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Diário de uma Caçadora

Diário de uma Caçadora

PASSATEMPO Casaco Viciados

Enquanto caçadores, uma das coisas que mais nos incomoda é o frio. Há dias em que as temperaturas marcam níveis negativos e precisamos de nos equipar rigorosamente para que isso não se torne numa "ameaça" ainda maior...

Há uns tempos fiquei a conhecer uma nova marca de roupa, Viciados, que personaliza várias peças com desenhos originais, feitos por um especialista na área. 

Esta marca surge com a paixão pela caça. E quando há paixão, quando se mete o toque original e quando se trabalha com produtos de qualidade, o sucesso está garantido. E é por isso que a Viciados tem vindo a crescer, de dia para dia. Desde casacos, polos, t-shirts, chapéus ou canecas, há muita coisa que podemos encontrar no seu site; e com vários desenhos maravilhosos.

 

PASSATEMPO

 

E como gostamos de vos mimar, decidimos oferecer-vos um casaco da marca Viciados, como este que estou a usar.

 

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Para participar no Passatempo e ganhar este Casaco no valor de 30€ basta que:

 

1) Façam like na página Diário de uma Caçadora

2) Façam like na página da marca Viciados

3) Façam um comentário na publicação do Facebook onde identifiquem 3 amigos

4) Preencham o formulário

 

Um ótimo presente para dar a sua cara metade, no Dia dos Namorados, não?

Boa sorte a todos :)

 

Na primeira compra, têm 10% de desconto com o código promocional diáriodeumacaçadora10.

 

* Passatempo a decorrer até à meia noite do dia 12 de Fevereiro de 2018, em Portugal Continental. Podem participar todas as pessoas, com idade superior a 16 anos. Os resultados serão publicados através do sistema random.org e o vencedor será logo contactado. O casaco será enviado por correio.

 

 

 

As "Três Mosqueteiras"!

Estou a olhar para elas e pergunto-me sobre tantas coisas. No que estarão a pensar? No que estarão a sentir? Se são felizes? Se gostam de viver comigo? 

Gostava que, um dia, elas me pudessem responder a todas estas perguntas eloquentes e, um tanto ou quanto, ilusórias. Sei que não obterei respostas faladas, mas talvez as obtenha de uma outra forma. Olhando para elas, para o seu comportamento e, sobretudo, para os seus olhos.

 

Uns olhos meigos, doces e brilhantes. Sempre foi assim, e creio que o será até ao fim. E estes seus olhos dizem-me tanta coisa. Sei quando estão tristes, quando estão contentes ou quando entram naqueles estados de imensa euforia; em que os seus olhos aumentam de tamanho e os seus corpos rodopiam a tamanha velocidade, como uma bailarina, a ser conduzida pelo seu par numa vívida dança. Em que fazem piroetas e rodopiam alegremente...

Nesses momentos, rio-me tanto com elas. E, de certa forma, elas também se riem comigo... E talvez esta seja a maneira que o têm de mostrar... 

 

Mas igualmente me mostram outras coisas... Umas de forma mais clara que outras... Principalmente quando sabem que tenho de sair e elas têm de ficar. Se somos companheiras, porque temos de nos separar, todos os dias, nem que seja por umas horas? Não deveríamos ficar sempre juntas? Tenho a certeza que pensam assim... Não me dizem, obviamente, mas manifestam-no de forma veraz. Olham para mim, baixam a cabeça, e entram na cozinha. Nestas alturas, prefiro não olhar para os seus olhos, que rapidamente se transformam nuns olhos tristes e pequeninos. Porque sabem que me vou embora, e que irão ficar sozinhas.

Mas elas têm a companhia uma da outra; não haveria razão para ficarem tristes... Talvez sejamos mesmo as "três mosqueteiras" e não consigamos estar muito tempo umas sem as outras... Também sinto o mesmo que elas, mas não o transmito. Até porque não o entendem... Creio eu!

Mas fico triste. Tão triste, por ter de as deixar sozinhas, enquanto vou trabalhar. Mas não há outra forma de contornar esta situação. E habituamo-nos a esta rotina...

Mas quando chego a casa... Tudo muda! 

Os olhos tristes e pequeninos depressa se transformam em olhos brilhantes, cheios de alegria. E começam no tal rodopio de felicidade, e naquela dança que nos envolve às três. Ficamos felizes, demasiado felizes por estarmos juntas. E à nossa maneira, falamos constantemente umas com as outras... Elas "dizem-me" quando têm fome, ou quando querem ir à rua...

Talvez seja o momento mais feliz dos seus dias: o ir à rua. E enquanto passeamos, e conhecemos novas pessoas / cães, eu vou-me apercebendo que esta não deveria ter sido a vida que escolhi para elas. Deveriam ser livres, fazer aquilo que mais gostassem, deveriam andar todos os dias no campo, atrás dos coelhos, ou simplesmente a rodopiar e a "dançar"; somente porque sim.

Talvez tenha sido demasiado egoísta, em querê-las só para mim. Em "confiná-las" num apartamento pequeno, numa cidade enorme. Mas hoje não consigo ver a minha vida de outra forma. Nem a vida delas...

