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Diário de uma Caçadora

Diário de uma Caçadora

Receita de Javali Assado com Molho de Cerveja

Adoro uma boa receita de carne de caça! E ontem deparei-me com uma imagem deliciosa de um prato de javali envolto em bacon, com molho de cerveja, do Álvaro Pitas. Com a sua autorização, hoje dou-vos a conhecer uma nova receita de javali. Pelo aspeto das fotografias, será um prato a experimentar brevemente.

 

Ingredientes (para 1 kg de carne):

  • Cachaço ou pernil de javali (as partes compostas por mais que um músculo são as melhores para assar no forno, pois como é uma carne pouco gorda, tiramos partido do sabor dos diferentes músculos, assim como da gordura que está entre eles);
  • Sal a gosto;
  • Pimenta (branca e preta moída na hora) a gosto;
  • Azeite;
  • Ervas de provence, a gosto;
  • 2 grãos de cravinho;
  • 1 alho francês;
  • 2 cebolas médias;
  • 4 dentes de alho;
  • 2 cenouras médias;
  • 2 cervejas pretas médias;
  • Bacon;
  • Fio de algodão.

 

Confeção:

 

Lave bem a carne e escorra-a.

 

Depois, comece por colocar o sal, a pimenta e as ervas de provence espalhados por toda a superfície.

 

Coloque o naco temperado num recipiente ou dentro de um saco de plástico e, para dentro do mesmo, corte a cebola, o alho francês, os dentes de alho esmagados com casca, o cravinho, a cenoura às rodelas, 3 colheres de sopa de azeite e as duas cervejas pretas, de forma a que fique tudo coberto. Depois, cubra o recipiente ou ate o saco de plástico e deixe repousar no frigorífico, no mínimo duas horas, mas de preferência 6 horas. ( A vantagem do saco, é que não deita cheiro no frigorífico ).

 

Passadas as 6 horas, retire o naco da marinada e meta a escorrer, mas sem deitar fora a marinada.

 

Prepare o bacon entrelaçado. Coloque a carne sobre o bacon e ate com o fio de algodão.

 

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Numa travessa deite toda a marinada e, sobre a mesma, coloque o naco enrolado.

 

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Tape muito bem com prata e leve ao forno pré-aquecido a 180°, por duas horas.

 

Ao fim de duas horas, tire a prata, tire o naco e escorra todo o líquido existente, com um coador, para dentro de um pequeno tacho, que irá levar ao lume para que o molho reduza um pouco. Pode acrescentar um pouco de farinha maizena para que engrosse.

 

Entretanto, e enquanto estiver a fazer o molho no tacho, meta o naco novamente no forno, no modo Grill por 10/15 minutos, para que o bacon que reveste o naco fique crocante.

 

Ao fim desse tempo, retire do forno, deixe repousar por mais 10 minutos, para que a temperatura da carne baixe e os sucos fiquem retidos no seu interior.

 

Por fim, fatie a carne, coloque numa travessa e sobre as fatias, deite umas colheres do molho que esteve a preparar com os sucos do assado e a farinha maizena.

 

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Bom apetite!

 

(Muito obrigada ao Álvaro Pitas pela maravilhosa receita e por nos ter contado tudo, tim tim por tim tim).

Triquinela em carne de javali

Nos últimos dias, várias foram as notícias que alertavam para a deteção de triquinela em javalis caçados na região de Trás os Montes e a Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) já emitiu uma nota informativa, tendo determinado esta zona como área de risco.

Perante os casos detetados, a DGAV determinou, através do Edital 1/2018, que "todos os animais abatidos em atos venatórios (batidas, montarias ou ações de correção de densidade populacional com recurso a utilização de cães, com exceção das esperas, praticados na área destes concelhos, sejam submetidos a pesquisa de Triquinela antes de qualquer tipo de consumo, quer para colocação no mercado, quer para consumo doméstico privado".

 

Mas o que é isto da Triquinela?

A Triquinelose é uma doença causada por parasitas da espécie Trichinella. Nos animais está frequentemente associada à infeção do porco doméstico (Sus domésticos) e do javali (Sus scrofa). O Homem também pode padecer desta doença, reconhecendo-se hoje que, na Europa Ocidental, a principal fonte de infeção para o homem ocorre por ingestão de carne de javali e de porco cozinhada a baixas temperaturas ou a produtos cárnicos (como é o caso de enchidos).

