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Diário de uma Caçadora

Diário de uma Caçadora

O que fazem os caçadores quando é proibido caçar?

Era uma vez uma cigarra que vivia saltitando e cantando pelas cidades, sem se preocupar com o futuro. Esta cigarra tinha uma peculiaridade: era a cigarra mais importante da floresta e tinha um grupo de animais que a seguiam em tudo. Ela cantava todos os dias, chegando a ser incómodo para os outros animais. Mas ela não se importava, porque fazia aquilo que gostava e que achava ser certo. Se tinha nascido para cantar, então iria cantar; sem pensar nos outros à sua volta e nas consequências dos seus atos. 

Um dia, encontrou uma formiga. Era um dia de Verão, com um sol quente que aquecia qualquer sombra que houvesse. A formiga estava a carregar uma folha pesada e com um ar muito cansado. A cigarra olhou para a formiga, num tom de gozo, e disse-lhe:

- Formiga o que estás a fazer, com este calor?

- Estou a limpar a floresta!

- E para que estás a ter todo esse trabalho, se esta é a tua casa e a de tantos outros?

- Porque se eu não fizer, ninguém o fará. E eu prefiro cuidar e preservar, para não perder a minha casa, nem a minha vida. Queres ajudar-me cigarra?

- Não! Está muito calor e eu gosto mesmo é de cantar. Mas acho muito importante aquilo que fazes. É importante cuidares da tua casa e dos teus companheiros.

- Da nossa casa e dos nossos companheiros.

 

A formiga continuou a trabalhar. Limpava a floresta, arranjava comida para os tempos mais frios que se avizinhavam e cuidava daquilo que era de todos, sem que ninguém a ajudasse ou agradecesse. Fazia-o porque queria.

E a cigarra continuou a cantar. O pequeno grupo de animais que gostava de a ouvir, todos os dias iam ter com ela. Cantavam, dançavam e falavam do terrível inverno que aí viria. A cigarra sabia muitas coisas sobre o inverno e ensinava-os, com dicas e conselhos.

Havia folhas para todos se alimentarem. A água era mais escassa; mas elas sabiam de um sítio (um género de um esconderijo) onde a formiga armazenava água e por vezes iam lá buscar, sem que ninguém as visse.

 

Um dia, a formiga intrigada, decidiu ir falar com a cigarra e perguntou-lhe:

- Porque não me podes ajudar cigarra? Eu sei que estás preocupada com a chegada do inverno, tanto como eu, mas tu não fazes nada para modificar isso. Se te preocupas, se é importante para ti; porque não ages? Porque não fazes nada?

A cigarra explicou-lhe que a vida era para ser aproveitada e que o mais importante era fazer a diferença na floresta. Ao cantar, ao dançar e ao falar sobre o inverno com os seus amigos, a cigarra estava convicta que esse era o caminho certo e que teria toda a floresta "aos seus pés".

A formiga não percebia o porquê daquela atitude. Esta não tinha sido a forma como havia sido educada e como tinha crescido. 

 

Um dia, o inverno chegou. A formiga, que já tinha limpo a sua casa e já tinha arranjado comida e bebida, estava descansada e sabia que tudo ia correr "às mil maravilhas". 

A cigarra, que muito falava e cantava; mas que nada fez até então, passou o inverno cheia de frio e com muita fome.

 

Esta é a história da cigarra e da formiga, contada desde que somos pequeninos.

Esta é a história de dois animais; mas poderia ser a história de dois humanos diferentes.

Esta é uma história real. Deixo-vos alguns exemplos do trabalho que as formigas humanas, intituladas de caçadores, vão fazendo na sua casa, a floresta, sem que nada nem ninguém lhes peça (ou pague). Este trabalho, criticado por tantas cigarras, tem feito a diferença na vida de milhares de animais.

Um trabalho feito nos seis meses em que é proibido caçar! Um trabalho feito por caçadores voluntários! Um trabalho cujo objetivo é cuidar, preservar e gerir toda a floresta. Um trabalho que não irá deixar que o inverno acabe com os outros animais! E este é um trabalho real; e não um trabalho de palavras e cantorias! 

ML.

 

_______________________________________________________________________________________________

 

Vão-se buscar sacas de milho para alimentar todos os animais, e fazem-se comedouros e bebedouros...

