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Diário de uma Caçadora

Diário de uma Caçadora

Ser Mulher de um Caçador...

Sabemos o que é ser Caçador. Conhecemos o que sentimos, o que experienciamos, as dificuldades e as coisas que de melhor nos acontecem. Podemos explicar tudo de uma ponta à outra, sem nervosismos ou gaguejos, mas creio que há uma coisa que deixa o coração de qualquer caçador (e de qualquer ser humano) mais pequenino e palpitoso: a família!

O que pensará a família de um caçador? O que pensará a mulher de um caçador? Aquela que está sempre a seu lado, que todos os dias se deita na sua cama e que aquece os pés junto a ele? O que sentirá essa mulher por ter um marido caçador? O que experiencia? Quais são as dificuldades? Será que há vantagens?

Decidi falar com algumas mulheres de caçadores que conheço… Umas que gostam mais da caça que outras. Umas que a vivem mais que outras. Umas mais velhas, outras mais novas. Umas com filhos, outras sem tal responsabilidade.

Sorria enquanto lia o que me escreviam e diziam. Sorria, ao pensar que há uma coisa em comum com todas as mulheres dos caçadores: o amor que nutrem pelos seus homens! E por esse amor, sabem que vale a pena! E talvez essa simplicidade seja tudo o que necessitamos na vida…

 

Não vou falar em nomes. Não vou mostrar caras. Não vou identificar pormenores que nos levem a perceber quem é quem. Não importa a identidade, importa o que disseram e começa simplesmente com…

 

Ser Mulher de um Caçador é...

 

Ser mulher de um caçador é ser resiliente. É saber aceitar. Muitas vezes é esquecermo-nos de nós próprias pelo outro que se ama. Por vezes é solidão. É companheirismo e apoio. É sofrer à distância, sem saber se existe vitória ou derrota, se a felicidade enche o coração ou, pelo contrário, este é inundado de desalento e de “podia ter feito melhor, não deu…”. Ser mulher de um caçador também é um “posto”. É coragem. É honra e alegria e partilhar esses momentos a três (eu, ele e o cão). (M.)

 

Ser mulher de um caçador nada mais é do que respeitar o que para ele é mais do que uma grande paixão, é um estilo de vida. Vinha de uma família onde a caça era algo desconhecido e, por isso, foi um grande e gratificante desafio perceber o que a caça significava para o meu marido. Quando eu o conheci, ele já era caçador há mais de 20 anos. Como ele teve de parar por um tempo, devido a um longo tratamento de uma doença, quando tudo estava terminado, a minha grande felicidade foi voltar a vê-lo caçar. Para mim, tudo ficou mais claro quando o acompanhei uma vez numa Prova de Santo Huberto, que nada mais é do que um ato de caça, com a participação de juízes. Quando vi isto pela primeira vez, e vi o que a nossa cadela era capaz de fazer no campo, fiquei completamente rendida. E passei a acompanhá-lo sempre que podia. O número de cadelas lá em casa foi aumentando e a dedicação do meu caçador também. Logo, a minha felicidade de vê-lo feliz… também. (R.)

 

Ser mulher de um caçador não é difícil, desde que se respeite a vontade do outro. É claro que numa fase inicial, quando não se tem nada, gasta-se bastante dinheiro em adquirir tudo e pensamos “bem, com esse dinheiro poderíamos ir de férias ou passar um fim de semana diferente”. Mas ver o prazer que lhe dá a caça e o prazer de trocar experiências com outras pessoas, acabamos por retirar algum prazer disso também. E depois há outra parte: a ajuda. A ajuda entre os dois, o apoiar uma atividade que ele gosta. Acho que ser mulher de um caçador é isso mesmo. Apoiar o gosto. Porque se eles saem para a caça e sabem que, quando regressam, encontram alguém zangado… Acabam por perder o gosto. Digo-o por experiência própria, quando ficava chateada, ao início. Resumiria tudo nesta frase: Não te limites a ser mulher de um caçador, torna-te numa caçadora! (A.)

 

Antes de mais, quero dizer que tenho um incomensurável orgulho no meu marido. Ser caçador é apenas mais um contributo que o dignifica. Penso que muitas das atitudes demonstradas enquanto caçador também se repercutem na sua vida profissional: o espirito de persistência, de luta, de pró atividade, de honestidade e respeito. Confesso que a sua paixão pela caça mexe bastante com a nossa dinâmica familiar, a forte determinação de colocar em prática uma gestão sustentável dos ecossistemas, onde ele pratica o exercício da caça, sobrepôs-se à vontade e necessidade de aproveitar o tempo livre para descansar do stress da vida empresarial. (MC.)

 

Ser mulher de um caçador, no início, não foi fácil. Talvez porque não compreendia o sentido da caça, não sei… Mas o que parecia ser um grande problema, deixou de o ser quando conseguimos conciliar as nossas coisas, os nossos assuntos, a nossa vida. Ele consegue ter tempo para a caça, mas também tem tempo para mim e dá-me a atenção que preciso. Por isso, hoje em dia, posso dizer que ser mulher de um caçador não é difícil! Tive simplesmente de aprender, compreender e respeitar o que é a caça e o que significa para ele. Se sempre foi a sua paixão, não era eu que iria mudar isso. E ele aprendeu a respeitar e a perceber que também eu preciso da disponibilidade e do tempo dele para mim, para as minhas coisas. Os dois juntos aprendemos a viver à nossa maneira. (S.)

