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Diário de uma Caçadora

Diário de uma Caçadora

Quem é Caçador, nasce Caçador?

Muitas pessoas ficam surpreendidas quando lhes digo que sou psicóloga. Pensam que a minha vida é dedicada somente à caça e às espécies cinegéticas. Mas não! No meu dia a dia exerço uma profissão que me leva a questionar muitas coisas e a querer saber mais. Ser psicóloga é, sem dúvida, meter-me no lugar do outro e tentar perceber determinados comportamentos, baseando-me sempre na ciência e em estudos científicos.

Leio muitos artigos sobre este tema e houve um que me chamou à atenção: Predicting Hunting Intentions and Behavior: An Application of the Theory of Planned Behavior. Li e reli. Gostei desta abordagem e, por isso, vos deixo mais um bocadinho de ciência estudada e comprovada (e não de teorias sem fundamento).

 

Nos últimos anos, muito se fala sobre as vantagens da caça e de outras atividades associadas à vida selvagem; principalmente em termos sociais, psicológicos, emocionais e físicos; apesar de haver falta de fundamentação teórica (poucos são os estudos científicos que abordam esta temática).

Mas creio que esta pode ser a base para se perceberem certos comportamentos, nomeadamente, o gosto pela caça e pela vida selvagem e, sobretudo, que os caçadores são pessoas ditas “normais”, com um comportamento psicológico e social adaptado e equilibrado. Obviamente que falamos de forma geral, sabendo que existem bons e maus, como em todo o lado.

Este estudo de Hrubes, Ajzen & Daigle, procurou entender estas valências, tendo como suporte a Teoria do Comportamento Planeado (Ajzen, 1991) – uma teoria psicológica que pretende prever e explicar o comportamento humano em contextos particulares, com a seguinte lógica: o ser humano tem uma intenção individual de executar um dado comportamento, consoante três fatores: atitudes (crenças sobre as prováveis consequências do comportamento); crenças normativas (crenças sobre as expetativas dos outros – pressão social) e controlo percebido (crenças sobre fatores que podem prejudicar ou melhorar o desempenho do comportamento – será fácil ou difícil realizar tal comportamento?).

 

Neste estudo, o objetivo primordial era prever e explicar o comportamento de caça, através da Teoria do Comportamento Planeado. Para isso, foram usados dois grupos de estudo: 1) 388 caçadores que tiraram licença de caça em Vermont; e 2) 339 voluntários (não caçadores) que visitaram o Green Mountain National Forest (GMNF), em Vermont. Foi entregue um questionário a todas as pessoas destes grupos, que avaliava três atividades ao ar livre – caça; observação da vida selvagem; e atividades ao ar livre que não estavam relacionadas com a vida selvagem. Os itens do questionário abrangiam então várias vertentes (pedia-se para pensar nos últimos 12 meses):

 