Fazem searas, limpam e recuperam nascentes e tornam acessíveis à fauna os pontos de água.

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Limpam-se os matos. Apanha-se e retira-se o lixo. 

 

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Arranja-se o que é preciso arranjar...

 

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Plantam-se árvores e ajuda-se o meio ambiente...

 

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Fazem-se eventos, que promovam a natureza, o ar livre, a liberdade e a saúde dos animais; e a solidariedade.

 

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 E retrata-se tudo o que de melhor tem a Natureza... E todos os frutos que tem o nosso trabalho...

 

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Obrigada a todos aqueles que me disponibilizaram as fotografias!

 

Governo Regional dos Açores enaltece contributo de Vasco Bensaúde para o desenvolvimento da caça sustentável

No dia 21 de julho foi inaugurada a Exposição Fotográfica sobre Vasco Bensaude, com o título "Da Cinofilia à Caça", no Clube Desportivo de Tiro de São Miguel.

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Esta Exposição é constituída por 16 expositores com fotos e artigos sobre o importante papel de Vasco Bensaude na recuperação do cão de água português e do perdigueiro português, incluindo a sua participação nos anos 30 como secretário geral do clube de caçadores portugueses. São ainda apresentadas 40 fotos de expedições cinegéticas à Ilha de São Jorge e no Continente Português nos anos 30 do Século passado.

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Esta Exposição é também um hino ao papel imprescindível dos cães de caça no ato venatório, podendo serem observadas 8 raças de cães. A preocupação em garantir a sustentabilidade da caça é uma nota dominante em toda a Exposição.

 

Nesta inauguração estiveram presentes o Secretário Regional da Agricultura João Ponte, em representação do Presidente do Governo dos Açores, os Presidentes das Câmaras Municipais da Ribeira Grande Alexandre Gaudêncio, do Nordeste Miguel Soares e de Ponta Delgada José Manuel Bolieiro.

Esteve também presente Patrícia Bensaúde Fernandes, filha de Vasco Bensaúde, e muitos caçadores da Associação Micaelense de Caça, do Clube de Caçadores de Vila Franca do Campo, e membros do Clube Desportivo de Tiro de São Miguel. Fizeram questão de também marcar presença muitos não caçadores que quiseram associar-se a esta Homenagem a Vasco Bensaúde.

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O Secretário Regional da Agricultura e Florestas enalteceu o contributo de Vasco Bensaúde, falecido há 51 anos, para o desenvolvimento da caça sustentável nos Açores e para a promoção da raça portuguesa de cães de água.

Para o governante açoriano, esta exposição fotográfica constitui “um importante relato histórico e documental”, que foi possível à família Bensaúde e ao coordenador do evento e também caçador, Gualter Furtado.

João Ponte destacou que o Governo dos Açores tem trabalhado “em estreita colaboração com as associações agrícolas, de caçadores e ambientalistas para garantir que a gestão dos recursos cinegéticos é feita de forma o mais sustentável possível, com respeito pelos princípios da conservação da natureza e do equilíbrio biológico”.

“Todo este trabalho não tem sido feito ao acaso. Baseia-se em estudos credíveis sobre a biologia e a ecologia das espécies cinegéticas da Região, bem como nos resultados de programas de monitorização de longa duração, que têm permitido perceber as variações na abundância das suas populações”, disse o Secretário Regional da Agricultura e Florestas.

João Ponte recordou que, no início do ano, foi aprovado um novo diploma sobre a gestão dos recursos cinegéticos e o exercício da caça nos Açores, um documento estratégico e orientador, que contou com estudos científicos, teve em conta o respeito pelas diretivas comunitárias vigentes e com os contributos das associações e ambientalistas.

Nos Açores existem cerca de 4.160 caçadores devidamente habilitados, sendo que 40% estão na ilha de São Miguel.

 

Por fim, a filha de Vasco quis agradecer a todos os presentes, deixando umas palavras, terminando com "Apenas agradecer e realçar que os descendentes de Vasco Bensaude honram a sua memória, como Pai e Avô querido. A par do seu legado empresarial que procuramos manter e desenvolver, gostamos de o recordar como homem bom, sempre aberto sobre os outros e sobre o mundo, amigo também dos animais como aqui é hoje recordado".

