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Diário de uma Caçadora

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Novo estudo científico diz que as plantas também sentem dor

Há uns tempos uma investigação da Universidade do Missouri (EUA) descobriu que as plantas conseguem identificar sons e reagir a ameaças. Agora, um novo estudo, publicado este mês na Revista Science, revela que as plantas também sentem dor.

 

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A ideia-chave deste novo estudo é que há uma semelhança entre a reação das plantas quando sentem “dor” e o sistema nervoso dos animais. Mas vejamos mais pormenorizadamente.

 

Os resultados do estudo "Glutamate triggers long-distance, calcium-based plant defense signaling", que pode ler na íntegra AQUI, sugerem que há uma grande semelhança entre a reação das plantas e o sistema nervoso dos animais.

Quando uma planta é picada por uma lagarta ou um inseto, reage ao dano da mesma forma que um animal, utilizando as mesmas moléculas, mesmo sabendo que as plantas não têm um sistema nervoso. Essa reação tem a função de ativar um sistema de “defesa”, propagando e partilhando a “dor” com outras plantas.

 

Os investigadores norte-americanos são da área da botânica, microbiologia e bioquímica, e decidiram estudaram as reações da Arabidopsis thaliana, uma pequena planta crucífera nativa da Eurásia e do norte de África. 

 

Segundo o zap.aeiou, as autoras contam que “As plantas são estacionárias e não podem escapar dos herbívoros, por isso respondem com defesas químicas para detê-los e reparar tecidos danificados”. O botânico Simon Gilroy acrescenta ainda que "Sabemos que existe um sistema de sinal sistémico e que, se atingirmos a planta num certo sítio, o resto desencadeia as suas respostas defensivas. Porém, não sabíamos o que estava por trás desse sistema”.

  
 

Houve uma série de vídeos gravados pelos cientistas, que permitiram perceber que a carga elétrica, na forma de ondas de luz transmitidas pelos iões de cálcio, se propaga desde o foco do dano para o resto da planta a uma velocidade de um milímetro por segundo.

É muito mais lento do que as reações nervosas dos animais, cujos nervos transmitem o sinal da dor até 120 metros por segundo, contudo, os cientistas dizem que o organismo da planta cumpre a mesma função.

 

A equipa utilizou proteínas fluorescentes para poder observar os sinais à medida que se espalhavam pelas plantas em resposta ao stress. À medida que a onda se propaga, o nível de hormonas defensivas na região afetada aumenta, segundo os investigadores, que admitem que este sistema de defesa pode variar entre as diferentes espécies.

 

E agora?

 

Referências Bibliográficas: Toyota, M., Spencer, D., Sawai-Toyota, S., Jiaqi, W., Zhang, T., Koo, A., Ho, G., et al. (2018). Glutamate triggers long-distance, calcium-based plant defense signaling. Science, 361, 1112-1115.

Fonte: zap.aeiou