  1. Comportamento – “Com que frequência caçaram ao longo do último ano?” (para os caçadores); “Com que frequência observaram a vida selvagem” (para o grupo de observação da vida selvagem); e “Com que frequência fizeram atividades ao ar livre?” (para o grupo que fazia atividades ao ar livre que não estavam relacionadas com a vida selvagem);
  2. Intenções – Uma escala de 1 a 7 (1 – extremamente improvável a 7 – extremamente provável) avaliou a intenção dos participantes para se envolverem na caça;
  3. Atitudes – Foram avaliadas atitudes em relação ao comportamento de caça (1- extremamente ruim a 7 - extremamente bom; 1- extremamente agradável a 7 - extremamente desagradável);
  4. Normas subjetivas – Duas escalas avaliaram este parâmetro: “A maioria das pessoas importantes para mim acham que devia caçar” (1- nada verdade a 7- completamente verdade); “A maioria das pessoas importantes para mim concordam com o meu envolvimento na caça” (aprovam vs desaprovam).
  5. Controlo comportamental percebido – Duas escalas de 7 pontos avaliaram a dificuldade de se envolverem na caça (1 – extremamente difícil a 7 – extremamente fácil); e a verdade da seguinte afirmação “Se eu quisesse, facilmente poderia caçar nos próximos 12 meses” (1 – definitivamente falso a 7 – definitivamente verdadeiro);
  6. Crenças comportamentais – Pretendeu-se avaliar as crenças dos participantes acerca dos benefícios ou custos resultantes da caça, procedendo-se a uma lista com 12 itens com resultados positivos da caça (ex. observar e aprender sobre a vida selvagem) e resultados negativos (ex. sentir-se cansado e exausto). Os participantes avaliaram a probabilidade da caça produzir cada um dos 12 itens, numa escala de 11 pontos (0 – extremamente improvável a 11 – extremamente provável); avaliando ainda a conveniência de cada item, numa escala de 7 pontos (1 – extremamente indesejável a 7 – extremamente desejável);
  7. Crenças normativas – Idêntico ao item das normas subjetivas, mas aplicado aos amigos e família;
  8. Controlo de crenças – Escala de 11 pontos avaliou crenças acerca do tempo que estão ocupados a caçar; conhecimentos e habilidades; custos; e o esforço para se dedicarem à caça;
  9. Valores da vida selvagem – Os participantes tinham de indicar a sua opinião acerca de 8 afirmações sobre a vida selvagem (ex. domínios de orientação da vida selvagem; direitos dos animais, etc.), numa escala de 7 pontos (1 – discordo totalmente a 7 – concordo totalmente).
  10. Valores de Vida – Os entrevistados têm de avaliar a importância de 56 objetivos motivacionais, numa escala de 9 pontos (1 – é oposto aos meus valores a 9 – é de extrema importância).

 

Resultados

 

Os entrevistados eram predominantemente do sexo masculino (73%) e caucasianos (79%), com média de idade de 40,5 anos. 47% dos entrevistados relataram uma renda familiar anual entre US $ 20.000 e US $ 61.000, 35% relataram uma renda acima de US $ 61.000 e 11% relataram uma renda abaixo de US $ 20.000. Mais da metade da amostra (53%) formou-se no ensino superior.

 

De acordo com a Teoria do Comportamento Planeado, os caçadores relataram atitudes extremamente positivas, assim como normas subjetivas, perceções de controlo e intenções, em relação à caça. Os outros dois grupos de controlo relataram scores negativos relativamente à intenção de caçarem. O grupo que fazia atividades ao ar livre que não estavam relacionadas com a vida selvagem relatou atitudes e normas subjetivas mais negativas, em relação à caça, do que o grupo de observação da vida selvagem.

Todos os grupos demonstram prazer no envolvimento com a vida selvagem, contudo o grupo dos caçadores indica que os direitos humanos não devem ser os mesmos que os direitos animais; ao invés dos outros dois grupos.

Os caçadores apresentaram valores mais altos no conservacionismo; estavam menos abertos a mudanças e pouco preocupados com os outros. Percebeu-se que a caça é um comportamento que se escolhe, voluntário e que se tem intenção de fazer. O comportamento da caça correlacionou-se positivamente com os valores relacionados com o aproveitamento da vida selvagem.

Constatou-se também que a influência dos valores da vida selvagem é influenciada pelas atitudes dos caçadores (ou seja, os valores influenciam os comportamentos, através das crenças e atitudes).

Percebeu-se também que as atitudes, em relação a um comportamento, derivam das crenças sobre as consequências desse mesmo comportamento; que as normas subjetivas derivam das crenças sobre as expetativas dos outros; e que a perceção de controlo deriva das crenças sobre os fatores que ajudam ou prejudicam a situação.

 

 

Em suma, a presente pesquisa demonstrou que a teoria do comportamento planeado pode ajudar a explicar a participação nas intenções e no comportamento da caça. Além disso, indica que as orientações de valor da vida selvagem e os valores fundamentais da vida podem ajudar a explicar algumas das variações nas crenças e atitudes relacionadas à vida selvagem que, determinam a decisão de se envolver ou não na caça.