 

NOTA: Na concretização desta Exposição tiveram um papel determinante, Pedro Monteiro na recuperação do material fotográfico, Paulo do Clube de Tiro na sua montagem, e Gualter Furtado na ordenação das fotos e coordenação da Exposição, que poderá ser visitada durante um mês todas as tardes, com excepção da segunda feira.

A Exposição teve um momento musical onde atuaram Ricardo Melo na viola e na guitarra Alfredo Gago da Câmara que musicou e cantou o Fado dos Caçadores, cuja letra é da autoria de Gualter Furtado

10,3 milhões de euros para o Estado com Zonas de Caça e Licenças

Segundo dados recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE), a receita gerada pelas zonas de caça e licenças de caça é de 10,3 milhões de euros para o Estado.

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No ano de 2018, estão registadas 4.977 Zonas de Caça, distribuídas por cerca de 7 milhões de hectares (79% do território). Um ligeiro aumento face a 2017, onde o número de zonas era de 4.901 para uma ocupação territorial inferior apenas em 20 mil hectares.

Segundo a Agricultura e Mar Actual, a edição de 2017 das “Estatísticas Agrícolas” leva-nos  a perceber que a receita gerada pela taxa de concessões de caça ascendeu a 4,4 milhões de euros em 2017, da qual 52,4% foi da actividade de caça em zona associativa.

As 124.499 licenças de caça emitidas na época venatória 2017/2018 geraram uma receita de 5,9 milhões de euros, superior em 2,5% face à época 2016/2017, com menos 2,4% de licenças registadas (121.606).

 

Mas... Neste números não são referidos uma série de gastos que os caçadores têm e que tanto já falamos, nomeadamente, combustível, portagens, material de caça, armeiros, restauração, alojamentos, alimentação para cães, licenças, chips, veterinários, etc., etc.

 

É de salientar que o aumento do número das zonas de caça incidiu mais nos espaços de zonas turísticas (+36), seguido dos administrados associativamente (+29) e dos espaços sob gestão municipal (+11).

À semelhança dos últimos anos, as zonas de caça associativas continuaram a estar em maior número, com 2.673 (53,7% das existências), abrangendo 3,1 milhões de hectares que correspondem a 44,4% destes espaços em Portugal continental.

As zonas de caça municipais embora sejam em menor número (906) têm uma dimensão média maior, e ocupam cerca de 2,6 milhões de hectares; seguidas das zonas de caça turísticas e das nacionais, com 1,3 e 0,04 milhões de hectares respectivamente.

 

Fonte: Agricultura e Mar Actual

 

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Portugal Campeão da Taça do Mundo de Tiro ao Voo e Fan32

Realizou-se este fim de semana o IV Campeonato do Mundo e Final da Copa FAN 32 e o LXIX Campeonato da Europa de Tiro ao Voo, em S. Pedro de Rates, Póvoa do Varzim.

 

Perto de 600 atletas, vindos de 25 países, estiveram presentes no Campo de Tiro, onde tiveram lugar estes dois eventos.

O Presidente da Câmara Municipal da Póvoa do Varzim, Aires Pereira, disse que "É importante que os poveiros saibam da excelência dos equipamentos que estão disponíveis no concelho. O Campo de Tiro de Rates é considerado um dos melhores da Europa, sendo uma marca diferenciadora". 

Aires Pereira sublinhou, ainda, que “não nos podemos esquecer que a realização destes dois grandes eventos traduzem-se em benefícios para a Póvoa de Varzim e para o país”, uma vez que vários atletas e as suas famílias prolongam a sua estadia em Portugal para conhecer outros locais, tal como aconteceu este fim de semana.

 

Os vencedores foram:

 

Daniel Teixeira, Taça do Mundo em tiro ao Voo

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Mariana Serra, Campeã do Mundo Fan32

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Carlos Maia, Copa do Mundo em Fan32

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Parabéns a todos!

A História da Javali "Maria"!

Como todas as histórias, esta também começa com o "Era uma vez"!