Somos "três mosqueteiras" para o bem e para o mal... E o maravilhoso de tudo isto é a forma como elas me compreendem, e a forma como elas falam comigo. Se estou triste, rapidamente se apercebem, e lambem-me até não conseguirem mais. Eu digo que já chega, mas elas não querem saber de ordens, nesse momento. Teimosas estas pondegas!

Vivem o que eu vivo. E é impressionante como um animal consegue suprir uma série de lacunas que possamos ter durante o dia. Quase que me levam a esquecer de que existem problemas e preocupações nesta vida... Conseguem transformar os dias negros num tom mais colorido e, para isso, basta apenas existirem. Lamechas, sem dúvida, mas tão verdadeiro...

 

Volto a olhar novamente para elas. Dormem profundamente, estas duas "ratinhas". O que seria da minha vida sem elas? Por vezes, questiono-me sobre isto. Mas depressa substituo estes pensamentos por outros menos dolorosos. Dói muito pensar que um dia poderemos deixar de ser as "três mosqueteiras". Dói muito pensar que um dia chegarei a casa e não as terei para me receber. Não consigo imaginar... Talvez porque não queira ou talvez porque o sentimento que isso me transmite, me deixe demasiado incomodada.

Sei que a vida continuaria. Tem sempre de continuar. Mas sei que nunca mais seria a mesma... Será que me tenho de preparar para isto? Será que há forma de nos prepararmos para a morte?

Nem sei porque escrevi esta palavra que nos magoa tanto... Não vou pensar mais nisso... Afinal de contas, continuamos a ser as três mosqueteiras e os seus olhos conseguem responder-me a todas estas questões que tenho, constantemente...

Sei que perdoam tudo aquilo que faço de menos bom. Sei que me adoram, de uma forma que mais ninguém adorará. Sei que estarão sempre lá para mim, mesmo quando eu ralho, quando digo coisas que não gostam, ou quando estão tristes comigos.

Sei que isto é uma forma de amor pura, sem segundas intenções, sem eufemismos e convenções...

E este amor nunca acabará... Mas tenho medo, demasiado medo, de que as três mosqueteiras um dia tenham de se separar... E de que um dia não possa ver mais estes olhos, que me enchem o coração de amor e felicidade!

ML.

 

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A vida de Matilheiro

"A vida de matilheiro não é fácil"... 

Esta é a frase mais proferida por todos os matilheiros com que falei. E por saber que a vida de matilheiro não é fácil, decidi conhecê-la melhor. Perceber o que era mais difícil, o que valia a pena e o que movia estes homens a fazerem aquilo que fazem.

Com opiniões muito idênticas, com um ar cansado, mas com muito amor envolto, percebi que tudo o que vejo nas montarias é, de facto, real. Bom ou mau, é o que se passa! Mas... E vocês matilheiros, como se sentem? No fundo, quem são vocês?

 

Se voltarmos atrás no tempo, cerca de 30 anos, veríamos que o matilheiro é um homem completamente diferente de hoje em dia. As primeiras matilhas que se conheceram em Portugal, vieram de Espanha, da elite que caçava. E por aqui ficaram e por aqui continuamos nós, portugueses, a desenvolvê-las. Mas ainda nesse tempo, as matilhas tinham um dono, um proprietário. E esse dono contratava um matilheiro para ir bater o terreno com os cães. O proprietário das matilhas era um senhor, o matilheiro era considerado uma pessoa mais simples e humilde, que comia à parte dos outros caçadores. No fundo, o matilheiro andava com os cães, como um pastor anda com o gado. Inclusive, nos anos 90, surge a Associação Portuguesa de Proprietários de Matilhas, que apenas servia para os proprietários dos cães.

Os tempos mudaram, as coisas foram-se desenvolvendo; e esta prática foi desaparecendo. Hoje em dia, os matilheiros são os donos dos cães e cerca de 70 a 80% deles têm negócios próprios e boas profissões. 

Mas "a vida de matilheiro não é fácil" e rapidamente percebemos o porquê disso mesmo.

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Para se escolher esta vida tem de se ter uma paixão desmedida por cães, pela natureza e pela caça; e é essa paixão que os move, e que os faz abdicar de tempo com a família, amigos, férias, etc. Podem ter 70 cães, 80, 90, 100, mas todos eles têm um nome, um chip e uma identidade. Todos eles estão ali, naquela casa, porque têm uma função mas, acima de tudo, porque merecem estar. 

E todos os dias, seja debaixo de chuva, debaixo de sol, ou de um vento forte, estes cães são tratados, são alimentados e são acarinhados. Talvez ainda haja a ideia de que os cães de matilha estão acorrentados, que comem duas vezes por semana e que são vítimas de maus tratos. Sinceramente, acredito que isso ainda possa existir. Como em todo o lado, há pessoas boas e pessoas más. Mas se escrevo isto e se falo dos matilheiros e dos cães de matilhas com este carinho que estou a depositar nas letras que escrevo, não poderei sequer pensar nisso. Penso realmente que o que escrevo descreve um matilheiro digno, típico do papel que assume e, acima de tudo, uma pessoa com valores, princípios e ética.

Para mim, esse é o verdadeiro matilheiro e é dele que falo hoje.

