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Diário de uma Caçadora

Diário de uma Caçadora

Porque deixei de ser Anti-Caça!

Se há uns anos, uns belos anos atrás, me dissessem que iria gostar de caça, diria de rompante "Isso é impossível". Seria mesmo impossível, naquela altura, abrir a minha mente para outras opções mas, sobretudo, ver mais além do que a ideia pré-formatada que tinha criado na minha cabeça.

Sempre gostei de animais.

"O que é que mais gostas na vida?" - Animais, respondia eu.

"O que te faz mais feliz?" - Animais, dizia.

"O que queres para prenda de anos?" - Um animal qualquer.

Era conhecida como a rapariga que gostava de animais, como aquela que deveria vir a ser veterinária, um dia.

 

O tempo foi passando, amadureci, cresci e vivi. Sim, sobretudo isso - Viver. Viver a realidade. Quando isso acontece, estou certa de que tudo muda, na nossa maneira de pensar.

Já vivia os animais, com demasiada intensidade. Só me faltava viver o outro lado, aquele que me ajudaria a perceber como poderia ajudá-los. Queria fazer a diferença no mundo, na vida dos bichos. Mas como?

Para além das contribuições monetárias que poderia fazer ou do voluntariado aqui e ali, nada me satisfazia. Não era esta a ajuda que queria dar. E continuava a ser Anti Caça. Tenha isso o significado que tiver.

 

Até que um dia houve um click. Não foi momentâneo. Esse click veio crescendo, à medida que me fui informando e que fui vivendo de perto a realidade de um cão de caça. Não a realidade da caça; somente a de um cão de caça. Se são diferentes? Na altura, para mim, eram.

 

Comecei a ir ao campo, como habitualmente até fazia, com os meus cães. passeávamos, brincávamos, e eles corriam atrás dos pássaros. Sem significado, para mim, até ao dia em que percebi a verdadeira intenção. Eu tinha cães caçadores, que queriam caçar, e eu não os deixava fazê-lo. Fui mais além, fui ver o que poderiam estes cães fazer num terreno com caça.

Primeiro tens que perceber o conceito da caça. Que há espécies cinegéticas, limites, leis, calendários, etc., etc. E depois, lá está, tens de viver tudo isso. E quando um cão de caça está no terreno, atrás de uma peça de caça, tu pensas para ti próprio "Porque é que eu sou contra a caça?"

 

Porque é moda? Porque tenho pena dos animais? Porque gosto de ter uma posição que fomente alguma ira em certos sítios? Porquê? Porque era eu contra a caça?

Não sei. Mas talvez porque gostava demasiado dos animais e não tinha percebido que a caça poderia ser um agente de conservação das espécies e o elo de ligação entre o Homem e o Animal.

Isso veio depois. Depois do meu gosto pela caça começar, ou do meu gosto por ver os meus cães a caçar, naquela altura, decidi perceber o que me poderia levar a gostar de caça. 

Não foi difícil. Nada difícil...

Porque as razões que me levariam a gostar da caça e a ser caçadora eram mais que muitas.

A principal? A felicidade dos meus cães.

A “ outra principal”? A conservação das espécies e da natureza. O contacto com tudo o que nunca havia pensado. Estar com os animais de uma forma que nunca pensei ser possível. Conhecê-los a fundo, a sua dinâmica, as suas caraterísticas, até a sua história de vida.

A última razão? Encontrar coisas que me preencheram enquanto ser humano. A mim, à minha vida e à vida dos meus cães. 

Talvez seja difícil de perceber. Acredito mesmo que o é. Eu também via filmes da Disney e pensava que os animais falavam entre si, até vivenciar de perto a vida e o comportamento de cada um. 

E se quero continuar a comer carne, este tornou-se rapidamente no meu modo de vida, sem problemas de consciência ou sem batalhas interiores.

 

Deixei de ser Anti Caça porque me permiti, a mim própria, a VIVER! E pensar para além de um cérebro condicionado por teorias da conspiração...

ML.

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