas há muitos sentimentos bons que o conseguem fazer. E há muitas imagens também que o descrevem. E mostro-vos o exemplo disso:

 

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Passadas somente duas semanas este era o resultado. Pegadas de vários animais. Ou seja, o trabalho que todos tiveram estava a dar frutos. Os animais iam-se alimentar e refrescar no sítio que os caçadores estiveram a cuidar e preparar.

Esta é uma história básica para muitos: um grupo de pessoas que levava comida todos os fins de semana para os animais. E os animais alimentaram-se dessa comida. 

Mas sabem é tão mais que isso... Ninguém consegue perceber a dimensão destes actos, porque não os viveu e porque não tem a perceção de toda esta envolvência. 

Agradeço-vos a vocês caçadores por serem quem são e por terem estas atitudes tão importantes, que salvam a vida de milhares de animais, a quem lhes foi tirado tudo (alimento, casa, etc.).

Obrigada Helena e parabéns por seres assim, humana, preocupada e sensível a estas causas!

Que ruins são os Caçadores...

ML.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O concretizar de mais um sonho!

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OBRIGADA! 
Obrigada do fundo do meu coração a todos vocês! À minha família, aos meus amigos e a todos aqueles que me felicitaram.
Sou uma sortuda por vos ter à minha volta, mas sou ainda mais sortuda por fazer aquilo que mais gosto! Este blog é prova disso!
E realizei mais um sonho neste dia: estar com os golfinhos!
OBRIGADA 

 

A Caça tem um grande impacto na conservação da vida selvagem!

Li um artigo de Brandon Butler, o diretor executivo da Missouri Conservation Federation. Como o achei tão interessante e como partilho desta mesma opinião: os caçadores são os maiores conservadores da natureza, decidi partilhar convosco algumas das ideias base deste artigo e alguns dos exemplos práticos e reais que não deixam margem para dúvidas. 

Com base na ciência e nas evidências concretas, estou certa de que as pessoas conseguirão perceber que os caçadores são os mais interessados na conservação da natureza e das espécies.

 

O que é, então, a conservação? A resposta é simples: a conservação é, nada mais, nada menos, que o uso sábio dos nossos recursos. Vamos dar um exemplo, para ser mais simples. Quando se cortam árvores, para uso da madeira, não se cortam todas. Deixa-se sempre um certo número de árvores, para haver uma conservação para o futuro. Passa-se a mesma coisa na caça e na pesca.

Hoje em dia, as pessoas não sabem o que é a verdadeira conservação da natureza e das espécies. Ou então preferem não saber... Argumentam opiniões, ignorando os verdadeiros factos!

 

E sem a conservação das espécies não haveria, por exemplo, veados de cauda branca ou perus selvagens. Desde 1900, que os caçadores americanos se juntaram para exigir uma mudança no manuseamento da vida selvagem. E, desde aí, que isso continuou a ser feito, tanto nos EUA (Estados Unidos da América), como em outros países.

Os caçadores de hoje em dia regem-se pela ética e pelas regras. Sabem que as suas ações e as suas despesas são uma parte importante para sustentar as populações de animais selvagens.

Um dos exemplos mais abordados neste artigo, são os perus selvagens, que estiveram em extinção em alguns estados americanos, por mais de um século. Graças aos caçadores e ao trabalho desenvolvido pela National Wild Turkey Federation’s foi possível retornarem aos milhares.

Outro exemplo, são os alces. Graças aos caçadores e à Rocky Mountain Elk Foundation, estes animais têm-se fixado em regiões como Missouri, Kentucky, Arkansas, Michigan, Virgínia, etc.

 

Como é isto feito? Há pessoas que trabalham somente nestas áreas, sendo pagas com o dinheiro dos caçadores. Com base na ciência, há leis e regras, que especificam o número de dias de caça, a altura do ano e o número de espécies que podem ser abatidas, garantindo assim o futuro da conservação. Isso é feito nos EUA, como em tantos outros países, tal como em Portugal.

 

Também neste artigo de Brandon Butler, é possível percebermos que são os caçadores e pescadores que ajudam nesta trabalho de conservação (através das licenças e outras taxas que têm de pagar). Os fundamentalistas não têm qualquer papel nisso, pois não há nenhuma contribuição por parte dos mesmos. Para terem uma ideia, de acordo com a Congressional Sportsmen’s Foundation, Missouri (um estado dos EUA), tem 1,28 milhões de caçadores e pescadores, que gastam 1,67 biliões de dólares por ano e ajudam a que seja possível empregar 28,895 pessoas.

