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Diário de uma Caçadora

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Os segredos da adaptação das lebres às alterações climáticas

Num artigo publicado na revista Science, "Adaptive introgression underlies polymorphic seasonal camouflage in snowshoe hares", uma equipa científica internacional, revelou que a lebre americana consegue manter a camuflagem todo o ano, mudando ou não a cor da pelagem sazonalmente.

 

O estudo demonstra que a incorporação de variantes genéticos de outra espécie de lebre leva a que alguns indivíduos não mudem de cor, o que poderá ter implicações na capacidade da lebre americana sobreviver às alterações climáticas.

São conhecidas pelo menos vinte e uma espécies que mudam a cor da sua pelagem ou plumagem de castanha no verão para branca no inverno. Esta aptidão permite aos indivíduos camuflarem-se na neve, diminuindo a probabilidade de serem predados. A lebre-americana é uma dessas espécies, mas as populações da região costeira do Noroeste Pacífico do continente Norte Americano permanecem castanha todo o ano. Esta observação levou uma equipa de investigadores a levantar a questão “O que explica que algumas populações mantenham a cor castanha no Inverno?“.

 

O estudo teve a participação de sete instituições diferentes, onde conseguiram analisar o genoma completo das lebres americanas em populações do Noroeste Pacífico, onde indivíduos brancos e castanhos coexistem no Inverno.

Concluiu-se que as diferenças de cor no Inverno são determinadas por variação genética que interfere na regulação do gene Agouti, um gene envolvido na pigmentação e que está ativo na muda de pelo no Outono, quando os dias começam a ficar mais curtos.

 

Paulo Alves, investigador deste estudo, em declarações à Notícias Universidade do Porto, diz que “uma descoberta notável foi que a informação genética responsável pela cor castanha durante o Inverno, na lebre americana, foi introduzida nesta espécie através do cruzamento com a lebre de- cauda-negra, que permanece castanha todo o ano”. Este processo, intitulado introgressão, permitiu a adaptação a um ambiente com menos neve sazonal, através da manutenção da camuflagem.

 

Segundo José-Melo Ferreira, outro investigador, “enquanto que a muda para branco é ativada pela duração do dia, que não será alterada, a eficiência da camuflagem depende da cobertura de neve, que está a diminuir”. A chegada tardia dos Invernos e o degelo antecipado, resultantes das alterações climáticas, poderão ter impacto na sobrevivência dos animais que mudam sazonalmente de cor.

José Melo-Ferreira conclui, dizendo “se a existência de variação de cor no inverno foi um mecanismo importante para a persistência da espécie em ambientes com neve sazonal mais efémera, será seguramente fundamental para a adaptação rápida desta e de outras espécies às alterações climáticas em curso”.

 

Fonte: Notícias Universidade do Porto

 

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