 

Ser mulher de um caçador é estar disposta a todo o ritual que envolve a preparação de uma época/dia de caça, desde o tratamento dos cães, ao vestuário, passando pela ajuda na preparação da “tralha” ou do almoço para o dia seguinte – que, para muitas pessoas passa por uma simples sandes e algo para beber mas, para o grupo de caça do meu caçador vai muito além disso. Eles fazem uma espécie de piquenique em larga escala, com uma simples carne de vinho e alhos a um rancho transmontano. A caça, segundo o meu caçador, vai muito além do que trazer uma peça para casa. Sei que na época de caça terei dias que serão passados sem ele, mas ele está a fazer o que gosta e sente-se feliz; e se ele está feliz eu também estou. No final de um dia de caça, espero ansiosamente a sua chegada, para saber que peripécias tem para contar e se correu tudo bem com ele e com os nossos amigos de 4 patas. Às vezes chega mais alegre do que outras, e costuma dizer “um dia é da caça outro é do caçador”. No geral, diz sempre que o mais importante foi divertir-se e não se ter magoado; o mais importante foi o convívio e acima de tudo ver os seus cães a trabalhar e a disfrutar daquilo que nasceram para fazer. (V.)

 

Ser mulher de um caçador é ter-se orgulho naquilo que se é. Apoio sempre que posso! (G.)

 

Ser mulher de um caçador é muito gratificante, tendo ele uma vasta experiência neste campo. (T.)

 

 

Vantagens?

 

Às vezes tenho umas mini férias. (M.)

 

A principal vantagem de ser mulher de um caçador, no meu caso, que o acompanho sempre que posso, é conhecer lugares incríveis por Portugal e Espanha, que nunca iriamos se fosse uma viagem comum de turismo. Por cada terra que passamos fazemos amigos, conhecemos pessoas genuínas e fantásticas; desde gente do campo até presidentes de juntas e de câmaras que sempre recebem bem estes eventos. Por cada região, provamos sempre a gastronomia local. Adoro estar próximo de culturas tão diferentes das grandes cidades. (R.)

 

Muitas! Nota-se que é uma atividade que lhe dá gosto, prazer e vontade de aprender e melhorar a cada caçada. Gosta de ouvir os conselhos dos mais experientes e conhecer pessoas diferentes. A juntar a isto temos sempre carne boa para eu me dedicar a inventar na cozinha (algo que adoro). E neste momento temos também os nossos meninos (os cães). Fazem parte do nosso projeto de vida. (A.)

 

Ter sempre carne deliciosa para confecionar e comer, pois gosto muito de qualquer tipo de caça. Adoro fazer jantares ou almoços de caça para os nossos amigos, não só pelo convívio, mas também por saber que todos apreciam o que faço. (S.)

 

Não sendo eu caçadora, mas pelo que vou presenciando e assistindo as suas vivências e de alguns amigos neste meio, acho que os torna pessoas mais conscientes, quanto à natureza e a tudo o que a envolve. Têm um grande respeito por tudo o que se passa na natureza. Ele adora ir ver as perdizes e vai dar-lhes trigo. Gosta de ir ver os coelhos a saltar ao amanhecer. (V.)

 

A parte que mais gosto são os cães. Adoro quando temos alguma ninhada, apesar de dar muito trabalho, mas nós adoramos. Também adoro ir com ele às provas de caça e, quando não posso ir, sou a primeira a dizer-lhe para ir. (G.)

 

 

O que é que mais custa?

 

A única coisa que me custa são as longas viagens que por vezes ele tem de fazer sozinho, quando não posso acompanhá-lo. Fico sempre com uma pontinha de preocupação. E também me preocupa o facto de que ele ou as nossas “meninas” se magoem. Mas… ninguém está livre disso, mesmo ficando em casa. (R.)

 

Inicialmente, custava-me ficava sozinha aos fins de semana ou interromper o sono pelas 4 da manhã, porque o despertador tocava e ele levantava-se. Já não conseguia dormir mais, porque sabia que ele ia fazer uma viagem ainda de noite. Tinha receio de que fosse atingido por algum caçador mais descuidado ou em algum acidente, como em tantas histórias que se ouvem. No início de tudo, quando ele decidiu ser caçador, senti que ele me estava a “trocar”. Nessa altura cheguei a chatear-me, confesso, mas depois percebi que não era nada disso. Era um escape para ele, uma forma de desanuviar de toda uma semana de trabalho e uma forma de fazer, por exemplo, atividade física ao ar livre. (A.)

