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Diário de uma Caçadora

Diário de uma Caçadora

As "Três Mosqueteiras"!

Estou a olhar para elas e pergunto-me sobre tantas coisas. No que estarão a pensar? No que estarão a sentir? Se são felizes? Se gostam de viver comigo? 

Gostava que, um dia, elas me pudessem responder a todas estas perguntas eloquentes e, um tanto ou quanto, ilusórias. Sei que não obterei respostas faladas, mas talvez as obtenha de uma outra forma. Olhando para elas, para o seu comportamento e, sobretudo, para os seus olhos.

 

Uns olhos meigos, doces e brilhantes. Sempre foi assim, e creio que o será até ao fim. E estes seus olhos dizem-me tanta coisa. Sei quando estão tristes, quando estão contentes ou quando entram naqueles estados de imensa euforia; em que os seus olhos aumentam de tamanho e os seus corpos rodopiam a tamanha velocidade, como uma bailarina, a ser conduzida pelo seu par numa vívida dança. Em que fazem piroetas e rodopiam alegremente...

Nesses momentos, rio-me tanto com elas. E, de certa forma, elas também se riem comigo... E talvez esta seja a maneira que o têm de mostrar... 

 

Mas igualmente me mostram outras coisas... Umas de forma mais clara que outras... Principalmente quando sabem que tenho de sair e elas têm de ficar. Se somos companheiras, porque temos de nos separar, todos os dias, nem que seja por umas horas? Não deveríamos ficar sempre juntas? Tenho a certeza que pensam assim... Não me dizem, obviamente, mas manifestam-no de forma veraz. Olham para mim, baixam a cabeça, e entram na cozinha. Nestas alturas, prefiro não olhar para os seus olhos, que rapidamente se transformam nuns olhos tristes e pequeninos. Porque sabem que me vou embora, e que irão ficar sozinhas.

Mas elas têm a companhia uma da outra; não haveria razão para ficarem tristes... Talvez sejamos mesmo as "três mosqueteiras" e não consigamos estar muito tempo umas sem as outras... Também sinto o mesmo que elas, mas não o transmito. Até porque não o entendem... Creio eu!

Mas fico triste. Tão triste, por ter de as deixar sozinhas, enquanto vou trabalhar. Mas não há outra forma de contornar esta situação. E habituamo-nos a esta rotina...

Mas quando chego a casa... Tudo muda! 

Os olhos tristes e pequeninos depressa se transformam em olhos brilhantes, cheios de alegria. E começam no tal rodopio de felicidade, e naquela dança que nos envolve às três. Ficamos felizes, demasiado felizes por estarmos juntas. E à nossa maneira, falamos constantemente umas com as outras... Elas "dizem-me" quando têm fome, ou quando querem ir à rua...

Talvez seja o momento mais feliz dos seus dias: o ir à rua. E enquanto passeamos, e conhecemos novas pessoas / cães, eu vou-me apercebendo que esta não deveria ter sido a vida que escolhi para elas. Deveriam ser livres, fazer aquilo que mais gostassem, deveriam andar todos os dias no campo, atrás dos coelhos, ou simplesmente a rodopiar e a "dançar"; somente porque sim.

Talvez tenha sido demasiado egoísta, em querê-las só para mim. Em "confiná-las" num apartamento pequeno, numa cidade enorme. Mas hoje não consigo ver a minha vida de outra forma. Nem a vida delas...

Somos "três mosqueteiras" para o bem e para o mal... E o maravilhoso de tudo isto é a forma como elas me compreendem, e a forma como elas falam comigo. Se estou triste, rapidamente se apercebem, e lambem-me até não conseguirem mais. Eu digo que já chega, mas elas não querem saber de ordens, nesse momento. Teimosas estas pondegas!

Vivem o que eu vivo. E é impressionante como um animal consegue suprir uma série de lacunas que possamos ter durante o dia. Quase que me levam a esquecer de que existem problemas e preocupações nesta vida... Conseguem transformar os dias negros num tom mais colorido e, para isso, basta apenas existirem. Lamechas, sem dúvida, mas tão verdadeiro...

 

Volto a olhar novamente para elas. Dormem profundamente, estas duas "ratinhas". O que seria da minha vida sem elas? Por vezes, questiono-me sobre isto. Mas depressa substituo estes pensamentos por outros menos dolorosos. Dói muito pensar que um dia poderemos deixar de ser as "três mosqueteiras". Dói muito pensar que um dia chegarei a casa e não as terei para me receber. Não consigo imaginar... Talvez porque não queira ou talvez porque o sentimento que isso me transmite, me deixe demasiado incomodada.

Sei que a vida continuaria. Tem sempre de continuar. Mas sei que nunca mais seria a mesma... Será que me tenho de preparar para isto? Será que há forma de nos prepararmos para a morte?

Nem sei porque escrevi esta palavra que nos magoa tanto... Não vou pensar mais nisso... Afinal de contas, continuamos a ser as três mosqueteiras e os seus olhos conseguem responder-me a todas estas questões que tenho, constantemente...

Sei que perdoam tudo aquilo que faço de menos bom. Sei que me adoram, de uma forma que mais ninguém adorará. Sei que estarão sempre lá para mim, mesmo quando eu ralho, quando digo coisas que não gostam, ou quando estão tristes comigos.

Sei que isto é uma forma de amor pura, sem segundas intenções, sem eufemismos e convenções...

E este amor nunca acabará... Mas tenho medo, demasiado medo, de que as três mosqueteiras um dia tenham de se separar... E de que um dia não possa ver mais estes olhos, que me enchem o coração de amor e felicidade!

ML.

 

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