 

Um homem que todos os dias tem de tratar dos seus cães, como disse anteriormente. Todos os dias lhes dá comida (que tem um preço). Todos os dias limpa a sujidade que os cães fazem (que também tem outro preço). Todos os dias fala com eles, quiçá desabafa os problemas, mesmo que interior e silenciosamente. Como se estes cães fossem um diário pessoal. Em que podemos escrever /dizer tudo, porque somos somente ouvidos e nunca julgados. Podemos rir às gargalhadas, podemos chorar compulsivamente, e podemos gritar "merda" bem alto. Eles estão ali, sempre ali, serenos, a olhar para nós, e a fazerem-nos sentir os melhores "gajos" do mundo. 

Talvez a matilha seja um apoio psicológico para aqueles dias menos bons. Talvez a matilha seja já parte da família. E aqui não posso pôr mais talvez; estou certa que sim, que a matilha é a peça fundamental de um matilheiro, como caçador mas, acima de tudo como pessoa.

 

Isto é feito todos os dias do ano. Mesmo no natal, mesmo quando estão de cama, com febre, mesmo quando o mundo parece estar a desabar. 

E chega a época de caça. Parece que estes cães pressentem... Astutos, destemidos, fortes e guerreiros. Vão fazer aquilo que mais gostam e sabem-no. De cor e salteado... Nos dias de montaria a vida para estas duplas não é fácil.

"Dependendo do sítio, saio de casa por volta das 04:00h da manhã. Durmo pouco e descanso ainda menos. Colocamos todos os cães no carro, demoramos cerca de 30 minutos. Tenho a ajuda do meu filho, senão seria impossível. Acho que é isso que ainda me faz andar aqui..."

"Fazemos manchas muitas vezes difíceis, ou quase impossíveis, mas damos tudo por tudo. Nós e os nossos cães. Não seríamos ninguém sem eles. Por vezes passamos por alguns monteiros que nem bom dia nos dizem; mas em contrapartida, outros até saem das portas para nos falar."

Caçam para os monteiros. Andam quilómetros e mais quilómetros para conseguir corresponder às expetativas da organização. E tudo isto em troco de quê?

"Obviamente que andamos nisto porque gostamos. Não é pelo dinheiro porque, por vezes, o que recebemos é uma minoria."

 

Há dias em que as montarias correm menos bem. Em que se ferem cães e precisam de ir urgentemente ao veterinário. Ou dias em que se perdem cães e estão até à noite, para os encontrar. E sem a ajuda de mais ninguém... 

"Passamos muitas noites no carro ou à volta de uma fogueira à espera que cheguem todos os cães para que depois possamos então ir para casa. Se eles não voltarem, então é certo que no dia seguinte, bem cedo já estamos lá à procura deles. O máximo que tive de esperar foram dois dias. Tive dois dias no sítio da solta à espera dos cães que faltavam. É desgastante, sem dúvida. Mas acredito que seja bem mais desgastante para o cão que está à nossa procura, desorientado".

 

Sabem... Esta época, todas as montarias em que fui, recolhi um cão perdido ou que estava mais afastado. Apercebi-me de que os matilheiros já os estavam a recolher e senti que era minha obrigação ter que os ajudar. Eu sei que não é, mas é o que sinto. 

Na última montaria a que fui, um cão veio ter comigo à porta, a querer morder no porco que cacei e que coloquei à sombra. Não deixei. O cão era assustado, não se chegava a mim, mas também não ia embora. Percebi que a montaria estava a acabar e que tinha de o levar comigo. Mas como, se ele não se aproximava? Sentei-me. E fui falando. Estive cerca de 30 minutos a falar com ele... Ele, timidamente, dava um passo aqui, outro passo ali. Entretanto, já todos tinham saído das portas e eu decidi continuar ali. Tinha de levar o cão comigo. Deitei-me de barriga para o ar, com o braço estendido e continuava a falar e, ao mesmo tempo a chamar o cão. Ele aproximou-se (ao fim de algum tempo) e sentou-se a cerca de 5 metros. Continuamos ainda algum tempo neste "jogo", até que ele sentou-se mesmo ao meu lado. Com medo e muito devagar, dei-lhe a minha mão. Lambeu-me. Tinha ganho confiança em mim. Isto demorou cerca de 1:30h. Mais 30 minutos de viagem, em que tive de ir numa carrinha de caixa aberta aos solavancos com o cão, para ele não fugir. Encontramos o matilheiro e deixamos o cão. Senti-me tão útil mas, ao mesmo tempo, com pena. Bem sei que estão ali porque querem. Mas isto mexeu comigo, não sei explicar. Porque é que ninguém os ajuda? 

 

"Porque esse é o trabalho dos matilheiros, são pagos para isso. E porque os monteiros pagam a porta e não é a função deles fazerem mais do que fazem". 

Percebo. Concordo. Não o consigo fazer. 

Fomos almoçar. Como em todas as montarias, o almoço é sagrado. Para os monteiros e para a organização. Para os matilheiros nem sempre o é. Há dias em que nem sequer podem almoçar, não têm tempo para isso. 

"Há montarias em que nem almoçam nos guardam, o que é triste (...) Acontece cada vez menos, mas ainda acontece".

 

Exemplos de uma vida em que são vários os sacrifícios feitos. Exemplos menos bons, mas que se menorizam, quando se fala do que realmente importa.