 

Inevitavelmente, a família vê algum do seu tempo de convívio reduzido. Contudo, isso não é forçosamente mau, antes pelo contrário, foi encarado como um desafio a mudanças de certas rotinas, pois “Família” que é verdadeira família procura que todos se sintam felizes e realizados! Além de que a quantidade de tempo juntos não é sinónimo de qualidade das relações. Mas é óbvio que não há bela sem senão e, portanto, objetivamente aponto que sendo um agregado familiar em que o sexo feminino está em vantagem numérica e, como tal, adora viajar, reclamamos do constrangimento provocado pela caça na marcação de férias em família, pois até quaisquer programinhas de fim de semana estão completamente condicionados pelo calendário venatório. Mas depois o pai/marido compensa. Não constituindo em si uma desvantagem, por si só, não posso deixar de referir o quanto por vezes me sinto triste por ver nos mais diversos órgãos de comunicação social comentários depreciativos acerca da caça e dos caçadores, falando erradamente sobre uma arte que desconhecem e sem a qual a espécie humana não teria sobrevivido. Começo a sentir que a minha liberdade está a ser posta em causa e descredibilizada por pessoas que se sentem superiores ao exalarem uma sensibilidade excessivamente parva! (MC.)

 

Por vezes sinto falta de um fim de semana só para mim. É a única desvantagem e dificuldade que encontro. (S.)

 

Custa quando está um dia de temporal e ele sai de casa bem cedo, ainda de madrugada, para um dia de caça e não sabemos o que poderá acontecer. Pode acontecer algum acidente com a espingarda. Por mais cuidadosos que sejam, os acidentes por vezes acontecem. Outra coisa que custa muito é, por vezes, querer partilhar um domingo com ele e não ser possível. Mas depois compensa-me sempre, mesmo cansado, costuma fazer um esforço e leva-me a jantar. (V.)

 

 

O que se torna diferente na tua vida?

 

Eu pensar que iria tirar também a carta de caçador. Comecei a ir com ele aos tordos e às montarias, pois nunca senti que ele me excluísse da caça, assim como também nunca o fez com a pesca. Aliás, ele próprio insistiu para que eu tirasse a carta de caçador, para o acompanhar ainda mais. Se me sinto deslocada neste mundo? Nem por isso! Sempre fui muito bem-recebida na reserva onde ele caça e sempre recebi muito apoio da parte de todas as pessoas de lá. Pensando bem, acho que não há nada que um faça que o outro não faça… Ou pelo menos que eu sinta que não posso fazer por ser mulher, ou por sentir que vão pensar que não o largo. Acho que nunca podemos dizer que “não gosto” ou “não é para mim”, se não experimentarmos. Se é duro? Sim, a caça em geral é dura. Já andei no campo, sei que não é fácil, muito menos com cartuchos e uma espingarda nas mãos. Mas tudo se ultrapassa quando percebemos que gostamos mesmo daquilo. (A.)

 

Era difícil, no inicio, não termos um domingo em família ou um domingo só para nós. Para fazermos coisas juntos, fosse o que fosse (um simples passeio à praia ou um simples almoço a dois), era muito difícil, não havia disponibilidade da parte dele, pois não estava em casa. Hoje em dia, digo sempre a rir que os nossos fins de semana românticos são sempre a correr atrás de cães. Sempre pensei que para ele a caça era mais importante que eu, até perceber que a caça é uma arte bonita de se viver. Saber que a caça o faz feliz, faz-me feliz a mim também. Depois de um dia de caça, ele chega a casa muito descontraído e bem-disposto, e faz-me rir. É o que preciso para ser feliz. Depois conta-me o seu dia; muitas vezes nem trouxe uma única peça de caça, mas está feliz na mesma, vê-se no seu rosto, Para mim isso é tudo! (S.)

 

Partilho a minha vida com uma pessoa que se sente feliz por fazer aquilo que gosta, que adora estar ao ar livre. Sinto-me feliz e orgulhosa por vê-lo tratar tão bem dos cães. Vejo que ser caçador é um modo de vida que ele adotou, por isso tem o meu incondicional amor e respeito. Ser caçador não o torna diferente, no mau sentido, como muitos julgam. Ele sente-se triste, por vezes, quando vê pessoas a difamar os caçadores sem saberem do que falam. Mas eu tenho aprendido muito com ele sobre a caça e entendo tudo aquilo que ele sente e, por isso tudo, acho que ele ser caçador fá-lo ser uma pessoa ainda mais especial. (V.)

 

 

Porque é que são uma Família diferente?

 

Ter um marido caçador não é melhor nem pior, mas sim diferente. Somos uma família diferente, porque passamos mais tempo que as demais a observar e a cuidar da natureza. Somos uma família diferente porque damos mais oportunidade aos nossos cães para serem felizes a andar no campo e a treinar os seus instintos naturais. Somos uma família diferente porque damos valor ao esforço, habilidade e inteligência do pai e dos nossos cães para caçarem a quase totalidade de carne que ingerimos. Somos uma família diferente porque promovemos frequentemente convívios com imensas pessoas bem-dispostas e que compartilham a paixão saudável pela caça, muitas vezes, contribuindo para projetos de solidariedade. (MC.)