Era uma vez um javali fêmea, ou uma javali. Vamos chamar-lhe Maria. Era uma vez uma javali que se chamava Maria e que andava livremente pela natureza. A Maria tinha vários amigos javalis, mas todos javalis. Não gostava de mais nenhum outro animal. Só se fosse para comer, mas isso são outras histórias. 

Um belo dia, a Maria encontrou um javali macho, o Miguel. O Miguel apaixonou-se pela Maria, assim como se apaixonava por todas as outras javalinas Marias. E elas por todos os javalinos Miguel. Ou seja, não havia histórias de amor, mas sim histórias da vida real animal. Não há amor, há reprodução e acasalamento. 

 

O Miguel fecundou a Maria e ela ficou prenhe. Mas já havia ficado outras vezes. E continuou a sua vida, mais durante a noite, com a sua grande barriga.

 

Entretanto, no meio de toda esta história, havia um Homem que era caçador. Podemos chamá-lo de Ricardo. O Ricardo gostava de caçar e, associado a isso, gostava de gerir, preservar e conservar. O Ricardo gosta muito de fazer esperas noturnas aos javalis, um método de caça seletivo.

Como o Ricardo vive de forma muito intensa as esperas noturnas, decidiu colocar uma máquina de filmar numa árvore, para filmar e fotografar todos os animais que apareçam naquela zona e para ele saber quais são. Coincidência ou não, o Ricardo tinha filmado a Maria. Viu logo que ela deveria estar prenhe, porque tinha uma barriga muito grande.

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Devido a esta situação, o Ricardo decidiu colocar mais milho para dar de comer à Maria - algo que já fazia habitualmente, mas agora teria de reforçar a dose.

Os dias foram passando, e a ansiedade do Ricardo re-dobrava ao ir até ao cevadouro (local onde dá de comida aos animais e onde faz as esperas), para ver se a Maria já tinha tido os bebés.

 

Numa filmagem que tinha, parecia que a Maria estava ferida, pois tinha um corte muito grande. O Ricardo viu logo o que estava a acontecer: a Maria tinha um ferimento de uma armadilha ilegal que alguém havia posto no campo. Há pessoas muito más neste mundo, e que fazem coisas ainda piores. Tentar apanhar os animais com armadilhas ilegais é uma delas.

O Caçador Ricardo ficou triste com esta situação e, no dia seguinte, foi dar uma volta no terreno para ver se encontrava essa armadilha ilegal, mas foi em vão...

Mais dias passaram e a Maria teve os bebés. Sem o Miguel ou sem o apoio de alguém. A Maria teve os bebés sozinha, como a natureza "manda". O Ricardo percebeu-o, porque a Maria deixou de ir alguns dias ao cevadouro. Nessa altura, deveria estar a alimentar os seus filhos, com o leite que tinha produzido com a ajuda da comida que o Caçador Ricardo lhe dera.

Até que chegou o dia em que eles cresceram um bocadinho e começaram a seguir a mãe Maria para todo o lado, principalmente à noite, quando vinham ao cevadouro comer todo o milho que o Ricardo havia deixado. Todos os dias, ele tinha de lá ir colocar comida... E muita comida!

 

Passados um tempo, o Ricardo começa a ver algo estranho nas imagens da câmara. Os filhos da Maria começam a aparecer sozinhos no cevadouro, de manhã, por volta das 10h00; e depois à tarde, por volta das 16h00 mas a Maria não estava... Algo se passava, porque os listados (filhos dos javalis) andam sempre com a mãe para todo o lado. E, normalmente, não é a estas horas... Só se a fome apertar muito, o que aconteceu aqui...

No dia seguinte, a história repete-se...

E no outro dia também...

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E o Caçador Ricardo percebeu o que tinha acontecido: a Maria tinha sido apanhado numa armadilha ilegal. E, por esta hora, já deveria estar morta. 

Apesar de triste e desiludido com as atitudes do ser humano, o Ricardo mete "mãos à obra" e decide que vai continuar a ajudar estas crias, como havia feito até ali. Começa a colocar ainda mais milho, para que eles não tenham fome e possam comer quando quiserem.

Como na natureza não há barreiras, houve outros animais que aproveitaram esse comer, para também eles não passarem fome. O Ricardo ainda filmou algumas raposas, saca rabos, texugos, coelhos, pombos e corvos. Todos pareciam deliciar-se com o milho oferecido pelo Caçador Ricardo.