"O ponto mais alto para mim, como matilheiro, foi fazer uma montaria e chegar ao fim da mesma com todos os monteiros e organização a aplaudirem-nos de pé e a dizerem "parabéns, grande trabalho". São essas palavras que nos ajudam a esquecer um pouco as contas das despesas que se tem com a matilha".

 

As despesas são realmente muitas. Ração, coleiras, licenças, seguros, água, veterinários, chips, gasóleo, atrelados, etc., etc. Obviamente que os matilheiros recebem (e bem) sob o seu trabalho. No entanto, alguns referem que é pouco, para as despesas que têm. "Os preços das portas sobem, e o preço da proprina dos matilheiros não sobe e, em muitos casos, desce, o que é difícil para conseguir manter uma matilha".

Pelo que me apercebi, a maioria dos matilheiros só consegue cobrir algumas despesas com o dinheiro que lhes dão. E as que consegue. Obviamente que quando falamos deste mundo (como em todos os outros), em que o dinheiro gere muita coisa, vários pontos poderiam ser abordados e várias diferenciações poderiam ser feitas. Se calhar há matilheiros que se tentam prejudicar uns aos outros; que fazem negócios com alguns pontos de interrogação, que tentam organizar montarias quando essa não é a sua função; que cobram valores por portas mais altos do que a própria porta vale; mas, como disse no início, o que escrevo aqui é sobre a vida de um matilheiro a sério; de um matilheiro que vive para a caça e para os seus cães.

 

Outra das questões essenciais é a criação e seleção dos cães. Ora, para se ser um bom matilheiro tem de se ter uma boa matilha. Para se ter uma boa matilha, têm de se ter bons cães. E esse é um dos aspetos que vários definem como "muito importantes" desta vida que levam. 

"Sempre me ensinaram que uma matilha deve funcionar, tal como uma equipa de futebol. O matilheiro é o treinador, os cães de porte ou de agarre são os defesas. Os cães que caçam mais curto ou que nos acompanham mais são os médios. E os cães ponteiros são os avançados."

Não podia estar mais de acordo! Seguindo este exemplo, temos de ter em conta também outros fatores: do que é que mais gostam os nossos cães? Em que circunstâncias conseguem ser eles os melhores? 

"Há cães que gostam mais de caçar no mato: silvas, estevas, terreno direito ou dobrado. Cada cão tem o seu tipo de mancha. Claro que todos caçam e se adaptam, mas são mais eficientes no terreno que mais gostam. Há cães que caçam de focinho no ar, a apanhar ventos e emanações; há outros que caçam de nariz no chão. Uns ladram à vista, outros ladram no rasto e outros ladram nas ladras dos outros."

Certamente que este é um trabalho que o matilheiro tem de fazer, no seu dia a dia, no campo com os cães. Vêm quais as caraterísticas de cada cão e percebem onde e quando os podem/devem utilizar. E para que isto aconteça e seja feito de forma distinta, é preciso ser-se bom. Muito bom. E acima de tudo é preciso gostar-se do que se faz e conhecer o cão como ninguém. 

 

Algumas das queixas que fui percebendo, ao longo das conversas que tive com os matilheiros, foi a falta de apoio que existe para com os mesmos. Por exemplo, preços mais baixos nas rações e nos acessórios para os cães; pouco apoio de algumas organizações nos dias das montarias. 

"Cada vez mais se faz caça maior e a evolução da montaria ainda está muito atrasada. E sinto que há matilhas a mais em relação à quantidade de montarias que se fazem em portugal".

"No ano passado gastei 8.000€ a fazer um canil, com todas as condições para a minha matilha. Comprei uma carrinha com uma jaula certificada pela DGAV e todas as licenças para poder transportar os meus cães. E sabe... Sinto-me injustiçado! Porque sei que muitos matilheiros não têm condições de transporte, não têm canis adequados e estragam a imagem dos matilheiros e das matilhas".

 

Para representar e defender esta classe, a Associação Portuguesa de Matilhas de Caça Maior (APMCM), representa os matilheiros e discute os assuntos de interesse dos mesmos na AR. Dão apoio jurídico, ajudam a que tudo esteja em ordem perante a lei e, acima de tudo, defende-os. Creio que este é um trabalho muito importante e que deve também ser valorizado. Não é fácil ouvirmos opiniões tão diferentes e conseguirmos chegar a um objetivo comum. Certamente que os matilheiros não estão de acordo sobre certos assuntos, uns com os outros, e esse é também um trabalho a ser feito.

Neste momento, há cerca de 200 sócios na APMCM, e 9.000 cães inscritos (o que poderia significar cerca de 300 matilhas).

Segundo os dados do ICNF, há 789 matilhas inscritas (no ICNF), sendo que essa inscrição é facultativa e sem custos.

Então porque não é este número coincidente? Se se querem fazer ouvir, porque não lutam por isso mesmo? Porque não tentam "limpar a imagem que há sobre as matilhas e os matilheiros", como me dizem alguns deles?

 

Mas quando falamos desse assunto tão vulnerável, pensamos no quê? Qual é a imagem que temos destes homens? Que pensam os caçadores sobre os matilheiros e sobre as matilhas?