 

Sem o apoio financeiro e a paixão dedicada dos caçadores, a vida selvagem teria muitas repercussões. Não haveria, por exemplo, financiamento para ajudar os morcegos que sofrem do "síndrome de nariz branco". Não haveria dinheiro para a recuperação de urso preto ou para salvar espécies que nem nunca ouvimos falar.

Os caçadores trabalham para uma maior conservação e proteção das populações. Se eles não existissem, viveríamos num mundo muito diferente, um mundo com menos vida selvagem e com mais espécies extintas.

Portanto, creio que já chega de dizerem que os caçadores são selvagens, assassinos ou que não se importam! Isso é uma mentira extrema! E quem o diz é porque não quer ter conhecimento da verdadeira realidade...

ML.

 

(Artigo: Butler, B. (2017). Hunting has major impact on wildlife conservation. In: http://www.columbiatribune.com/news/20171104/hunting-has-major-impact-on-wildlife-conservation)

 

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Bragança, um lugar encantado!

Pintada de tons quentes numa terra fria, Bragança é um dos locais mágicos de Portugal. Com um território rico em natureza, pessoas, costumes e tradições, esta terra conquista tudo e todos.

Não há tempo para sentir frio, não há forma de sentir Bragança como uma terra desconhecida. Quem lá vai, sente-se em casa. Quem lá fica, não quer voltar!

 

Este fim de semana que passou, partimos rumo a este território, com o intuito de julgar uma Prova de Santo Huberto, inserida na Feira da Caça, Pesca e Castanha. Há vários anos que lá vou mas, todos os anos, descubro e sinto coisas novas. E este não foi exceção.

Com uma viagem de muitos kms pela frente, o entusiasmo sobrepôs-se ao cansaço. Mas, simultaneamente, a tristeza pairava, quando passavamos por sítios que tinham sido atingidos pelo fogo. Devastador! Impressionante! Aterrorizante! E triste, muito triste... Estas foram as palavras que me surgiram para caraterizar as paisagens cobertas de negro que vi. Contam uma história, mas prefiro não pensar nela. Não neste momento...

 

 

Quando finalmente chegamos a terras transmontanas, fomos recebidos como uns verdadeiros "lordes". Mas isso já estou habituada, pois esta gente não sabe receber de outra forma. Jantamos na feira, javali com castanhas e finalizamos com umas castanhas assadas. Delicioso! Mas é impressionante constatar o efeito que a seca teve na agricultura e, neste caso, na castanha (castanhas muito pequenas).

 

No Sábado, decorreu a Prova de Santo Huberto, naqueles terrenos de caça típicos de Bragança, com uma paisagem a perder de vista. Estiveram presentes 16 concorrentes e foram feitas duas séries, que contavam para o Troféu da Norcaça, Norpesca e Norcastanha. Além disso, foi feita uma outra série de concorrentes que quisessem apresentar um segundo cão. 

Os juízes da prova foram o Fernando Fonseca, eu, a Paula Estrelo, o André Chaves (tirocinante) e a Liliana Sousa (juíz tirocinante da Fencaça, mas que aproveitou a oportunidade para aprender com outros juízes, numa outra realidade). Os postores, muito eficazes, foram o Sr. João, o Sr. Domingos e o Renato. 

As provas decorreram tranquilamente, num ambiente muito pedagógico. O André Chaves tirocinou comigo e, portanto, estivemos em constante aprendizagem e, além disso, tivemos oportunidade de falar com todos os concorrentes sobre a prestação de cada um. Creio que isso é uma mais valia no Santo Huberto.

Quando a prova terminou e nos dirigimos para junto dos concorrentes, ficamos a saber que o cão do Alexandre tinha parado uma lebre pequenina. O que fizeram? O Alexandre pegou na lebre (para o cão não fazer nada) e trouxe-a para junto de todos, guardando-a. Quando soube disto, fui a correr ver a pequena lebre, que era um doce. Ainda tiramos algumas fotografias mas, antes que ela entrasse em stress, soltamo-la no campo, no sítio onde a encontramos, para que continuasse a sua vida, em liberdade.