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Passados dois meses, e com 180 kg de milho comido, os pequenos javalis cresceram e continuam todos vivos, deixando este caçador orgulhoso e com dever de missão cumprida! Irá certamente continuar a alimentá-los para que continuem a crescer e que consigam pelos seus próprios meios sobreviver na natureza.

Se os caçará, um dia? Não sabemos... A natureza tem destas coisas - cuida, preserva, conserva e o futuro a ninguém pertence!


Moral da história?

Está mais que explícita!

 

* Fotos e relato da história (história verídica) - Ricardo Correia. Um Obrigada Gigante!

 

 

Prova de Santo Huberto de Apuramento da Madeira para o Campeonato Nacional

Se há coisas que gosto no Santo Huberto e, consequentemente, na Caça, são as oportunidades que tenho de conhecer novas pessoas, novos sítios e partilhar conhecimentos e aprendizagens. Este fim de semana, aquando da realização das Provas de Apuramento, na Madeira, isso não foi exceção! 

Lá venho eu, uma vez mais, contar-vos tudo aquilo que se passou, de forma emotiva...

 

Já conhecia muito bem esta ilha maravilhosa mas parece que vivi tudo pela primeira vez. Com o apoio do Dinis Basílio, Presidente da Associação de Caçadores do Pico da Urze e proprietário da Espingardaria Fura-Bardos, a CNCP teve oportunidade de ir à Madeira, fazer o apuramento para o Campeonato Nacional, que se realizará no último fim de semana de Setembro, no Algarve.

 

Chegamos na sexta feira, logo de manhã, e tínhamos o Dinis à nossa espera. Depois de prepararmos tudo, e vermos onde estavamos hospedados, fomos almoçar até ao Paul da Serra, num sítio muito peculiar, onde esperavam por nós, com as brasas acesas para fazer uma espetada deliciosa, com semilha e bolo do caco. Os cozinheiros de serviço, João e Filipe, iam preparando tudo e nada nos faltou. Entre histórias sobre cães e caça, o ambiente pressupunha que o fim de semana iria correr muito bem.

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Da parte da tarde, tivemos oportunidade de conhecer os maravilhosos troféus do Dinis, assim como a sua família, que tão bem nos recebeu. Entre conversas, ponchas e queijadas da Madeira, o Dinis ainda nos ofereceu uma peça em vime, para recordarmos esta nossa estadia em terras madeirenses.

 

À noite, fomos jantar no Clube de Tiro, Caça e Pesca da Madeira, uma caldeirada deliciosa, preparada pelo João Sousa e que fez as delícias de muita gente presente. Seguiu-se uma Conferência, com os temas:

- A Caça como uma forma de estar na vida, Mafalda Leitão

- Alterações ao Regulamento de Santo Huberto, José Pedro Leitão

- A Caça é mais do que matar, Liliana Sousa

Esta conferência permitiu que partilhassemos conhecimentos e experiências entre todos, e que fossem esclarecidas algumas dúvidas acerca das provas de Santo Huberto.

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Sábado

Por volta das 07h00 estavamos todos presentes a tomar o pequeno almoço numas instalações no meio da serra, onde a temperatura altera a cada momento vivido. 

Estavam presentes 18 concorrentes, que foram distribuidos em duas séries, julgadas por mim e pelo meu pai. Os postores foram o Sr. Reis e o Sérgio. 

Os terrenos eram muito bons para a prática da modalidade, e o clima estava favorável. "Que sorte que tivemos em apanhar o tempo assim", iam dizendo alguns concorrentes. No Paul da Serra ou está muito frio ou está um calor insuportável. 

A companhia do Srº Reis alegrou a minha manhã, um homem tão bem disposto e tão conhecedor da natureza e da caça. Aprendi muito com ele e divertimo-nos bastante. Um obrigada gigante!

No primeiro dia não houve barrage, porque seria disputada somente com a contagem dos dois dias.

Depois das provas terminadas, a organização tinha comprado uma árvore para cada concorrente plantar, para homenagear a natureza, mas também para homenagear o fim de semana que estavamos a ter. Um gesto que me tocou bastante porque, uma vez mais, vemos o quão maravilhosos são os caçadores.

