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Diário de uma Caçadora

Diário de uma Caçadora

De Barrera a Barrera - Entrevista para o "Território Cinegético"

Há uns tempos, recebi uma mensagem do "Território Cinegético", um site espanhol de divulgação de caça, a pedir se me poderia fazer uma entrevista sobre caça. Concordei e deixo-vos aqui a entrevista que fiz (traduzida).

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TC - Quem é a Mafalda Leitão?

 

ML - A Mafalda é uma mulher sonhadora, que crê que o mundo pode ser um lugar melhor. Tenho objetivos muito bem definidos e faço todos os possíveis para alcançá-los. A Mafalda é uma mulher como tantas outras, mas que gosta e vive a caça como poucas. 

 

 

TC - De onde vem essa paixão pela caça?

 

ML - Eu vivo com cães desde pequena. Os cães e os animais são das coisas mais importantes na minha vida. Venho também de uma família com muitos caçadores, desde o meu pai, tio e avôs. Houve uma época em que fui contra a caça, mas depois apercebi-me que essa iria ser a minha forma de vida. Primeiro, pelo trabalho com os cães no terreno, pela paixão que têm, e depois pela espingarda calibre 20 que o meu pai tinha comprado para mim, desde logo, pensando que um dia iria ser caçadora. E pensou bem. Eu não poderia não ser caçadora.

 

 

TC - És juiz de Santo Huberto. Conta-nos qual a função de um juiz nestas provas.

 

ML - As provas de Santo Huberto têm como objetivo a promoção e valorização do espírito desportivo do caçador, numa competição de alto nível, destacando os aspetos cinegéticos e técnicos do exercício da caça e promovendo também a educação dos caçadores no respeito pela natureza e pela ecologia. Trata-se de uma prova que tenta demonstrar um ato de caça, onde deve primar a segurança e o binómio cão-caçador.

Quis ser juiz de Santo Huberto porque sempre acompanhei o meu pai neste tipo de provas mas, sobretudo, devido ao trabalho dos cães no terreno e à conexão existente entre estes e o caçador.

 

 

TC - Sabemos que és uma excelente criadora de cães. Que raças crias e que caraterísticas têm? 

 

ML - O meu afixo chama-se Canil da Caixaria, temos braco alemão, epagnuel breton e podengo português, porque gostamos muito de caçar ao coelho. O afixo pertence a mim e ao meu pai. Também sou uma apaixonada pelo perdigueiro português, e o meu tio é um grande criador desta raça, com o afixo Canil de Torres. 

 

 

TC - Tens um blog pessoal. Fala-nos um bocadinho sobre ele.

 

ML - Sempre gostei muito de escrever, desde pequena. E quando me tornei caçadora ia escrevendo algumas histórias de caça, mas ficavam somente comigo. Um dia decidi escrever numa revista de caça, em Portugal. Comecei a escrever todos os meses e percebi que as pessoas até iam achando alguma piada. Então sonhei mais alto, e decidi criar um blog de caça, onde poderia escrever para todos os caçadores mas, sobretudo, para as pessoas que nada sabem sobre caça. Claramente que, com isto, recebi comentários ofensivos por parte dos animalistas, mas os comentários positivos sobrepuseram-se a tudo isto e, principalmente, consegui elevar o nome da caça e dos caçadores. 

Já tive, por exemplo, vários adolescentes a enviarem-me mensagens a dizer quem um dia também querem ser caçadores como eu. Só por isso, sei que isto já valeu a pena.

 

 

TC - Que tipo de modalidades cinegéticas praticas?

 

ML - O que mais gosto é a caça menor com os cães de parar, à perdiz e às galinholas. Mas também caço ao coelho com os meus podengos e faço caça maior, esperas e montarias.

 

 

TC - Conta-nos o lance que mais te apaixonou.

 

ML - Sou uma sortuda na caça, pois já tive muitos lances que me completaram enquanto caçadora e enquanto mulher. Não consigo destacar nenhum em particular, porque todos têm uma história bonita para contar. E todos são diferentes, não posso comparar um lance de caça menor, com os meus cães, com um lance na caça maior, por exemplo. 

Já me aconteceram muitas coisas boas, mas estou segura que outras virão...

Mas, o melhor lance deste ano, aquele que me faz pensar de rompante...Foi quando decidi ser matilheira por um dia e foi incrível. 

 

 

TC - Qual o futuro que prevês para a caça?

 

ML - Sou uma pessoa muito positiva. E, por isso mesmo, só posso acreditar num futuro positivo. Sei que as espécies estão a diminuir, principalmente com a problemática da doença no coelho bravo. Mas há tantas pessoas boas que fazem coisas boas e, quem sabe, ajudar-nos-ão com isto. Acredito nelas, nas boas pessoas. E principalmente acredito no lado bom da história, ganha sempre! E nós somos o lado bom. Sem caça, muitas coisas deixarão de existir. Claro que a realidade em Portugal é diferente da de Espanha, vocês são bem mais unidos.

Mas acredito na caça e nos caçadores, e isso é o mais importante.