 

Talvez porque somos os dois caçadores. Ele é sempre mais e mais exigente comigo. Como mulher de um caçador, vou cingir-me apenas à minha primeira caçada pois, se não tivesse um marido “diferente” também não teria passado por tal dia maravilhoso. Já gostava de caça antes de o conhecer, mas nunca tinha tido oportunidade de caçar, via somente em programas de televisão e alguma informação na internet. Bem… O tal dia… Fomos para o Algarve, a uma caçada aos tordos. Primeira dificuldade: o levantar cedo às 3 da manhã. Às 6 da manhã chegamos. Comemos qualquer coisa, fizemos a dita inscrição e fomos então para o campo, numa carrinha onde eram 11 homens e eu a única mulher. O frio congelava as minhas mãos. Entramos no campo e o “meu caçador” pediu-me ajuda para organizar as coisas. Mais uma aprendizagem para mim, que não sabia como se montava um abrigo ou como se preparava uma espingarda. Estava a anos de luz do que realmente era a caça. Ouvimos o tiro que iniciava a caçada e, de repente, o mundo lá fora deixou de existir. Os meus olhos não paravam. Os tordos entravam por todo o lado. Foi uma manhã alucinante. Às 11 da manhã acabou e eu carreguei as peças de caça toda eufórica, como se tivesse acabado de caçar tudo aquilo. Gosto e faço questão de acompanhar o “meu caçador” porque é um caçador exigente para com ele próprio e eu aprendo muito, sem dúvida. (T.)

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O poder que o Amor tem... O verdadeiro amor... Talvez seja somente isso o segredo para o sucesso de uma relação! Esqueci-me de perguntar às minhas queridas mulheres; mas ficará para uma próxima!

Obrigada do fundo do meu coração a estas grandes Mulheres que se disponibilizaram prontamente a responder a todas as questões e a ajudar-me. M., T., M.C., S., R., V. e G. Ainda bem que existem mulheres como vocês no mundo! É por isso que certamente têm os homens que têm!

ML.

 

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A caça gera 6.475 milhões de euros e emprega 187.000 pessoas

A Fundação Artemisan publica o primeiro grande estudo sobre o impacto económico da caça, elaborado pela Deloitte; onde se constata que a caça representa 0,3% do PIB de Espanha, como por exemplo as vendas do vinho. 

 

O estudo, intitulado "Impacto Económico e Social da Caça em Espanha", preparado pela consultora Deloitte, aborda em profundidade, pela primeira vez, a importância da atividade da caça em Espanha.

O relatório foi apresentado por José Luis López-Schümmer, presidente da Fundação Artemisan e María Lambarri, gerente de Estratégia e Operações da Deloitte. Além disso, o Diretor-Geral do Desenvolvimento Rural, Esperanza Orellana, e Alfonso Codes, secretário geral técnico do Ministério da Agricultura, também estiveram presentes.

 

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No total, a caça gera 6.475 milhões de euros em Espanha e cria 187.000 empregos, o que representa 1% da população ativa em Espanha. 

López-Schümmer salientou que "nunca se realizou um estudo desta profundidade em Espanha, que não reflita apenas a contribuição económica da caça, mas que valorize também a sua importância do ponto de vista social e ambiental, estimando o investimento dos caçadores na conservação da nossa natureza." O presidente da Fundação Artemisan enfatizou ainda que os caçadores "investem quase 300 milhões de euros na conservação da natureza", razão pela qual considera necessário "reconhecer sem hesitação" a importância do setor de caça.

 

Além disso, os caçadores destinam 233 milhões de euros para reflorestamento e outros investimentos em conservação ambiental, e 54 milhões de euros para a manutenção de acessos ,melhorias florestais e aceiros, entre outros.

O relatório recorda que o exemplo mais relevante do trabalho realizado pelos caçadores na preservação da vida selvagem é a recuperação do lince ibérico, graças à manutenção das reservas privadas das populações de coelhos e perdizes que servem de alimento. De facto, todos os planos de recuperação do lince ibérico destacam a necessidade de envolver os caçadores, que participam ativamente na preparação e acompanhamento dos mesmos.

 

Notícia retirada do site Jara Y Sedal

 

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Porque nos sentimos felizes a caçar?

Gostei tanto desta entrevista feita ao Prof. Dr. Juan Carranza, e faz-me tanto sentido, que decidi traduzi-la e mostrar-vos. Espero que se deliciem com estas explicações...

 

"Desde tempos remotos, que as pessoas se alimentam de carne. As evidências mais antigas do seu consumo, em África, remontam a cerca de 2,6 milhões de anos: fósseis de grandes mamíferos com marcas de ferramentas nos ossos. Somos caçadores desde o começo da nossa existência e, até há 100.000 aos dependíamos da carne caçada, em todos os lugares do mundo. Apenas com o início da agricultura, há 10.000 / 20.000 anos atrás, diminui gradualmente a dependência da caça que, juntamente com o estilo de vida sedentário, tornam-se nos estilos de vida recentes.

Nem sempre tinha sido assim, não. 