 

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Todos os juízes julgaram a barrage, para decidir os 4 primeiros lugares para o Troféu e, entre chuva e sol, ficou assim ordenado:

1) David Faria, BAF

2) Jorge Silva, SIM

3) Luis Figueiredo, PM

4) Rui Vaz, SIM

 

Houve também um prémio para o melhor cão da série extra, que foi a perdigueira Piaf, do Paulo Fernandes.

 

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O almoço foi tardio, já marcava as 16:00h, e foi no recinto da feira. O ambiente era de boa disposição e companheirismo. Depois foi altura de dar uma volta à feira e ajudar o comércio local. Desde artigos de caça, a pinturas, passando pela parte alimentar, era possível encontrar alguma coisa que nos fizesse "perder a cabeça".

Pouco tempo depois, realizou-se uma Prova de Beleza, também no recinto da feira, que acolheu ainda muitos curiosos. Uma prova para cães de parar e para podengos, que continha vários prémios. Esta é uma prova que se faz sempre, para incentivar os concorrentes a mostrarem os seus cães e para enfatizar a importância da morfologia. Além disso, é sempre um momento de convívio, onde as várias pessoas que passam na feira, têm oportunidade de ver os cães e de conviver com eles. 

Obviamente que é uma prova não oficial, sem juízes oficiais e, portanto, os juízes da prova de santo huberto concordaram em ajudar e em julgar, mediante os seus conhecimentos. Houve prémios para todos, desde juniores a adultos, e britânicos a continentais.

 

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Estavamos extremamente cansados, tinha sido um dia em cheio e, por volta das 21:00h, dirigimo-nos ao hotel, onde fiz um "novo amigo". Um cão típico da região de Trás os Montes, o Cão de Gado Transmontano, ainda muito confundido com o Rafeiro do Alentejo. Mas há diferenças e ainda são muitas. A origem desta raça une-se à história de todos os mastins ibéricos e a sua evolução está ligada à rota da transumância na Península. Tem funções específicas, nomeadamente, na guarda do rebanho contra o ataque dos lobos. Em todas as aldeias é possível verem-se estes cães. E, pelos vistos na cidade também. Ao chegar ao hotel vimos este cão de gado e foi difícil ter de o deixar. (Atenção que todos estes cães têm dono e uma função específica, nenhum está abandonado).

 

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No Domingo, às 6 da manhã já estavamos acordados. Íamos caçar nestas terras maravilhosas, com paisangens encantadas e eu estava em êxtase. O Rui foi-nos buscar e ainda andamos muitos kms, entre curvas e contra curvas, até chegarmos a uma aldeia perto do Outeiro/Pineda. Saímos do carro, que já marcava os 0 graus. Estava frio, muito frio. Chegamos a uma casa de um senhor amigo do Rui, que depressa nos abriu as portas e nos deu tudo do "bom e do melhor", principalmente calor, comida e carinho.

 

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Quando chegaram os outros senhores que iriam caçar connosco, depressa nos preparamos para ir. Cães, espingardas, frio, mas muita vontade para descobrir os encantos daquele sítio. As ladras dos cães eram constantes, mas o terreno era difícil. Mesmo que saisse algum coelho ou lebre, poderiam facilmente escapar. E creio que foi o que aconteceu. Não vi nada, mas ouvia constantemente os podengos a laticar. Poderiam ser coelhos, mas também poderiam ser corços, pois aquela região está repleta destes duendes do bosque. Mas eu nem sei se estava ali a caçar ou a deslumbrar a paisagem e o terreno onde andava (mas isso também é caçar, não?) 

É maravilhoso. Não consigo encontrar palavras para descrever a caça em terras transmontanas. É totalmente diferente, mas totalmente surpreendente.

 

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A uma dada altura, entramos num pinhal e, de repente, vimos umas estevas a mexer. Era sinal de que algum animal estava ali. Mas a forma como elas se mexeram, fez-nos constatar que não seria um javali, mas talvez um corço ou um veado. E estava bem perto de nós. O coração parou, nós paramos e sustemos a respiração. Olhavamos de um lado para o outro e as lágrimas tendiam a cair, pois nem piscar os olhos podiamos. Esperamos algum tempo, aproximamo-nos do local, mas este animal astuto tinha tomado outra rota. Não o vimos, mas sentimo-lo. E por vezes isso é bem mais gratificante.