 

Ou seja, ser caçador não é ser um outsider da sociedade, ou ter algum tipo de patologia mental. Ser caçador é ter um conjunto de crenças, valores, atitudes e controlo (segundo a Teoria acima citada) que nos leva a querer ser caçadores e a querer envolver-nos na vida selvagem. Estou certa de que a educação e valores transmitidos pela família e amigos; assim como as experiências de vida são fatores fulcrais para que se tome a decisão de ser caçador. Isso é visível neste estudo aqui apresentado, por exemplo, onde pessoas que não eram caçadores não tinham qualquer tipo de se associarem a esta atividade, apesar da ligação à natureza e vida selvagem.

Quem é caçador, nasce caçador?

Não acredito nisto; mas acredito sim que temos um papel fulcral com os mais jovens, nomeadamente a incutir o gosto pela caça! Temos de sentir que essa é a nossa missão, nesta pequena passagem que por aqui fazemos…

ML.

 

 

Referência Bibliográfica: Hrubes, D., Ajzen, I., & Daigle, J. (2001). Predicting Hunting Intentions and Behavior: An Application of the Theory of Planned Behavior. Leisure Sciences, 23(3), 165-178.

 

(Artigo publicado na edição de Junho da Revista Caça e Cães de Caça)

 

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Caçadores do Algarve recolhem mais de 82 toneladas de lixo

No domingo, dia 20 de Maio, a Federação de Caçadores do Algarve promoveu em todos os concelhos do Algarve a jornada intitulada “Dia Nacional dos Caçadores pelo Ambiente 2018”, em que participaram mais de 3.000 caçadores associados em clubes de caça e pesca, associações e empresas de turismo cinegético suas filiadas e que teve ainda a colaboração das Câmaras Municipais, Juntas de Freguesias e da Algar - Valorização e Tratamento de Resíduos Sólidos, S.A.

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A iniciativa, que acaba de cumprir a sua 10ª edição, contou também com a participação ativa de diversos autarcas da região Algarvia bem como do Secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural, Eng.º Miguel Freitas, da Vice-Presidente da Câmara Municipal de Monchique, Dra. Arminda Andrez, do Diretor Regional de Agricultura e Pescas do Algarve, Eng.º Fernando Severino, do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas do Algarve o Eng. António Miranda, e do Presidente da Confederação Nacional do Caçadores Portugueses, Eng.º Fernando Castanheira Pinto , que assistiram ainda a um exercício no âmbito da prevenção dos fogos florestais levado a cabo pelos Bombeiros Municipais de Monchique.


Houve um almoço convívio realizado em Monchique, no encerramento desta jornada em prol do Ambiente em que foram recolhidas mais de 82 toneladas de lixo e monos, deixando assim o espaço florestal no seu todo bastante mais limpo.


No corrente ano, esta iniciativa teve duas vertentes: em alguns concelhos a acção realizou-se de igual modo aos anos anteriores mas, nas Freguesias de Marmelete e Monchique (concelho de Monchique), esta jornada teve ainda o mérito de contribuir para a limpeza e desmatação em redor de algumas casas, cujos proprietários não têm condições para o fazer para prevenir incêndios, tendo o Secretário de Estado Miguel Freitas, no uso da palavra, agradecido também aos Caçadores e à sua Federação, o contributo dado na proteção da floresta. 
O Secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural exaltou ainda o facto dos "caçadores serem muito importantes para o espaço rural," e a importância de que o "trabalho de preservação da floresta tenha que ser feito em equipa".

 

Texto retirado da página da Federação de Caçadores do Algarve 

 

E vocês, o que fazem pelo ambiente? 

 

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(Município de Monchique)

 

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(Município de Olhão)

 

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(Município de Faro)

A caça foi ao Jardim de Infância...