A Traquinela não é visível a "olho nu", exigindo uma análise laboratorial para a sua deteção.

Esta era uma doença muito comum no mundo até aos anos 80. Desde essa altura, o número de casos diminuiu substancialmente, mas ainda ocorrem regularmente em locais onde é comum comer carne mal cozida, mesmo em países desenvolvidos da Europa. Atualmente o Centro de Controlo e Doenças dos Estados Unidos da América, estima que haja 10.000 casos de triquinelose humana por ano, no mundo.

 

Como se manifesta a Traquinela no ser humano?

A infecção é adquirida pelo consumo de carne mal cozida de cistos com larvas de trichinella. As enzimas digestivas abrem os cistos e estimulam que as larvas penetrem pelas paredes do intestino, onde as larvas amadurecem e se reproduzem.

No homem, os principais sintomas associados à Triquinelose incluem dor abdominal, náuseas, vómitos e diarreias, dores musculares, dificuldade respiratória, dificuldade em deglutir, edema das pálpebras. Em casos mais graves pode ocorrer insuficiência cardíaca e distúrbios neurológicos como dor de cabeça e vertigem. 

 

O que fazer?

O despiste de triquinela em carne de javali existe desde 2015, sendo um serviço gratuito para caçadores em Trás-os-Montes. Desde 2015 que o Safari Club International Lusitânia Chapter e a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), juntaram-se num projeto-piloto de despiste de triquinela em carne de javali. Este clube de caçadores suportou os custos de equipar um laboratório para despistagem de triquinela em carne de javali na UTAD, tendo como responsável a investigadora Dra. Madalena Vieira Pinto.

A UTAD presta de análise das amostras de carne enviadas pelos caçadores, de qualquer ponto do país, tendo sido feitas várias ações de divulgação da iniciativa em feiras de caça a nível regional e nacional.

Para o efeito foi criado um kit, distribuído gratuitamente aos caçadores, composto por:
- Envelope almofadado com selo e direção do laboratório;
- Material para acondicionar a amostra (pedaço de músculo);
- Folheto informativo sobre a Trichinella e o processo de recolha e envio da amostra;
- Ficha de preenchimento obrigatório com os dados do caçador e da amostra enviada.

O caçador é informado do resultado 24 horas após a receção da amostra.

Para mais esclarecimentos sobre este assunto, poderão ser contactados:

Dra. Madalena Vieira Pinto (UTAD)
E-mail: mmvpinto@utad.pt
Telf.: 259 350 523 / 510

 

(Informação retirada do Correio da Manhã e SCI)

 

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A melancolia do fim de época

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Sorrio para ti, tu sorris para mim, à tua maneira...
Mas por dentro o sorriso não toma conta de nós... Muito pelo contrário... Estamos tristes e melancólicas.... 
A vida não acaba, mas parece que adormece... E só volta a renascer quando voltamos a unir-nos desta forma tão peculiar, e tão nossa...
Até Setembro. É até lá, temos muitos animais para tratar e cuidar!

Guerras entre Caçadores

Tenho como base da minha profissão a escuta ativa do outro, seja dos seus problemas, das suas lamentações, das suas alegrias ou dos seus desejos mais obscuros. Ouço de tudo um pouco, compreendo para além daquilo que, por vezes, um ser humano pode compreender. Mas faz parte. Todos somos diferentes, todos pensamos e agimos de forma única e, por isso mesmo, coloco-me no lugar de cada um, para tentar perceber o porquê das suas ações, dos seus comportamentos ou, até mesmo, das suas entoações. Mas por vezes não há respostas para estes porquês… As coisas são assim, simplesmente porque sim!

Não é fácil, sabem? Não é fácil colocarmo-nos no lugar do outro. Diria mesmo que esta é uma virtude que poucos possuem. Talvez porque sejamos demasiado egoístas mas, acima de tudo, porque fomos formatados para nos preocuparmos connosco, para alcançarmos os nossos objetivos, muitas vezes para não olharmos a meios para atingir os fins, para agirmos de acordo com o que a sociedade nos diz.

Talvez nunca tenhamos sido criados para nos submetermos ao outro. Uma submissão saudável. E quem o faz, lamuria-se…

Somos demasiado individualistas. Pensamos somente no nosso próprio umbigo. Contemplo-o frequentemente. Não serei assim tão diferente dos outros, simplesmente ouço-os e compreendo-os. Mas decerto porque sou psicóloga.

