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Diário de uma Caçadora

Diário de uma Caçadora

Voltará a caça regulamentada ao Quénia?

Desde 1977 que o Quénia proibiu a caça tendo sido, durante muito tempo, a Grande Bandeira das organizações Anti-Caça.

Mais de quarenta anos depois os resultados estão à vista...  O declínio de algumas espécies ultrapassou os 70%. Apesar de protegidos legalmente, a ausência de medidas efetivas de cumprimento das leis acabou por ter efeitos muito negativos sobre a vida selvagem.

A população de rinocerontes-negros baixou de 20.000 para cerca de 600.

O número de leões, no Quénia, passou de 2800 (em 2004) para menos de 2000 (em 2010); prevendo-se que continue a diminuir entre 100 a 200 leões por ano, prevendo a sua extinção neste país, em pouco mais de 10 anos. As três principais razões para a diminuição da espécie são: a falta de espaço, a falta de presas e a perseguição feita pelos pastores de gado. Ainda hoje em dia, os leões continuam a provocar estragos nas manadas de gado e, por vezes, atacam e matarm pessoas. A caça tem servido muitas vezes para pôr cobro a esses ataques e através das verbas que gera, compensar as perdas de gado. 

 

Laurence Franck, biólogo de uma organização conservacionista para a proteção dos felinos, "Panthera", refere que “o insucesso do protecionismmo tornou-se evidente porque os profissionais da caça deixaram de organizar operações contra a caça furtiva”.

Num dos seus relatórios, Laurence Franck admite que "Segundo as políticas actuais, a população local não beneficia de dinheiros provenientes da vida selvagem. Não recebem dinheiro das verbas com origem no turismo e a outra potencial fonte de dinheiro proveniente da vida selvagem – a caça de troféus regulamentada e altamente paga – tem sido proibida por influência financeira de lobbies conservacionistas ingleses e americanos."

 

Segundo as últimas notícias, o Quénia pretende legalizar novamente a caça controlada e regulamentada que, apesar de parecer contraditório, consegue salvar espécies. A caça, em África, tem uma movimentação anual de cerca de 1 bilhão de dólares, que posteriormente são utilizados nas populações locais e na conservação das espécies.

 

Em Angola um velho ditado indígena diz: “…quando o Leão ruge a terra treme, e o coração do homem também…”. Mas para o nosso coração tremer, é preciso que os caçadores, os conservacionistas, os ambientalistas (e todas as entidades ligadas à vida selvagem) se unam e não andem de costas voltadas...

ML.

 

 

(Quero deixar um especial agradecimento ao João Corceiro pela ajuda que me deu na elaboração deste artigo, onde muita informação foi retirada de um texto fabuloso que escreveu "León Africano, ¿Qué futuro le aguarda? (Hunting in the World).

 

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