Há uns tempos o Rui Jesus veio falar comigo sobre uma proposta que tinha tido do Jardim de Infância de Alvaiázere. Gostavam que ele fosse falar sobre a caça e a biodiversidade às crianças. Convidou-me para o ajudar, proposta que achei desde logo irrecusável. Mas, infelizmente, sabia que era difícil para mim conciliar uma ida a Alvaiázere de semana, pois estava a trabalhar.

O Rui demonstrou uma garra e uma vontade enorme de fazer bem (e melhor), e preparou tudo com a maior das delicadezas e dos perfeccionismos. O resultado? Um trabalho excelente, uma ação maravilhos e um conjunto de crianças felizes.

 

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No dia 15 de Maio, pelas 14h, o Rui foi ao Jardim de Infância de Alvaiázere e, através de um conjunto de fotografias e desenhos, falou sobre a evolução da caça, desde os primórdios dos tempos até aos dias de hoje. Falou também sobre o papel do caçador no presente e no futuro.

Como a brincadeira é uma das melhores aliadas das crianças, o Rui fez um jogo tipo "Quem é Quem", sobre as espécies cinegéticas (caça maior, caça menor, residentes e migratórias), tendo culminado com a leitura de uma pequena história sobre caça e o correto comportamento do caçador e restantes intervenientes no meio rural.

No final, presentearam todos os meninos com um desenho para colorir. A brincar também se aprende!

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Os meus parabéns a todos os intervenientes. Fiquei com muita muita pena de não ter ido, mas estou certa que existirão próximas oportunidades. Porque é assim que elevaremos o nome da caça e mostraremos o quão bom é ser caçador e ajudar a natureza e os animais!

ML.

25 razões para a Caça ser sinónimo de Conservação

Dados de estudos feitos nos Estados Unidos da América mostram-nos que efetivamente Caça é sinónimo de Conservação e que não há nada nem ninguém que ajude mais a isto que os Caçadores!

 

1) Em 1907, havia 41.000 alces na América do Norte. Graças ao dinheiro e ao trabalho árduo dos caçadores, na conservação do habitat, hoje existe mais de 1 milhão de alces.


2) Em 1900, nos EUA, existiam 500 mil veados de rabo branco. Graças ao trabalho de conservação dos caçadores, hoje existem mais de 32 milhões.


3) Em 1901, existiam poucos patos nessa mesma zona (EUA). Graças aos esforços dos caçadores para restaurar e conservar as zonas humidas, hoje existem mais de 44 milhões de patos.


4) Em 1900, existiam apenas 100.000 perus selvagens. Graças aos caçadores, hoje são mais de 7 milhões.


5) Em 1950, existiam apenas 12 mil Antilocapra na América do Norte. Graças aos caçadores, hoje são mais de 1,1 milhão.


6) Habitat, pesquisa e trabalho de fiscalização da vida selvagem, tudo pago por caçadores, ajuda inúmeras espécies não cinegéticas.


7) Por meio de licenças e taxas estaduais, os caçadores pagam 615 milhões de euros por ano para programas de conservação (EUA).


8) Através de doações para grupos como o RMEF, os caçadores ajudam com cerca de 255 milhões de euros por ano, para a conservação das espécies.


9) Em 1937, os caçadores pediram um imposto de 11% sobre armas, munição, arcos e flechas para ajudar a financiar a conservação. Esse imposto já arrecadou mais de 2 bilhões de euros para a conservação da vida selvagem.

 

10) Este imposto de 11% por cento em armas, munições, arcos e flechas gera 240 milhões de euros por ano para a conservação.


11) Ao todo, os caçadores pagam cerca de 1 bilhão de euros por ano para programas de conservação. Ninguém consegue ajudar mais!


12) Três em cada quatro americanos são a favor da caça, principalmente porque reconhecem que os caçadores são a maior ajuda na conservação das espécies.


13) Como contribuintes, os caçadores também financiam o Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA, o Serviço Florestal dos EUA, entre outras entidades.


14) A caça financia a conservação e a economia, gerando 22 bilhões de euros por ano em vendas a retalho.