"Os matilheiros, para mim, são aqueles que amam os seus cães, que os treinam, que lhes dedicam todo o tempo do mundo. São aqueles que conduzem e perseguem as presas até às portas. Mas infelizmente, hoje em dia, vejo que a palavra matilheiro cada vez se adequa menos com as funções. Vejo matilheiros a organizar montarias, com conflitos e rivalidades entre si, enfim... Se estamos todos no mesmo barco, porque não remamos todos nos mesmo sentido?"

"É um assunto um pouco complexo, pois há bons e há maus, como em todo o lado. Mas certamente que são a chave fundamental do sucesso de uma montaria, a par da organização. Mas sem um matilheiro e a sua matilha não há montaria. É um trabalho duro, principalmente também para os animais, devido às condições meteorológicas, do terreno, tal como este ano. E é duro também para os matilheiros que, muitas vezes, estão até às tantas à espera dos cães".

 

"Os amigos que vou fazendo e que tenho conhecido, ao longo destes 10 anos, são parte essencial da minha vida. Já são como família. É também por eles que ando aqui".

Família, amigos, amor, amizade... Pode um caçador pedir mais do que isto?

Obrigada Matilheiros, pelo trabalho que têm! Pelos heróis que são. Não é fácil. Nada fácil. E vocês continuam, com todas as condicionantes que encontram pelo caminho. Com as horas que passam fora de casa, com a primeira palavra que perdem do vosso filho, com as lágrimas que gastam quando mais um cão fica ferido.... Não é fácil e por isso, para mim, são os heróis da montaria! Desculpem-me os restantes, mas o verdadeiro Matilheiro e a sua Matilha são os heróis! E pode ser que um dia alguns o percebam e deixem de vos intitular apenas como os "gajos dos cães".

 

(Um obrigada especial, do fundo do meu coração, a todos os matilheiros que falaram comigo, ao Presidente da APMCM; António Ramos; e aos restantes caçadores que contribuíram para este artigo. Obrigada!)

ML.

 

(Artigo publicado na Revista Caça e Cães de Caça, edição de Fevereiro)

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O javali no Brasil

Tal como em Portugal, o javali é uma praga no Brasil, sendo reconhecido internacionalmente como uma das 100 piores espécies invasoras (Invasive Species Specialist Group). Segundo Rafael Salerno, Coordenador GT Javali, estes animais expandiram-se no país, desde 1989, vindos do Uruguai. Nesta altura, os javalis eram importados da Europa e do Canadá por criadores de suínos que confiaram no marketing que se fazia em torno do javali, assegurando eram "o sangue azul dos porcos", como sendo uma carne de maior qualidade (Pedrosa et al., 2015; cit. GloboRural, 1996).

Em 1991 havia somente um município em Rio Grande do Sul com incidência registrada; em 1997 eram 6; em 2002 foram reconhecidos 138; e em 2006 já eram 213 municipios (somente no Rio Grande do Sul). Em 2007 confirmou-se que mais nove estados do Brasil estavam a ser "invadidos" por javalis. 

Neste momento, 472 municípios brasileiros têm javalis, sendo o sudeste a região mais afetada; e São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul os estados com mais javalis.

Facilmente percebemos o porquê desta expansão: o javali tem uma facilidade enorme em alimentar-se de tudo (Pedrosa et al., 2015; cit. Ballari e Barrios-García, 2014) e tem taxas reprodutivas muito elevadas (Pedrosa et al., 2015; cit. Dzieciołowski et al., 1992)

 

Como muitos sabem, a caça no Brasil é proibida; mas tendo em conta os estragos que estes animais faziam, teve de se tomar medidas de controlo, decididas pelo IBAMA (Insitituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). Segundo Rafael Salerno, um ponto importante a ressalvar é "a morosidade das autoridades em agir e a falta de ações enérgicas para conter estas infestações em seus estágios iniciais seja em nível federal quanto estadual."

 

Desde 1995 que começaram a caçar javalis no Rio Grande do Sul, com o objetivo do controlo da população. Nesta data, por exemplo, foram caçados 26 javalis, "mas o insucesso deveu-se à falta de experiência na caça ao javali", refere Rafael. 

Em 2011, foram caçados 510 javalis, em 11 municípios do RS, durante 1 ano, mas "havia muita burocracia e faltavam guias treinados".

Em 2004, foram caçados (durante 1 ano) 827 javalis.

Em 2005, foi autorizado o controlo do javali para o controle populacional em todo o Estado do RS, por tempo indeterminado.

Em 2007 autorizam, em caráter temporário, o abate de javalis no Estado de Santa Catarina, somente em esperas. Tiveram poucos resultados, devido "às restrições na forma de abate".

Em 2009, o Estado do Paraná regulamenta o abate de javalis, somente no Parque Estadual de Vila Velha.

 

É nesta altura que começam a assistir a um aumento das organizações de "defesa dos animais", que "ignorando as leis, pareceres técnicos e a necessidade de proteção ao meio ambiente pressionaram as autoridades pela suspensão dos abates". Mas os trabalhadores do meio rural, tal como em Portugal, estavam aflitos com todos os estragos que estes animais provocavam; e por isso as ações de controlo do javali continuaram, ainda que de forma desuniforme e sem uma liderança do órgão ambiental nacional.

 

Em 2010, revoga a instrução normativa que autorizava o controle populacional do javali por meio da captura e do abate, em todo o estado do RS. E desta forma, proibe-se quaisquer atos de caça de espécies consideradas pragas, que afetem a agricultura, a flora nativa ou coloquem em risco a integridade humana. 