Posteriormente, fomos ter a uma "mãe de água" onde, uma vez mais, a vista era incrível. Sentamo-nos, ao sol. Íamos vendo o trabalho dos pondegos (estavamos num ponto alto e conseguíamos ver melhor). De repente, vemos uma lebre a correr, junto às casas, mas era impossível atirar. A lebre fintou os cães e subiu encosta acima. Estes continuavam o seu trabalho, e ela furtou-se, com aquele seu zigue zague caraterístico. Um instante depois, os cães pegaram no rasto e seguiram até não os ver mais.

 

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Tivemos de ir almoçar cedo, pois à tarde iríamos fazer um gancho e anoitece muito cedo. Quando chegamos àquela casa onde tinhamos sido tão bem recebidos, o cenário encantou-me. Eles são diferentes, sabem? São calorosos, são hospitaleiros e sabem receber. Não é que nós não sejamos assim, mas é diferente.

Borrego assado, batata cozida com cebola e vinagre, pão e presunto. A mulher do dono da casa já havia posto a mesa e preparado tudo para nós. Um doce aquela senhora.

 

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Depois deste fantástico almoço, partimos para o gancho, um sítio que ainda não tinha sido monteado este ano. Preparavam as matilhas e qual não foi o meu espanto quando vi que o cão de gado transmontano também era usado para a caça ao javali. 

 

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O local a ser monteado era absolutamente maravilhoso.

 

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Estava frio. Estava demasiado frio para estar ali parada. Quando me colocaram na porta, depressa analisei as passagens, os caminhos e os sítios mais prováveis de fuga. Esperei. Como espero sempre e como espararei sempre que me for possível. Depressa começo a ouvir os cães. Latiam e voltavam a latir. Até que começo a ouvir um latido cada vez mais próximo de mim. Era um cão que vinha atrás de algum animal. Preparei-me. Tinha as mãos congeladas, os dedos já roxos, mas ainda assim preparei-me. O meu coração disparou. Olhava para todos os lados. Será que iria sair para mim? Será que continuaria? Eu estava num lameiro, numa baixa. O latido é cada vez mais forte e mais próximo. Parece-me apenas um cão. Os outros devem ter ficado para trás.

E, de repente, numa questão de segundos, vejo um corço a saltar no caminho. Eu estava um pouco longe, e esse caminho era encoberto por árvores. Ou seja, tinha apenas uma fração de segundos para disparar mas, o comportamento deste animal é bem diferente de um javali, por exemplo. Nunca tinha visto um corço e nunca tinha estudado o seu comportamento. Não atirei, claro, pois não podíamos. Continuei a ouvir o cão, mas cada vez se afastava mais. 

Sentei-me. Estava tudo molhado, mas ainda assim sentei-me e respirei fundo. Que emoção! Que sentimentos indescritíveis consigo sentir neste mundo. Os cães ladravam constantemente, mas eu parece que tinha ficado na história que tinha vivido ainda há pouco. Nada se passou, mas tudo se passou. 

Comecei então a ouvir muitas ladras. Os cães estão com outro bicho. Uma vez mais, as ladras começaram a ser cada vez mais intensas, tal como acontecera há pouco tempo. Desta vez o animal é diferente. Sinto-o a vir. Faz um barulho diferente, mexe-se de forma diferente. E passa por mim, no meio do mato à minha frente. Obviamente que não o vejo, mas sinto-o. Ele poderia ter o mesmo comportamento que o corço, e sair no caminho. Eu já me tinha colocado noutra posição, esperando que ele pudesse adotar esta atitude. Mas não o fez. Continuou no mato, onde provavelmente se sentiria mais protegido. Ouvi um matilheiro gritar "é um navalheiro enorme". Com o barulho que fazia, tinha de ser um porco grande, sem dúvida. Ninguém atirou. O Zé ainda o viu muito longe, mas não conseguia atirar e confirmou, efetivamente, que era um javali enorme.

Todos vimos, todos sentimos e todos ficamos felizes. Um dia é da caça, outro do caçador. Mas sabem... Senti que este foi o dia da caça mas, acima de tudo, foi o meu dia. Como caçadora, senti-me a crescer, senti-me a aprender e a viver uma forma de estar na caça diferente daquela em que vivo.

 

Obrigada Rui Vaz! Obrigada Professor! Sem vocês nada disto teria sido possível. Estou-vos tão grata. Obrigada por me terem proporcionado este fim de semana maravilhoso. O resto, a natureza encarregou-se de o fazer.

Brangança... Meu lugar encantado! Obrigada!

ML.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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