15) A caça suporta 600.000 empregos, desde guardas de caça, a biólogos, funcionários de hotéis, empregados de café, etc.


16) Mais de 95% dos 180.000 membros da RMEF (Rocky Mountain Elk Foundation), uma organização conservacionista, são caçadores. 

 

17) A caça é uma ferramenta de gestão da vida selvagem; ajudando a equilibrar as populações de animais (limitar os danos nas culturas e reduzir surtos de doenças são objetivos primordiais).

 

18) Os caçadores ajudam a que o número de predadores aumente (ex. pumas, ursos, coiotes e lobos). 

 

19) A caça tem uma importância fundamental na segurança das estradas (controlo populacional).

 

20) As colisões nas estradas com veados matam 200 condutores por ano e custam 9 bilhões de euros (por ano). Nem queremos imaginar os custos, se não existisse caça!


21) A caça é uma maneira saudável de se conectar com a natureza, ao mesmo tempo que se consegue comer a carne mais orgânica, mais magra e saudável do mundo.


22) O número de caçadores reduziu, enquanto as ajudas dos caçadores para a conservação aumentaram. Uma dedicação inigualável!


23) O ávido caçador Theodore Roosevelt criou as florestas e pradarias americanas e protegeu, até aos dias de hoje, 230 milhões de terras para a vida selvagem e para as pessoas usarem e disfrutarem.


24) Com o financiamento de caçadores, a RMEF ajudou a restaurar rebanhos de alces selvagens em sete estados e províncias.


25) À medida que a sociedade vai perdendo os laços com a vida selvagem e a conservação; os laços com a natureza criados pela caça são a maior esperança para que a próxima geração seja uma geração conservacionista.

 

 

Bibliografia: Twenty-five reasons why “Hunting Is Conservation:”. Rocky Mountain Elk Foundation.

* A RMEF é uma entidade de conservação, que já protegeu ou melhorou o habitat de espécies em mais de 6 milhões de terras - uma área maior do que os parques nacionais de Yellowstone, Great Smoky Mountains, Grand Canyon, Glacier, Yosemite e Rocky Mountain. 

 

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Crise no Sporting ou Crise na Sociedade?

15 de Maio.

Eu que nem vejo televisão, estive mais de 3 horas em frente aos vários canais que reportavam a situação vivida em Alcochete.

Antigamente ia a todos os jogos do Sporting em casa, depois deixei-me disso, sem razão aparente. Comecei a desinteressar-me, talvez... Mas hoje voltei a viver o futebol de forma fugaz. E pelos piores motivos. 

15 de Maio.

O dia negro da história do Sporting mas, acima de tudo, o dia negro para todos aqueles que viveram na primeira pessoa estes acontecimentos.

 

Enquanto estava sentada a ouvir os relatos vividos em Alcochete naquela tarde ventosa e fria, dei por mim a pensar... Não no Sporting Clube Portugal como entidade, não no Bruno Carvalho como presidente, mas sim em todas as pessoas como Sociedade.

E que Sociedade é esta, dita tão evoluída e desenvolvida, onde existe esta violência? Mas porque é que há violência? 

 

Existem várias teorias que explicam os atos de violência: a teoria psicológica de Freud e Adler diz que todas as agressões são resultado de frustrações anteriores.

Concordo em absoluto e já falei disto várias vezes aqui, noutros contextos! Todo o ser humano que tem frustrações pendentes e não as consegue resolver, irá transportá-las para os outros, seja que de forma for, mas normalmente de forma agressiva/violenta, seja em comportamentos, atitudes ou palavras. 

 

Na teoria sociológica de Bandura e Walters a agressão é aprendida, assim como todo o comportamento humano. Entende-se o Homem como sendo um produto do meio onde está inserido, influenciado por diversos fatores.

Estou certa de que a nossa relação com os outros, desde que nascemos, irá influenciar a forma como nos comportamos em sociedade. 

