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Diário de uma Caçadora

Diário de uma Caçadora

As emoções vividas na Caça

Quando falamos de caça, há uma série de comportamentos, atitudes, crenças e valores que são debatidos. Argumentos contra, outros a favor; uns que têm por base estudos científicos, outros que são meras suposições de mentes mais “iluminadas”.

Mas quando falamos de caça, há uma questão que é pouco debatida: as emoções.

Que emoções vivemos nós, Caçadores, enquanto caçamos? Que emoções espelham a nossa forma de estar na caça e, consequentemente, na vida?

Estou certa de que as emoções ultrapassam todos os argumentos que possamos utilizar. Vivendo e sentindo, tudo poderá tornar-se diferente, até uma mera opinião já formatada. E isto porque as pessoas confiam nos sentimentos, acreditando que eles contêm informações certas de julgamento.

E, acima de tudo, porque as emoções positivas são agentes de mudança. E foram estas emoções positivas que a caça me transmitiu (e transmite) que me levaram a ser caçadora e a querer defender tudo aquilo em que acredito, com “unhas e dentes”. Porque, efetivamente, há coisas maravilhosas que sentimos e que talvez poucos o consigam experienciar… Infelizmente!

 

Paixão

Quando penso em caça, depressa me apercebo de que a paixão é uma das minhas emoções base. Sou, de facto, uma apaixonada pela caça… Mas não seremos todos? A paixão move-nos, é certo, e leva-nos a ser felizes e a alcançarmos um bem estar integral, entre corpo e mente. É esta paixão que me leva a levantar às 3 da manhã, num dia frio e chuvoso de inverno, e a fazer centenas de quilómetros para caçar. É também esta emoção positiva, esta paixão, que me leva a abdicar da minha família, durante muitos fins de semana.

Eu caço e sou apaixonada pelo que faço!

 

Alegria

Uma das emoções mais patentes num dia de caça, é a alegria. Sinto-me alegre por estar no campo, com os meus cães, atrás de uma perdiz, uma manhã inteira. Sinto alegria quando a consigo caçar e quando o meu cão a cobra, também sentido esta emoção, seguramente. Alegria sinto também quando consigo caçar um javali e ser mais astuta que ele. Ou quando falho uma peça. No fundo, sinto alegria nos mais ínfimos pormenores que a caça tem e nos proporciona.

Eu caço e sinto alegria em todos esses momentos!

 

Humor

Rio-me tanto na caça. Rio-me comigo e com os outros. Rio-me das anedotas que se contam num almoço de caça. Rio-me a caçar com o meu pai. Rio-me das asneiras que faço e das peças que erro. E damos grandes gargalhadas. Mas também sorrio. Sorrio com os meus cães, sobretudo. Este já é um sorriso mais a puxar à felicidade. Sorrio com a sorte que tenho em caçar com pessoas que adoro. Sorrio por existirem pessoas assim. Sorrio apenas porque “rir faz bem à saúde”.

Eu caço e o sorriso é “a minha melhor arma”!

 

Paz

É tão importante sentirmo-nos em paz, nos vários trilhos da nossa vida. E na caça, consigo sentir esta emoção, de forma plena; consigo sentir-me verdadeiramente em paz, comigo própria, mas também com os outros. Uma paz de espírito, uma paz na alma, uma paz no corpo, que me faz sentir uma leveza e uma liberdade extremas.

Eu caço e consigo encontrar uma paz extrema, a todos os níveis!

 

Ansiedade / Adrenalina

Há emoções mais positivas que outras mas, mesmo as negativas, são importantes para a nossa sobrevivência; como é o caso do medo ou da ansiedade. Estas emoções ajudam-nos a evitarmos contextos de perigo, por exemplo. Mas são várias as vezes que vivo situações de ansiedade e constante adrenalina na caça, principalmente na caça maior. Faço os dois tipos de caça e certamente posso dizer que, para mim, as emoções vividas numa e noutra são diferentes, mesmo que a nuance principal seja a mesma. Não tenho duvidas que experiencio mais situações de adrenalina e que o meu coração palpita com mais intensidade na caça maior, do que na caça menor. Engraçado que nunca tinha pensado nisto, até hoje que o escrevo aqui…

Eu caço e vivo situações excêntricas, que levam o meu coração a bater de forma única e quiçá um tanto ou quanto “suis generis”!

 

Amor

Falei da paixão pela caça; mas não posso deixar o amor de fora. O amor, esse sentimento tão bonito, tão vivido e partilhado no nosso mundo. Acredito que é o amor que nos move, que faz com que o mundo se torne num lugar melhor para todos.

É através do amor, pela caça, pela minha família e amigos, pelos outros, pelos meus animais, que sinto todas estas emoções e que sou verdadeiramente feliz. E, melhor que tudo, posso usar as emoções positivas para fazer face às adversidades que vou encontrando, simplesmente através do encontro de um significado positivo nesses acontecimentos.

Eu caço e amo aquilo que faço e aquilo que a caça me faz ser!

 

 

São estas emoções que me movem, enquanto caçadora mas, sobretudo, enquanto ser humano. E tenho a certeza que se queremos mudar mentalidades, então temos de mostrar às pessoas estas emoções mas, sobretudo, ajudá-las a viver um bocadinho de tudo isto.

As emoções positivas alargam a atenção e a cognição, propiciando um pensamento mais flexível e criativo, facilitando também a capacidade de confronto (coping) com o stress e a adversidade.

E quem é que não quer sentir emoções positivas e que abanem o coração, de vez em quando?

ML.

 

(Artigo publicado na Revista SCI Safari Clube)

 

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