 

No mundo da caça, obviamente que nada disto é exceção. Não há melhores ou piores pessoas; há simplesmente pessoas. Seres humanos. Homens e mulheres que erram, que têm atitudes menos boas; e outras louváveis, indubitavelmente.

Mas onde quero mesmo chegar é a uma pequena palavra, que pouco significado tem para alguns mas que, para mim, é das palavras mais fortes, em termos de sentimento, mas sobretudo, em termos práticos. Sem ela não seremos nada, e isso começa a ser visível.

Esta palavra chama-se: UNIÃO!

 

A união, segundo o Dicionário de Língua Portuguesa, é “associação ou combinação de vários elementos, semelhantes ou diferentes, com o intuito de formar um conjunto”.

Vários elementos… Semelhantes ou diferentes… Mas que têm o intuito de formar algo.

E isto é tão consentâneo com aquilo que se passa, ou que se deveria passar na caça.

 

Há milhares de caçadores. Já tive oportunidade de conhecer uns quantos; e nenhum é igual ao outro. Uns têm mais convicção que outros; uns têm mais dinheiro; outros mais tempo livre; uns têm família e outros não; uns são sapateiros e outros engenheiros; uns mais simpáticos, outros mais tímidos… Mas todos eles têm algo em comum: a caça; a paixão por esta nobre arte.

E isto é tão claro, como 1 + 1 ser igual a dois. Se duas pessoas têm um interesse em comum; e se há outras duas que querem acabar com esse mesmo interesse, o que deve ser feito? Uma criança de 5 anos rapidamente me diria: as duas pessoas têm de se unir para pensar numa solução.

Isso mesmo! Essas duas pessoas deveriam unir-se para não deixarem que as outras duas fossem mais fortes que elas. Porque, efetivamente, a união faz a força. E talvez entremos agora num conto de fadas mas, o que é certo, é que ganha quem for mais unido.

E se por este caminho avançarmos, não iremos ganhar.

E a razão é demasiado simples e exorbitantemente obtusa: porque os caçadores são desunidos.

 

Não quero falar em nomes… Não quero falar em pessoas que têm cargos importantes no sector da caça… Não quero falar em associações, federações ou qualquer coisa terminada em “ões”.

Não é disso que se trata. Não é de guerras que me pretendo alimentar. Muito pelo contrário. É de união. E quando esta palavra se entranha nas nossas “veias”, outras tantas se sucedem… Amizade, companheirismo, entre ajuda, compreensão, valorização, aceitação, etc., etc.

 

Só com estes bons sentimentos, com estas boas palavras; com esta mudança de pensamentos; e com um rumo delineado por todos conseguiremos chegar a algum lado.

Agora, se se querem colocar no lugar do outro? Se querem dar o braço a torcer e colocar o orgulho de lado? Se querem admitir que nem sempre têm razão (porque afinal de contas são humanos e, como tal, erram)? Se acham que a caça não é mais importante que o vosso umbigo; o vosso poder ou, simplesmente, vocês próprios?

Se o fizerem, chegaremos lá… Agora, se continuarem com a premissa de que podem, querem e mandam… Terão o resultado mais prostrado de sempre: os nossos filhos, netos ou bisnetos não vivenciarem tantas histórias ousadas e únicas.

Mas talvez isso pouco importe… Porque será um problema deles, dos outros… Enquanto cá andam e enquanto ainda há caça para vocês, está tudo bem. Que pensamento tão egoísta, mas partilhado por tantos caçadores. Matadores, perdoem-me o engano. Matadores que só se preocupam com a quantidade, com as boas oportunidades para eles próprios e com as vangloriações que se fazem…

Mas já chega, sabem… Os verdadeiros caçadores estão cansados de tudo isto… Querem uma solução, querem que vocês se deixem de mesquinhices, de intrigas e birras, e façam alguma coisa. E basta aquela palavra mágica: a união.

Não deixem que isto termine assim. É uma história demasiado bonita, para que sentimentos maus a invadam e, sobretudo, acabem com ela.

Esta história, a história da Caça, merece ter um final feliz; merece saber que irá viver feliz para sempre… Mas para isso, como em todos os filmes, nos momentos piores, nas guerras, e nas lutas, tem de haver união e os mais unidos, os mais fortes e os justos vencerão!

