Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Diário de uma Caçadora

Diário de uma Caçadora

Lobos de Chernobyl podem espalhar genes radioativos mutantes pela Europa

Uma investigação científica da Universidade do Missouri, nos Estados Unidos da América (EUA), publicada no European Journal of Wildlife Research, revela que, pela primeira vez, foi detetado um lobo a sair da zona de exclusão do Chernobyl, na Ucrânia, isolada após o desastre nuclear de 1986. Este é um dado que levanta dúvidas quanto à eventual disseminação de genes radioativos mutantes pela Europa.

 

Esta “zona morta” foi abandonada por milhares de pessoas, após o acidente nuclear de 1986. Hoje é ocupada por populações de javalis, linces e lobos que se multiplicaram sem a presença dos humanos. Para ter uma ideia, a população de lobos na zona é, atualmente, sete vezes superior à das áreas envolventes, como apontam os autores da pesquisa.

Segundo o ZAP.aeiou, o líder da investigação, Michael Byrne, disse ao Live Science que "a área transformou-se numa reserva natural”.

 

Esta pesquisa centrou-se na monitorização de 14 lobos cinzentos, utilizando coleiras com GPS. Foi, assim, que conseguiram detetar a saída de um dos lobos mais jovens da matilha para lá da Zona de Exclusão de Chernobyl. O lobo afastou-se até cerca de 300 kms de distância, e um problema no seu colar GPS não permitiu apurar “se o animal voltou eventualmente à Zona de Exclusão ou se permaneceu fora permanentemente”, refere o Live Science.

 

Segundo Michael Byrne, "esta é a primeira prova de um lobo a dispersar para lá da Zona de Exclusão e é razoável admitirmos que coisas semelhantes estão a acontecer com outros animais", que podem transportar genes radioativos para outros animais. Caso isto aconteça, as repercussões serão sentidas em toda a Europa.

 

A Zona de Exclusão continua interdita para habitação, mas abriu recentemente para visitas turísticas.

 

hqdefault.jpg

Fonte: ZAP.aeiou ; Live Science

Bibliografia: Byrne, M., Webster, S., Lance, S., Love, C., Hinton, T., Shamovich, D., & Beasley, J. (2018). Evidence of long-distance dispersal of a gray wolf from the Chernobyl Exclusion Zone. European Journal of Wildlife Research, 64, 39.