"Esta medida foi tida por muitos como política e não técnica, visando a atender os mesmos grupos ligados aos “direitos dos animais”.

Rafael escreve também que "diversos produtores rurais, técnicos e autoridades, como a AGAJA - Associação Gaucha de Controle ao Javalis Asselvajados no RS, e o GT Javali, fizeram reuniões e levaram documentações de danos até o Diretor de Fauna do IBAMA, Vitor Cantarelli, que reinterada e publicamente repetiu que o abate dos animais não seria permitido, instrução que vigora até o momento."

E é aqui que começam a surgir os problemas, nomeadamente para os agricultores, que tiveram mais de 2 milhões de prejuízo, e estamos a falar somente do município de Rio Brilhante. Para além de toda a destruição agrícola, vários foram os casos de mortes de outros animais de criação.

 

Como o IBAMA não quis resolver o problema, a nível nacional, várias iniciativas estaduais surgiram, nomeadamente:

  • Estado do Mato Grosso do Sul: Portaria estadual Resolução Conjunta SEMAC/SEPROTUR/SEJUSP n.001, Estabelece medidas de emergência de controle ambiental da ocorrência de javali-europeu” e seus híbridos, e dá outras providências. Estabelece que será constituida uma "força tarefa" por meio de um Grupo de intervenção ambiental e sanitária. Na prática nenhum abate foi feito até agora e há uma crescente preocupação com a situação da cultura de milhos, mais um ano sem controlo dos animais.
  • Estado de Santa Catarina: Portaria SAR nº 20/2010, declara os javalis como animais nocivos e permite o abate por meios físicos sem restrição, incluído o uso de armas de fogo por atiradores e caçadores registrados no Exército Brasileiro.
  • Estado do Rio Grande do Sul: Portaria Nº 183/2010, Libera o abate de javalis e seus hibridos por meios físicos por tempo indeterminado.

 

Hoje em dia, são caçados alguns animais, contudo, devido à inexistência de regulamentação, "muitos produtores, atiradores e caçadores legalizados, não têm liberdade para realizar abates de forma a reduzir as populações, pois ficam sob o risco de incorrerem num crime ambiental". Em algumas regiões, diversos produtores foram presos, devido a várias denúncias, enquanto tentavam defender as suas culturas dos javalis. 

 

A situação é incontrolável para alguns, levando mesmo muitos agricultores a desistirem do seu meio de subsistência. Muitos contam que só ao fim de 2/3 anos do aparecimento dos javalis, é que começaram a constatar os prejuízos económicos que tinham.

Para além disto, os javalis são um animal que auxiliam na transmissão de doenças para a vida selvagem (Pedrosa et al., 2015; cit. Pejchar e Mooney, 2009); para a propagação de plantas invasivas (Pedrosa et al., 2015; cit. Dovrat et al., 2012).

Outro dado relevante e de extrema importância, é o negócio brasileiro dos suínos; que gera 1,5 bilhões de dólares anualmente (Pedrosa et al., 2015; cit. ABPA, 2014), e que pode ser um negócio comprometido com a invasão dos javalis.

Segundo vários estudos, nos EUA, para manter a população de javalis estável, é necessário abater anualmente trinta em cada quarenta indivíduos.

 

A Lei Brasileira 5197/1967, historicamente assumida pelo epíteto "Lei de Proteção da Fauna",  é um gargalo na gestão da vida selvagem, negligenciando a compreensão técnica e científica dos aspectos ecológicos e económicos das espécies invasoras no Brasil.

Talvez porque não vivem isto de perto; ou talvez porque não queiram mesmo compreender... Continua a ser mais engraçado (e moda) fazer-se amigo dos animais... Mas um amigo disfarçado; porque o verdadeiro amigo preocupa-se com a sua sustentabilidade enquanto espécie; mas preocupa-se ainda mais com a sustentabilidade emocional, social e física da espécie humana.

 

(Quero aqui felicitar todos aqueles que têm feito um trabalho exímio no Brasil, na defesa do controlo das espécies, nomeadamente, o meu amigo Francisco Charneca e Rafael Salerno; dando também destaque ao site "Aqui tem Javali").

ML.

 

Bibliografia:

Histórico do controlo do javali no Brasil, Rafael Salerno

Pedrosa, F., Salerno, R., Padilha, F., & Galetti, M. (2015). Current distribution of invasive feral pigs in Brazil: economic impacts and ecological uncertainty. Brazilian Journal of Nature Conservation, 13, 84-87.

 

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(Fotografia retirada do site: bomlero)

A Nova Lei da Caça nos Açores

Boas notícias para os meus queridos amigos açorianos. Fico muito feliz que as coisas comecem a avançar no bom caminho para vocês, pois bem merecem; não só pelas pessoas que são mas, acima de tudo, pelo trabalho que alguns de vós têm feito.

Deixo-vos o texto do Drº Gualter Furtado que o partilhou de imediato comigo e que foi publicado também ontem, dia 18 de Janeiro, no Jornal Açores 9.