 

Mas o que é certo é que as causas para a violência advêm, sem dúvida, de inúmeros fatores. E obviamente que todos nós compreendemos tudo isso mas, claramente, não conseguimos aceitar. E somos apenas meros espetadores... Quem viveu toda esta violência, certamente a repugnará ainda com mais intensidade.

 

E como se devem sentir estas pessoas que, apesar de receberem ordenados de milhões de euros, recebem também uma pressão constante oriunda de todos os lados? Como se sentem eles quando estão a treinar com a sua equipa e, vindo do nada, aparecem 50 figuras humanas de cara tapada, a partir tudo o que está à volta e a agredir todos os que estão presentes.

Como será que se sentiram, nesse momento? Como será que se sentem agora, passadas algumas horas? Sentem medo? Frustração? Raiva? Impotência?

Quem os ajudará? Quem os compreenderá? Quem irá fazer justiça? E de que servirá essa mesma justiça?

 

O futebol não pode ser o palco para explosões de violência e muito menos pode ter alguém que as incentiva, mesmo que de forma discreta ou inconsciente, vamos lá saber...

 

Porque chegamos a um nível onde a Sociedade atual está em crise. Uma crise intitulada de Terrorismo. E não falo do Daesh, mas sim de cada um de nós; da agressividade que existe dentro do ser humano e, sobretudo, dos atos repugnantes que alguém pode fazer a outra alguém, simplesmente porque nem todos gostam de verde…

 ML.

 

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Os politicamente corretos das redes sociais!

Dou por mim a pensar nas diferentes posturas que podemos adotar ao longo da vida e até mesmo em determinadas situações. Conheço pessoas que no trabalho são uma coisa e fora desse contexto são outra. Que com a família são uma coisa e com os amigos são outra totalmente diferente.

Estas diferentes posturas que adotamos podem ser normais e adaptativas até certo ponto, pois a variabilidade de comportamentos pode ser infinita e naturalmente somos "muitos num só".

Agora o que não se compreende é a facilidade com que algumas pessoas se transformam atrás de uma tela de computador. Talvez vivam em dois mundos, um onde são elas próprias, com todos os defeitos e limitações de um ser humano; outro mundo onde tentam ser o humano ideal - aquele que não existe mas que todos gostaríamos de ser, pelo menos uma vez na vida. 

Esta nova sociedade impinge a perfeição; e se não for no dia a dia, com os outros, terá de ser no dia a dia com as tecnologias. Uma sociedade de Facebook e Instagrams, que superou a outra velha e modesta Sociedade.

 

E esta nova sociedade tem uma coisa boa para cada um de nós: conseguimos sentir-nos bem connosco próprios! A máscara que se coloca permite que a auto estima aumente e que se experiencie um sentimento profundo de bem estar e de valorização pessoal. E tudo isto porquê? Porque se finge ser quem não é… Porque se é politicamente correto e não passa disso! Porque as pessoas maquilham-se de opiniões perfecionistas, sem conhecerem a realidade imperfeita (como em todas as realidades). E a satisfação pessoal e o alívio da consciência são os alicerces para que este espetáculo continue.

 

A pessoa que na vida real se chama José, trabalha 8 horas diárias e recebe o ordenado mínimo, chega a casa e tem apenas o gato para lhe fazer companhia. Essa pessoa sente-se sozinha. Muito sozinha. Olha para o espelho e não gosta dele próprio. E mais que isso, sente-se injustiçado, quando olha para a sua vida e a compara com os outros. Bons empregos, ordenados, vidas preenchidas de amor e carinho. E o José nada tem… Porque não o conquistou! Porque achou que o amor de um gato era tudo para ser feliz. Nem os seus amigos de sábado à noite preenchem estas lacunas da vida! E então terá de descarregar estas suas frustrações nos outros, naqueles que pensa que são perfeitos e felizes. Mas esquece-se que todo o ser humano é imperfeito e tem momentos menos bons. O José quer-se sentir bem com ele próprio e cria um Facebook. Gosta muito dos animais e acha incorreto matarem-se animais na caça. Então decide tornar esta a sua atividade principal, o seu objetivo de vida. Adora o seu gato e vê-o como um membro da família. Como poderá um caçador não sentir o mesmo?

