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Diário de uma Caçadora

Diário de uma Caçadora

Mêda | 5º Encontro de Matilhas

Todos sabem que uma das coisas que mais gosto são os cães. E, para mim, a caça só faz sentido com eles.  Desde pequena que convivi com tantos e tantos cães, tal como nos dias de hoje. E se há uma coisa que me apaixona nas montarias, é isso mesmo: os cães. E se há uma coisa que me “apaixona” nos matilheiros é a forma como tratam os seus cães, que tem evoluído de dia para dia. Já vi matilheiros a chorarem pelos cães, já vi matilheiros a ficarem horas sentados no mesmo sítio à espera de um cão, já vi matilheiros com lágrimas nos olhos quando falam da sua matilha… E quero acreditar que isto é o verdadeiro significado de ser matilheiro. Pelo menos, para mim.

E talvez tenha sido esta paixão pelos cães que levou a que me interessasse mais e mais por todas estas dinâmicas com os cães, nos vários tipos de caça…

Aqui surge o António Ramos e a forma como sempre me tratou. Se preciso de alguma coisa, o António está lá. Se há alguma notícia, o António já sabe. É uma pessoa que respeito muito neste meio, principalmente pelo trabalho que tem feito com os matilheiros, como já tive oportunidade de lhe dizer. Sem o António, a APMCM não seria a mesma…

Neste contexto, e seguindo esta paixão pelos cães e esta amizade com o António, tive oportunidade de ir este fim de semana a Mêda, com o intuito de falar sobre a caça com as crianças que poderiam estar presentes e conhecer toda a dinâmica do encontro de matilhas.

As expetativas eram altas; sabendo que não sou uma matilheira, nunca fui posta de lado pelos mesmos e todos me recebem calorosamente. Aqui, em Mêda, não foi diferente. Com mais de 80 matilhas presentes, com mais de 1000 cães a ladrar para marcar presença, posso dizer que o meu fim de semana foi maravilhoso!

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E já que havia concurso de beleza de podengos aproveitei, juntei os meus dois grandes companheiros destas andanças: o Zé e o meu pai, e fomos até Mêda, juntamente com a “nossa matilha” podengueira!

Fomos recebidos com o calor do norte, apesar do frio que se sentia em pleno mês de junho. Jantamos no restaurante do Morgado, que tão bem nos recebeu e tratou. Passamos a noite num hotel em Longroiva, simplesmente fantástico, e ideal para uma “escapadinha de fim de semana”.

Esta é outra das coisas maravilhosas da caça: a oportunidade que temos de conhecer cada canto de Portugal. Mas aqueles cantos que ninguém quer visitar, porque são pequenas aldeias habitadas apenas por 100 ou 200 pessoas. Mêda não foi execeção. Uma pequena cidade da Beira Alta, com cerca de 2000 habitantes, mas com tanto para contar e descobrir.

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As pessoas saíram de casa e foram ao pavilhão onde havia stands de caça, de produtos para venda (queijo, mel, vinhos…), onde havia uma Aldeia dos Caçadores para as crianças brincarem, exposição de cães e ovelhas, demonstração de cães pastor e de rasto, concursos de beleza de cães… Enfim, toda uma panóplia de atividades que não nos deixaram parar um segundo.

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Quero dar aqui destaque à Aldeia dos Caçadores. A tantas feiras de caça que já fui e nunca tinha visto uma atividade dedicada somente às crianças. Esta pequena feira significou tanto neste sentido: um espaço para as crianças brincarem e aprenderem sobre caça. Pescaram, fizeram tiro ao alvo e ainda havia tempo para as pinturas faciais com os dois animadores que se encontravam no espaço. Grande iniciativa!

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No sábado de manhã, quando chegamos ao local da exposição, parece que tudo se transformou, como da noite para o dia. Os espaços outrora vazios, estavam repletos de cães maravilhosos, com duas caraterísticas que se destacavam em todas as matilhas: a beleza de cada cão e a forma digna como estavam tratados. Parabéns a todos os matilheiros presentes! Cães excecionais. Não havia nenhum cão magro, todos tratados de forma exímia.