Tive a oportunidade de plantar uma árvore com o Srº Reis e estou certa de que a irei visitar algum dia.

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Depois de um almoço de boa disposição e muitas histórias sobre caça na Madeira e no Porto Santo, às perdizes bravas, em que o menu era o típico atum da madeira, com semilhas, milho doce e feijão cozido; foi tempo de dar os resultados. 

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Fomos também conhecer dois cavalos maravilhosos da Catarina, filha do Dinis, e dar-lhes alguns miminhos e comida. A subida até lá é que não foi muito agradável, mas a Liliana e a Clarisse lá me conseguiram levar e ainda nos rimos no final.

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À noite, fomos jantar até ao Lido, um dos meus sítios preferidos da ilha, jantar uma piza no Papa Manuel. O meu pai é um grande "date" para estas ocasiões :)

 

Domingo

Às 07h00 já estavamos todos no ponto de encontro, a comer bananas da Madeira, pão com queijo, ovos ou fiambre, e a beber um café com leite quentinho, para nos aquecer neste dia que se avizinhava frio.

Todos estavamos mais nervosos, afinal de contas iria ser decidido quem ficaria apurado para o Campeonato Nacional.

As provas decorreram de forma tranquila, porque todos os concorrentes assim o permitiram. Neste dia, para além do meu companheiro Sr. Reis, tive ainda a companhia do Francisco, um caçador com 18 anos, muito simpático e com uma paixão pela caça e pelas provas como poucos.

Depois dos resultados contabilizados, passaram à Barrage os 6 concorrentes mais bem apurados e ficou assim ordenado:

Campeão Regional - Fernando Cabeceiro, com Frida Pied du Mont (BAF)

Vice-Campeão Regional - Carlos Batista, com Tao (EBM)

3º Lugar - Agostinho Gouveia, com Chita (BAF)

4º Lugar - Ernesto Pestana, com Bruma (BAF)

5º Lugar - Fabiano Abreu, com Sniper (BAM)

6º Lugar - Carlos Coelho, com Gap (EBF)

 

O almoço e a entrega de prémios teve lugar na Associação de Tiro e Caça de São Vicente, um pequeno paraíso na serra. A típica espetada da Madeira fez as honras da casa e muitas entidades quiseram estar presentes, desde o Presidente do Município de São Vicente, José António Garcês; Sr. Reis e António Eduardo, responsáveis da Associação de Tiro e Caça de São Vicente; Eng. Marco, em representação do Presidente Manuel Filipe do Instituto das Florestas e da Conservação da Natureza, IP-RAM; Eng. Rocha da Silva, antigo Diretor da Direção Regional de Florestas da RAM (DRF); Dr. Romano, Presidente da Associação de Caçadores da Calheta; Carlos Mata, Presidente do Clube de Tiro, Caça e Pesca da Madeira e Dinis Basílio, Presidente da Associação de Caçadores do Pico da Urze. 

 

Depois de umas palavras do Dinis e do Sr. Presidente José António Garcês, foram distribuídos os troféus.

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AInda houve tempo para uma foto com os três apurados para o Campeonato e para uma foto com este grupo maravilhoso.

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Tive oportunidade de conhecer tanta gente boa, nem tenho palavras. Posso dizer que saí dali com as lágrimas nos olhos, com saudades e com uma felicidade imensa de ter conhecido cada um de vós.

Ernesto, um homem tão simpático e que nos fez rir até não podermos mais, com a história do cavalo. Não a irei mencionar aqui :)

Fabiano, um concorrente com uma paixão incrível pelo seu cão e que tenho a certeza deixará marcas no Santo Huberto.

Filipe, já te tinha conhecido, mas pouco tínhamos falado. As tuas palavras de despedida deixaram-nos a chorar. És um homem com um coração enorme e uma humildade incrível. Obrigada!

Fernando, começou há pouco tempo nisto, mas tenho a certeza de que irá continuar durante anos. Uma postura fantástica neste mundo! Divertido ao máximo, principalmente com o Carlos.

Carlos, já nos conhecíamos e sempre gostei da tua postura neste mundo, os resultados estão à vista. Obrigada por tudo! Pela simpatia, disponibilidade e amizade.