Decide lutar contra isso. Desta forma, sente que tem um papel ativo na sociedade mas, sobretudo, na sua vida (e na do seu gato). Sente que pode ajudar algo ou alguém, sente que pode descarregar as suas frustrações no caçador. Nas redes sociais ele é tudo; na vida real não é nada, porque no fundo nem sabe o que é a caça e nem quer saber… Só quer ter alguma coisa que o faça sentir melhor com ele próprio. Desta forma, tem o apoio de algumas pessoas, faz mais amigos e alguns até lhe dão os parabéns por ter determinadas intervenções. O José sente que no Facebook consegue ser feliz. Só ainda não percebeu que essa felicidade é mascarada e utópica… E que a natureza precisa dos caçadores para continuar a equilibrar-se; e não de cibernautas politicamente corretos como o José.

 

Ricardo Trujillo, Psicólogo e Professor da Universidade Nacional Autónoma do México (UNAM) investigou este vínculo psicológico entre seres humanos e natureza, tendo concluido que esta é vista como a mãe perdida, que está desaparecida e que é tratada de tempos a tempos, para afastar a culpa. "É um tipo de saudade e nostalgia pelo lugar onde nos sentimos em equilíbrio, já que vivemos numa sociedade oposta com tecnologia, carros e poluição; e é por isso que sonhamos em voltar a essa natureza", diz. 

"Essa ilusão de retornar à mãe, à paz e ao equilíbrio baseia-se numa definição errada do ambiente pois, hoje em dia, a natureza não tem nada de equilibrado. Esta é uma maneira de manter uma ilusão nostálgica, procurando aquilo que falta nas nossas vidas. No entanto, quando obtemos isso, percebemos que não era aquilo que procuravamos e vamos à procura de outra casa ou outro carro. Queremos sempre mais e mais, nunca estamos satisfeitos com nada", conclui.

 

É por isso que todos os Josés que existem por aí nunca serão felizes, porque projetam nos outros todas as suas frustrações. E continuarão a ser politicamente corretos nas redes sociais mas, fora delas, são humanos tão ou mais imperfeitos... E continuam a comer bife frito com molho e batatas fritas, como todos os outros...

ML.

 

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As emoções vividas na Caça

Quando falamos de caça, há uma série de comportamentos, atitudes, crenças e valores que são debatidos. Argumentos contra, outros a favor; uns que têm por base estudos científicos, outros que são meras suposições de mentes mais “iluminadas”.

Mas quando falamos de caça, há uma questão que é pouco debatida: as emoções.

Que emoções vivemos nós, Caçadores, enquanto caçamos? Que emoções espelham a nossa forma de estar na caça e, consequentemente, na vida?

Estou certa de que as emoções ultrapassam todos os argumentos que possamos utilizar. Vivendo e sentindo, tudo poderá tornar-se diferente, até uma mera opinião já formatada. E isto porque as pessoas confiam nos sentimentos, acreditando que eles contêm informações certas de julgamento.

E, acima de tudo, porque as emoções positivas são agentes de mudança. E foram estas emoções positivas que a caça me transmitiu (e transmite) que me levaram a ser caçadora e a querer defender tudo aquilo em que acredito, com “unhas e dentes”. Porque, efetivamente, há coisas maravilhosas que sentimos e que talvez poucos o consigam experienciar… Infelizmente!

 

Paixão

Quando penso em caça, depressa me apercebo de que a paixão é uma das minhas emoções base. Sou, de facto, uma apaixonada pela caça… Mas não seremos todos? A paixão move-nos, é certo, e leva-nos a ser felizes e a alcançarmos um bem estar integral, entre corpo e mente. É esta paixão que me leva a levantar às 3 da manhã, num dia frio e chuvoso de inverno, e a fazer centenas de quilómetros para caçar. É também esta emoção positiva, esta paixão, que me leva a abdicar da minha família, durante muitos fins de semana.