À tarde houve um concurso para cães de matilha, em que se apresentavam parelhas. As categorias e os vencedores foram os seguintes:

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Cães de presa

1º Lugar -Rehala Vadillo

2º Lugar -Rehalas José Luís

3º Lugar -Matilha do Vouga

 

 

Cães cruzados

1º Lugar- Rehala Vadillo

2º Lugar - Matilha Terras de Faria

3º Lugar - Rehala porla

 

 

Cães de rasto

1º Lugar - Canil D' Aquem e d'Alem Mar

2º Lugar - Matilha Xokeiro

3º Lugar - Rehala el zorro

 

Cão de gado transmontano

1º Lugar - Matilha Ramalho

2º Lugar - Matilha Ramalho

3~º Lugar - Matilha Ramalho

 

Podengos cerdosos

1º Lugar - Canil Caixaria

2º Lugar - Gonzalo Corral

3º Lugar - Matilha do Vouga

 

Podengos lisos

1º Lugar - Matilha Morgado

2º Lugar - Tó Perdigão

3º Lugar - Gonzalo Corral

 

Matilha com melhor apresentação - Matilha Vozes de Bandarra

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Houve ainda tempo de entregar prémios aos Melhores Trajes Feminino e Masculino de Matilheiros. Parabéns a todos estavam maravilhosos!

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Entre gargalhadas, piqueniques e muito boa disposição, creio que os matilheiros saíram deste encontro com a certeza de que estão mais fortes e melhores que nunca, contando com o apoio de todos os verdadeiros caçadores e da APMCM.

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No domingo houve uma prova de cães coelheiros, com o apoio da Associação Portuguesa de Biodiversidade e Cinegética (APBC) que alberga sempre muitos concorrentes e curiosos.

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Depois da primeira prova, das semi finais e da final, as classificações ficaram assim ordenadas:

1º Lugar – António Perdigão

2º Lugar – Nuno Fanado

3º Lugar – Marco Pires

4º Lugar – Abel Gonçalves

5º Lugar – Jorge Maximiano

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Decorreu também, neste dia, o I Encontro de Ovinicultura, mostrando que a caça e o mundo rural andam de mãos dadas.

À tarde, decorreu a exposição de morfologia de podengos portugueses, com a juíza do Clube Português de Canicultura (CPC), Amélia Taborda. O tempo não quis ajudar, e a chuva teimava em não parar e, por esse motivo, a exposição decorreu dentro do pavilhão, onde havia um parque com algumas perdizes. Ora, imaginem o comportamento dos nossos cães… Ladravam, latiam, davam piruetas, só para chegarem perto das perdizes! E creio que é tão fácil percebermos a importância que a caça tem para estes cães e que, realmente, esta é a sua função e a forma como ficam felizes (neste caso particular, diria mesmo histéricos) com as espécies cinegéticas.

Concorremos com os nossos podengos e saímos de lá muito satisfeitos, com vários prémios adquiridos. Como a juíza salientou várias vezes, apresentaram-se podengos muito bons e equilibrados, com este binómio tão importante – função (caça) e morfologia.

O Canil da Caixaria conseguiu os seguintes resultados:

 

Podengo Pequeno de Pelo Liso

2º e 3º Melhor Fêmea

 

Podengo Pequeno de Pelo Cerdoso

Melhor Jovem

Melhor Fêmea

 

Podengo Médio de Pelo Liso

Melhor Macho

 

Podengo Médio de Pelo Cerdoso

Melhor Macho

2º Melhor Fêmea

 

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Fiquei tão feliz, sabem? Não por mim, obviamente, porque o que mais gosto é de participar e divertir-me. Mas fiquei feliz pelos meus cães mas, sobretudo, pelo trabalho que o meu pai faz, há anos e anos com o podengo português. E aqui estão os resultados. Por vezes brinco com ele e digo-lhe “pai nós não temos podengos bonitos, só funcionais” e ele diz logo “esta minha Mafalda é parva”. Mas ele sabe tão bem como eu que os nossos podengos são maravilhosos e, para nós, os melhores do mundo. Não é assim que deve ser? Contudo, e creio que é essencial esta postura num criador de cães, sabemos sempre ver os defeitos e onde podemos / devemos melhorar. Por isso Pai, obrigada por todo o teu trabalho e dedicação com o nosso podengo. E obrigada por me fazeres caçadora… Quantas vezes digo isto…

 

E depois de toda esta envolvência num fim de semana particularmente bom, tenho de fazer um especial agradecimento ao António e felicitá-lo pelo maravilhoso trabalho. Parece tão fácil, mas só o é por si António. Muito obrigada!

Um obrigada a todos os matilheiros porque, sem eles, nada disto se faria.

E um obrigada gigante ao meu grande companheiro de vida porque, como lhe digo várias e várias vezes, sem ele nada disto seria possível! Este é o verdadeiro significado do amor…

ML.