Não sou ninguém para o afirmar; mas não se esqueçam, que até uma criança de 5 anos nos conseguiria responder, dizendo que a união faz a força!

ML.

 

(Artigo na Revista Caça e Cães de Caça, edição de Março )

 

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Escolhi ser Caçadora!

 

 

Por vezes, em determinadas conversas, ouço pessoas a dizer que já nasceram caçadores. Não sei se isso é, de todo, verdade… Acredito que nascemos com uma missão nesta vida, é certo, mas daí a nascermos já futebolistas, nadadores, humanitários, professores, ou caçadores… Não sei… Talvez…

Eu não nasci caçadora. Eu tive de viver várias coisas para me tornar caçadora. Tive de viver e, sobretudo, de ver, de sentir e, com isto, de tomar várias opções.

Para se ser caçador, têm de se fazer várias opções. Temos de escolher. E por vezes estas escolhas não são fáceis. Por vezes levam-nos a pensar se a caça é mais importante que o resto… E se a caça é mesmo a nossa forma de vida…

 

Escolher é difícil. Então quando temos duas coisas de que gostamos muito, torna-se quase impossível. Imaginem ter de escolher entre um chocolate e um gelado delicioso? Escolher entre uma viagem à Tailândia ou uma viagem a Moçambique? Escolher entre uma noite num hotel de 5 estrelas ou um jantar num restaurante topo de gama? É difícil, não é? Obviamente que cada pessoa tem gostos definidos mas, ainda assim, creio que nesta matéria todos somos muito parecidos – gostamos de comer, de viajar e de nos sentir bem. E falamos aqui de escolhas “banais”.

Mas… E quando se trata de escolhas que podem influenciar a nossa vida, de forma direta?

 

O processo mental é o mesmo; mas com um nível de dificuldade acrescido. Tive de fazer muitas escolhas na minha vida… E acho que para sermos caçadores, temos mesmo de o fazer. Escolhas, opções… Isso irá definir-nos, como caçadores mas, sobretudo, como pessoas. Eu fiz as minhas, e nunca me arrependerei de nada…

 

Escolhi que a vontade e a paixão dos meus cães era mais importante que as minhas vontades. E por isso me tornei caçadora.

Escolhi passar mais tempo com o meu pai, na caça, ao invés de passa-lo com amigos…

Escolhi que iria ser um orgulho para o meu pai… E para o resto da minha família…

Escolhi levantar-me mais cedo aos fins de semana, do que aos dias de semana; ao invés de ficar na cama até ao meio dia…

Escolhi deixar de sair à noite, enquanto todos os meus amigos me mandavam mensagens a perguntar se tinha mesmo a certeza que não ia…

Escolhi deixar de fazer programas ao fim de semana. “Onde vamos?”; “A que horas vamos?”; “Levas tu o carro ou eu?” – tudo isso deixou de fazer parte da rotina. Aos fins de semana, sei para onde vou, com quem vou e a que horas tenho de lá estar.

Escolhi deixar uns amigos para trás e, consequentemente, fazer outros novos.

Escolhi ter mais amigos homens que amigas mulheres.

Escolhi ter amigos mais velhos que mais novos.

Escolhi deixar de passar muitos fins de semana com a minha família e essa é a escolha mais difícil, estou certa.

Escolhi ter de lavar todos os dias os canis dos meus cães, ao invés de ficar a ver televisão.

Escolhi sofrer por perder um cão, do que não sentir absolutamente nada.

Escolhi lutar contra o preconceito em relação aos caçadores, ao invés de me juntar a ele…

Escolhi ser saudável, fazer exercício físico aos fins de semana e comer carne sem hormonas nem antibióticos; ao invés de ir para centros comerciais comer fast food…

Escolhi um companheiro de caça, onde não existe nada que não partilhemos juntos…

Escolhi viver emoções únicas, verter lágrimas a toda a hora, com histórias reais; em vez de o fazer com os filmes de domingo à tarde…

Escolhi não ter tempo para descansar…

Escolhi ajudar a caça, porque percebi o que era a caça!

 

Escolhi viver, em vez de ver a vida passar!

Escolhi ser feliz, em vez de ter uma vida banal…

Escolhi ser Caçadora!