Eu caço e sou apaixonada pelo que faço!

 

Alegria

Uma das emoções mais patentes num dia de caça, é a alegria. Sinto-me alegre por estar no campo, com os meus cães, atrás de uma perdiz, uma manhã inteira. Sinto alegria quando a consigo caçar e quando o meu cão a cobra, também sentido esta emoção, seguramente. Alegria sinto também quando consigo caçar um javali e ser mais astuta que ele. Ou quando falho uma peça. No fundo, sinto alegria nos mais ínfimos pormenores que a caça tem e nos proporciona.

Eu caço e sinto alegria em todos esses momentos!

 

Humor

Rio-me tanto na caça. Rio-me comigo e com os outros. Rio-me das anedotas que se contam num almoço de caça. Rio-me a caçar com o meu pai. Rio-me das asneiras que faço e das peças que erro. E damos grandes gargalhadas. Mas também sorrio. Sorrio com os meus cães, sobretudo. Este já é um sorriso mais a puxar à felicidade. Sorrio com a sorte que tenho em caçar com pessoas que adoro. Sorrio por existirem pessoas assim. Sorrio apenas porque “rir faz bem à saúde”.

Eu caço e o sorriso é “a minha melhor arma”!

 

Paz

É tão importante sentirmo-nos em paz, nos vários trilhos da nossa vida. E na caça, consigo sentir esta emoção, de forma plena; consigo sentir-me verdadeiramente em paz, comigo própria, mas também com os outros. Uma paz de espírito, uma paz na alma, uma paz no corpo, que me faz sentir uma leveza e uma liberdade extremas.

Eu caço e consigo encontrar uma paz extrema, a todos os níveis!

 

Ansiedade / Adrenalina

Há emoções mais positivas que outras mas, mesmo as negativas, são importantes para a nossa sobrevivência; como é o caso do medo ou da ansiedade. Estas emoções ajudam-nos a evitarmos contextos de perigo, por exemplo. Mas são várias as vezes que vivo situações de ansiedade e constante adrenalina na caça, principalmente na caça maior. Faço os dois tipos de caça e certamente posso dizer que, para mim, as emoções vividas numa e noutra são diferentes, mesmo que a nuance principal seja a mesma. Não tenho duvidas que experiencio mais situações de adrenalina e que o meu coração palpita com mais intensidade na caça maior, do que na caça menor. Engraçado que nunca tinha pensado nisto, até hoje que o escrevo aqui…

Eu caço e vivo situações excêntricas, que levam o meu coração a bater de forma única e quiçá um tanto ou quanto “suis generis”!

 

Amor

Falei da paixão pela caça; mas não posso deixar o amor de fora. O amor, esse sentimento tão bonito, tão vivido e partilhado no nosso mundo. Acredito que é o amor que nos move, que faz com que o mundo se torne num lugar melhor para todos.

É através do amor, pela caça, pela minha família e amigos, pelos outros, pelos meus animais, que sinto todas estas emoções e que sou verdadeiramente feliz. E, melhor que tudo, posso usar as emoções positivas para fazer face às adversidades que vou encontrando, simplesmente através do encontro de um significado positivo nesses acontecimentos.

Eu caço e amo aquilo que faço e aquilo que a caça me faz ser!

 

 

São estas emoções que me movem, enquanto caçadora mas, sobretudo, enquanto ser humano. E tenho a certeza que se queremos mudar mentalidades, então temos de mostrar às pessoas estas emoções mas, sobretudo, ajudá-las a viver um bocadinho de tudo isto.

As emoções positivas alargam a atenção e a cognição, propiciando um pensamento mais flexível e criativo, facilitando também a capacidade de confronto (coping) com o stress e a adversidade.

E quem é que não quer sentir emoções positivas e que abanem o coração, de vez em quando?

ML.

 

(Artigo publicado na Revista SCI Safari Clube)

 

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