Daniel Barradas, obrigada por todas as aprendizagens que fiz consigo e por todas as histórias partilhadas.

Dinis, foi um gosto conhecê-lo, é um homem pró ativo e tenho a certeza que ainda fará muitas coisas em prol da caça e do Santo Huberto. Graças a si, conseguimos fazer alguma coisa de bom, de muito bom!

Sr. Gabriel, muito obrigada por ter participado neste evento. Ainda conseguiu fazer um grande cobro com a sua cadela, e bem sei o quão orgulhoso ficou.

José Daniel, muito obrigada pela forma como nos recebeu e por toda a sua postura neste mundo e vontade de querer fazer mais e melhor. Gostei muito de o conhecer.

André Silva, ainda tens tanto para fazer neste mundo. És tão novinho, mas já com uma bagagem incrível. Continua e nunca desistas deste mundo.

Sr. Veríssimo, infelizmente não tive oportunidade de o conhecer, mas estou certa de que o Santo Huberto precisa de si. Todos juntos somos poucos!

Sr. Ricardo, um gosto poder estar consigo nestes momentos. É um homem que vive ao máximo toda esta dinâmica, um senhor muito engraçado e por quem eu tenho um carinho muito especial.

Agostinho Gouveia, um senhor tão calmo e com uma presença tão tranquila que dá gosto de ver. Obrigada pelas aprendizagens que fiz consigo e por toda a simpatia.

Carlos Coelho, um homem lutador, que tenho a certeza que está sempre a querer fazer mais e melhor. Um exemplo para o filho, transmitindo-lhe tão bons valores. Por isso tens o filho que tens, que é um doce de menino. Obrigada por tudo e nunca desistas!

Sr. Reis, meu querido postor, poucas palavras tenho para si, só um obrigada gigante por tudo.

Sr. Hilário, que figura tão querida. Não o conhecia, mas já tinha ouvido falar muito de si. Tão atencioso e preocupado, tão apaixonado pela caça. Parabéns, continue assim!

Liliana, muito obrigada por tudo, pela companhia e pelos momentos que passamos juntas. Como te disse, tens uma família incrível.

João Sousa, sempre com a sua postura. E como bem percebi, um grande cozinheiro. Tive muita pena João, tu sabes, mas também sabes que és muito bom naquilo que fazes, e por vezes a sorte também não quer alinhar-se connosco. Nunca desistas e parabéns pelo teu trabalho tão dignificante para a modalidade! E muito obrigada por nos teres disponibilizado a tua casa.

Sr José Teixeira, gostei muito de o conhecer e de conhecer as histórias fantásticas com os seus cães. Muito obrigada por todas as partilhas e pela forma como nos recebeu.

Igor, obrigada por me mostrares que podemos ser e fazer aquilo que queremos, não há limites. Obrigada por me mostrares que a vida é tão simples e nós só a complicamos. És um pequeno (grande) Herói!

 

E um obrigada a todos vocês que conheci e fizeram parte deste fim de semana maravilhoso. Deixo aqui algumas fotos!

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Nem o Céu é o Limite!

Este fim de semana, durante o Campeonato Regional de Santo Huberto na Madeira, conheci o Igor, um atleta desta modalidade...
Um exemplo de Homem, de coragem, de dedicação, que nos leva a pensar que a vida é curta de mais para todas as queixas que fazemos constantemente!
Fiquei tão feliz por saber que existem pessoas assim. Obrigada Igor, por nos ensinares que nem o céu é o limite!
 

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De Barrera a Barrera - Entrevista para o "Território Cinegético"

Há uns tempos, recebi uma mensagem do "Território Cinegético", um site espanhol de divulgação de caça, a pedir se me poderia fazer uma entrevista sobre caça. Concordei e deixo-vos aqui a entrevista que fiz (traduzida).

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TC - Quem é a Mafalda Leitão?

 

ML - A Mafalda é uma mulher sonhadora, que crê que o mundo pode ser um lugar melhor. Tenho objetivos muito bem definidos e faço todos os possíveis para alcançá-los. A Mafalda é uma mulher como tantas outras, mas que gosta e vive a caça como poucas. 

 

 

TC - De onde vem essa paixão pela caça?