ML.

 

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Espera por mim, que ainda não me despedi de ti!

Conheci-te há poucos anos, mas parece que te conhecia desde sempre. Parece que estivemos juntas desde o primeiro dia em que nasceste….

Sempre foste a minha preferida, das três. A caçar mas, sobretudo, pela morfologia. Eras de facto uma cadela linda: a tua cabeça, o teu corpo quadrado e as cores que te pintavam. Gostava mesmo de ti, sabes…

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Ainda fizeste uma época toda a caçar connosco. E realmente ninguém te superava… Diziam que “inventavas caça” e eu vi-o com os meus próprios olhos. Muitos olhavam de lado, desconfiados, achando que não seria possível fazer aquilo que fazias. Uma vez deste-me duas galinholas de seguida, mas não fui capaz de atirar… Que falha a minha! E todos continuavam a olhar para ti, e a pensar naquilo que fazias, da forma que fazias…

Não te afastavas muito. Olhavas constantemente para trás, para ver se o teu dono estava a vir. Eras a menina dele, mas depressa teve de acabar, pois a Hindy não te deixava. Era demasiado ciumenta e tu, sempre com a tua classe e a tua calma, afastavas-te para não criares problemas e para não te chateares com a tua filha.

Mas ele também gostava demasiado de ti sabes, não sabes?

 

E tive a certeza disso num dia em que fomos todos à caça. Eu, ele e vocês as três. Foi um dos dias mais aflitivos que já tive. E tudo porque gostava demasiado de ti. Gostavamos demasiado de ti…

Estávamos todos a caçar e tu já não ouvias bem, mas nós ainda não tínhamos a certeza disso… Ouço-o a perguntar-me se te tinha visto. Olhei para todo o lado e disse que não. Começamos a chamar-te, cada vez mais alto. Cada vez com mais ansiedade e medo. Já gritávamos exageradamente, enquanto corríamos de um lado para o outro. E nada. Não te víamos, nem te ouvíamos. Ficamos nisto até ser noite cerrada e não conseguirmos ver além da luz das estrelas. Fomos para casa, com o coração nas mãos. Mal falamos um com o outro nesse dia. Chorávamos, com um sentimento completo de incompetência; mas chorávamos sobretudo por ti. Onde estarias agora? O que estarias a fazer, a pensar?

 

 No dia seguinte, ainda de madrugada, levantamo-nos para te procurar novamente. Nada… Até que ele recebe um telefonema, a dizer que te viram na estrada para Beja… O que já tinhas andado. Voamos até lá… E vimos-te já sem forças, e com as patas feridas. Choramos novamente, mas de alegria por estar contigo e por estares novamente connosco. A equipa não seria a mesma sem ti.

 

Cuidamos de ti e este susto fez-nos perceber que já estavas a ficar velhinha… Que agora a tua filha e a tua neta teriam de te substituir (apesar de nunca seres substituível). E começamos a caçar mais com elas, mas tu vinhas sempre connosco e ficavas quietinha no carro. Acho que também sentias que já não podias passar uma manhã inteira a caçar. Cansavas-te muito…

Mas, ainda assim, naqueles terrenos onde víamos que tu podias ir, sem o receio de te perdermos (pois não nos ouvias); soltávamos-te sempre… Ainda me lembro da última vez… As outras duas malucas ficaram presas e refilavam a torto e a direito, e tu vieste connosco, contente, mas com uma busca já mais curta e uma respiração já mais acelerada…

Paraste uma lebre e fizeste com que eu caçasse a minha primeira lebre. Nunca mais me vou esquecer, nem tu, estou certa…

 

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Depois de todas estas jornadas de caça, ele demorava cerca de 1 hora para te tirar a sujidade do pelo. Picos, estevas, o que quer que fosse, ficava preso ao teu pelo… Com um pente pequeno, lá te ia escovando e tu gostavas no início, mas depois refilavas e só querias fugir dali. Mas tinha de ser, para ficares bem e sem nós no pelo. Este compasso de espera por vezes irritava-me, mas ia depenando algumas peças de caça, se já estivéssemos em casa… Dizia sempre “outra vez? Já está bom”. Hoje só queria ficar horas e mais horas a ver-te ser escovada…

 

Eras a mais bem comportada. Aquela que nunca saltava para cima de mim. Ou porque já eras velhinha, ou porque simplesmente não gostavas. Mas eras a primeira a vir cumprimentar-me. E gostavas sempre de nos morder o nariz e as orelhas. Ele dizia que era a tua forma de dizeres que gostavas de nós. E nós gostávamos mesmo de ti, sabes?