 

"No dia 16 de Janeiro de 2018 foi discutida e aprovada na Assembleia Legislativa Regional dos Açores, a nova Lei da Caça, isto é, o Novo Regime Jurídico da Gestão dos Recursos Cinegéticos e do Exercício da Caça nos Açores. Trata-se de um documento com 88 artigos, há muito aguardado pelos Caçadores dos Açores. Este Diploma teve origem na Direção Regional dos Recursos Florestais, que é quem tutela o setor da caça nos Açores, e mereceu a aprovação do Governo dos Açores que foi quem propôs ao Parlamento Regional dos Açores esta nova Lei da Caça. Esta proposta de nova Lei da Caça mereceu um amplo debate na sociedade açoriana, com dezenas de organizações a emitirem pareceres e a gerarem uma grande discussão, sobretudo depois de algumas tomadas de posição de uns grupos restritos a pronunciarem-se pelo fim da caça nos Açores, o que provocou uma adequada resposta de alguns caçadores açorianos e com os quais me identifico, respondendo que a caça é amiga do ambiente, é um ato de cultura, promove a
sustentabilidade das espécies, corrige densidades populacionais de espécies cinegéticas e explicando que nos dias de hoje o grande inimigo das espécies cinegéticas são os vírus, as doenças, a mudança do habitat e os clandestinos e não os caçadores. É justo referir que nesta cruzada a Direção Regional dos Recursos Florestais esteve bem.

Feito este enquadramento, a Nova Lei da Caça aprovada pela Assembleia Legislativa Regional, do meu ponto de vista, é globalmente positiva.

 

Isto significa que concordamos com tudo? A resposta é não. Principalmente no que se refere à manutenção de duas Cartas de Caçadores nos Açores, uma Regional e outra Nacional. Como alguém dizia, e bem, isto é como se tivéssemos "2 cartas de condução, uma Regional e outra Nacional", mas este é um tema que irá merecer acompanhamento da nossa parte.

Outro aspeto, que numa futura revisão deverá merecer estudo, é a possibilidade de introdução nos Açores de espécies cinegéticas novas como seja o faisão na caça menor (o Sr. Vasco Bensaude já defendia esta opção nos anos 50 do Século passado) e o Corso na caça maior, em alguns habitats e em algumas Ilhas.

Que saibamos, estes estudos nunca foram feitos. Como em quase tudo na vida quando aparece uma proposta nova de mudança, quase sempre a primeira reação é de rejeição.

 

Com esta Nova Lei da Caça quais são os principais desafios que se colocam aos Caçadores Açorianos?

O primeiro é organizarem-se, regularizarem as suas Associações de Caçadores e depois fazerem renascer a Federação dos Caçadores Açorianos. Na caça como no resto nos Açores só valemos alguma coisa se juntarmos as nossas Ilhas e no respeito da sua diversidade, mas unidos.

A segunda prioridade vai para o diálogo e cooperação com os poderes públicos Regional e Autárquico e com os nossos parceiros e principalmente os Agricultores.

A terceira frente é indiscutivelmente a sociedade açoriana e os mais novos em particular. Quem nos rodeia tem de ver nos caçadores gente de bem, e bem formada, e esta é uma tarefa que compete principalmente aos Caçadores.

No que respeita ao Governo dos Açores, e nesta nova fase, em primeiro lugar, é preciso regulamentar alguns dos artigos, depois deverá também, na área da caça, modernizar-se, partilhar mais informação sobre o mundo da caça, não só em relação aos caçadores, mas também em relação à sociedade açoriana. Já o escrevi e disse a quem de direito, que não se justifica nos dias de hoje que o balcão dos Serviços Florestais que trata dos assuntos da caça em Ponta Delgada (Rua do Contador) seja um tributo e uma reminiscência arcaica do tempo do Salazarismo, que nem nos permite ver com quem estamos a dialogar e está a nos atender (espreitamos os Colaboradores por um Guichet em arco tão em voga nas repartições públicas nos anos 40 e 50 do Século passado). Refira-se que, por sinal, os Colaboradores em questão são competentes, tal como os Guardas Florestais. Por conseguinte, modernização e renovação, precisa-se.

 

Outro tema tem a ver com a fiscalização da caça, que nesta nova Lei passa integralmente para os Serviços Florestais e para as Polícias, de acordo com as suas competências. A Lei é para se cumprir, mas temos situações em que a pedagogia deve funcionar, enquanto que noutros casos devem partir para a ação e agir em conformidade. É tudo uma questão de bom senso.

 

Em síntese, esta Nova Lei da Caça é globalmente positiva e constitui um Desafio para os Caçadores, Governo, Autarquias e outros Parceiros, num tempo em que as Viroses e Doenças ameaçam gravemente o nosso património cinegético e o novo ordenamento do nosso território e atividades diversas deixam cada vez menos espaço para a caça."

Gualter Furtado

 

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Caçar com Retriever

Desde que nasci que sempre tive cães de caça. Entre os podengos portugueses, uma das nossas raças mais primitivas, a diversas raças de cães de parar; todos foram crescendo comigo, e eu com eles... Fui conhecendo-os, percebendo o seu comportamento e, acima de tudo, entendi que estes cães têm uma funcionalidade e, efetivamente, nasceram para caçar.

Para além dos podengos e dos cães de parar, cheguei a ter beagles e teckels. À medida que fui amadurecendo e que me fui seduzindo pela caça, descobri que havia uma panóplia de outras raças de cães de caça.