 

A caça é uma atividade que desgasta fisicamente. Predadores como os grandes felinos, que caçam presas maiores do que eles, despendem muita energia (que os pode levar ao limite) com a busca, captura e imobilização da presa. O sucesso em conseguir comida, em sobreviver e em ser bem nutrido depende não apenas das habilidades para perseguir, capturar e caçar, mas também do gosto por fazê-lo. A seleção natural produziu dor e prazer, com os quais o cérebro informa ao corpo que algo é negativo ou positivo para a sua eficácia biológica. Através dessas sensações, os genes influenciam o organismo a fazer ou não coisas que o favorecem ou prejudicam. É por isso que um ser vivo arrisca a sua vida a reproduzir-se e assim deixar cópias de seus genes; da mesma forma que a competição dos machos pelas fêmeas é arriscada e dispendiosa; e da mesma forma que a caça envolve riscos e gasto de energia para os predadores.

 

Seleção Natural

A seleção natural fez com que estas atividades produzissem prazer, motivando o organismo a aceitar (com prazer) o risco e o esforço. Se formos caçar não temos problemas para acordar cedo, subir encostas... O coração bate com a adrenalina que nos prepara para enfrentar algo que exige capacidade de reação e tomada de riscos. A seleção natural produziu tudo isto em nós, tal como os sentimentos de empatia em relação à nossa família, por exemplo. São comportamentos opostos, mas igualmente naturais. A chave que faz o click no nosso cérebro, que nos leva a perseguir um ser vivo e a caçá-lo ou, pelo contrário, a cuidar de um ser vivo; relaciona-se com a forma como o identificamos – se está dentro do nosso próprio grupo ou não.

 

Dou-vos o exemplo dos índios Yanomami das selvas amazónicas da Venezuela e do Brasil que, hoje em dia, ainda são caçadores-coletores - homens (caçadores) - gostam de caçar e falam sobre isso à volta da fogueira e as mulheres (coletoras). 

Também em todas as famílias de Yanomami existem animais que são criados domesticamente, com quem partilham a escassa comida e até mesmo o leite das mulheres. Esses animais de estimação não são diferentes dos animais que caçam na selva, mas nenhum Yanomami pensaria em caçá-lo: nunca comem os animais que criam. Se olharmos para o passado para entender o nosso presente, a coisa mais estranha no ser humano não é caçar animais selvagens ou espécies cinegéticas, mas sim matar e comer os animais que ele mesmo criou.

 

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Atualmente, ouvimos dizer que a caça já não faz sentido, pois ninguém precisa de caçar para comer. É verdade. Agora matam-se os animais de outra forma, e bem pior, no meu ponto de vista.

Ainda assim, isso não impede que haja pessoas que gostem de perseguir e caçar um animal. Esta tendência existe. Podemos reprimi-la, mas é algo natural. Tem raízes mais profundas em nós do que, por exemplo, o futebol.

 

Caçar dá prazer. Porquê?

A explicação reside na intervenção dos centros cerebrais do prazer: o núcleo accumbens, o hipocampo, o córtex pré-frontal e a amígdala produzem neurotransmissores que geram estas sensações, fomentando os comportamentos que a provocam.

A dopamina é uma delas, e é crucial na regulação sináptica - a conexão entre os neurônios - deste circuito de recompensa, gerando a sensação de prazer. Além disso, estimula as vias excitatórias no accumbens, atuando como ponte entre o sistema límbico - importante na regulação de comportamentos somáticos, emocionais e sexuais - e sistemas motores.

A dopamina predispõe o corpo a um estado de alerta, permitindo também que surjam emoções e euforia, estimulando-nos à busca do prazer. Também aumenta o desejo sexual: é por isso que os mamíferos superiores exibem comportamentos agressivos de dominância e sexualidade. Se a síntese de dopamina ou sua libertação diminuírem, a consequência é a desmotivação e disforia (casos leves) e a depressão e a perca do desejo sexual (casos graves).

O comportamento da caça está relacionado com essas substâncias que nos predispõem à atividade e, quando há libertação das mesmas, dão-se os momentos de prazer. Tal como em todos os vícios, o cérebro está predisposto ao prazer e isso, uma vez experimentado, encoraja-nos a procurar uma e outra vez, repetidamente. É uma vulnerabilidade: os viciados são pessoas normais que encontram uma tentação. E aqui a evolução não preparou ninguém para lutar contra as tentações. Seremos viciados em caçar?

 

Não sabemos o que pensavam e sentiam os primeiros seres humanos, mas algo intuído em pinturas rupestres deixadas nas cavernas, permite-nos reconstruir as suas estruturas cerebrais - com base no comportamento e emoções. Analisando tais pinturas, abundantes em África, Europa e Ásia, podemos tirar concluir sobre o que era importante para os caçadores - o grupo, normalmente representado na caça, a atirar flechas em bisontes, antílopes ... Ou seja, tanto o grupo, como a caça eram parte dos valores humanos. Os cérebros dos nossos antepassados ​​já tinham as estruturas básicas de comportamento de cooperação e emoções, substrato de uma atividade como a caça.