Depois de te darmos comer, e de lavarmos os canis, metiamo-nos a falar contigo, e tu entendias tudo. Eras a nossa velhinha e brincávamos com isso. Todos os dias, a nossa velhinha vinha ter connosco e ficava contente por nos ver. A ele principalmente, não tenho dúvidas disso.

 

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Houve um dia que nos preocupaste demasiado (outra vez). Quando comeste sofregamente e ficaste toda inchada. Estive horas a andar contigo de um lado para o outro no jardim. Estive horas a fazer-te massagens na barriga. E estive ainda mais horas a rezar para que ficasses bem. Ele até te deixou vir cá para casa, para a sala, lembras-te? E ficaste bem…

Mas no dia 10 de Fevereiro, apesar da história se ter repetido, o final foi diferente. Eu não estava cá convosco, mas de 30 em 30 minutos ia sabendo notícias. Comeste sofregamente e estavas “embuchada”, mas desta vez era diferente, dizia-me ele. Ligou logo para o veterinário, que disse para aguardar. E vocês aguardaram os dois a noite inteira, de pé. Ele, em pânico e numa ansiedade que não lhe conhecia; tu com muitas dores e a prever, quiçá, o que iria acontecer.

Por volta das 7 da manhã ele foi contigo para o veterinário.

Tinhas feito uma torção de estômago.

Por volta das 8 da manhã eu acordo, sobressaltada, com uma mensagem que dizia “A nossa Haya já não está connosco”.

Não conseguia parar de chorar, Haya. Não deu… E continua a ser muito difícil… Liguei-lhe e ficamos a chorar ao telefone durante vários minutos…

Não me despedi de ti... Não te despedis-te de mim...

Dói muito, sabes? Dói tanto saber que já não estás fisicamente connosco. Que a nossa equipa ficou reduzida. E elas também sentem… Apesar de tudo, de te chatearem e rosnarem para ti, elas sentem… A Hindy passou a noite inteira acordada, porque sabia que se passava alguma coisa contigo… Afinal de contas era a tua filha, e todos os dias se deitava contigo…

 

E agora, Haya… O que vai ser de nós? Bem sabemos que nos temos aos quatro, mas… E tu?

A nossa velhinha? Quem nos voltará a morder o nariz e as orelhas, para dizer que gosta muito de nós?

E nós gostamos tanto de ti, sabes…

Obrigada por tudo minha cadela velhinha… Nós prometemos que cuidaremos bem dele! E que iremos tentar fazer caça, como tu fazias! E um dia iremos encontrar-nos todos aí contigo, nem que seja para me conseguir despedir de ti!

ML.

 

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Passatempo Casaco Viciados (RESULTADOS)

Chegou a hora de revelar o nome do vencedor do Passatempo Casaco Viciados levado a cabo pelo Blog Diário de uma Caçadora e pela Marca Viciados!

 

Relembro que em causa estava este casaco:

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Para participar, bastava tornar-se fã da página de facebook Diário de uma Caçadora e da página de facebook da marca Viciados, identificar três amigos na publicação e preencher, uma única vez, o formulário.

 

O vencedor foi escolhido aleatoriamente, através do random, que determinou o seguinte resultado...

 

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Muitos parabéns à vencedora Ana Cachopo, que em breve será contactada! E muito obrigada a todos os leitores que participaram... Em breve teremos mais passatempos e poderá ser a tua vez de ganhar :)

 

Saberemos todos amar?

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Há pessoas que não sabem o que é o amor... Talvez não tenham a capacidade para gostar do próximo, para o aceitar, com todos os defeitos existentes. Talvez sejam demasiado egoístas e por isso não queriam dar uma oportunidade a esse tal amor... 
E talvez seja mesmo uma opção, uma característica ou simplesmente algo que assim tem de ser...
Mas quando toca ao amor entre cão e ser humano, o caso muda de figura. Este amor tem de existir, verdadeira e humildemente. Não há como não... Todos temos de o viver... Quem não souber o que é este amor, então nunca saberá o que é ser feliz!

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