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Diário de uma Caçadora

Diário de uma Caçadora

A Caça à Galinhola

Tive o prazer de colaborar com a Associação Nacional de Caçadores de Galinholas na elaboração do primeiro boletim para os sócios. Aqui vos deixo o artigo que escrevi:

 

"Podia escrever tantas histórias sobre lances que vi e vivi na caça às galinholas, mas creio que a maior história a ser contada é sobre as sensações e as emoções que este tipo de caça nos proporciona. Se é uma moda, se é “chique” ser caçador de galinholas hoje em dia, são pormenores dos quais me abstenho. Aliás, não me importa. Porque acima de todas estas elações, há algo que não é de modas, nem de classes sociais: a essência da caça à galinhola.

Comecei há poucos anos. Timidamente, decidi experimentar um dia caçar em terrenos mais difíceis e com um mato diferente daquele que estava habituada. Decidi levar o meu braco alemão, que pouco ou nada sabia sobre esta caça. Assim como eu. Ambos fomos aprendendo, pouco a pouco, o que era ser um caçador de galinholas. Aprendemos alguns truques, ouvimos muitos conselhos, pusemos em prática várias dicas e, hoje em dia, sabemos que este é um dos tipos de caça que nos preenche. E, portanto, facilmente percebo a razão de todos os dias existirem mais curiosos sobre a caça às galinholas.

 

 

É um mundo. Um mundo de descobertas e de novas sensações. E quando pensei na história que poderia contar, tudo me ocorria. Lances com os cães, amizades que se fazem, aventuras que se vivem e habilidades que se ganham. Já vivi um bocadinho de tudo mas, ao mesmo tempo, não vivi nada, ainda tenho tanto para descobrir e para contar.

Cada galinhola conta um conto mas, mais que isso, cada dia de caça à galinhola fica gravado na memória de qualquer um. Já tive vários episódios peculiares. Desde o dia em que caçávamos num mato onde havia touros bravos e tivemos de ter muita cautela (nem sei se lhe chame cautela ou um toque de loucura); aos dias em que estamos naqueles matos densos, onde não vemos mais nada à volta e, de repente, só se ouve o “beep, beep, beep”. O coração para, a adrenalina sobe e os movimentos têm de ser rápidos e exequíveis. Bem sabemos o quão difícil é o tiro a uma galinhola, mas o quão especial e vitorioso nos faz sentir. Quando conseguimos, sentimo-nos os maiores; quando não conseguimos, sentimo-nos assim na mesma, porque sabemos que o nosso maior companheiro de aventuras fez o trabalho de forma exímia. Afinal de contas, encontrar e parar uma galinhola não é para qualquer cão de parar… Mas isso são outras conversas!

 


Para além destas aventuras matinais, onde o frio nos congela as mãos, e o mato nos fere os braços, a história prolonga-se na mesa, quando estas peças da caça real são cozinhadas. Caraterizadas por um sabor único, as galinholas fazem-nos sentir como é bom sermos caçadores e como é bom termos estas oportunidades. Andarmos livremente no terreno, caçarmos com os nossos cães em plena harmonia e, acima de tudo, ter histórias para contar.

Uma galinhola que se escondeu num sítio mais difícil; um javali que se levanta, ao mesmo tempo; uma raposa que vem a furtar-se dos cães, ou um pombo que passa por cima de nós, bem baixinho…

Tudo isto é permitido, e muito mais… Por isso não consigo escolher uma história para contar. Por isso, quando falo da caça à galinhola, um conjunto de emoções me surgem e é difícil não me exprimir sobre as mesmas, sem um sorriso de orelha a orelha.

E talvez seja mesmo isto a caça à galinhola, para mim e para tantos outros!"

ML.

 

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