 

ML - Eu vivo com cães desde pequena. Os cães e os animais são das coisas mais importantes na minha vida. Venho também de uma família com muitos caçadores, desde o meu pai, tio e avôs. Houve uma época em que fui contra a caça, mas depois apercebi-me que essa iria ser a minha forma de vida. Primeiro, pelo trabalho com os cães no terreno, pela paixão que têm, e depois pela espingarda calibre 20 que o meu pai tinha comprado para mim, desde logo, pensando que um dia iria ser caçadora. E pensou bem. Eu não poderia não ser caçadora.

 

 

TC - És juiz de Santo Huberto. Conta-nos qual a função de um juiz nestas provas.

 

ML - As provas de Santo Huberto têm como objetivo a promoção e valorização do espírito desportivo do caçador, numa competição de alto nível, destacando os aspetos cinegéticos e técnicos do exercício da caça e promovendo também a educação dos caçadores no respeito pela natureza e pela ecologia. Trata-se de uma prova que tenta demonstrar um ato de caça, onde deve primar a segurança e o binómio cão-caçador.

Quis ser juiz de Santo Huberto porque sempre acompanhei o meu pai neste tipo de provas mas, sobretudo, devido ao trabalho dos cães no terreno e à conexão existente entre estes e o caçador.

 

 

TC - Sabemos que és uma excelente criadora de cães. Que raças crias e que caraterísticas têm? 

 

ML - O meu afixo chama-se Canil da Caixaria, temos braco alemão, epagnuel breton e podengo português, porque gostamos muito de caçar ao coelho. O afixo pertence a mim e ao meu pai. Também sou uma apaixonada pelo perdigueiro português, e o meu tio é um grande criador desta raça, com o afixo Canil de Torres. 

 

 

TC - Tens um blog pessoal. Fala-nos um bocadinho sobre ele.

 

ML - Sempre gostei muito de escrever, desde pequena. E quando me tornei caçadora ia escrevendo algumas histórias de caça, mas ficavam somente comigo. Um dia decidi escrever numa revista de caça, em Portugal. Comecei a escrever todos os meses e percebi que as pessoas até iam achando alguma piada. Então sonhei mais alto, e decidi criar um blog de caça, onde poderia escrever para todos os caçadores mas, sobretudo, para as pessoas que nada sabem sobre caça. Claramente que, com isto, recebi comentários ofensivos por parte dos animalistas, mas os comentários positivos sobrepuseram-se a tudo isto e, principalmente, consegui elevar o nome da caça e dos caçadores. 

Já tive, por exemplo, vários adolescentes a enviarem-me mensagens a dizer quem um dia também querem ser caçadores como eu. Só por isso, sei que isto já valeu a pena.

 

 

TC - Que tipo de modalidades cinegéticas praticas?

 

ML - O que mais gosto é a caça menor com os cães de parar, à perdiz e às galinholas. Mas também caço ao coelho com os meus podengos e faço caça maior, esperas e montarias.

 

 

TC - Conta-nos o lance que mais te apaixonou.

 

ML - Sou uma sortuda na caça, pois já tive muitos lances que me completaram enquanto caçadora e enquanto mulher. Não consigo destacar nenhum em particular, porque todos têm uma história bonita para contar. E todos são diferentes, não posso comparar um lance de caça menor, com os meus cães, com um lance na caça maior, por exemplo. 

Já me aconteceram muitas coisas boas, mas estou segura que outras virão...

Mas, o melhor lance deste ano, aquele que me faz pensar de rompante...Foi quando decidi ser matilheira por um dia e foi incrível. 

 

 

TC - Qual o futuro que prevês para a caça?

 

ML - Sou uma pessoa muito positiva. E, por isso mesmo, só posso acreditar num futuro positivo. Sei que as espécies estão a diminuir, principalmente com a problemática da doença no coelho bravo. Mas há tantas pessoas boas que fazem coisas boas e, quem sabe, ajudar-nos-ão com isto. Acredito nelas, nas boas pessoas. E principalmente acredito no lado bom da história, ganha sempre! E nós somos o lado bom. Sem caça, muitas coisas deixarão de existir. Claro que a realidade em Portugal é diferente da de Espanha, vocês são bem mais unidos.

Mas acredito na caça e nos caçadores, e isso é o mais importante.

 

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