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Diário de uma Caçadora

Diário de uma Caçadora

Escolhi ser Caçadora!

 

 

Por vezes, em determinadas conversas, ouço pessoas a dizer que já nasceram caçadores. Não sei se isso é, de todo, verdade… Acredito que nascemos com uma missão nesta vida, é certo, mas daí a nascermos já futebolistas, nadadores, humanitários, professores, ou caçadores… Não sei… Talvez…

Eu não nasci caçadora. Eu tive de viver várias coisas para me tornar caçadora. Tive de viver e, sobretudo, de ver, de sentir e, com isto, de tomar várias opções.

Para se ser caçador, têm de se fazer várias opções. Temos de escolher. E por vezes estas escolhas não são fáceis. Por vezes levam-nos a pensar se a caça é mais importante que o resto… E se a caça é mesmo a nossa forma de vida…

 

Escolher é difícil. Então quando temos duas coisas de que gostamos muito, torna-se quase impossível. Imaginem ter de escolher entre um chocolate e um gelado delicioso? Escolher entre uma viagem à Tailândia ou uma viagem a Moçambique? Escolher entre uma noite num hotel de 5 estrelas ou um jantar num restaurante topo de gama? É difícil, não é? Obviamente que cada pessoa tem gostos definidos mas, ainda assim, creio que nesta matéria todos somos muito parecidos – gostamos de comer, de viajar e de nos sentir bem. E falamos aqui de escolhas “banais”.

Mas… E quando se trata de escolhas que podem influenciar a nossa vida, de forma direta?

 

O processo mental é o mesmo; mas com um nível de dificuldade acrescido. Tive de fazer muitas escolhas na minha vida… E acho que para sermos caçadores, temos mesmo de o fazer. Escolhas, opções… Isso irá definir-nos, como caçadores mas, sobretudo, como pessoas. Eu fiz as minhas, e nunca me arrependerei de nada…

 

Escolhi que a vontade e a paixão dos meus cães era mais importante que as minhas vontades. E por isso me tornei caçadora.

Escolhi passar mais tempo com o meu pai, na caça, ao invés de passa-lo com amigos…

Escolhi que iria ser um orgulho para o meu pai… E para o resto da minha família…

Escolhi levantar-me mais cedo aos fins de semana, do que aos dias de semana; ao invés de ficar na cama até ao meio dia…

Escolhi deixar de sair à noite, enquanto todos os meus amigos me mandavam mensagens a perguntar se tinha mesmo a certeza que não ia…

Escolhi deixar de fazer programas ao fim de semana. “Onde vamos?”; “A que horas vamos?”; “Levas tu o carro ou eu?” – tudo isso deixou de fazer parte da rotina. Aos fins de semana, sei para onde vou, com quem vou e a que horas tenho de lá estar.

Escolhi deixar uns amigos para trás e, consequentemente, fazer outros novos.

Escolhi ter mais amigos homens que amigas mulheres.

Escolhi ter amigos mais velhos que mais novos.

Escolhi deixar de passar muitos fins de semana com a minha família e essa é a escolha mais difícil, estou certa.

Escolhi ter de lavar todos os dias os canis dos meus cães, ao invés de ficar a ver televisão.

Escolhi sofrer por perder um cão, do que não sentir absolutamente nada.

Escolhi lutar contra o preconceito em relação aos caçadores, ao invés de me juntar a ele…

Escolhi ser saudável, fazer exercício físico aos fins de semana e comer carne sem hormonas nem antibióticos; ao invés de ir para centros comerciais comer fast food…

Escolhi um companheiro de caça, onde não existe nada que não partilhemos juntos…

Escolhi viver emoções únicas, verter lágrimas a toda a hora, com histórias reais; em vez de o fazer com os filmes de domingo à tarde…

Escolhi não ter tempo para descansar…

Escolhi ajudar a caça, porque percebi o que era a caça!

 

Escolhi viver, em vez de ver a vida passar!

Escolhi ser feliz, em vez de ter uma vida banal…

Escolhi ser Caçadora!

ML.

 

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