 

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Grupos de Caçadores

Sempre gostei de estudar grupos pequenos de caçadores e um que me chamou à atenção foi os Baka pigmeos. Ao viver com eles, senti a harmonia que existia - são calmos e felizes na vida social, têm laços muito fortes com as famílias e uma maneira de obter sustento muito gratificante. Possivelmente, na nossa história evolutiva, vivemos com esse tipo de estratégia ecológico-económica durante milhões de anos. Há cerca de 10.000 anos a mudança foi drástica, com a primeira revolução cultural; e nos últimos 300 anos com a revolução industrial.

Quando perguntei a um dos meus amigos desta tribo, no sul de Camarões, o que era mais importante para ele, respondeu-me sem hesitar: "A floresta. Não posso passar mais de dois ou três dias sem ir à floresta".

E também lhe perguntei qual era a sua religião: "Caçar", respondeu.

A satisfação que tinham quando iam caçar era evidente. E quando voltavam com a peça caçada, o grupo comemorava, cozinhava e distribuiu a carne. Depois cantavam e dançavam ao redor do fogo, com muita alegria e espontaneidade. Nutricionalmente, a dieta destas populações é bastante saudável e até melhor que a de algumas sociedades muito desenvolvidas. Têm uma boa saúde e não sofrem de doenças da nova sociedade, tipo cancro, ou de doenças mentais. 

 

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Somos felizes a caçar 

Durante muito tempo, autores clássicos como Washburn ou Ardrey propuseram a hipótese da caça como uma explicação pelo qual o homem é um homem ... e não um chimpanzé. A resposta é simples: porque durante milhões de anos de evolução eles tiveram que caçar para viver.

E paralelamente, selecionou as adaptações para o comportamento cooperativo: falamos de qualidades como lealdade, responsabilidade e interdependência.

 

Os cidadãos dos países desenvolvidos caçam porque é uma prática que proporciona benefícios sociais, físicos e psicológicos bem definidos. 

Temos uma opinião fragmentada que deriva das informações da comunicação social; mas que não são informações diretas, medidas e analisadas com métodos e técnicas adequadas. 

Há que entender que a seleção natural fez com que o gosto pela caça em seres humanos existisse. Isso talvez ajude a compreender como somos em termos de espécie."

 

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Autor: Juan Carranza. Doutorado em Biologia, Catedrático da área de Zoologia e Diretor da Cadeira de Recursos Cinegéticos e Pesca, da Universidade de Córdoba. É também especializado no comportamento animal e gestão cinegética.

Entrevista publicada na Revista online espanhola Jara Y Sedal

Imagens retiradas da internet

 

 

Petição: Cabra Montês, Espécie Cinegética!

A presença da cabra-montês é uma realidade nas serras do Gerês, sendo que a população da espécie não tem parado de crescer, ultrapassando atualmente os 600 exemplares (dados do ICNF). Segundo opinião de diversas entidades (como a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa), o habitat não tem capacidade para suportar uma população superior entre 180 a 270 animais desta espécie. Em Espanha a cabra-montês é caçada em várias regiões, sendo a forma de controlar as populações. Em Portugal o ICNF considera que o nível de predação natural sobre a espécie é reduzido. Por estes motivos, consideramos ser necessário integrar a cabra-montês na lista das espécies cinegéticas em Portugal, com vista à possibilidade da sua caça no futuro.
Assinem esta petição por favor!

 

http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT88852

 

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15 de Abril - Um dia histórico para a Caça em Espanha!

No dia 15 de Abril, os caçadores de toda a Espanha juntaram-se em mais de 40 cidades espanholas, para reivindicar a caça como um modo de vida e para exigirem respeito. 

Mais de 100.000 pessoas fizeram-se ouvir.

"Sim à caça!" ou "Viva a caça!" era o que repetiam constantemente, fazendo com que este tivesse sido um dia histórico para a caça e para os caçadores espanhóis.

Um dia em que os cidadãos defenderam os seus direitos. O direito de escolher o modo de vida que quiserem. O direito de serem respeitados como qualquer outra pessoa. O direito de não serem criminalizados nos meios de comunicação social, apenas por serem caçadores.

 

A comunicação social esteve presente e noticiou tudo aquilo que estava a acontecer.

A maioria dos partidos políticos espanhóis mostraram o seu apoio à caça de forma pública e evidente, exceto o partido Podemos.

 

Um dia histórica, com pessoas históricas!

Muito obrigada. 

Ao ver as fotografias e ao ver os vídeos, a emoção e os arrepios na espinha chegam demasiado rápido! Foi absolutamente maravilhoso!

Viva la Caza!

ML.

 

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Ovelhas mortas em Malpica do Tejo - O outro lado da história!

Disseram-me para ver o programa que estava a dar na SIC, Linha Aberta, e que falava de cães de matilha e dos prejuízos que estavam a causar. Ontem puxei o programa para trás, que tinha dado no dia 10 de Abril. Vi com atenção. Ouvi ainda com mais atenção... E não me posso calar! 

