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Diário de uma Caçadora

Diário de uma Caçadora

Os politicamente corretos das redes sociais!

Dou por mim a pensar nas diferentes posturas que podemos adotar ao longo da vida e até mesmo em determinadas situações. Conheço pessoas que no trabalho são uma coisa e fora desse contexto são outra. Que com a família são uma coisa e com os amigos são outra totalmente diferente.

Estas diferentes posturas que adotamos podem ser normais e adaptativas até certo ponto, pois a variabilidade de comportamentos pode ser infinita e naturalmente somos "muitos num só".

Agora o que não se compreende é a facilidade com que algumas pessoas se transformam atrás de uma tela de computador. Talvez vivam em dois mundos, um onde são elas próprias, com todos os defeitos e limitações de um ser humano; outro mundo onde tentam ser o humano ideal - aquele que não existe mas que todos gostaríamos de ser, pelo menos uma vez na vida. 

Esta nova sociedade impinge a perfeição; e se não for no dia a dia, com os outros, terá de ser no dia a dia com as tecnologias. Uma sociedade de Facebook e Instagrams, que superou a outra velha e modesta Sociedade.

 

E esta nova sociedade tem uma coisa boa para cada um de nós: conseguimos sentir-nos bem connosco próprios! A máscara que se coloca permite que a auto estima aumente e que se experiencie um sentimento profundo de bem estar e de valorização pessoal. E tudo isto porquê? Porque se finge ser quem não é… Porque se é politicamente correto e não passa disso! Porque as pessoas maquilham-se de opiniões perfecionistas, sem conhecerem a realidade imperfeita (como em todas as realidades). E a satisfação pessoal e o alívio da consciência são os alicerces para que este espetáculo continue.

 

A pessoa que na vida real se chama José, trabalha 8 horas diárias e recebe o ordenado mínimo, chega a casa e tem apenas o gato para lhe fazer companhia. Essa pessoa sente-se sozinha. Muito sozinha. Olha para o espelho e não gosta dele próprio. E mais que isso, sente-se injustiçado, quando olha para a sua vida e a compara com os outros. Bons empregos, ordenados, vidas preenchidas de amor e carinho. E o José nada tem… Porque não o conquistou! Porque achou que o amor de um gato era tudo para ser feliz. Nem os seus amigos de sábado à noite preenchem estas lacunas da vida! E então terá de descarregar estas suas frustrações nos outros, naqueles que pensa que são perfeitos e felizes. Mas esquece-se que todo o ser humano é imperfeito e tem momentos menos bons. O José quer-se sentir bem com ele próprio e cria um Facebook. Gosta muito dos animais e acha incorreto matarem-se animais na caça. Então decide tornar esta a sua atividade principal, o seu objetivo de vida. Adora o seu gato e vê-o como um membro da família. Como poderá um caçador não sentir o mesmo?

Decide lutar contra isso. Desta forma, sente que tem um papel ativo na sociedade mas, sobretudo, na sua vida (e na do seu gato). Sente que pode ajudar algo ou alguém, sente que pode descarregar as suas frustrações no caçador. Nas redes sociais ele é tudo; na vida real não é nada, porque no fundo nem sabe o que é a caça e nem quer saber… Só quer ter alguma coisa que o faça sentir melhor com ele próprio. Desta forma, tem o apoio de algumas pessoas, faz mais amigos e alguns até lhe dão os parabéns por ter determinadas intervenções. O José sente que no Facebook consegue ser feliz. Só ainda não percebeu que essa felicidade é mascarada e utópica… E que a natureza precisa dos caçadores para continuar a equilibrar-se; e não de cibernautas politicamente corretos como o José.

 

Ricardo Trujillo, Psicólogo e Professor da Universidade Nacional Autónoma do México (UNAM) investigou este vínculo psicológico entre seres humanos e natureza, tendo concluido que esta é vista como a mãe perdida, que está desaparecida e que é tratada de tempos a tempos, para afastar a culpa. "É um tipo de saudade e nostalgia pelo lugar onde nos sentimos em equilíbrio, já que vivemos numa sociedade oposta com tecnologia, carros e poluição; e é por isso que sonhamos em voltar a essa natureza", diz. 

"Essa ilusão de retornar à mãe, à paz e ao equilíbrio baseia-se numa definição errada do ambiente pois, hoje em dia, a natureza não tem nada de equilibrado. Esta é uma maneira de manter uma ilusão nostálgica, procurando aquilo que falta nas nossas vidas. No entanto, quando obtemos isso, percebemos que não era aquilo que procuravamos e vamos à procura de outra casa ou outro carro. Queremos sempre mais e mais, nunca estamos satisfeitos com nada", conclui.

 

É por isso que todos os Josés que existem por aí nunca serão felizes, porque projetam nos outros todas as suas frustrações. E continuarão a ser politicamente corretos nas redes sociais mas, fora delas, são humanos tão ou mais imperfeitos... E continuam a comer bife frito com molho e batatas fritas, como todos os outros...

ML.

 

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