Se sou caçadora, e muitas vezes aqui o disse, devo-o, em grande parte, aos meus cães. Quando vivemos de perto a paixão de um cão pela caça, também nós nos envolvemos; gostando ou não de caça. E a evolução da nossa espécie dita isso mesmo: humano e cão evoluíram simultaneamente; já que há mais de 20.000 anos atrás, quando ainda eramos caçadores-coletores, e ainda não tinham "inventado" a agricultura, o humano já caçava com o cão.

 

E se seguirmos esta linha da História do ser humano e dos cães, poderemos descobrir coisas maravilhosas. Uma delas, o emergir do Retriever, uma das raças mais famosas do nosso país (e arriscaria a dizer do mundo) - um cão de companhia mas, precipuamente, de caça.

Falando especificamente do Retriever do Labrador, é cativante perceber como se desenvolve esta raça, até aos dias de hoje. Apareceu nas costas do Canadá, mais precisamente numa ilha ao largo da foz do rio Saint-Laurent, a ilha da Terra Nova. Não se sabe ao certo como é que os cães ali chegaram, poderiam ter sido levados por tribos índias, no entanto, a maioria julga que vieram da Europa, dado que os navegadores levavam frequentemente cães nos seus barcos, e é possível que alguns se tenham estabelecido na ilha. 

Os cães começam então a ser utilizados pelos pescadores que ali viviam; principalmente para irem buscar redes dentro de água ou peixes que fugiam.

 

Posteriormente, estes cães foram levados para Inglaterra, onde o seu desenvolvimento foi célere. Os caçadores começaram a utilizá-los para cobrar, sobretudo na água.

Enquanto os cães de parar apontavam a caça (pointing dogs), os retrievers cobravam-na.

Em 1904 o Labrador foi reconhecido como raça e criado o seu estalão pelo Kennel Clube Inglês.

 

Hoje em dia, este é um cão que continua a ser muito utilizado na Europa. Para além da caça, é também colocado em diversas provas de trabalho, sendo muito famosas em Inglaterra, Espanha, França e EUA. Várias são as associações que trabalham neste sentido, nomeadamente, o Hunting Retriever Club; Rainier Hunting Retriever Club; Central Coast Hunting Retriever Club; Copper State Hunting Retriever Club; Platte Valley Hunting Retriever Club; Asociación Española del Labrador Retriever (e muitos outros). Em Portugal, temos o Retriever Clube de Portugal.

 

Creio que ainda há muitos caçadores que utilizam o Retriever na caça; no entanto, o cão de parar veio substituir, diminutamente, esta raça. Se noutros países, utilizam as duas raças; em Portugal utiliza-se o cão de parar para tudo - sendo essencialmente um cão que "aponta" a caça; e não um cão que cobra. Simplesmente teve de se adaptar...

Sendo uma das raças mais registadas em Portugal, no Clube Português de Canicultura, este cão encanta também como animal de companhia. Mas... Dizem muitos dos criadores, que sabem que os cães sentem a necessidade de caçar... É como ter nascido com o dom para cantar e não me deixarem. Interiormente, cantarei sempre... Só não o posso exteriorizar... Creio que estes cães caçadores, que não o podem fazer, sentem um bocadinho isto... Interiormente, os instintos estão lá. Interiormente, eles sabem aquilo que gostariam de estar a fazer... Exteriormente, talvez o possam demonstrar, quando correm atrás dos pombos da cidade ou dos patos que estão no lago do jardim... Ou quando vão buscar a bola que o dono atira...

 

Nunca cacei com um Retriever. Aliás, nunca tive um cão destes; se bem que a sua versatilidade e funcionalidade me fascinam. Estou a ponderar uma nova experiência, e caçar com Retriever do Labrador. As histórias que poderemos contar mas, sobretudo, os momentos que poderemos viver, devem ser também indiscritíveis.

E vocês? Alguém caça com Retriever do Labrador?

ML.

 

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(Foto retirada do site: http://rheareview.com/caring-for-your-favorite-hunting-partner/

Documentos necessários para renovação do porte de arma

Porque sei que é um assunto do interesse de todos, aqui vos deixo uma lista dos documentos que serão necessários para a renovação do uso e porte de arma:

 

1) Atestado médico

2) Registo criminal para licença de uso e porte de arma (pode ser pedido numa LOja de Cidadão ou online)

3) Uma fotografia tipo pass (alguns polícias não aceitam fotografia igual à que está no cartão de porte de arma; dizem que tem de ser uma fotografia nova)

4) Licença de uso e porte de arma

5) CC ou BI

6) Carta de caçador

7) Comprovativo de morada (levem alguma carta que contenha o registo da vossa morada - tive uma situação e foi necessário; não quer dizer que seja convosco, mas pelo sim, pelo não...)

8) Seguro de responsabilidade civil

9) Livretes das armas (todos os que tiverem)

10) Pedir ao ICNF um documento onde apresenta as vossas últimas licenças. Basta enviarem um email para icnf@icnf.pt - é necessário apresentar 3 licenças dos últimos 5 anos. Caso não as tenham tirado; têm de apresentar 5 licenças dos últimos 10 anos. O ICNF tem todos esses registos.

 

Boa sorte a todos!

ML.

 

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