 

Numa altura em que as propostas do PAN prendem-se com o fim da utilização de matilhas na caça, este acontecimento foi "ouro sobre azul". No entanto, há muitas nuances que devem ser comentadas. Nuances essas falsas, e que devem ser transformadas em informações verídicas e verdadeiras. Porque mesmo quando o lobo veste pele de cordeiro, um dia será descoberto...

 

Sucintamente, a notícia comentada dita o seguinte: No dia 6 de janeiro houve uma montaria com mais de 500 cães de matilha numa propriedade aberta, em Malpica do Tejo. No fim da montaria, os matilheiros (homens proprietários dos cães de matilha) foram-se embora e deixaram cães no terreno. Abandonaram-nos. Esses cães não têm chip ou, se tiverem, os proprietários não estão identificados. Esses mesmos cães atacaram rebanhos de ovelhas e mataram-nos. São mais de 300 animais mortos. (Foram mostradas imagens). Agora ninguém sabe o que fazer, têm prejuízos enormes e não conseguem descobrir de quem são os cães que estiveram presentes na montaria dia 6 de janeiro. Conclusão? Os caçadores são uma espécie terrível que, além de abandonarem os cães, agora dão prejuízo aos agricultores.

No programa, esteve presente uma Senhora Comissária Política do PAN; mas "ninguém da organização da montaria e proprietários das terras quis falar com a SIC".

 

E agora vamos analisar tudo isto tim tim por tim tim...

 

1 - Toda a minha análise da situação será baseada em factos dizendo, desde já, que existem caçadores maus e bons, como em todo o lado e que defenderei aquilo em que acredito e que me faz ser caçadora.  

 

2 - Os caçadores são as primeiras pessoas a ajudarem os agricultores, nas mais variadas situações. Por exemplo, o caso dos javalis que destroem culturas imensas de milho. Nestas alturas, os agricultores falam desesperadamente com caçadores para ajudar. Nenhum caçador quer prejudicar o agricultor.

 

3 - Em Malpica do Tejo existem dezenas de montarias durante a época de caça. Referem-se somente ao dia 6 de janeiro. Mas porque é que os cães são da montaria de dia 6 de janeiro e não de uma outra montaria qualquer? Sendo que são feitas todos os fins de semana? Como é que sabem o sítio, a organização e os proprietários onde foi realizada a montaria? Há tantos sítios diferentes e tão pertos uns dos outros, tantas organizações diferentes e tantos proprietários que poderiam ser "acusados"... Talvez o dia 6 de janeiro tenha outra história por trás, que não conheçamos...

 

4 - Montarias com 500 cães? Tenho de ver onde é que isso acontece... É um feito histórico! Nem as toupeiras aguentavam… 

 

5 - Entramos num campo mais a sério. As montarias de Malpica do Tejo são conhecidas por serem extremamente bem organizadas e com requisição de matilhas que tenham tudo em dia. O que é ter tudo em dia? Um matilheiro deverá ter a sua matilha registada e com seguro. Deverá estar inscrito na Associação Portuguesa de Matilhas de Caça Maior, entidade que o representa e defende. Um matilheiro é obrigado a colocar um chip em cada cão, com a devida identificação, assim como a ter uma licença de cada um desses cães. Além disso, as vacinas têm de estar em dia e têm de fazer um registo da matilha. Um matilheiro é obrigado a ter condições de alojamento adequadas para os seus cães. De preferência com canis laváveis com fossa. (A ideia de que os cães estão presos à corrente já não é válida). Os matilheiros são obrigados, por lei, a dar boas condições de vida aos seus animais e a não proferirem nenhum tipo de maus tratos, como dita a lei que entrou em vigor há pouco tempo. Para isso, há um certificado de assiduidade, passado pelo veterinário, com idas ao canil ver se cumprem com boas normas de higiene e segurança.

Os matilheiros preocupam-se com as condições de transporte (o carro tem de corresponder a determinadas normas de bem estar), alimentação e cuidados de saúde dos seus cães.

Os matilheiros não saem do terreno sem terem os seus cães todos presos. Mesmo que só falte um, mesmo que já sejam 3 da manhã e isso impliquei fazer uma fogueira e passarem a noite inteira ao lume, à espera dos cães. Muitos matilheiros utilizam coleiras de GPS (mas não todos). Mas todos os cães de matilha têm uma coleira que os identifica - normalmente uma coleira grossa com um número de telefone e o nome da matilha. Nunca vi nenhum cão de matilha sem uma coleira ou algo que os identificasse. (Mas talvez os cães do dia 6 de janeiro tenham tirado as coleiras uns aos outros antes de organizarem o "ataque"). Os matilheiros de hoje em dia são diferentes dos matilheiros de antigamente e isso é preciso ter em conta. Os tempos mudaram, a sociedade mudou, as pessoas mudaram.

Mas também sei que há bons e maus, como em todo o lado. Agora por uns não têm de pagar todos.

 

6 - Há uma diferença, que penso ser de fácil perceção. Cães de matilheiros e cães de matilha. Todos podem ter cães de matilha, não precisam de ser caçadores. Sabemos que há cães abandonados em muitos sítios e que podem ir acasalando uns com os outros e continuando a viver na rua, sem terem nunca nenhum dono. Nas cidades isso acontece, no campo também... 

O abandono é crime, seja para quem for. Se um matilheiro abandonar um cão, terá repercussões legais, assim como na Associação Portuguesa de Matilhas de Caça Maior, que repudia qualquer mal trato animal.

 

7 - Já passaram 3 meses desde o sucedido... Será que só agora deram por isso? É que uma matilha para matar um rebanho pode fazê-lo numa hora.

 

8 - Quando mostram as fotografias dos animais mortos, há várias coisas que podemos questionar. 

a) Porque é que não há fotografias ou filmagens da matança dos animais? As pilhas da câmara acabaram logo quando se ia ver os cães a comer as ovelhas?

b) Os cães que ali se vêm de volta dos animais mortos (e parece ser só de um dos cadáveres), se tivessem morto aquela ovelha iam ficar só a cheirar? Um dos cães que se vê, bastante magro, poderia limitar-se a cheirar e não a comer, porque poderia estar doente mas será que os outros iriam limitar-se só a olhar para a sua "obra", sem a comer?

c) Uma das fotografias apresenta uma ovelha com o abdómem bastante inchado, o que só pode significar duas coisas: ou morreu de doença, e isso iliba os cães; ou se foi morta pelos cães ia ficar alguns dias (dias esses necessários para a libertação dos gases que iriam inchar o abdómem) sem ser comida pelos vorazes cães?

d) E depois há ainda outro facto: as carcaças mais velhas que aparecem, estão no estado que seria normal de serem deixadas por outro predador, por sinal bastante abundante na zona, e não por canídeos.

e) E a colónia de abutres que vive mesmo ali ao lado? Como sabem, onde há bicho morto os abutres atacam em série. Não deixam nada, em pouquíssimo tempo.... Estes abutres serão diferentes?

 

9 - Não poderia deixar de salientar que para se falar temos de ter conhecimento de causa. Se eu não sei muito acerca de ciclismo, não vou mandar “bitaites”. E se a SIC não sabe muito acerca de caça, deve estudar um bocadinho antes de dizer certas coisas, nomeadamente que convidou as pessoas responsáveis e ninguém compareceu. Mentira! A entidade responsável pela defesa das matilhas é, como referi há pouco, a Associação Portuguesa de Matilhas de Caça Maior, que nunca foi contactada. 

E só mais uma coisa, numa montaria utilizam-se armas de fogo, ao contrário do que foi dito (e tão mal dito).

 

10 - A Senhora Comissária Política do PAN disse, e com muita razão, que deve haver mais fiscalização. Não podia estar mais de acordo e tiro-lhe o chapéu por isso! Nem imagina a dificuldade que é nós fazermos tudo legalmente, gastarmos "rios" de dinheiro para ter tudo em condições e depois aparecerem uns "chico espertos" que fazem tudo mal e que denegridem a nossa imagem. Mas isso também deve acontecer convosco, não?

 

11 - "Ainda há práticas arcaicas como matar raposas à paulada", disseram. Primeiro nós, caçadores, não matamos, caçamos. E depois... Matar raposas à paulada????? Nem consigo dizer mais nada... Só de imaginar tal situação, faz-me ter pena do ser humano. Daquele que imagina isto, e daquele que o consegue fazer. Temos de conhecer primeiro a caça e só depois falar... Talvez um dia eu conheça também o ciclismo. Se assim for, então depois falarei sobre isso...

 

12 - Disseram também que os cães de matilha podem ser perigosos até para os humanos... Não é verdade! Até aqueles cães que têm um ar assustador são meigos. Já convivi com tantos, sempre sem medo e o que recebo em troca são só lambidelas... Se eles não quiserem contacto, eles afastam-se. Nunca mas nunca vi nenhum cão de matilha ser agressivo com humanos, nem nunca ouvi história idêntica.

Obviamente que pode haver alguma situação; pois há sempre casos diferentes e cães agressivos existem em todo o lado; há cães de raça potencialmente perigosa que não fazem mal a uma mosca; como há cães que não são considerados de raça perigosa e são agressivos. Agora não se pode dizer que os cães de matilha são perigosos para os humanos, quando isso não é verdade!

 

13 – Para finalizar, quando vi todos aqueles homens na televisão, que perderam os seus animais, tocou-me. Obviamente que me tocou. Eles precisam de respostas, de ajudas e de justiça. Mas para isso é necessário encontrar o culpado e não levantar suposições. Podem ou não ser cães de matilha. Como disse, há sempre pessoas boas e pessoas más, em todos os setores. Mas só podemos acusar tendo provas concretas.

E depois de tudo isto, mesmo que tenham sido cães de matilha, deixados ou perdidos por matilheiros então vos digo: por um não pagam os outros! E por um não se pode generalizar! É como os condutores… Se só se pode andar a 120km na auto estrada, eu não irei andar a mais. Mas há quem o faça… E por isso serei eu “condenada” e colocada num patamar que dita que todos os condutores são irresponsáveis e ilegais? Parece-me bem que não…

ML.

 

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